Coletânea

As feridas da alma

Quem cura é a personalidade

14:11 · ~14 min de aula08 de janeiro de 2025Transcrição automática · em revisão
  • quem cura é a personalidade
  • as três pessoas (roteirista, personagem, personalidade)
  • código moral vs. drama moral
  • o pensamento metonímico (loquacidade)
  • comprar o drama do outro
  • a contemplação amorosa da verdade
  • o caminho da verdade (possibilidade→encarnação)
  • desumanizar = comparar com um código
  • a formação humana (dar forma)
  • a consciência (o roteirista)
Citações verbatim

Trechos da aula

E é por isso que quem cura é a personalidade, não é a técnica
— Prof. Diego Reis
Quando nós estivermos diante de pessoas, a gente, se você quer realmente ajudá-la, você tem que comprar o drama dela.
— Prof. Diego Reis
Eu sou aquele que sou.
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

Transcrição automática · em revisão

Se eu começar a falar pra vocês sobre Santo Tomás de Aquino, um dos maiores filósofos da humanidade, ou a gente for estudar o tempo, a filosofia do tempo, que tá lá disposta, posta em Santo Agostinho, vai ter um monte de gente que vai falar assim, pronto, virou religião o assunto. Meus amigos, tá nojento isso, sabe? É cansativo demais tratar com pessoas que se colocam numa barreira a partir de onde elas não vão mais buscar a verdade, tá? A gente aprendeu essa bosta com Kant quando ele tratou a metafísica com desdém e a gente tem feito isso muito bem, né?

Quando eu falo pra vocês sobre consciência sobre a consciência natural das quatro causas de Aristóteles. Ninguém falou tão bem disso, de sindérise, quanto São Tomás de Aquino. Aí você pensa assim, São Tomás de Aquino, caramba, ele celebrava a missa, está falando de religião. Meu amigo, você está de brincadeira comigo, né? Olha só, só em diagnosticar isso para vocês, já vai colocar vocês novamente diante do mundo real de maneira diferente e mais eficiente. É cansativo demais conversar com uma pessoa que tem esse hábito intelectual, sabe?

Um hábito de um código moral. Eu não vou evocar aqui premissas conceituais para tacar na cabeça de vocês e a partir de uma premissa começar a fazer deduções, silogismos, e a gente ir elencando verdades. Eu não vou fazer isso aqui. O método aqui é o seguinte, eu vou falar pra vocês, vocês vão olhar aí na vida de vocês e vão falar sim, sim, é isso que acontece, é isso que não acontece. E se vocês falarem que sim, é assim, a gente dá um nome pra isso, pra essa experiência que tá aí no mundo real de vocês, tá?

Então, esse ato mental, que, de uma certa maneira, está desencaixado com a realidade, a gente vai chamar de pensamento metonímico ou, então, de loquacidade. A gente tem essa capacidade de completar realidades, só que a gente está usando isso fora de controle. Essa capacidade de captação da unidade das coisas é genuína, é nossa, e a gente pode usar muito bem se usá-la controladamente. Por exemplo, eu não falei na teoria da Gestalt da Gestalt que serve para alguma coisa nesse sentido, a gente já fez um monte de testes de funcionamento metonímico da nossa capacidade, quando a gente faz, o que é essa figura, aí só tem os traços da figura, a minha esposa faz isso com nossos filhos, qual palavra é essa aqui, só tem algumas letras, ou qual frase, só tem algumas palavras, e a gente consegue completar aquilo, Vocês lembram que o método da ciência histórica, quando eu falei de metodologia histórica, eles se distinguem em bons métodos e métodos ruins, de acordo com a capacidade do historiador de controlar esse poder dele, de completar histórias ou não completar histórias, onde elas não devem ser completadas com a cabeça dele?

Lembram disso? Então, ontem, olha só, o cotidiano, né? Quartel. Tá lá o aluno fora de sala de aula conversando no telefone e o sargento gritando, guerreiro, avança aqui, desliga esse telefone, tá maluco? Aí vem um cara, não senhor, instrutor, meu irmão faleceu. Aí tá lá o instrutor, cara de bobo, né? Podia ter sido evitado isso? Podia ou não podia? O que ele fez naquele momento? pegou aquele ato ali e gatilhou, botou num livro, num livro de código moral, onde aquilo ali tá ligado com uma sequência de coisas erradas.

E não é assim. É essa distinção que a gente precisa fazer aqui. O que é código moral? E o que é um drama moral? E aonde tá na nossa realidade cada coisa dessas? Quer ver outra coisa agora? A chuva de perguntas que me fizeram sobre os dizeres do Papa Francisco. A minha resposta foi a mesma pra todo mundo. Calma, espera. Teu pensamento tá fazendo muita coisa sozinho. O nosso pensamento foge do mundo real. Foge do mundo real. Você tá ouvindo uma palestra? E, de repente, o palestrante continua falando e a sua cabeça foi pra outro lugar.

Louco a cidade. Ela vai falando sozinha agora. E você tá no seu mundinho, construindo a sua própria palestra. Depois vão te perguntar sobre a palestra. Você vai falar de uma palestra que você deu na sua cabeça e não a que você ouviu. A gente faz isso. A gente ouve o que a gente quer ouvir. É assim ou não é assim? Então, espera o mundo real te falar sobre a verdade. Aí hoje, depois de dois dias do caso, todo mundo respondeu a sua própria pergunta. Ah, não tinha problema nenhum, na verdade era o que ele já tinha falado.

É só a vida acontecendo. Aí o pessoal fala, você não vai falar nada? Olha, eu tava com a nítida impressão que eu não precisava falar nada e essa questão ia se resolver sozinha. Ou seja, não havia problema. Isso acontece muito na nossa vida. A nossa cabeça tá falando, falando, falando, falando e o problema nem se mostrou. Sabe por quê? Porque às vezes ele nem existe. Tava tudo como antes. Aliás, O problema existe, sim. Qual é o problema? É esse aqui que eu estou diagnosticando. É a louquacidade.

É o pensamento metonímico. Você pega uma partezinha de uma coisa e transforma numa coisa gigante. Você fez isso. Isso não é o mundo real. Então, como é que a gente trata isso? Mais uma vez, a verdade deve ser contemplada pacientemente, como quem ama. quem sofre com a espera do amado que vai chegar, que vai se revelar, a contemplação amorosa da verdade. Mas olha aqui, olha aqui, principalmente para vocês, psicólogo, coach, que atende pessoa, você não está diante de um código moral, Aquilo ali que tá falando pra você, contando uma história, não é um livro que você vai abrir junto com outro livro, seu código moral.

Qual é seu código moral? Da religião? Da sua empresa? Não sei. Códigos morais de comportamentos padronizados. Você tá diante de um drama de um ser humano. O código é uma abstração, ou seja, são regras sem carne e osso. O código serve, sim, pra quê? Ele é um instrumento da primeira pessoa humana, pra consciência, o roteirista, que escreve um roteiro que não foi vivido ainda, que não foi testado no mundo. Por isso, esse código tem serventia no mundo real, pra consciência, mas não pra totalidade humana, que não é só consciência.

é esse roteirista, que tem um personagem que tenta fazer esse roteiro no mundo, e o relacionamento entre esses dois é a tua personalidade, a terceira pessoa. Se você estiver diante de uma pessoa para simplesmente compará-la com um código, a primeira coisa que você está fazendo é desumanizá-la, transformá-la num livro para facilitar o teu trabalho. Aí você vai falar, você pode falar isso, que realmente você está analisando como quebra para estudo, porque você realmente está quebrando uma pessoa e está fazendo o trabalho com um pedaço de pessoa, um pedaço de pessoa.

E o resto? Falta carne e osso, falta o mundo real. Aí, se você é o beatão da igreja, Você pega seu código moral pra quê? Pra enfiar goela abaixo nos outros, não é assim? Que um monte de gente tenta ajudar os outros, que vão cheio de dramas. Então, olha só. Quando nós estivermos diante de pessoas, a gente, se você quer realmente ajudá-la, você tem que comprar o drama dela. e de uma certa maneira viver esse drama. E nós vamos curar esse drama em nós.

E quando isso acontecer de alguma maneira, ela também vai ser curada. Por quê? Porque quando você curar esse drama e contar para ela, a primeira coisa que vai acontecer, aquilo ali, Aquele remédio vai entrar no roteiro dela, entra na consciência dela, como uma espécie de objeto de fé. Não existia aquela possibilidade, mas agora existe. Lembra do caminho da verdade? Possibilidade, verossimilhança, probabilidade e, finalmente, cada um que encarne em si isso que começou lá na consciência. Então a gente vai sofrer com os problemas dela. Se você conversa com Deus, você tem religião, você vai falar com Deus sobre o drama dela como efetivamente um pai que olha seu filho que ainda não tem maturidade.

E se ele não tem, senão ele não estaria pedindo ajuda para você. Então você toma sobre si o seu problema, o problema dele. E seu filho olha para você resolvendo e, de uma certa maneira, ele incorpora isso na consciência dele. E depois, quando ele tentar fazer isso no mundo, isso vai ser a personalidade dele. Isso é formação humana também, da forma, da poder. Agora ele pode fazer, porque isso está no roteiro dele. E aí você percebe que existe uma união indissolúvel entre esse pai e filho.

O roteirista e o personagem e o relacionamento deles é a personalidade. E é por isso que quem cura é a personalidade, não é a técnica, é a personalidade que cura, não é a técnica do psicólogo que cura, é o psicólogo, é a pessoa dele, é ele diante de você, é o ser humano funcionando bem diante de você que vai ensinar para você a sair dali funcionando bem, é a personalidade que é a terceira pessoa que compõe você, a primeira pessoa humana, o roteirista, sua consciência, a segunda pessoa humana é o personagem que vai viver esse roteiro no mundo, a relação entre esses dois, entre sua consciência, seu pensamento e sua vida prática, essa relação é a sua personalidade, é a terceira pessoa.

Então, veja que, de alguma maneira, quem purifica, O outro é a terceira pessoa que ilumina a consciência do outro que está ali na sua frente e que recebe um presente da personalidade como um dom doado por uma espécie de labareda de fogo que ilumina. É um bom símbolo de doação da terceira pessoa, doar seus dons como fogo. Perceberam? a capacidade que essa organização antropológica, psicológica, espiritual, técnica, no mundo real da observação, do diagnóstico, da intervenção, ela precisa dessa capacidade de ser virtuoso, de funcionar bem, de uma observação do ser humano em três pessoas, um ser com uma substância humana, roteirista, personagem, e o relacionamento entre eles, que é a personalidade humana.

De alguma maneira, você vê a manifestação separada dessas três pessoas, não é? Quando você diz assim, eu fiz, mas minha intenção era outra. Eu fiz o personagem atuando no mundo, mas a minha intenção, a primeira pessoa, era a outra. Era outra coisa que estava escrita no roteiro. Então um outro você, relacional, sofre porque não se fez unidade. São três pessoas e não três partes, mas elas são sempre uma só. Sou eu. Você. Eu sou aquele que sou.

Série · episódio 4 de 46

Papo Matinal

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