Coletânea

As feridas da alma

Problema de linguagem

1:14:14 · ~61 min de aula27 de janeiro de 2025Transcrição automática · em revisão
  • o problema da linguagem (filosofia da linguagem)
  • o referente no mundo real
  • a verdade absoluta vs. relativa
  • o crítico (excesso de juízos)
  • ansiedade = compressão; depressão = des-pressão
  • o universal concreto
  • a demora / o tempo de presença tempera
  • a personalidade traidora
  • a palavra se fez carne (logos)
  • a repetição como método

Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 13:18.

Deixa eu bater um pouquinho mais aqui na tecla da linguagem, porque senão vocês vão continuar se enrolando com algumas coisas.

Citações verbatim

Trechos da aula

Porque a linguagem não é estabilizada sem a demora do referente no mundo real. Ela não é estabilizada. Nunca.
— Prof. Diego Reis
Nós nascemos para fazer as coisas demorar. As coisas precisam demorar para a gente.
— Prof. Diego Reis
O nome da ansiedade não deveria, de maneira nenhuma, ser ansiedade. O nome da ansiedade tinha que ser compressão.
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

Transcrição automática · em revisão

Boa noite, Natália. Fala, Dudu. Boa noite, Débora. Boa noite, Raíme. Boa noite, Zaira. Viviane, boa noite. Balfredo. Fala, Luiz. Boa noite, Renata. Tudo bem, Gabriel?

Alexandre, boa noite. Sulane, Aline. Renata Novelli? É. Boa noite, Cassi. Boa noite, André. Fala do Couto. Boa noite, Larissa. Grande Balvino. Boa noite, Joel. Boa noite, Stéfani, Filipe. Boa noite. Boa noite, Fabián. Primeiro Batalhão de Operações Ribeirinhas.

Forte abraço pra vocês aí, meus irmãos. Boa noite, Joana. Tudo bem? Como é que tá essa galera toda aí? Um abraço pro Nia. Boa noite, Cris. Vocês são uma figura. Fala, Rômulo. Boa noite, Bruno. Boa noite, Bia. Su Franca, boa noite. Boa noite, Ivi. Estamos lutando pelos céus. Boa noite, Carla.

Desiane. Marlene, boa noite. Psicomaria, boa noite. Biana. Sou irmão do Leonardo, meu irmão. Ana Porto, boa noite. Boa noite, Roberta. Boa noite, Pan. Denise. Fala, Tariq. Victor, comunidade vai ser em agosto. Mês que vem, né? Mês que vem. Mês que vem, lá pra metade de agosto, se Deus quiser.

Boa noite, Luana. Rodrigo, Monique. Daniel, olha. Tá melhor, meu irmão? Patrick, boa noite, meu irmão. Fala, Daniel Guarujá, um abraço. Tati, Rômulo, boa noite. Grande Clareson. Missa Paioli. Vila Velha, boa noite. Adriane, boa noite. Leila, boa noite. Boa noite, Victor.

Espadote. Boa noite, meu irmão. Rio Grande do Sul gelado. Magena. E o livro? O livro tá... daquela leve enroladazinha da editora, né? Mas eu já provei o final, já. Já me mandaram... Tudo pronto, eu já provei. Tô esperando só a notícia do livro aí. Umas mudadinhas aí na capa, algumas coisinhas. Mas ficou bonito pra caramba. Boa noite, meu caro Goiânia. Boa noite, Marisa. Bia de Guarulhos.

Boa noite, Vila Velha. Boa noite, Roberta, Cauã, Maringá. Agenda tá aberta? Não tá não, meu irmão. Tá fechada. A gente vai voltar a marcar em agosto também. Mês que vem. Comunidade é mês que vem, ô Fabrício. Boa noite, Tati. É isso aí, Gabriel. Tamo junto, mano. Boa noite, Douglas. Igor. Tiago. Tiago de Cuiabá.

Boa noite. Alaninha Nandas. É verdade, você tá sempre aqui. Aluna do ICEF. Magalia. Seja bem-vinda. Thaís. Boa noite. Dominguinho Frei. É. Boa noite, Luiza Rio Grande. Deve tá fim pra caraca aí, né? Boa noite, Paulo. Edu. ICF na área. Baba está maneira. Esse aí tá assistindo às aulas e tá aprendendo. Boa noite, Regiane.

Boa noite, Veridiana Regiane. Rafael. Ansiedade. Cuiabá segurou, vengão. É isso aí. Boa noite, Emília. Aí, pessoal de Rio Grande, Fipe Aburro. Maravilha. Mais um minutinho, né? Tem mais um minutinho pra eu passar aqui pra ir dando boa noite pra vocês. Boa noite.

Nandinha, de Rio Grande. Ortiz. Eu tive com Ortiz essa semana, Manoel. Todo o mesmo temperando. Ana, qual tema hoje? Sabe o que eu tomei na dúvida do tema hoje? Eu pensei aqui, eu sentei aqui, aí pensei, bom, a gente pode falar de ansiedade, A gente pode falar de luto. Eu vi o Tariq, aí o Tariq pediu pra falar de luto. A gente pode falar de audácia. A gente pode falar de linguagem, que também uma galera me pediu.

Eu comentei um pouco na última, né? Ansiedade. Procrastinação. Vocês sabem que... Só um comentário sobre procrastinação, né? A Roberta perdeu o pai. Tem sete dias. Nossos sentimentos aí, Roberta. Depois você fala o nome do seu pai que a gente reza por ele, tá? Procrastinação. Ansiedade e linguagem.

Audácia e humildade. Vestimentas diante dos filhos. Vocês sabem que hoje a procrastinação é tão elaborada, né? Procrastinação... A raiz da palavra procrastinação Cras, cras. Em latim significa depois, né? Amanhã. Eu já comentei com vocês sobre aquela lança de Santo Expedito dizendo ode, né? Mandando o cras pro espaço. O cras...

Existe uma forma sofisticada hoje de procrastinação que é escolher as coisas que a gente vai fazer mas ficar elaborando muito e postergando muito para florear. Eu vou dar um exemplo. Você vê, eu consigo fazer certas coisas, e às vezes até bastante coisa, porque as faço muito simples e sem floreio. Por exemplo, Tem gente que decide assim, ah, eu vou começar a correr, a fazer um exercício pra academia. Aí a pessoa, quando ela pensa isso e ela decide isso na cabeça dela, ela começa a florear, né?

Então ela decidiu ir pra academia malhar, só que no fim de semana ela vai pro shopping comprar uma garrafa melhorada, roupa de academia, vocês entendem como é que hoje é o estilo de procrastinação? Ou então eu vou sair para dar uma corridinha, aí ela tem que preparar música, ela tem que comprar roupa, sabe? Vocês já viram esse tipo de procrastinação? Uma procrastinação luxuosa, né? Então vocês veem, né? Eu faço meus exercícios aqui diariamente, as coisas que eu tenho que fazer, tudo de maneira muito simples, objetiva e rápida.

Então, por exemplo, um dia sim, um dia não. Eu treino peito, né? Como que eu treino peito? Vocês imaginam como é que eu faço treinamento de peito? Eu falo, a minha academia é o mundo, né? Eu empurro o mundo, você entende? Eu abaixo aqui e faço de três a cinco séries de cada exercício de flexão. Abro a mão, aí boto o pé no sofá, na cadeira. As coisas que a gente deveria fazer são muito mais simples do que a gente imagina, só que a gente fica transformando as coisas em monstros.

Você vê, eu às vezes falo com a minha esposa dos meus treinamentos de corrida. Eu estou com uma roupa aqui no corpo, um short, uma camisa, eu boto o tênis e saio do meu portão já correndo e marco o horário e saio em disparada já dando tiros normalmente. Eu não saio daqui para correr uma hora, duas horas. em 20 minutos eu estou destruído, às vezes vomito no treinamento de corrida. Então, hoje vocês têm uma maneira muito sofisticada de transformar as coisas em coisas monstruosas. Ah, eu quero começar a estudar tal coisa.

Ele falou, olha, hoje é muito fácil de estudar uma coisa. Se você decidir, na hora você já começa a fazer. Antigamente era muito mais difícil de fazer certas coisas. Pra achar um livro era uma dificuldade só. Mas vamos falar de outra coisa. Isso aqui é só pra facilitar um pouco a vida de vocês com a simplicidade. Porque a complexidade A complexidade das coisas tem levado muita gente para o consultório, para o atendimento. Então, olha só, deixa eu comentar um pouquinho aqui. Eu fiquei olhando as mensagens de vocês perguntando os temas.

Deixa eu bater um pouquinho mais aqui na tecla da linguagem, porque senão vocês vão continuar se enrolando com algumas coisas. Até antes de entrar na ansiedade e depressão, porque muito da ansiedade e depressão hoje é fruto da linguagem. Obviamente. Eu vou destrinchar com calma esse negócio da ansiedade e da depressão. Quem está lá na pós-graduação vai ter bastante coisa sobre isso em algumas categorias e já vai dar uma destrinchada boa. Mas olha só, na última live, quando eu falei sobre um acerto de linguagem, para as pessoas se curarem um pouco das inseguranças, das instabilidades emocionais.

Engraçado que eu dei um exemplo sobre a renovação carismática. E aí, olha que interessante. Eu falei sobre uma experiência que eu tive na renovação carismática, 23 anos. E aí, quando isso aconteceu, eu não comentei aqui na hora para não interromper o raciocínio, mas eu também não fico muito atento aos comentários durante a live. Às vezes, eu consigo dar uma olhada aqui. Mas aí minha esposa comentou depois. Ela falou, cara, é interessante quando você fala de um tema, aí as pessoas começam a fazer juízos aqui sobre o tema.

Tipo, eu comentei assim, renovação carismática, aí as pessoas começam, tá vendo, o professor Diego falou da renovação carismática, a renovação carismática é boa, a renovação carismática é ruim, eu também gosto da renovação carismática. Ou seja, elas começam a fazer juízos de maneira louca sobre as coisas. Eu entendo porque elas fazem, inclusive é isso que eu ensino para vocês. Por que a gente precisa ficar fazendo juízos sobre as coisas o tempo todo? Porque essa é a vida do crítico. Só que hoje a gente faz em excesso.

Por quê? Porque a gente está, sobretudo aqui no Brasil, mas não é exclusividade do Brasil, numa cultura à la Paulo Freire, ou seja, criticista. A gente não fica ensinando, falando para a criança que a gente tem que aprender a ser crítico, a gente tem que aprender a criticar, E fica botando criança pra criticar as coisas e ter opinião sobre as coisas. E, obviamente, isso torna a personalidade caricatural. Ou seja, o crítico é muito grande. Então, são pessoas que pensam muito. Pensam muito, pensam errado, pensam besteira.

E isso é um grande fundamento da ansiedade, que é a compressão e a depressão. A descompressão do crítico, que é quem tenta dominar o mundo com os juízos, fazendo Vocês entendem? Essa é a vida do crítico. Então, você vê. Eu falei sobre renovação carismática. Aí a pessoa, ela vai no passado, que é o lugar onde o crítico vive e atua, né? E ela começa a fazer juízos sobre a renovação carismática. Só que cai entre nós, né? Quanto tem, assim, no teu passado, de renovação charismatica, de tentativa séria de fazer um juízo assim, sabe?

De história da igreja, de como surgiu, com quem surgiu, o que os papas falaram disso, o que os documentos pontifícios falam sobre renovação charismatica, sabe? O quanto tem do teu crítico indo no passado e vendo a história disso? A verdade é que não tem quase nada. Só que vocês precisam de um juízo sobre isso para se orientar no mundo. Vocês entendem quando eu falo isso? que o domínio de vida do crítico, eu fico falando o tempo todo de dominar o mundo. Como é que eu domino aqui com o personagem presente no palco?

Com a própria atuação do personagem, fazendo uma coisa. Agora, entender essa coisa não é a vida do personagem. Entender essa coisa é a vida do crítico. Eu tomo café com o personagem no palco. Agora, entender isso e fazer juízos sobre isso Quem faz é outra pessoa fazendo outro tipo de operação. E aí depois eu vou pro futuro pra tentar construir um mundo futuro. Então vocês vejam, eu já falei um pouco pra vocês, né? A substância, a terra onde eles vivem é diferente, o modo de operação que eles realizam a vida é diferente.

E o que eles vão se transformando fazendo isso também é diferente. E aí quando eu monto isso, eu tô começando a ajudar vocês a acertar um pouco o uso da linguagem. Aí eu acabei de falar para as pessoas assim, olha, não estabiliza as coisas de uma vez só. Aí a pessoa, eu acabei de falar isso, aí ela bota assim embaixo, assim ó. Aí o professor Diego é muito inteligente. Aí pronto, ferrou, não entendeu nada, pô. Ele falou, pô, como eu posso ser inteligente se eu bato a cabeça aqui daqui a pouco e acaba tudo de uma vez?

Vocês entendem? A verdade é que se a pessoa está trabalhando, se ela está buscando, se ela está tentando, ela vai estar em algum momento um pouco mais inteligente, mas as circunstâncias da vida, inclusive, daqui a pouco podem acabar com isso. Então, vocês veem. Aí eu dei uns exemplos, que depois matou meia galera do coração quando eu falei de alguns juízos errados, do Chesterton, de Socrates, e são juízos errados. Agora vamos lá, vamos dar uma pipada de linguagem aqui. Por que quando Chesterton falou assim, que nós vamos ter que lutar e hastear bandeiras para dizer que a grama é verde?

E aí as pessoas hoje ficam falando sobre isso, repetindo isso à torto e à direita, como uma grande fala do mundo conservador, ou seja lá, qual o tipo de ideologia que as pessoas queiram se inserir. Aí elas falam isso. Por que as pessoas não conseguem se orientar e sair desse jugo da linguagem errada e ficam repetindo isso por aí? Porque falta o referente. O que é o referente? Então vamos lá. O crítico faz juízos. Eu estou fazendo uma live.

Quando acabar a live, eu estou aqui com o personagem no palco, fazendo a live. Quando acabar a live, eu olho para o passado e critico. Pô, a live foi boa. A live foi ruim. Eu estava meio desligado, estava desatento na live. Estou tentando me orientar com juízos no que aconteceu no mundo. Quando você fala assim, a grama é verde, O que é que te falta? Te falta pegar a grama e ficar olhando pra grama um dia, uma semana, um ano, três anos. Se você ficasse como referente da linguagem na tua frente, você ia parar de se enganar.

Por quê? Porque depois de um ano ela ia deixar de ser verde. Aí você ia fazer um novo juízo mais correto. Você ia falar assim, a grama estava verde e agora a grama não está mais verde. Vocês entendem? Vocês foram curados de uma neurose com a presença do mundo real, do personagem no palco. Então, quando as pessoas fazem juízos sobre A renovação carismática sobre o casamento, sobre a família. Vocês lembram a live do café frio e a do café quente, né? Por que não dá para ter mundo intelectual sem vida moral?

O que falta às pessoas? Falta às pessoas terem calma, paciência, gastarem tempo, se demorarem, criarem intimidade. para compreenderem o mundo. Então, quando eu falei para vocês assim, eu fiz o mesmo curso mais de 20 vezes e não me interessa ficar pegando um monte de material por aí. Por que não me interessa ficar pegando um monte de material por aí? Porque eu já fiz isso. E eu sei no que isso dá. Isso deixa a gente extremamente ansioso.

Comprimido. Por quê? Porque quando eu lia Santo Agostinho, aí depois eu passava para São Gregório Magno, aí ele começava a falar de prudência, ele começava a falar de temperança, aí eu achei que tinha entendido quando li Santo Agostinho. Mas aí ele está usando as palavras de maneira diferente. Aí ele discorda de alguma coisa. Aí são dois doutores da igreja falando da mesma coisa de maneira diferente. Aí São Tomás de Quino fala uma outra coisa. Aí ele fala assim, caramba, eu achei que eu tinha entendido, mas agora eu não estou entendendo mais.

Onde que eu vou para entender? Eu não posso ir para os livros para entender. Eu preciso ir pegar a grama e ficar olhando para a grama. Eu preciso do referente. Então eu preciso tentar intensamente viver a temperança no mundo para que ela seja o meu ponto de toque. Então vejam, são só muitas perspectivas. Aí as pessoas, olha que coisa interessante, olha sobre linguagem, olha só que interessante. Existe uma sentença sobre a verdade. A verdade é absoluta ou a verdade é relativa.

Como que as pessoas, grandes pensadores, argumentam sobre isso? Eles argumentam usando o princípio Aristóteles, da lógica clássica. Pessoal, quando eu falar algumas coisas técnicas aqui, não tenham medo não, tá? Normalmente eu falo com a linguagem normalzona do cotidiano, mas quando eu falar coisas técnicas, se vocês não souberem, anota aí para depois tentar aprender, entende? É interessante que vocês dominem essas coisas, por quê? Porque vocês são reféns dela dia após dia. Vocês vivem mergulhados nisso, só não sabem para onde estão sendo jogados, entende? Aí, olha só, vamos lá.

Aí a pessoa fala assim, o cara de esquerda, o marxista, ele fala assim, a verdade é relativa. Aí o cara de direita, conservador, estudioso, ele já aprendeu agora, porque várias pessoas grandes já falaram por aí assim, a verdade não pode ser relativa. Porque se a verdade é relativa, se essa sentença, a verdade é relativa, é verdade, então ela não é relativa. Porque pelo menos essa sentença de a verdade é relativa tem que ser absoluta.

Ou seja, por ter sido excluído, a verdade é absoluta. Aí elas falam, a verdade é absoluta. A verdade é absoluta. Isso é um raciocínio válido, formal, e que muitas pessoas boas têm ensinado por aí, né? A verdade é absoluta. Só que isso é lógica formal, né? Isso é lógica formal. Premissa maior, premissa menor, conclusão, o formato, a forma, o formal do silogismo. Pois é. Aí eu te pergunto, que diabos é essa verdade aí?

A verdade é absoluta. Qual é a materialidade? dessa verdade, o que ela é materialmente e não formalmente. Porque, preste atenção, ó, o silogismo mais simples que existe da filosofia, da lógica. Sócrates é homem, todo homem é mortal. Logo, Sócrates é mortal. Sabe por que isso funciona? Porque materialmente vocês sabem que Sócrates é uma pessoa, um homem. Se tu falar isso pra uma criança que não sabe o que é Sócrates, ela vai falar assim pra você. O que é Sócrates? Sócrates é um tênis? Aí você vai dar materialidade para Sócrates.

Não, ele é uma pessoa. E aí as pessoas estão discutindo se a verdade é absoluta e a verdade é relativa, usando lógica formal. Só que antes de se entregar à formalidade, que é o mundo do do potencial, do poder, do crítico, da palavra, da linguagem, do juízo, que é a segunda operação da lógica. A primeira operação da lógica é simples apreensão, apreensão sensível, que é a vida do personagem no palco. Tomei o café, agora eu vou fazer juízo, segunda operação da lógica. Aí, quando eu vou fazer esse juízo, Eu já me desgarrei do mundo material.

Aí eu estou falando sobre a verdade. A verdade absoluta, a verdade relativa. E o que é verdade? Aí se você responder assim para mim, a verdade é uma pessoa. Se você responder para mim que a verdade é uma pessoa, se essa é a materialidade da verdade, Então, a verdade não é absoluta. Porque uma pessoa é absoluta em que sentido? O que é o absoluto para você? Qual é a materialidade do absoluto? É aquele que não muda? Ou você considera absoluto como o poder soberano? Aquele acima do qual não tem nenhum, mas que é mutável.

Vocês entendem que doideira é isso aí que está acontecendo na cabeça das pessoas? E aí, como é que a gente sai disso? Deus é absoluto. Pois é. Jesus Cristo é Deus? Jesus Cristo, o que é Jesus Cristo ser absoluto? O que significa isso? Eu sei que vocês não estão entendendo, pô. Vocês só falam e repetem essas coisas, né? E entender são outros 500, né?

Ó, o Thiago Andrade fala aí, ó, universal concreto. O universal concreto, ele é concreto. Então ele tem matéria. Qual é a propriedade mais própria da matéria? É mutabilidade. Tu viu, a Flávia tá aí falando, sim, Jesus é absoluto, Deus é absoluto.

E o que que significa isso? O que que é absoluto? Me dá uma característica de absoluto? Eu sei que vocês sabem o que é a palavra absoluto, mas qual que é a carga do absoluto? Que materialidade tem o absoluto? Olha, Gabriela, o absoluto é aquele que permanece. Agora, olha para Cristo crescendo em sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. Por que tem coisa ali em Cristo que não permanece, então, se Ele é absoluto?

Uma doideira, né? Vocês veem como é que acontece? E tu vê, de verdade, aqui, cá entre nós, né? Quem que já tentou ir realmente lá no crítico, lá atrás, e resolver esses problemas aí? Vocês lembram na última live, quando eu falei pra vocês, as tentativas que eu fazia para tentar resolver o problema da substância, da essência, da natureza. Olha, tá aí a Fernanda falando, a dividade de Cristo é absoluta.

Coloca o concreto na tua frente e universaliza, pra fazer o universal concreto. Isso é o que dá mais problema num casamento, pô. Como eu expliquei pra vocês, né? Vocês veem o concreto. Você vê o concreto, teu marido jogado no sofá e você precisando de ajuda. Aí você vai universalizar o concreto. Como é que você faz? ah, meu marido é um preguiçoso, pronto, fez merda, vai destruir teu casamento, teu psicológico. Então, vamos lá, se a gente pegar isso aí, o Victor Santos, absoluto significa aquele que é, é aquele que é completamente, olha para Cristo, por exemplo, Deus, o que que nele era, completamente, o É, e o que estava diante dos nossos olhos, que a gente via se desgastar e mudar, mutável, mutável, a gente via Deus mudando na nossa frente, e aí como é que faz?

Como é que eu faço o juízo correto sobre isso? Divindade e humanidade, e onde é que está o absoluto na humanidade? A matéria muda. Aí eu te pergunto, e a matéria imutável de Santo Tomás de Aquino? Será que existe matéria imutável? Será que no mundo que a gente está tem matéria imutável? Por que São Paulo falou que nós éramos corpo, alma e espírito, soma, psique e nus, e no catecismo da Igreja Católica está escrito que nós somos corpo material e alma espiritual?

Corpo glorioso, olha aí. Isso botou uma interrogação, né? Isso aí é um puta de um pensamento, pô. O corpo glorioso. Mas Cristo apareceu com um corpo glorioso e comeu pães e peixes, né? E aí? Será que o corpo glorioso muda? Será que ele é mutável também? Aí, olha só, né? Agora, depois desse brainstorming que a gente fez aqui, reduz isso aí ao seguinte juízo.

Juízo! A verdade é absoluta. Aí eu te pergunto, qual é o referente desse juízo no mundo? Sinistro, né? Sinistro. E aí tu vê.

Muitas das sessões de terapia são só ajustes de limites. Eu não tenho dúvidas. Eu não tenho dúvidas. Pelos anos e pelo feedback que eu já ouvi de vocês aí, eu não tenho dúvidas que a melhor solução que a gente tem para isso aí são as três pessoas. Eu não tenho dúvida nenhuma. Porque com o olhar de cada uma delas, eu consigo ver cada parte dessas aí que deixa o pessoal confuso. Na última aula, a gente comentou sobre beleza. E aí a galera começa a ficar com questionamento.

Caramba, beleza é uma coisa absoluta. Beleza não é absoluto. O que é a verdade absoluta? Qual é o órgão nosso que vê a verdade absoluta? A verdade absoluta pode ser vista? Ela é vista? Olha essa frase do Caio aí.

A lei universal é a caridade. O amor dos filhos de Deus. Você vê. Tem gente que mata com essa frase, pô. Quando pega essa frase e você vai tentar encarná-la no mundo concreto, né? Em grego, alétheia. Verdade oposto de engano. Vocês sabem de onde vem o alétheia, a verdade grega? Aletheia é uma palavra grega que quer dizer a de negação, né?

E Letheia é de Leten, que é um daqueles cinco rios do Hades. Leten é o rio do esquecimento dos gregos. Então, Aletheia é retirar do rio do esquecimento. Trazer a tona. Então, não podemos ver Deus diretamente, mas por seus efeitos.

Quando a gente está vendo Cristo, Jesus Cristo sacramentado, a gente não está vendo Deus diretamente? Não é fácil, não, né? Transformar o mundo concreto em juízo é uma operação Olha como é que é essa operação. No livro do Gênesis, está escrito, no princípio, era a Palavra. A Palavra estava com Deus. A Palavra era Deus, né?

Tudo foi feito por meio da Palavra. Sem a Palavra nada foi feito. É isso? Está falando da Palavra, né? Ó, a Silviane, ó, afinal, o que é a verdade? Aprendi que Jesus é a verdade. Então vamos lá, ó. Jesus é uma pessoa, né? Jesus é uma pessoa. A verdade, ela é uma pessoa? Se a verdade é uma pessoa, Agora, volta lá naquela sentença do começo da live e encaixa ela lá.

A verdade é absoluta. Aí tu bota lá, a pessoa é absoluta. O que que significa isso no mundo real pra você? Uma pessoa absoluta. Ó, olha aí ó, olha a Laura aí ó, a verdade são três pessoas. Por que será que tem gente que fica gritando a meio mundo que a verdade é absoluta? Por que será que tem gente que fica gritando a meio mundo que a verdade é relativa, porque Olha para o mundo com o personagem.

Olha para o café que está quente e esfria, que não é quente, mas que está quente. Olha para o mundo com esse olhar do personagem. A verdade é um acontecimento. Essa frase aí é verdade? A verdade é esférica. Essa frase aí é esférica? É a verdade? Olhem essa resposta aí da Juliana Neves.

A verdade, ela tem feições de juízos. A verdade absoluta é um juízo, né? A verdade tem feições. de acontecimentos, avéritas dos latinos. A verdade tem feições de confiança, que é como era a palavra para os gregos, né? Émona, de onde hoje a gente tirou a nossa palavra amém, né?

Amém, amém, em verdade, em verdade vos digo. Então o que era a verdade? A verdade é quem fala, a pessoa que está falando. Ela fala a verdade. A verdade é a palavra que ela pronuncia ou a verdade é o objeto sobre o qual ela pronuncia a palavra? E o que a gente tem feito aqui? A gente tem tentado dar uma solução pra isso, né?

Pra essa confusão. Vocês sabem que a verdade é o verbo deixar a galera enrolada, né? Bom, mas isso também... O Novo Testamento foi escrito em grego, né? Então, em grego tá escrito assim, no Evangelho. Cai ho logos sarx egenetos.

Logos a palavra, né? E a palavra se fez carne. Só que isso, em grego, foi traduzido depois, na época, da Vulgata para o latim, né? De São Jerônimo. E aí, no latim, a gente traduziu por et verbum carufactum nest, iabitabit in nobis, né? Aí a gente traduziu por et verbum. E aí hoje as pessoas costumam falar que é o verbo, né? E o verbo se fez carne, né? Mas fica mais estranho, né?

É melhor que vocês se acostumem com a palavra. E a palavra se fez carne. Que tem mais a ver com a realidade. Deixa a linguagem mais estável pro pessoal. Pois é, o pessoal fala aí, é muito complexo, é difícil, mas por que a gente está assim? Você vê, existe um livro de um filósofo, de um professor chamado Ludwig Wittgenstein, Os Jogos da Linguagem. Não estou falando aqui para vocês comprarem não, pelo amor de Deus, só estou comentando aqui. E aí, uma das coisas que acontecem, vocês vejam, isso acontece em várias visões de várias ciências que a gente tem hoje.

Se vocês estudarem geopolítica, política, relações internacionais, vocês vão ver as visões construtivistas, desconstrutivistas. Se vocês estudarem fundamento da educação, vocês vão ver o construtivismo. Ou seja, você está conversando sobre política com um cara. A origem da soberania, Hugo Grotti e Jean Baudin. Aí você fala sobre soberania. Aí o cara fala assim, Mas o que é soberania? O que significa soberania? Ou seja, ele é construtivista. Ele quer saber como esse conceito foi construído, ganhando sentido e significado ao longo da história. Sem isso, ele não conversa. Isso aí é o mundo dos jogos da linguagem.

Então como é que as pessoas funcionam? Se vocês tiverem a capacidade de ir se transformando aos poucos de live em live, sem esquecer e deixar de ser o domínio, a presença, se vocês aos poucos fossem se demorando nessas coisas, vocês iam conseguindo estabilizar a linguagem. Porque a linguagem não é estabilizada sem a demora do referente no mundo real. Ela não é estabilizada. Nunca. Então, como o nosso mundo hoje, nós cada vez mais fazemos mais coisas, mais rápidos, e vamos tendo essa personalidade traidora, né?

Eu assisto uma aula aqui, assisto outra aula, assisto outra aula. Você vê, você pega um cara antes de Gutenberg, da imprensa, antes do século XVI. Pega um cara do século XIV. Pensa nesse cara, pensa em você no século XIV numa casa com uma família. Tenta achar uma fonte de ideia, uma fonte de linguagem no século XIII. Tenta achar um livro. Porque não vai conseguir. Uma pessoa comum não vai conseguir.

Sabe quando que um cara lá do século XIII ia conseguir ouvir uma coisa nova de um livro, ouvir uma leitura, sabe como? Na homilia do padre, domingo na missa. E aí ele decorava aquela fala. e ele ficava fazendo um processo demorado, uma semana, de tentar achar aquilo no mundo real. Agora, olha pra gente. Por isso, inclusive, eu falei isso antes de falar do luto, porque quando eu falar do luto pra vocês, eu vou contar um pouco das histórias de luto lá da África, de como é que era.

As pessoas conseguem ficar 20 segundos de luto, pô. Por quê? Por causa das palavras, por causa da linguagem. Eu falei pra vocês na semana passada, retrasada, da temperança, né? Talvez a gente morra sem saber exatamente ou com mais proximidade, o que é se temperar verdadeiramente de alguma coisa, um homem de uma mulher, um pai de um filho, um filho de um pai. Eu já falei para vocês, eu vou falar várias vezes, vou contar as histórias de novo e outras histórias.

Nós nascemos para fazer as coisas demorar. As coisas precisam demorar para a gente. Vocês não percebem, não? Como as coisas que demoram transpassam o nosso espírito, a nossa alma, a nossa mente. Quando um padre levanta a hoste e demora um pouquinho mais, aquilo já chama a nossa atenção e aquilo já mostra para a gente que tem alguma coisa grande e potente ali. Agora vocês imaginem perder uma pessoa, sentir saudade, né?

Porque o que é a saudade? A saudade é a presença de uma ausência e vice-versa, né? ou a ausência de uma presença, que se é negada no mundo do personagem, no palco, é mantida pela força na memória e pela força na imaginação. Não é isso? O nome disso é saudade, né? Agora, você imagina a diferença dessa saudade, da saudade do cara que tem um celular na mão, ou seja, que em cinco segundos coloca outra presença e de um cara no século XIII.

É, eu falo isso para vocês, mas a verdade é que eu não sei exatamente como vocês conseguem viver isso concretamente na vida real de vocês, porque tem que ser vivida. Tem gente que trabalha com internet, Agora, ter consciência de que tá sim e que esse é o mundo que a gente tá vivendo já é o primeiro passo, né? Ou vocês acham que essas coisas todas não têm a ver quando a gente falar de ansiedade e depressão? Vocês vão perceber que ansiedade e depressão é só ser dominado por alguma coisa, no lugar de dominar.

Ele falou, tem um trabalho pra você fazer, pra você entregar meio dia. Aí você tá 10 horas, 11 horas da manhã, tu não consegue fazer o trabalho e tem que entregar meio dia. E teu coração não dispara e tu não fica angustiado porque o tempo tá chegando? Você não tá sendo dominado pelo trabalho? A ansiedade é só isso. Só que ela é só isso? É uma derrota, ela é uma derrota, né? Só que ela é uma derrota que pode acontecer em dezenas de campos de batalha.

Você enxerga todo dia, né? O que é depressão? Eu vou dar uma aula de física básica para vocês antes de ensinar ansiedade e depressão. Vocês sabem que os anos que eu estudei sério isso, ansiedade e depressão, Eu tenho um método normal de estudos que eu já comentei para vocês algumas vezes, uns slides que eu vou passando e vou fazendo uma atividade própria de cada slide quando eu vou estudar o tema. Então eu peguei ali a ansiedade e depressão. e peguei vários estudos científicos e os maiores especialistas do mundo acessível a mim, ou seja, nas línguas que eu consigo mais acesso, né?

E aí eu tentei achar uma estabilidade, um fundamento pra eles. E eu percebi que o nome dado pra essas doenças já é uma causa de desordem gigantesca. O nome da ansiedade não deveria, de maneira nenhuma, ser ansiedade. O nome da ansiedade tinha que ser compressão. Tinha que ser compressão. Por quê? Porque no mundo físico é assim. No mundo físico, a força, a fórmula da pressão na física é força sobriária. É óbvio que o cara que tá angustiado, ele tá sobre uma pressão, tem uma força exercendo uma área, e o cara que tá deprimido, que tá descomprimido, falta uma força numa área.

E só em falar isso em um minuto, isso já organiza um uso mais decente da linguagem. já organiza esse mundo da ansiedade e da depressão de uma maneira completamente terapêutica. Completamente, pô. Completamente. Essa fórmula básica aí de físico, ó. Pressão é igual a força sobre área. Isso aí comanda todo mundo da ansiedade e da depressão. Só vão mudar as categorias humanas, onde elas estão inseridas. A escola gera ansiedade. Ou seja, ao invés de você exercer a pressão sobre ela, ela te vence.

Ela exerce uma força sobre você. Só tem que saber onde. Porque as forças são exercidas sobre as pessoas. Cada pessoa não tem sua força? O personagem não tem a força desiderativa? O crítico não tem a força iracível? e o roteirista não tem a força volitiva, então agora a gente já tem concretamente, o universal da palavra está se concretizando. Eu já estou conseguindo ver na personalidade humana agora, em cada pessoa, onde tem força exercendo. Se essa força é muito grande, eu vou ter uma compressão, um excesso de força em cima de uma área, que é uma pessoa, uma parte da personalidade.

E se eu não tenho uma força? Você viu, o cara que é relativista, ou seja, uma doença do crítico, não tem verdade para ele. O cara, tanto faz, tanto faz. Você já percebeu que esse cara é meio banana, ele vê injustiça e ele não sente uma força interior. Felizes os aflitos, porque serão saciados. Você sente uma angústia, um aperto, uma compressão diante da injustiça? E aquela força iracível vem cumprir isso, né? Ou seja, quando eu ensinar para vocês sobre compressão e descompressão, ou angústia e depressão, Vocês vão ver que a terapia não é se livrar da angústia e da depressão, não é perder a pressão ou aumentar a pressão.

A terapia é conseguir, com a presença, dominar cada vez mais força e pressão, a ponto de a gente se parecer com uma pessoa que pode sofrer uma pressão um aperto, uma angústia tão grande a ponto que saísse sangue do corpo dela, e ela continuasse cumprindo a vocação dela. Esse deveríamos ser nós, sermos nós. E não, cara, não, eu não vou fazer essas paradas não, que isso me deixa angustiadinho. Eu vou viver uma vida mais zen, mais tranquila, menos ansiosa. Isso não é nossa vocação. Nós temos força para sustentar a pressão.

Só que tem gente que não está preparada para sustentar a pressão. E qual que é a terapia para essa pessoa? Não é viver descomprimida. É porque a experiência da grande compressão, a grande compressão É aquela experiência da angústia, né? Do aperto de sua sangue. Esse é o aperto de uma esponja a ponto de sair todo o líquido dela, né? Só que existe o outro limite da envergadura humana, né? O do espraiamento completo, da descompressão completa, da depressão completa, do mais profundo abandono total, né?

Onde está esse outro vértice? Onde está esse outro limite da pressão humana? Está no Pai. Por que me abandonaste? A noite escura do Espírito, de São João da Cruz. O auge, o ápice da depressão total. Ele falou, o que faz no limite da pressão total, da angústia total e no limite da depressão total? Ele falou, se uma pessoa é forte, ela vai continuar seguindo a vocação dela. É porque tem certos temas, Zé, que não adianta não.

Não adianta eu entrar direto no tema sem usar e ajustar a linguagem para vocês. Não adianta, pô. Não adianta. Eu vou ter que ficar que nem guru. Sabe o que é ficar que nem guru? Eu vou ter que ficar dando ordens para vocês. Faz isso, faz aquilo. Se eu estabilizar uma linguagem para vocês, vocês vão conseguir personalizar o universal, ou seja, vocês vão pegar a palavra e fazê-la carne, encarná-la no mundo. Otávio, se tiver difícil de entender, cara, ouve várias vezes mesmo, ouve várias vezes, Eu já assisti muitas aulas e muitos cursos do ICLS, sabia?

Tem muitos anos isso já. Eu não sei como é que tá hoje, não sei nem se existe. Mas aquilo era uma doença total, meu irmão. Puts, que merda que era aquilo. Pra estabilizar a personalidade humana e entender as coisas. Por quê? Porque era muito palavra, palavra, palavra, ideia, ideia, ideia. E não tinha referente no mundo encarnado, pô. Não tinha a família, o trabalho, a louça, a educação física, a prova, o filho chorando. Você entende? Olha como é que vocês são engraçadão.

Tem um cara que fala, tem que sair no Instagram e meditar no mato. Vocês são sinistros pra caraca. Meus tutores foram os doutores da igreja. Eu, quando tinha uns 15, 16 anos, fiz uma relação com 33 doutores da igreja. Hoje são 37, né? E eu passei minha adolescência e minha juventude estudando os santos doutores. E aí depois tive uma carga de outra literatura quando conheci o professor Olavo. Absurda também, lá por 2007, 2008, alguma coisa assim.

Mas de 2002 a 2008 foram só os santos. Depois, com o Olavo, eu vi outros autores e outras coisas. Eu já via, na verdade, porque quando eu cheguei em São Tomás de Aquino, a vida abre para a filosofia. Mas eu vou falar para vocês hoje, o caminho das pessoas tem que ser um pouco mesmo o contrário, sabia? As pessoas precisam mesmo Porque vocês veem, apesar de ter acesso a essas coisas, o meu modus operandi era a repetição. O meu modus operandi era a repetição.

Eu lia o mesmo livro várias vezes, via o mesmo filme várias vezes. A minha esposa até hoje me zoa disso, que eu faço isso com as coisas. Eu pego uma música e ouço a mesma música várias vezes e tento ficar exprimendo tudo da música. E eu sei que eu me transformo um pouco nessas coisas. A gente só tem que ter uma ideia para fazer uma crítica, como a gente vai aprender a fazer, no que a gente está se transformando. Tem gente que se destruiu, se destrói com a suma teológica.

Tem gente que se destrói com a Bíblia, né? Santo Agostinho, né? A Bíblia, fora da Igreja Católica, é como um pote de veneno. Um veneno, não é isso? Santo Agostinho. Até porque a Bíblia não é a palavra de Deus para a Igreja Católica, né? Apesar da música. Apesar da musiquinha, a Bíblia é a palavra de Deus. Para a Igreja Católica, a palavra de Deus não é a Bíblia, né? A palavra de Deus para a igreja católica é uma trindade. É a tradição, a sagrada tradição, o sagrado magistério e a sagrada escritura.

O conjunto dessas coisas para a igreja católica se chama palavra de Deus. Não é a Bíblia. A Bíblia é igual à sentença que a gente começou a live. A verdade é absoluta. Qual é a materialidade disso? Qual que é a materialidade da Bíblia que tá debaixo do teu sovaco? Tem a vida do monge copista, do mosteiro de São Bento, da alta e da baixa, idade média, que gastava vida copiando uma Bíblia, né? Pra ela chegar aí debaixo do teu sovaco hoje, pô. Pra tu falar o que tu quer sobre ela.

As pessoas discutem palavras sem matéria, tá vendo? Sócrates é homem. Quem é Sócrates? Caraca, 10 e 10! Passamos, né? Passamos! Passamos, galera! Hoje foi mais filosófico, né? Mas é bom que seja assim, né? Dá pra chegar aqui só cajado, suco na mesa.

É importante que seja assim. Hoje a gente frequentou um pouco mais o mundo do crítico, né? Tem dia que a gente fica aqui só falando do personagem, Teve dia que a gente veio aqui e foi para o mundo do roteirista, falou de esperança, do mundo futuro, não é isso? O importante é com o tempo vocês irem se localizando na personalidade. Sim, a gente vai repetindo, vai repetindo.

Vai ter dia que vai ser um tema mais do dia-a-dia, a gente falando as coisas de família, criação de filho, nosso trabalho e tal. Tem dia que a gente tenta ajustar um pouquinho mais a linguagem. Eu vou ver se na próxima eu vou deixar um dia pra eu ficar aqui só tirando as dúvidas de vocês também. É, olha só. Passar a semana e tal. Vocês sabem que às vezes entra uma semana e sai uma semana e eu não pego livro nenhum.

Eu fico com o meu caderno, um caderno, uma caneta, escrevendo as minhas coisas, coisas da minha cabeça e tentando ajustar o que eu tenho. Porque senão vocês estão ferrados, pô. Vocês estão ferrados. Vocês vão ser uma espécie de potão, né? Tipo, sabe esses caminhões de lixo, assim, de rua, né? Que todo mundo vai jogando tudo, sabe? As pessoas hoje têm a personalidade, tipo, desse caminhãozão de lixo de rua, assim. Todo mundo vai jogando tudo ali dentro.

Ela tinha que fechar aquilo ali, fecha. Fecha. Não entra mais nada aqui. Eu faço isso direto, pô. Direto. E vou ficar aqui só eu e uma folha de papel. Eu, de vez em quando, pego meus cadernos velhos de anotações, né? Eu já falei isso pra vocês aqui, né? A primeira vez que eu desenhei as três pessoas, os três bonequinhos, foi uma espiral de ouro. A espiral de ouro é aquela... Uma espiral, né? Vocês sabem o que é uma espiral, né? Ela só é de ouro por causa da proporção dela.

Ela é formada por quadrados mágicos. Porque eu fui fazendo a relação entre as três pessoas, né? E uma relação cada vez mais abrangente, mais universal. Por isso que era uma espiral de ouro. Isso tudo não dá pra fazer lendo o livro dos outros. Isso aí você tem que olhar pra você mesmo e falar, cara, eu tomei um café. Qual foi o café que eu tomei? E essa tem que ser a vocação de toda tentativa da vida do crítico. Ele tem que estabilizar a linguagem dele com base no personagem dele no palco.

Se uma vez eu falei pra vocês numa live que o personagem de vocês deveria ser fiel ao roteirista de vocês, aqui vai a outra parte da relação. Assim como Montesquieu fez o princípio dos três poderes, a divisão dos três poderes baseada no princípio de que um poder deveria controlar o outro, assim uma pessoa deve controlar a outra. Assim o meu personagem deve ser fiel ao meu roteiro, ao roteirista, e assim o meu crítico deve ser fiel ao meu personagem. Ele faz juízos sobre o café que eu tomo, e não sobre o café da vida dos outros.

Eu sei lá qual é o gosto do café que os outros tomam. Tá bom? Tamo junto.

Série · episódio 41 de 46

Papo Matinal

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