Presença & o tempo que tempera
Como Suportar o Peso do Mundo - Com Augusto Ollivieri
- carregar o peso do mundo = carregar o nosso amor
- a responsabilidade que salva (a presença que dá peso/gravidade)
- o hábito e a rotina x viver como animal (estabilizar o mundo animal)
- amor = sacrifício (fazer durar os pequenos amores)
- a presença / graça = presença (a bola do meio)
- culpa = responsabilidade por uma desordem (Atlas, o bode expiatório)
- conhecer uma coisa a fundo x dispersão (o gole de café x 10h de palestra)
- a vocação pessoalíssima (a tarefa de Viktor Frankl)
- a vida em primeiro lugar (substância do matrimônio: eu te recebo)
- a ação providencial (entregar o peso: meu jugo é suave)
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 4:54.
“E passando a bola também pra ouvido, que é a ideia aqui de hoje, esse tema de como suportar o peso do mundo, eu decidi...”
Trechos da aula
Carregar esse peso no mundo é carregar o nosso amor.
A definição de culpa é a responsabilidade por uma desordem.
ou você carrega a responsabilidade da ordem ou você carrega o peso da culpa
Transcrição completa
Boa noite, meus caros. Sejam muito bem-vindos a mais uma live noturna. Dessa vez com o tema como suportar o peso do mundo com a presença do professor Diego Reis. Essa live será excelente. Fiquem por aqui, fiquem por aqui. Eu sei que vocês não vão se arrepender. Estou esperando o Diego entrar. Depois eu farei uma live ainda às 22 horas. Um tema sobre relacionamentos que não ficaram salvos. Certo? Como vocês estão? Vocês estão me vendo e me ouvindo bem? Vocês estão me vendo e me ouvindo bem?
Peço que vocês compartilhem essa live com mais pessoas. E fiquem por aqui, confiem em mim. Coisa muito boa, muito boa sairão desta live. Deixa eu caminhar aqui. E aqueles que não conhecem o Diego, vocês o conhecerão. É uma alegria tê-lo aqui. E deixem também as dúvidas que vocês têm sobre esse tema. A gente vai lendo e vai integrando aqui na medida que a gente for conversando. Certo? Se ele entrou...
Quem estará aqui para a live das 22 horas? 22 horas teremos uma live que não ficará salva. Eu tenho falado bastante sobre relacionamentos nessa semana com vocês. E daqui a pouco a gente vai falar sobre como virar o jogo. Lidando com aquelas feridas de términos de relacionamento, de pessoas, seja ali no início de um namoro, de um noivado, de um casamento. A ideia é conversar sobre isso com vocês daqui a pouco. Essa live com o professor Diego estava marcada aqui já há algum tempo, essa semana.
Tenho falado aqui especialmente sobre relacionamentos, mas a gente tá mudando aqui um pouco esse roteiro pra trazer algumas coisas novas pra vocês. Certo? Será que ele entrou aqui? Eu, a live de ontem não ficou salva e a live de hoje também não ficou salva, né? Me pediram aqui nos comentários as inscrições pro curso para solteiros, namorados, doidos e enrolados acaba hoje às 11h59. Lá tem esses conteúdos de forma muito mais trabalhada, tudo que eu falei ontem e muito mais elaborado pra vocês.
Então aqueles que não querem perder o conteúdo de ontem ou que querem relembrar ou que querem aprofundar, Recomendo que vocês considerem, é só até hoje, 11h59. Certo? Deixa eu enviar aqui pra ele, peraí. Será que deu certo? A live de ontem foi preciosa. Quem estava aqui ontem? Quem estava aqui ontem? O professor Diego entrou. Vamos ver. Fabriquinho, eu enviei.
Deu? Foi? Fala, Augusto. Boa noite. Olá, Diego. Tudo bom? Como você está? Que alegria tê-lo aqui. Que bom, agradeço mesmo por ter aceitado o convite. Como comentei com você e com o pessoal, essa live já está marcada há algum tempo, né? para encaixar aqui os horários, a gente não podia perder, eu tenho uma grande, aqueles que não conhecem o Diego, eu tenho uma grande admiração por ele, e é muito especial a gente poder ter aqui essa conversa, que tem um comum professor, como já comentei, e a ideia é a gente conversar um pouco sobre esse tema, de como suportar do mundo e, se possível, também ouvir um pouco da sua história, que tem trechos e momentos muito interessantes.
Não sei muito bem como apresentá-la, mas algumas das diferentes facetas, aqueles que não conhecem, ele é professor, filósofo clínico, comandante da marinha, do comando dos anfíbios, acho que é legal, se possível, acho que vai ser muita coisa para pouco tempo, mas à medida que der para pincelar, acho que seria legal para as pessoas. E passando a bola também pra ouvido, que é a ideia aqui de hoje, esse tema de como suportar o peso do mundo, eu decidi... Travou o talqueio? Deu uma travada? Vocês estão vendo e ouvindo bem?
Eu acho que deu uma travada aqui pra mim. Será que deu? Será que deu? Será que a gente... Aí, agora deu. Agora deu. Eu não sei que horas que travou, que horas que travou. Eu estava falando o quê? Falei nada? Acho que caiu e voltou. Mas eu fiquei te ouvindo. Ah, foi? Mas eu acho que eu tinha caído, né? O pessoal falou aí que eu sumi. Ah, sim, sim. Aqui sumiu para mim. Então, só passando a bola, a ideia aqui é ouvi-lo. Eu pensei em comentar esse tema Como comentei brevemente com você, aqueles que não me conhecem, eu sou psicoterapeuta, atendo principalmente adultos, a parte de relacionamentos, abandonecimento, sofrimento, etc.
Marita Nicole, pai da marida Aurora que está vindo. E esse tema de como suportar o peso do mundo é algo que vem recorrentemente com temas, seja do amadurecimento, quando a gente olha pra família, quando a gente olha pra religião, quando a gente olha pras nossas dificuldades, e parece que o mundo moderno não só não nos ajuda, mas também atrapalha muito a lidar com isso, com conselhos terríveis, pessoas que se afundam cada vez mais ouvindo bons conselhos da família, Constante boas intenções, mas não bons conselhos, as pessoas se afundam cada vez mais.
Eu acho que a sua história é interessante não só pelo aspecto da marinha, mas também o aspecto da profissão, de olhar para isso. Eu queria passar a bola para você também se apresentar, que esse tema de início me parece muito relacionado com a personalidade, com o amadurecimento, uma vez que a gente olha pessoas mais maduras e parece que elas aguentam mais do que outras. E eu queria que você comentasse um pouco da questão da unidade, como você vê isso de uma pessoa mais madura, se quiser comentar das pessoas ou como você quiser, e acho que isso pode ser uma boa ocasião para a gente montar uma visão geral e seguir.
Pode ser? Beleza, beleza, Gustavo. Bom, primeiro, te agradeço pelo convite de estar aqui conversando sobre isso. Eu acho que é sempre bom quando a gente, com alguma seriedade, tenta tocar nesses assuntos. Antigamente, Augusto, eu pensava que todo mundo devia saber aquelas coisas. Você está fazendo as aulas lá, né? Estou. Estou na última. Se você não subiu nenhuma, eu estou... Maravilha. Eu achava que todo mundo tinha que ter um certo domínio sobre aquilo lá. Mas depois, com o tempo, a gente vai percebendo que realmente não é para todo mundo se dedicar a certos tipos de coisa, porém, algumas pessoas precisam assumir a responsabilidade de realmente guiar outras pessoas em cima daquela visão.
Você entende? A nossa dificuldade hoje é que os nossos pastores, os nossos guias estão perdidos. E como a gente é cobaia de quase tudo, em que sentido? No sentido que tudo é novidade pra gente. Então a gente não sabe bem o resultado das novidades de daqui a 30 anos. A gente é cobaia de tudo isso. Então eu vejo que muitas experiências na minha vida me levaram a ver, ou pelo menos a ficar atento a certos caminhos nos quais a gente estava andando e indo, né? Alguns deles foi o fato de ter morado em alguns outros lugares, né?
Tipo, eu morei há uns anos atrás, em 2012, 2013, no Líbano, no Oriente Médio, fazendo missão militar, né? Morei na África, em São Tomé, em Príncipe, uma parte final de 19... 2020 todo e um pouco de 2021. Fiz missões e conheço pelo menos uns 40 países que já fui e tive muitas experiências De ver famílias, de ver vocações, de ver prioridades das pessoas, amores, que vai muito naquela coisa que eu vou enunciando aquela hierarquia dos amores E essa parte aí da minha carreira, que apesar de eu perceber que o pessoal tem essa impressão de que eu faço muita coisa, na verdade eu faço pouca coisa há muito tempo, né?
Então meio que com 15 anos começou tudo junto assim, sabe? Eu entrei para a Marinha com 15 anos, né? Eu tenho 37 agora, então você vê, eu estou há 22 anos, sou fuzileiro naval da Marinha, né? E nos mesmos 15 anos eu entrei de cabeça na filosofia, na teologia. e no atendimento humano, que foi quando eu comecei a frequentar pestalose e ouvir... Eu comecei pelo final, né? Os primeiros anos da minha vida de ouvir gente foi ouvindo pessoas idosas de pestalose mesmo, de casa de repouso.
Então começou tudo junto. Eu comecei a utilizar todos os instrumentos de uma vez só para responder as minhas questões, entende? Então, às vezes o pessoal tem essa impressão bem recente de... Ah, eu fiz um curso Como que eu não sei tudo, né? Tipo, eu vou te dar um exemplo bem claro dos meus 15 anos Você está fazendo o meu curso, né? Tem lá... Por enquanto tem lá umas 15 aulas, a intenção é que tenha pelo menos 30 aulas lá Você vê, quando eu tinha 15 anos, um amigo meu me deu um CD escrito Doenças Espirituais, Padre Paulo Ricardo.
Aí eu comprei um Discman, com o meu salariozinho lá do colégio naval, né? Comprei um Discman e eu ouvi aquele curso. Eu vou botar por baixo, pra não ficar conta de mentiroso. pelo menos umas 20 vezes em looping, assim ó, aula 1 até a 18 lá, introdução às doenças espirituais, filáucia, as três filhas da filáucia, aí começava gastrimargia, terapia da gastrimargia, luxúria, né? Pornéia e vai assim. Tanto é que a minha esposa até lembra um tempo atrás, né? Quando eu a conheci, eu lembro uma vez, a gente foi num casamento em Caçapava de carro, em São Paulo, né?
A gente foi e voltou, porque eu queria muito que ela conhecesse meus amores, foi e voltou ouvindo aula após aula direto do curso do Padre Paulo Ricardo. Então quando eu falo para o pessoal que conhecer uma coisa, mas conhecer muito bem uma coisa, deixa a gente muito mais orientado no mundo do que hoje essa loucura que o pessoal tenta fazer, né? Cara, eu vou fazer curso pra caraca, eu vou ler livro pra caraca, eu vou fazer não sei o que lá pra caraca. Você entende? Eu não fazia isso, pô.
Eu não fazia isso. Eu ia pra Saraiva quando eu tinha essa idade aí. Eu chegava do colégio naval, que era internato, às vezes um sábado. Eu pegava o ônibus, ia pra uma Saraiva e passava o dia inteiro na livraria. Aí eu lia uns 50 prefácios de livros, aí o que mais me chamava atenção eu comprava e lia várias vezes Até dominar aquilo de cabo a rabo, entende? É justamente o processo contrário do que o pessoal acha que... Eu recebo muita pergunta de vida intelectual, né? Sobretudo porque pelas coisas que eu fui dando aula, por onde a coisa da personalidade intelectual, da nona camada lá com o Ítalo Entende?
Essas coisas todas o pessoal me faz muita pergunta sobre isso Então a minha formação intelectual foi bem diferente do pessoal acha que é essa coisa, entende? Porque eu ficava usando tudo que eu lia pra conversar com aquelas pessoas que eu conversava, entende? Com aqueles idosos lá E pra resolver meus problemas, né? Meus problemas reais, porque no final das contas, depois pelo caminho que eu escolhi, né? De fuzileiro naval, de comandos anfíbios, de paraquedista Fiz curso de mergulho também, fiz cursos no civil, de mergulho autônomo, mergulho avançado Então eu tinha que resolver meu problema real, entende?
Afinal de contas, não dá para abrir um paraquedas ou então respirar debaixo d'água só lendo Kant, né? Eu tenho que resolver problemas reais E aí casei, né? A gente tem cinco filhos aqui Então, as coisas... O pessoal fala sempre assim, eu recebo muito pedido às vezes de aulas e palestras em cima da hora Eu vejo que a galera, o pessoal sempre fala muito assim pra mim, pô, tu quebra muito o nosso galho Porque às vezes a gente pede uma palestra, uma aula em cima da hora por causa de alguma desistência ou impossibilidade E o pessoal fala que eu vou, né?
Aí eu falo, pô, mas tu não precisa de... Aí eu falei, cara, eu fico pensando nessas coisas há mais de 20 anos, assim, entende? De personalidade, de amadurecimento. Então, você vê, eu fico vendo essas coisas acontecendo em volta de mim, né? Tanto é que aquela aula lá do que eu falo do amadurecimento, ou seja, que é sacrifício após sacrifício, né? Eu fico fazendo aquela aula lá dia após dia aqui com meus filhos, quando eu falo lá de... Cara, como é que eu faço o meu filho José Antônio, José Pedro, a Maria Rita aqui amadurecerem?
Eu pego um pequeno amor deles e jogo uma responsabilidade em cima Aquelas palestras e aquelas aulas, né? É a vida acontecendo aqui em volta, você entende? Então, nesse sentido Eu sempre percebi que muita coisa prática orienta muito a gente E as pessoas pregam justamente o contrário do que é a nossa salvação no dia a dia Eu vou te dar um exemplo do que aconteceu comigo agora E depois até falo umas coisas que eu sei que o pessoal gosta muito de história lá do Comanfo e tal Eu estava conversando com um amigo, atendendo um amigo mais cedo E ele tava me falando assim de...
As coisas que o pessoal vem aprendendo na internet, né? Aí problema de relacionamento Aí ele tava falando assim pra mim Não porque essa coisa, pra relação não entrar na rotina E não ficar repetitivo e tudo muito ajustadinho e tal Aí eu fiquei olhando pra ele e fiquei pensando assim, eu falei putz, cara Mas isso é justamente tudo que eu tento fazer ao contrário Que ele acredita que seja o melhor, tá ligado? Porque tu vê lá, tudo que fez as minhas aulas, tu vê que todo desajuste Ele capta de nós a faculdade irascível pra fazer justiça, pra ajustar, né?
Então, por exemplo Se eu ajustei contigo o horário ou se eu ajustei com a minha esposa o horário e ela não chegou, começa o movimento de uma coisa querendo fazer justiça, né? Que é o que a gente chama grosso modo de raiva, né? Quando as coisas não estão ajustadas. Então você vê, as pessoas elas têm essas coisas na cabeça assim como método e regra de vida, cara. Pra amadurecimento. E sendo que isso... Cara, viver assim é uma bosta completa. Tu vê. Tu dirige, Augusto? Dirige. Tem carro e...
Tu lembra a merda que era quando a gente começou a dirigir, cara? Como é que era horrível? Tu pensando em passar marcha... Caraca, tem que ligar seta Aí, quando eu aprendi a dirigir, o carro era manual Aí tu parava na rampa assim, era um Deus nos acuda Pra tu manter no ponto morto certinho, engatar Aí puxava freio de mão, e tu pensando, suando, caramba Aí eu lembro, pô, quando eu conheci minha esposa ainda Na época que a gente namorava, eu fiquei pensando Caraca, tomara que eu não pegue uma ladeira com a minha esposa aí, não sei o que, lá pra ela...
Pô, eu com dificuldade ainda de estacionar, lembro que eu ficava treinando estacionar, para quando eu tivesse que estacionar... Você vê, quando a gente aprende a dirigir, ou seja, quando aquilo vira um hábito e a gente para de pensar naquilo, a gente pode dirigir assistindo uma aula, rezando, pensando na nossa vida, fazendo um exame de consciência, Ou seja, quando a gente consegue estabilizar o mundo animal, a gente tem uma estrutura fixa e duradoura para a gente poder viver a vida mais elevada do homem. Por quê? Imagina a merda que seria se todo dia eu passasse por isso ano após ano pra pegar um carro e ir pro trabalho, sabe?
Aí o pessoal hoje, ele faz justamente o contrário, né? O que eles acham? Você vê, eu tava vendo os seus stories aí antes da gente começar, você tinha colocado lá alguma coisa de um assunto recente, que é o pessoal casa e vive cada um no seu apartamento, né? Exato, exato. Uma notícia. É, uma notícia aí de uma nova moda. O cara casou e não voltou pra mesma casa pra não cair na rotina e no habitual. Eu falei, cara, isso é uma merda completa, pô. Porque tu vai chegar lá, cara, e tu vai ter que ficar conversando assim com a tua namoradinha, né?
Com aquela paixãozinha, assim, né? Ele falou, o que que a gente vai fazer hoje? O que que a gente vai fazer hoje, hein? Eu vou pensar nisso, o que que a gente vai fazer hoje? Ele falou, cara, eu já sei as coisas que eu vou fazer com a minha esposa, cara Eu nem lembro há muitos anos, a última vez que a gente sequer teve uma discussão, que o pessoal fala que é normal ter, né? Eu falei, cara, às vezes eu brinco com a minha esposa, eu falei, cara, a gente deve ser anormal, porque aqui em casa é tudo ajustado, né?
O pessoal fala assim, cara, ó, eu vou falar uma parada aqui, vou falar uma coisa aqui, que tem sido a solução de relacionamento de centenas de pessoas que eu atendo ao longo do tempo. Augusto, Se as pessoas, se os casais tivessem rotina de vida sexual, elas não iam passar a angústia que elas passam. E essa coisa toda de... Você sabe por quê? Isso é uma coisa do teu meio, né? Por quê? Porque, tipo assim, imagina. O casal, vamos supor, sei lá, o cara combina. Aí depende do casal, né?
A gente vai ter relação sexual todo dia. Ou então a gente vai ter relação sexual três vezes por semana. Ou então uma vez por semana. Que seja, cada um... Aí todo mundo sabe as coisas que vai ter, ou seja, você já pode pensar nas coisas mais elevadas. Entende? Você pode ter um relacionamento sexual, e várias vezes eu me emocionei no relacionamento sexual com a minha esposa, e agradeci a Deus, e a criação, e ela tá entrando na minha vida. Você entende? Por quê? Porque eu não sou mais um animal que preciso ficar, igual o pessoal fala, fica falando que eu tenho que ficar conquistando a minha esposa como se eu fosse sempre um conquistador.
Por favor, eu tenho mais o que fazer, você entende? Eu tenho que olhar para a alma dela agora. Aí não me sobra mais tempo, pô. Não sobra mais tempo para as pessoas viverem as vidas mais elevadas, porque elas estão sempre como o bicho, entende? Elas estão sempre aprendendo a rotina. Aí tu tem que ensinar a pessoa que horas que ela vai acordar, que horas que ela vai fazer a refeição. Entende? Eu falo, cara, é uma merda viver assim, cara. Entende, meu amigo? Então você vê, a responsabilidade E aquilo, pra mim, fica muito claro, né?
Quando a gente vai vivendo aquela dinâmica, aquela personalidade, como ela vai se encarnando em nós. Fica muito claro na vida do meu filho aqui. Quando eu vejo que um gosta mais de carrinho, o outro mais de boneco, aí o Traum eu falo, ó, se não se sacrificar pelo carrinho, ou seja, acabou o teu prazerzinho com ele, se você não colocar o seu carrinho na estante, Amanhã não tem carrinho, ou seja, eu estou ensinando o meu filho a se sacrificar para que os pequenos amores dele durem mais um pouco.
Para que amanhã ele receba a promessa de um novo amor, daquele carrinho que ele ama. Você entende? Então, simplesmente, no fundo, a gente dizendo o que é entre nós, o que é... carregar esse peso no mundo. Carregar esse peso no mundo é carregar o nosso amor. Só que hoje o nosso amor são coisas banais. Você vê, eu Aí a gente pode entrar aí na parte, por exemplo, das operações especiais O Comanf é um tipo de curso que às vezes começa, dura uns oito meses, curso de comandos anfíbios Às vezes entra cem pessoas e chega no final dos oito meses, sete Tipo, eu fui instrutor já do curso Os anos que eu lembro assim, eu fui instrutor em 2021 do Comanf se formaram cinco alunos.
No ano anterior, nenhum se formou. O curso acabou porque todo mundo foi embora. No ano antes, cinco alunos. Aí você vê. Esse ano começaram setenta e poucos, ou 86, eu acho, começaram o curso. Eu não sei quanto está agora que eu não estou acompanhando, né? Estou indo a outra área lá. Aí você vê. Por que todo mundo vai saindo dali e indo embora? Olha, você que é casado e tem filho. Eu, hoje eu comecei, ontem eu fui dormir 1h30 da manhã Terminei meus atendimentos meia-noite e pouca, 11h e pouca, alguma coisa assim, né?
Mas eu lembro, fui dormir nessa hora Hoje, o meu primeiro atendimento foi 5h30 da manhã Que eu atendi uma pessoa lá da Austrália, 12h30 de diferença, era 18h para ela Eu atendi uma pessoa 5h30 Por que eu marco uma consulta 5h30 e vou dormir uma noite durante 4h? Porque a responsabilidade salva a minha vida, pô. Eu sou um cara que durmo mal pra caraca, né? Eu durmo muito mal. Se eu não tiver atendimento cinco e meia, eu vou embora. Se minha esposa não me chamar, se as crianças não vierem me acordar, eu vou embora.
Então eu boto atendimento nesse horário pra eu ser obrigado por uma responsabilidade a levantar. Aí você vê, as pessoas, elas... Não casam mais, não tem filho, não sei o que lá. A responsabilidade delas é o passarinho. Eu falei, pô, quem é que vai acordar cansado pra caraca por causa do passarinho, cara? Você entende? A gente não tem motivação pra isso, cara. Ô, mano. O que que é a motivação do homem? É a vida do homem, pô. É a vida do homem. Você vê, aí fala o comanf, né?
Cara, eu... Eu treinava pra caraca fisicamente, carregava muito peso. Tanto é que durante o meu curso do Comanf, eu quebrei o pé por fatura, por estresse, por carregar muito peso. Então a gente carregava mochilas durante dias com 45 quilos. Eu lembro que a gente chegou a medir uma mochila com 48,7 quilos, cara. Imagina, tu andando na Caatinga, no sertão, na Amazônia, no Pantanal, no frio do Rio Grande do Sul, caramba. Aí o pessoal falava assim... Eu falava, cara, meu nome de guerra no quartel é rei, né?
Ou então lá o pessoal me chamava de 01, ou então no mundo das operações especiais o pessoal me chamava de padre, né? Aí o pessoal falava assim, cara, tu vai, cara, não reclama, tu vai embora. Eu falei, cara... Eu me acostumei a carregar esse peso, porque eu sempre treinei muito isso. Pra quê? Enquanto eu estivesse carregando, eu não ficasse sofrendo, entende? Ou seja, pra que aquilo fosse um hábito pra mim e eu pudesse fazer as coisas mais elevadas. Ou seja, enquanto eu estava geral sofrendo, eu podia estar carregando o meu peso e tentar ajudar uma outra pessoa.
Aí eu podia estar carregando o meu peso E enquanto eu tava carregando o meu peso, rezar um terço, eu tinha um pedacinho de corda, aí eu dei 10 nós nela, eu tinha um pedacinho de corda com 10 nós, entende? Aí eu ficava, obviamente não pode levar um terço num curso de operações especiais, eu ficava com um pedacinho de corda com 10 contasinhas, e a vez que passava dias, andando com aquelas contas. As madrugadas que a gente passava dentro d'água, cara. com frio, tendo câimbra no diafragma, me tremendo todo, caramba.
Eu lembro que eu entrava ali e eu sempre oferecia uma noite por uma pessoa, né? Que eu queria... Um amigo meu que eu queria que se convertesse, não sei o que lá. Você vê, eu não tava ali dentro d'água ou andando, cara, igual um bicho. O que é igual um bicho? É... É tipo vivendo a vida de animal, né? Pensando em comer, em descansar, em dormir. Porque quem pensa assim faz o quê? Vai embora, pô. Tanto é que o cara se arrepende, né? Ele tá com muito sono, tá com muito frio, ou tá com muito calor, ou tá com muita fome.
Aí ele vai embora, porque ele quer suprir aquela falta, né? Quando ele supre, cara, ele se arrepende. Aí ele quer voltar pro curso, aí já era. Você entende? A gente que atende, né? A gente que atende. A gente que fica vendo certas coisas. Você vê, e que eu acho uma maravilha, cara, porque eu falo, se as pessoas não tocarem no assunto, às vezes eu falo muito pouco de religião, sabe? Justamente porque esse foi um caminho meu de itinerário intelectual, né? Eu pensava assim, eu falei, cara, se essas coisas da teologia são verdade, eu tenho que dar um jeito de conseguir falar tudo isso falando as coisas do dia a dia.
Então foi aí que a graça virou presença, entende? A trindade virou personagem crítico e roteirista. Foi assim. Eu falei, cara, se isso aqui é verdade, isso está encarnado no mundo. Meu filho brinca de carrinho assim. Se isso é a verdade da mente divina, essa é a verdade que ele criou o mundo, você entende? A minha tentativa é essa, né? Você vê Aí tu atende um cara que é ateu, ou agnóstico, que nada tem a ver com religião Aí o cara vem com um problema moral pra você Aí ele chega e fala assim Pô, eu tô sofrendo porque eu vou fazer sexo com a minha esposa E aí eu fico lembrando de outras mulheres que eu tive sexo Que fazem sexo melhor do que ela e sofro Aí tu fica olhando assim pra ele, né?
Aí tu fica pensando assim Puts, cara. Esse maluco vai deduzir a castidade sozinho. Sem falar de Deus. Tu percebe a merda que ele tá? Por causa de uma desordem humana, né? Aí às vezes, eles falam assim pra mim, pô, tu já passou por isso? Caramba, o que é que tu faz? Eu uso ajuda, obviamente, né? Mas só pra eles tentarem deduzir alguma coisa, eu falo assim pra eles, pô cara, eu casei virgem, pô, eu nunca tive sexo com outra mulher Eu não tenho como, entende? Pensar em outra mulher fazendo sexo, não sei o que lá e tal Também nunca me dediquei à pornografia, mas sou bastante esperado sim Eu não sei muito bem o que tu tá falando Aí o cara ficou olhando assim A gente não tá falando de religião, tá vendo?
Aí o cara ficou olhando assim e falou, porra, pode crer, cara Porra, eu aprendi que tu tinha que provar um monte de mulher pra saber se era bom e tal. Aí ele pergunta pra mim. Pô, e se desse errado com a tua mulher? Aí eu falei, mal dá errado o que, cara? Eu nunca fiz sexo com outra mulher. A minha esposa nunca fez. Qualquer parada vai ser boa, porra. Se ela botar a mão na minha coxa já é bom pra caraca, entendeu? Eu nunca tive nada, porra.
Tu tá entendendo? É igual tu tá na meia da selva, porra. Quando eu tava na Caatinga, lá no... Eu lembro, uma vez eu desmaiei na Caatinga, cara, no terço médio de uma elevação, saí rolando na Caatinga, a vegetação é cactácea, né? Aí eu rolei no meio de... Lá então, no chão, a gente tem muito chique-chique, coroa de frade, os facheiros de médio, os mandacarus de mais alto, tudo vegetação cactácea, né? Lá na Caatinga, no sertão. Aí tu vê, a gente lá... Aí quando tu viu uma coroazinha de frade, que é um cactuzinho assim, pequitinho, com uma flor que parece uma coroa de frade, né?
Aí tu olhava uma coroa de frade, cara... Teu olho arregalava, parecia que tu tava vendo uma picanha na grelha, né? Só que a parada é um cacto. Aí tu dava uma bicudinha no cacto, arrancava ele com a bicudinha, pegava teu facão, tirava tudinho assim, ó. Aí ele fica igual uma esponja de cozinha. Aí tu bota aquilo na tua boca e chupa, e é igual uma esponja umedecida, sai água da coroa de frade, né? Aí eu ficava chupando aquele negócio pela catinha, assim, coroa de frade, assim, ó.
Eu falei, putz, cara, que parada gostosa. Ele falou, cara, essa é a vida do cara que casa com uma mulher sem ter feito sexo com outra mulher, tá ligado? Qualquer parada é boa, pô. Aí o cara acha que a gente tá falando de religião, você entende? Aí falou, pô, isso é a coisa do jovem, né? O jovem, ele adapta a lógica dele pra onde dá mais prazer, tá ligado? Hoje em dia, né? Hoje em dia. Aí o que me protegeu muito sempre dessas coisas, cara? Primeiro, conversar com muita gente.
Ou seja, com 15 anos eu ficava conversando com o velho, né? E os velhos só me falavam as merdas que eles tinham feito, tá ligado? Aí o cara, meu filho, não sei o que lá, eu sofri e tal. Aí eu ficava só pensando assim, eu falei, cara, esse maluco não sabe nada de religião. Mas ele tá falando aqui que, pô, não foi bom ter largado a mulher dele. Ele falou, cara, eu acho que essa parada aqui não é uma parada só de religião, não. Acho que é uma parada da personalidade humana.
Entende? Então você vê. Cara, a gente, com essa informação toda que a gente tem, a gente tá ferrado pra caraca, bicho. Quando eu vivia na África, Eu olhava lá, gente que morava na rua, com filho pra caralho. E você falou assim, só pra saber se era o ritmo normal, se lá tava mais devagar ou se era o ritmo normal. Achei interessante você passar no vídeo. Isso é uma coisa que, ó, quando eu cheguei lá, o pessoal que me tava me passando o serviço falou assim pra mim.
Porrês, né? Porque eu era capitão, né? Porrês. Pessoal que é meio devagar, cara. Pessoal meio vagabundagem, não quer saber muito de fazer as coisas. Eu falei, beleza, vou ver como é que é as coisas. Aí eu lembro que um dia eu já fui tentar botar a minha alimentação igual a deles. Eles faziam uma refeição no dia e o que sobrava eles comiam no café da manhã do dia seguinte, que eles chamavam de mata-bala. Aí tu vê, cara, dois dias depois eu já tava fraco, me encostando pelos cantos assim, tá ligado?
Falei, cara, como é que esses malucos vivem assim, cara? Comendo só isso assim, né? Aí depois tu vê, cara, que tu fica angustiado, né? Por quê? Porque tu quer fazer uma porção de coisas na tua cabeça, mas o teu corpo só dá conta de fazer algumas coisas. E aquela ali é a velocidade de vida deles, né, cara? Aí eu falava muito isso pra minha esposa. Eu falava, cara, isso lembra muito a vida da minha infância. Eu vendo meus avós, meus pais, aquela vida de... Eu tenho 37 anos, né, cara?
Então, assim, eu tive o primeiro celular, que era aquele Nokiazinho, com a telinha pequenininha do jogo da cobrinha. Eu falei, cara, eu tive isso aí com uns 17 anos. Então, a minha vida foi uma vida normal, assim, de futebol na rua, soltar pipa na laje, bola de gude na terra, búlica, o caramba. A minha vida... Aí eu falo, cara, quando eu voltei na África, muitos anos depois, eu reencontrei aquela vida, pô. Aí eu falo, cara, pô, tudo foi se acalmando assim, pô. Uma das gravidez da minha esposa foi lá, né?
Tanto é que quando a gente voltou, a gente nem sabia o sexo do bebê, porque não dava pra saber. A gente só sabia que tava vivo... A médica lá botou um cone de metal na barriga dela, assim, pra ouvir. Foi o pré-natal que a gente conseguiu fazer lá. Eu falei, cara, tu vê. A minha esposa teve alterações hormonais e teve que tomar coisas em todas as gravidezes, menos a de lá. A de lá tava tudo certo. Tava tudo certo. O exame de sangue deu tudo certo.
Eu falei, cara, então a gente vai se metendo num ritmo de vida assim, cara. E aí a gente entra na coisa que é a coisa do peso da responsabilidade, que é o peso daquela bola do meio lá, que eu sempre desenho, né? Porque quanto mais alto você tá naquela hierarquia do sacrifício, que vai encher no sacrifício, mais peso tem aquela coluna, né? Então, é difícil eu levantar por causa do carrinho, por causa do passarinho, pra botar o cachorro pra fazer xixi, é difícil. Mas se eu tenho uma pessoa para atender, se eu tenho um filho para cuidar, aí por que que eu tenho mais força?
Por que que milagrosamente eu tenho mais força? Por que que o cara solteiro pode chegar em casa, se jogar no sofá e tirar a roupa ali? E se eu chegar em casa sem a presença da minha esposa e das crianças, eu faço isso, me jogo no sofá. E se eles tiverem presentes, a presença deles, a gravidade deles no mundo, o peso deles no mundo me salva. É assim, pô. Essa é a nossa vida do dia a dia, né? A gente sabe que é assim. Então, eu que sou um cara que dormia mal pra caraca e que lutava muito com a preguiça na minha adolescência, eu aprendi logo que se eu não prendesse a minha vida com o peso no mundo, eu ia ser um merda.
Não que hoje eu seja muito diferente disso, né? Mas pelo menos hoje eu tô tentando mais. Porque quando eu era solteiro, não tinha filho, não atendia, não ajudava ninguém o caramba, eu podia ficar jogado na cama, né? Agora, pelo menos essas presenças, que são essas graças na nossa vida, né? Pelo menos elas me salvam com uma força. que existe porque elas existem. Entende? A responsabilidade é esse tipo de coisa, pô. A responsabilidade é só isso, pô. É o cara que tá sofrendo pra caraca no luto dele, no abandono dele, e ele só consegue sair daquele sofrimento no dia que ele tem que voltar pra trabalhar.
Aí ele fala, caraca, voltei a trabalhar. A minha vida começou a funcionar. Aí eu falo, cara, E o pessoal hoje falando assim pra gente, não, essa coisa de hábito, de rotina, isso é horrível, né? Cair na rotina. Não, não, não. Se você não cair na rotina, você vai ser sempre um cão, um cachorro. E se você cair na rotina do homem, você finalmente vai poder se divinizar e viver uma vida espiritual verdadeira. Porque finalmente tu vai poder dirigir o carro habitualmente sem pensar na direção do carro.
Falei, cara, eu fico vendo esses jovens ou esses velhos, o que é mais triste ainda, né? Com o problema de identidade de gênero. Falei, é um problema real? É um problema real. Só que sabe como ele devia ser tratado com a juventude, sobretudo?" Ele falou, beleza. Eu tive problema, pô, de identidade de gênero. Você sabe o que é o problema de identidade de gênero? Eu era o mais novo da minha turma e não tinha barba. Aí eu ficava pensando, cara, geral é homem. Ele falou, será que eu sou menos homem porque eu tenho menos barba?
Aí meu pai falava assim, vai estudar pra passar no concurso, pô. Aí eu falei, safo, me salvou, pronto, acabou. É só isso, entende? A gente não pode ficar ali, ah, é verdade, é isso aqui, pô, coitadinho de você, e não sei o que lá, e sabe, ficar dando foco pra caneta, cara, pra moeda, pra figurinha do campeonato brasileiro, entende? Sim. Então é por aí, meu irmão, a tônica dessa coisa da responsabilidade, né? Ela vai muito na contramão do crítico que estão fazendo pra gente hoje, dos juízos que estão destruindo a nossa vida, sabe?
Então, pra mim, cara, eu ainda tinha certas dúvidas sobre essas coisas, a pestalose e a rua, né? Eu fiquei oito anos fazendo pastoral de rua, aí dormia na rua, aqui no Rio de Janeiro, na Presidente Vargas, com os pobres, com os mendigos, né? Queria ser franciscano na época e tal. Eu falei, Eu vou te falar, eu dormia com... Ficava lá no meio dos mendigos na rua assim, cara E eu ficava com um monte de gente, aí a gente ficava brincando, sorrindo Eu joguei bola já na rua com os mendigos assim Eu ficava pensando assim, eu falei, cara É impressionante como tanto aqui com os mendigos Quanto com os velhos da pestalose, quanto no Oriente Médio, quanto na África As coisas são muito diferentes das coisas que as pessoas ensinam, sabe?
Do juízo que as pessoas fazem. Eu falo pro pessoal, cara, quando eu cheguei no Líbano, eu falei, pô, os shiita não se explodiam. Todos os caras que se explodiram no período que eu morei lá eram sunita, tá ligado? Eu falei, pô, tu vem lá do ocidente, meu amigo, e aprende a parada toda ao contrário. Tá entendendo? Eu falei, cara, eu fico... Eu falei, cara, aqui é só sunita, porra, só xiita, né? Eu falei, porra, eu tô seguro. Normalmente eles não se explodem, entendeu? Aí eu falei, cara, aqui no Brasil tu não acha que é o contrário?
Que o xiita é o cara que vai se explodir a qualquer momento? Tu tem cara mesmo de xiita com essa barba aí, entendeu? O maluco era assim, né? Um gay barbudo, com o cabelo lavado. É não, no Jiu Jitsu tem um cara que me chama de Talibã. Aí ó, não foi a sua então não. Tenho impressão. Eu queria comentar uma coisa que você falou ali da preguiça. da responsabilidade, eu tinha visto a definição falando que o oposto da preguiça, a virtude oposta à preguiça é a diligência.
E a diligência vem de diligo, que do latim é amor. E a preguiça, no fundo, é uma falta do amor. Francisco Fausto escreve aquela parábola do banquete, que o pai de família convida para o banquete e ninguém pode ir, ninguém pode ir, ninguém pode ir, e o pai de família simbolizando Deus fica irado. E ele fala, Deus fica irado porque muitas vezes sabe que o poder é não querer. E aí eu li isso e tal, e aí minha filha estava pequenininha. E aí, como você comentou, eu não tenho muito a predisposição a levantar tão rápido, essa é uma parte meio sofrida aí na minha biografia.
Então envolve uma força irascivel ali do ódio maior. E aí o macete, né? Marca, consulta e pô, tu vai se salvar. É, exato, exatamente. Sábado de manhã, eu atendo de manhã, tarde e à noite, mas sábado boto um pouquinho mais cedo ali pra dar uma forçada nisso aí. Aí minha filha, pequenininha, E aquele medo de engasgar, né? Primeira filha, a gente fica assim à noite e tal Ouvindo umas histórias meio estranhas, a pessoa próxima perdeu um bebezinho que vomitou, engasgou e faleceu Aquilo mexe com a gente, né?
E já ouvir histórias, não saber como lidar Minha filha ouvia um barulhinho, eu levantava em zero em um milissegundo, assim Aquele negócio assim, eu levantava da cama preguiça e não existia Porque é aquela responsabilidade que é o amor por um rosto, por alguém Então assim, eu via isso, como que levantava mais que um despertador Era qualquer barulhinho, o que será que já aconteceu? Aquela coisa assim, como que o amor arrasta E aí conversando com alguns amigos que ainda não casaram Como é mais fácil trabalhar casado?
Como é mais fácil trabalhar com filho? A nossa motivação passa a ter um... um rosto, eu olho pra minha filha, ela entra, bate aqui na porta e fala, tatai, tatai. Eu tenho até um mini infarto aqui, que eu acho a coisa mais bonitinha do mundo. Isso é muito maior do que cafeína, do que, sei lá, qualquer estimulante. E aquilo que você falou da vida normal, da rotina, A minha vida nos últimos anos foi tentar ser normal e lutar pra isso Eu e a minha esposa já fomos veganos, já tínhamos algumas metas de vida meio curiosas Eu já tentei convencer a Nicole, quando era minha namorada, a parar de rezar Então você tem que ver o tamanho da bagunça Não só alguém que não reza, alguém que tenta convencer A namorada para...
é, a gente tava numa viagem, chamei ela, tava lendo e pensando uns negócios, vem cá, quero comentar uma coisa aqui com você e tal, e ela ouvia, veio de exatas também, fazer olimpíada, tudo, só que aí exatas ali sem uma base religiosa e tal, aquela soberba, né, só de exatas e tal, não entendendo nada de nada, e tentei nisso. Acabei descobrindo o cristianismo no meio do caminho, E fui redescobrindo a vida normal com o Chesterton. O Chesterton fez a maior terapia na minha vida, mostrando ali as pequenas coisas.
Em os últimos anos da nossa vida, é tentar ser normal. E como que dá mais trabalho, como que é lindo, como que é fácil ser esquisito. Algumas coisas de vida normal. Aprendi a rezar o credo. Ela que me ensinou, já não sabia de nada daquilo. A primeira vez que eu voltei a ir pra uma missa, título de curiosidade, acho que eu fui querendo ir, Foi em janeiro de 2020, que eu estava estudando e falei, não, eu tenho que ir nisso aqui Cheguei lá, o pessoal faz assim, no evangelho, a cruz na testa Eu não sabia aquilo ali, para mim era...
como que faz? Não sabia nada, nada, nada E aí a vida vai voltando ao normal, estava morando com a Nicole Falando dessas coisas de relacionamentos Ela é minha única e primeira namorada E isso é uma coisa boa, mas que não foi por graça, não foi por mérito, porque eu não via isso como valor, não. Morava junto dela, e você começa a ver essas coisas, e você começa a... tem um outro modo de se viver, né? E você vai tentando ter essa coisa normal, essa coisa da rotina.
A gente começou a falar um pouco mais de religião, apesar de as coisas não derivarem da religião, foi por essa voadeira que eu tomei que eu passei a pensar em algumas coisas, a castidade, tudo isso. Voltei pra casa dos meus pais pra tentar viver isso aí direito. Nossas famílias não são católicas, nossos amigos também não. Não eram assim? Então, assim, tudo muito fora de referência. Então, quando você fala, assim, dessas pessoas do... Foi muito a nossa vida, foi muito a minha vida, assim, de encarnei ideias muito ruins e muito erradas, e nos últimos anos foi essa cirurgia.
E aí você descobre algumas coisas muito antigas, né, que tem uma tal da missa, e que você pode ir todo dia. Aí eu fiz a minha primeira comunhão, que a gente se conhece aí no Rio, o José Roberto Melo Porto, Que é defensor público. Conheço. Ele me convenceu a ir à missa diária. Ele me mandou mensagem hoje, inclusive. Foi? Foi, foi. Ele é muito gentil. É um querido amigo. Ele me convenceu a ir à missa diária. A gente estava conversando em 2020. E me interessando por isso.
Conversando com ele. E ele é defensor público. Terminando doutorado. Escrevendo livro. Trabalhando na internet. E ele falou assim, Augusto, nunca dá tempo. Mas coloca aí e vai. E aí eu tava pra fazer a primeira comunhão, fiz a primeira comunhão, decidi colocar isso todos os dias e ver o que que aconteceria. E desde então foi assim. E essas pequenas rotinas, ou do terço, ou da missa, ou da maneira, ou do Vale Night, como que essas coisas, também como você comentou e puxando o tema, nos ajudam a suportar o peso do mundo?
Como que a vida fica normal? Como que a vida fica melhor se todo dia meio dia e meia, que é onde eu vou aqui, eu boto o joelho no chão, Olho pro altar e respiro fundo, me acalmo e volto. Como que essas pequenas rotinas parecem tão simples, nos ajudam tanto? E só pra fechar, se me expor, só pra voltar. Ontem eu gravei uma live chamada Como Conquistar Um Homem. Eu tô nessa semana falando mais de alguns temas de relacionamento. Nossa live tava marcada há muito tempo, fazendo um parênteses.
A live não tem muito a ver com os temas da semana, e eu falei Rapidinho, minha esposa tá fazendo uma outra live. A bateria dela tava acabando e a gente não achou outro carregador, então ela veio aqui. Aí eu fiz uma... a gente tinha a nossa live marcada, e aí eu tava falando com o meu sócio também, aqui nas Coisas Digitais, que me ajuda em todo o resto, com o time, aí definiram esse lançamento de semana, tinha sua live. Eu falei, eu não posso perder a live com o Diego de jeito nenhum.
Não vai ter a ver com o tema, mas a gente vai manter aqui. E ontem eu gravei uma live com como conquistar um homem. Muitas mulheres, assim, sem perspectiva de relacionamento, sem perspectiva de um casamento, de fazer as coisas direito e tal, aí você coloca lá a imagem pra chamar atenção, pra elas entenderem que eu vou falar algumas coisas importantes ali, bateu mais de 300 mulheres. E aí eu vou explicar várias coisas. A importância, por exemplo, de não entregar o ouro, de que a chance do homem te prometer e te usar e te largar é muito alta.
Aí você explica as coisas de vários jeitos. Vocês têm que se cuidar. Olha, a beleza é importante, mas se você for vazia, quão feia fica uma mulher que é rasa? De falar várias coisas e bater muito nisso de não entregar o ouro, não entregar o ouro, não entregar o ouro... Aí nos comentários elas ficam assim, ó, que legal, nossa, é verdade, é verdade. Aí eu comentei, é, mas quando a gente fala pra vocês serem castas, vocês não querem ouvir não, né? Porque aí é nojinho da religião, porque é nojinho de não sei o quê.
Eu falei, olha, tudo que eu tô falando aqui vocês já sabiam, só que vocês querem ficar ouvindo com outros olhos. No fundo é pra vocês serem castas. Se vocês forem castas, vocês vão ser virtuosos, vão aprender isso e isso e isso. Só que aí as pessoas não querem ouvir isso primeiro. Elas querem ouvir uma explicação mais complicada que se dá mil voltas, mil voltas, pra chegar naquele mesmo hábito comum que era pra você cultivar. Moças, não postem fotos seminduas. na internet, isso não ajuda. Não postem, porque o homem não vai te valorizar, ele vai olhar pro seu corpo, ele vai olhar pra sua alma.
Nossa, é verdade. Nossa, é verdade. Moças, sejam modestas. Apenas um pudor. Ah não, aí é nojinho. Então assim, nesses temas que a gente sempre vai e volta, é como se hoje em dia a cabeça das pessoas, a gente está com guarda levantada para aquilo que já é dito por muito tempo e o nosso desafio é dizer as mesmas coisas repetidamente com uma outra linguagem. Como que essas coisas simples ajudam? Voltando aí. Eu também tenho que te liberar, tem aqui às 10 e por mim eu escutaria até quando você quisesse E acho que talvez dê pra gente encaminhar, infelizmente, eu faço um A público aqui por todo mundo, né?
Um A aqui que daria pra ir muito mais longe Mas se tiver alguma última história legal aí do Comanf, alguma coisa que você viu que normalmente você encontra e as pessoas gostam, alguma mensagem, acho que a gente tem um tempinho, ia ser muito bom ouvir. É, olha só, como a gente tá falando aí da coisa de carregar peso, né? Você vê, peso, a gente sempre vai carregar peso. Porque a gente está falando de coisas ordenadas da ordem do mundo. Quando a gente consegue captar a ordem das coisas, então, naturalmente, a gente se encaixar nessa ordem é assumir uma responsabilidade.
É o que a gente está falando aqui do dia a dia, da vida comum. Só que quando a gente sai da ordem, Qualquer vez na nossa vida que a gente perceber que existe uma ordem, quando a gente sai dela, a gente assume a responsabilidade pela desordem. Então, qual que é o conceito, isso que eu tô falando, É o conceito do que a gente aprendeu a chamar de culpa. A definição de culpa é a responsabilidade por uma desordem. Então, por exemplo, vamos supor, o cara que eu atendi ali que traiu a esposa.
Ele traiu a esposa. Ele sabe que tem uma ordem, uma coisa que ele deveria fazer. Ele faz uma coisa que é a desordem. Olha, a ordem do mundo, quem faz sou eu? É óbvio que não. Ninguém... Quer dizer, alguns acham que fazem a ordem do mundo, né? Mas a gente sabe que existe uma ordem fora de nós, né? Se a gente se perder aqui embaixo, é só olhar pro céu. Lá a ordem tá fixa, né? Ou praticamente fixa. Tem uma ordem que é dada. Se eu fizer a desordem, eu não posso mais atribuir o peso dessa ação a ninguém fora de mim.
Ou seja, as consequências da desordem, elas têm que ser atribuídas não mais ao criador da ordem, mas a mim. Então, o homem assume sobre si o peso. O homem assume sobre si um peso que a gente chama de carregar a culpa nos ombros, né? Carregar sobre si essa culpa. Por quê? Porque alguém criou a ordem. A desordem sou eu que fiz, então eu vou assumir a consequência das desordens. A gente sempre soube disso. Atlas na mitologia. Ele está carregando o céu nas costas. É a figura de Atlas.
Por que ele está carregando? Como punição por ter lutado contra Zeus, que é o deus da ordem. Então quando ele enfrenta a ordem, ele é punido carregando o céu. Por quê? Porque existe uma ordem e se você está fora dela, carregue você mesmo o seu mundo. Aí o homem carrega o seu mundo sozinho, que é o da desordem. Você entende? Meu amigo, ou você carrega a responsabilidade da ordem ou você carrega o peso da culpa. Não tem outra opção. Agora, para o cara que carrega o peso da culpa, a única solução dele é se viesse alguém com essa força divina e quisesse carregar o peso pra ele, né?
Assumir sobre si, ou seja, sobre Deus novamente, o peso da culpa dele. Entende? Porque... Ele falou, olha, você vai passar pra quem a sua culpa? Freud tá tentando, tentou bastante, né? Tirar essa culpa das pessoas, aliviar o peso da culpa. Entende? Não consegue. Ele falou, a gente precisa de alguém que... Aí entra o bode expiatório. E aí é óbvio que o pessoal já deve ter pensado em Isaías 53, por exemplo, né? Falando que alguém assumiu sobre si a culpa do homem. Você vê, quando a gente percebe que existe essa possibilidade, quando a gente percebe, isso dá uma tranquilidade na gente, numa ação, porque tudo que a gente tá falando é uma tentativa nossa, previdencial, ou seja, antes do evento, antes de ver o evento, da vidência, né?
Mas quem percebe que ainda na desordem existe uma possibilidade futura Que é depois da evidência da desordem, ou seja, providencial depois dela Quem percebe que existe essa possibilidade o cara começa a aliviar de si o peso de dominar o mundo, porque ele não precisa mais carregar o mundo consigo, entende? Então você vê, no Comanf, eu fazia isso o tempo todo, cara. Eu lembro que na pista de luta, que é o último evento de uma fase lá, que eu cheguei em casa com o nariz quebrado, todo arrebentado, que tu luta com 10 caras, depois com 5 caras, depois com 3, depois eu lutei com o Pedra, campeão do UFC, vindo de sobrevivência, todo ferrado, vários dias ferrado pra caraca.
Eu lembro que eu só... Eu falei, cara, eu não consigo carregar o peso de vencer isso, você entende? Então eu sempre no Comanf me entregava a uma ação providencial. E eu falo para o pessoal, lá direto isso. Eles falam, caraca, Ristão é maluco, cara. Cheio de filho, quer continuar tendo filho, mas fala, porra, cara, tu não é Comanf igual a mim? Quando tu entrou no curso, tu achava mesmo que ia conseguir fazer aquela parada? Tu nunca... Sempre confiou e falou, cara, não pensa, só faz. Não pensa, só faz.
A gente fica fazendo isso com o manfo inteiro. Falei, cara, acabou o curso e eu continuo fazendo, pô. Eu acredito... Eu não quero carregar sobre mim... Eu não quero carregar a ordem do mundo comigo, cê tem ideia de... Eu não posso fazer isso, pô, porque eu sou só um homem. Entende? Então essa ação providencial livra a gente da culpa das três pessoas, que tu ainda vai ver nas próximas aulas, e da culpa existencial, que é da culpa da consciência, da unidade das três pessoas. E ter alguém pra botar o peso do mundo, é como se esse alguém falasse assim pra gente, né?
Vem até mim e me dá teu peso porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve, você entende? Aí tu vive tranquilão, cara, quando tu sabe que eu não preciso carregar mais o céu, entende? Porque eu confio na ordem. Aí dá pra fazer qualquer coisa na vida. Entendeu, meu irmão? Então eu vivia muito essa experiência aí no Fomance. Eu desligava, parava de pensar e falava assim, cara, vou entrar aí, E alguém vai me ajudar a sair daquilo ali, entendeu? A sobreviver. Eu sempre chegava no final de uma etapa e pensava assim, cara...
Você tem mais alguns minutinhos? Se você tiver... Fala uma coisa, como que tá você aí? Você tem mais uns minutinhos ou como que tá seu tempo? Eu tenho, eu tenho cinco. Eu vou atender 10 e 15, mas qualquer coisa aí... Tu tem uma live agora, né? Eu tenho, mas o povo entra aqui, fica comigo e depois olha pra mim, entendeu? Não tem live, é só tua. É, só minha. É tu sozinho ou é com outra pessoa? Só eu, só eu, só eu. Vai aí, vai até quando você quiser.
Não, tô falando porque a história tá boa. Eu não queria gerar uma compressão de tempo aqui e dar um tchau aqui, tá? Ah, beleza. Não, mas eu ia... Era muito... Vai no seu aí, vai no seu. Olha o seu relógio e me fala a hora que você vai sair. Beleza, beleza. Então, assim, eu vejo que o pessoal... Assim, a gente se perde muito, cara. E vou te falar, isso é uma das coisas que praticamente com todo mundo na terapia eu tenho que fazer, né? Eu tenho que fazer as pessoas pararem.
Porque as pessoas hoje acham que ficar pensando e tendo um monte de argumento pra um monte de coisa é vida intelectual, né? Não é, pô. Porque olha só. Por que que tem aquela coisa lá que eu falo das três pessoas? Tu vê. Aqui, ó. O cara da consulta das 10 e 15. O meu paciente tá falando aqui, ó. Continua aí, ó. Continua. Na live que tá bom pra caraca. Ele tá lá na live. Eu deixo pra você decidir. Eu tirei o meu, entendeu? Eu não vou...
Você que vai me dar tchau. Maravilha, maravilha. É sexta-feira, tem o curso, mas na real eu prefiro a live com o Diego, entendeu? Então assim, pode ir, isso aí vai me dar tchau, eu não vou cometer aqui, parar aqui do nada, então vai no seu tempo e depois eu entro, não tem nenhum problema. E o pessoal que entre aqui aprenda junto, acho que vai ser melhor. Mas pode ir como você quiser. Maravilha, maravilha. Então assim, meu irmão, essa... Essa capacidade, essa coisa que a gente vai ganhando de...
Tipo assim, você vê Eu gosto muito do exemplo do café porque eu acho que é uma coisa muito simples de perceber Hoje em dia as pessoas elas gostam de ficar aí tendo 10 horas de palestra de live sobre o café 10 horas de live sobre o café não chegam... um pentelésimo perto de um gole do café. A verdade é que sem um gole de café nunca haveria 10 horas de palestra ou de argumentos sobre o café. hoje, que é essa coisa que eu falo da vida intelectual das pessoas, como isso não é vida intelectual, porque nós não somos anjos.
A gente não vive, a nossa personalidade não existe no intelecto puro, entende? A gente precisa o tempo todo encarnar a verdade e depois dar testemunho dela. Então primeiro eu tomo gole de café e depois eu posso ficar tentando falar 10 horas e inteligir 10 horas o café com palavras. Você entende? Você atende as pessoas, aí você fica assim, a pessoa fica lá. Ah, não, por quê? É, eu não sei, eu quero me preparar pra casar, mas essa coisa de ter filho e não sei o que lá, como é que...
Aí eu falo, moça, olha só, como é que você vai estar pronta pra casar? Se casar, é aquela coisa que aparece, ou seja, a graça, a presença, é o café na minha frente, né? Sem isso, antes de você tomar um gole de café, pô. que é a nossa vida hoje, né? Você vê, Augusto, olha a loucura que a gente entra, que é a coisa que eu já falei e falo pra minha esposa, e eu tive certeza disso quando a gente morava na África, né? Falei, cara, quando eu vi aquelas famílias gigantes, vivendo sem nada, assim, na rua, e vivendo uma vida normal, e as crianças brincando, caramba, aí eu pensava assim, cara, É muito bonito, cara, quando a gente vai casar e a gente promete três coisas, né?
O casamento, por exemplo, na igreja católica. A gente promete se aceitar sempre que a substância do casamento é o eu te recebo, né? Eu te recebo, eu, Diego, te recebo, Maria. É te recebo em qual circunstância? Em todas, pô. Alegria, tristeza, saúde, doença. É a substância do casamento. Eu te recebo. Depois disso, que vai proteger o casamento contra tudo no mundo. A vida vai estar em primeiro lugar. Nós vamos ser abertos à vida. E as pessoas, eu acho que elas acham que é só engravidar. E é óbvio que não é, pô.
Porque vai ter muito casal que não vai conseguir engravidar. Apesar de ser aberto à vida nesse sentido, né? Mas é a vida. Em qualquer circunstância. É não deixar nada tocar na vida. E por fim, é... educar os filhos. E todos os filhos, todas as pessoas que aparecerem e que o coração delas foi entregue no casamento e os filhos que você receber de carne e osso também, você vai educar na fé católica. Ou seja, vai perpetuar seus amores. Você vê. Sabe o que sempre tirou um grande peso colocado pelo mundo moderno sobre meus ombros e que foi desfeito completamente na África?
É que eu olhei pra minha esposa e falei assim, cara, Sabe que eu consigo cumprir com perfeição o nosso matrimônio se a gente fosse morar com nossos filhos debaixo da ponte? Você entende? Não tem nada, não tem promessa. Tu não promete qualidade de vida, tu não promete conforto, tá ligado? Tu não promete curso de inglês, tu não promete natação, entende? É por isso que eu sempre falo pro pessoal, cara, é muito bom ser católico, sabe por quê? Porque a igreja católica canoniza mendigos, pô. E essa porra é gostosa pra cacete, tá ligado?
Que tu sabe que se falhar, tu dão. E se tu for igual tipo São Bento José Labre, um mendigo em Roma, né? Tu não for aceito em lugar nenhum porque tu é meio burro, porque tu fala errado, entende? São Bento José Labre, né? O mendigo de Roma, o mendigo de Deus, né? Tu pode ser perfeito, entende? Existe um caminho de perfeição pro mendigo, pô. Isso é uma liberdade, cara, de você tirar... E aí é a coisa que eu falo, né? Do cara que tá ali tentando preocupar o tempo todo com a comida, com não sei o quê...
E você vê, cara, tá meio na moda hoje essa coisa do dinheiro, do enriquecer, tá ligado? A gente erra por um lado, Aí erra pra um lado, né? Católico não pode enriquecer, o cara... Aí tá errado, é óbvio que tá errado, né? Aí a gente tenta ajeitar, trazer pro meio, aí a gente vareta e leva pro outro lado, né? Agora todo mundo quer enriquecer, pô. Aí o cara, ele quer trabalhar pra caraca, e ele não janta mais em casa com os filhos. Eu atendo uma porção de gente assim, cara.
Ele falou, cara, eu preciso trabalhar e ter prestígio no meu trabalho. Eu falei, eu sei, eu também tento fazer isso, é óbvio que eu tento. Falou, mas qual é o limite? Qual é o limite disso, pô? O limite é a graça, ou seja, é a presença. Falou, cara, eu vou fazer o melhor trabalho que eu puder fazer, até quando? Até o momento que eu esteja em casa pra jantar com a minha família. Aí falou, pô, mas eu posso atender mais. Eu posso atender mais três pessoas, pô.
Não vou atender não, pô. Não vou atender não. Eu vou viver aqui presente com a minha família com esse dinheiro aqui, entende? Eu tenho que fazer o contrário. Eu tenho que encaixar a vida. A vida é em primeiro lugar, entende? A vida está em primeiro lugar, pô. O resto, você vê. A gente tem cinco filhos, Augusto. Nunca uma pessoa pisou aqui dentro de casa pra ajudar a gente a fazer faxina, a lavar um trato aqui dentro de casa De empregado, de não sei o que lá, caramba Não é que a gente não tem condições de pagar não, pô A gente hoje, graças a Deus, até tem condições de pagar Isso é decisão nossa, pô Que sábado a gente vai fazer as coisas aqui, que eu vou fazer um serviço com as crianças e não sei o que lá.
E o pessoal aí sabe, pô. Eu tenho mais de 20 convites pra ir em vários lugares do país pra fazer curso, pô. Presencial, ganhar dinheiro. O nego me oferece 10 mil reais pra fazer um curso num sábado. Falei, cara, eu não quero, pô. Eu não sou rico. O meu carro é uma Zafira, sete lugares, 2010, que não custa nem 30 mil reais. Falei, cara, mas eu preciso estar presente aqui fim de semana arrumando as coisas e meus filhos vendo um homem e a presença de um homem carregando peso, limpando as coisas que a minha esposa, por ser mulher, não faz certo tipo de serviço, entende?
Pô, tirando bosta e cabelo do esgoto e fazendo as coisas e indo jogar futebol com eles, entende? Fala, cara, mas o pessoal... Cara, o pessoal tá perdido, mas tá perdido pra caraca, tá entendendo? O pessoal ouve uma coisa assim, ó, aí fala assim, não, pô... Tem que ganhar dinheiro e fazer isso. Aí vai todo mundo atrás daquilo ali, tá ligado? Não tem que ser pobre, não sei o que lá. E ninguém vive a sua vocação individual. Que começa por aquilo que eu começo lá o curso, né?
Por uma presença que chama a tua atenção. Porque se o Totonho, o que chama a atenção dele é o carrinho, e o José Pedro, o que chama a atenção dele é um boneco, Ou seja, eles não escolheram isso. A criatura do mundo chama atenção para um diferente do outro. Aí as amizades de um vão crescer em volta do carrinho, a dos outros em volta do boneco. Aí daqui a uns anos, daquelas amizades, uma ele vai querer que dure mais em volta que nasceu no carrinho, a outra no boneco.
É o que eu sempre falo do carro. Por que eu não presto atenção em carro de sete lugares na rua, nos milhares de carros que eu vejo e os outros não estão nem na minha memória? Porque os carros de sete lugares realizam a minha vocação pessoalíssima no mundo. A minha família tem sete lugares agora. As pessoas deixam de prestar atenção nas presenças da vida delas que se apresentam por causa do do influencer da internet que fala que ele precisa ter atenção ao curso de inglês pra botar o filho dele, você entendeu?
É, Flo? Deixa eu fazer uma pergunta aí, no meio disso? Só jogar uma pergunta rapidinho. Achei lindo isso que você falou da família, até falando ali do mendigo que pode ser santo, deu uma balada aqui, que coisa maravilhosa. Em que medida que o Sr. José Maria Escribati ajudou a ver a coisa desse jeito da família? Porque aquilo dos roteiros... Então, São José Maria Escrivá, ele me ajudou muito porque eu tinha uma crise vocacional grande até eu entender bem o que ele falava. Porque alguns outros roteiros não encaixam, né?
Porque a gente vê vários roteiros e não encaixam. Mas você disse, assim, tudo muito conectado. Em que medida que isso foi formando, assim? Então, olha só. Eu fiquei lendo muito A Vida de Santo desde dali dos 15 anos, né? Até botei semana passada, as primeiras obras completas que eu li de vida de santo foi as de Santo Antônio de Pádua. Então você vê, em determinado momento, eu abracei aquilo ali pra mim, eu falei, cara, eu quero isso aqui, eu quero esse caminho de perfeição aqui que o pessoal chamou aí de santidade, eu quero isso aqui.
E obviamente, que é o que acontece hoje muito com a gente na internet, né? Eu não tinha atenção às coisas que se apresentavam pra mim no dia a dia. Então eu ficava na escola naval tentando imitar a vida de Santo Antão, por exemplo. Ficava levando farinha de trigo pra tentar fazer trigo pra ficar vivendo igual a ele só. Aí às vezes ia fazer treinamento físico militar lá, dos fuzileiros, aí tava fracão, né? Aí eu falei, pô, acho que eu tenho que ler outra vida de santo que não dá pra imitar Santo Antão aqui não, entendeu?
Tipo assim, o pessoal fica assim na internet, né? Eu ouço o Olavo de Carvalho há muitos anos, sei lá, 2008, 2009, e ouço, pô, ouço mais show, ouço pra caraca, pô. Minhas corridas de escola naval de tenente era tudo ouvindo Olavo de Carvalho. Mas eu sempre, eu falei, cara, eu vou sempre estudar aqui o Olavo de Carvalho, filosofia. Quando ele falava de teologia, Eu deixava de lado, pô. Eu deixava de lado. Eu falei, cara, na teologia eu vou ouvir o padre Paulo Ricardo. Por quê? Porque a atenção pra mim era pessoalíssima, uma vocação pessoal.
Aí eu falei, cara, se eu gosto de futebol, quero jogar futebol bem, aí eu olho lá, vou tentar jogar igual o Messi, igual o Neymar. Pô, mas eu não preciso pintar o cabelo igual a ele, nem tratar a mulher do jeito que ele trata, pô. Entende? Aí eu falei, cara, Eu ouço... Olavo de Carvalho talvez seja a pessoa que eu mais tenho ouvido na minha vida, mas eu não fumo charuto, você entende? Não vai aí falando, pô, não preciso fumar charuto. Pra mim, entendeu? Pra mim não precisa, pô.
Você entende? Então as pessoas, elas não vão tornando a vocação delas pessoalíssima, cara. Essa é uma parada que o pessoal fica, inclusive, falando comigo, né? Falou, Diego, pô, tu tá respondendo muita caixinha, cara. Mas fala mais da tua vida. Tu mesmo me pediu, né? Conta mais tua vida e tua história. Pessoal já sabe porque eu sou relutante a contar a minha história e a minha vida. De verdade, eu sei que as pessoas querem que eu conte as histórias dessas coisas, mas eu não conto se o pessoal não pedir, porque eu não quero que nego me imite, pô Porque eu sou todo pro meu amado e meu amado é todo pra mim, o nome disso é intimidade, você entende?
Tem coisas que só o senhor vai conhecer do meu coração e mais ninguém, pô Entendeu? Então, tipo assim, as pessoas, se elas não encontrarem com isso, cara Com a intimidade pessoalíssima delas Que ninguém mais nessa vida vai conhecer E essa é a maravilha do relacionamento De eu perceber que existe uma pessoa que me conhece profundamente E que conhece a minha intimidade e só ela conhece É o mais próximo que eu vou chegar nessa terra do relacionamento com a intimidade de Deus, né? É óbvio que é no sacramento do matrimônio isso, encarnado.
Você entende? E as pessoas querem expor isso à torto e à direito e tal, pra todo mundo. Essa é uma coisa que eu, às vezes, tento melhorar, né? A minha esposa tenta me ajudar, quando eu vou filmar você fazendo as coisas com a criança aqui e tal. Se não, eu não boto, pô. Por quê? Porque eu acho aquilo tudo muito pessoal. Você entende? Muito, muito... Eu entendo, eu sabia que você não ia falar nada, por isso que eu pedi. É, não, eu sei que isso é importante, eu tento...
Eu tento me forçar a fazer isso também, cara. Antes de começar, só pra vocês saberem, eu mandei um áudio e falei que eu queria que ele conduzisse falando da história dele. É que eu sabia que você ia se relutar de falar, então agradeço por ter aceitado o pedido. Não, claro. Claro, meu amigo. Assim, a coisa só... Eu posso contar assim, é óbvio. Eu só preciso que as pessoas entendam que elas vão ter uma coisa que somente elas vão realizar no mundo, que ninguém mais no mundo pode fazer.
E é óbvio que isso é o fundamento da responsabilidade. Não é que você tem filho e eu tenho filho, não é isso. É que eu tenho o José Pedro, que tem os meus olhos, e ninguém no mundo podia fazer um menino com os meus olhos, só eu podia fazer. Você entende? As pessoas não percebem isso. Entende? Elas olham para o filho dos outros e elas querem ter o filho dos outros e elas não percebem que ninguém poderia dar para o filho dela os olhos que ele tem, entende?
Que são os olhos que um dia podem olhar para o Senhor e ter uma intimidade e que podem ser o caminho de perfeição dele. Um olhar entre ele e Deus que foi dado por você, pô. É por isso que eu não quero que nego me copie, entendeu? Me imite, pô. Tem que perceber essa coisa pessoalíssima que Santa Teresinha dizia. Eu não sei, é óbvio, Deus veio pra todo mundo, mas eu sempre sinto que a história da salvação é toda minha. Que Ele se encarnou no mundo, morreu na cruz e ressuscitou só por mim.
Quem é pai sabe disso. Não é que eu tenho cinco filhos. Eu não tenho cinco filhos, cara. Eu não tenho cinco moleques. Eu tenho o José Pedro, a Maria Rita, o José Antônio, a Maria Helena, a Maria Teresa, entende? Eu tenho uma pessoa que nunca mais pode ser feita por mais ninguém nessa vida, pô. Cara, enquanto as pessoas não perceberem isso, cara, não vai ter nada que vai ajudá-las com a responsabilidade, pô. Porque a responsabilidade É um amor único daquela tarefa que Victor Frankl falava. Não existe ninguém nesse mundo que não tenha uma tarefa que não possa ser realizada só por ela nessa vida e por mais ninguém.
Entende, meu irmão? Então é nesse sentido que eu sei que... É, pô, o pessoal pede aí, cara, conta tuas histórias lá da África, do Líbano, do Londres e tal, mas eu gosto sempre de tentar, mas eu sei que é importante sim, cara, por isso que eu contei algumas aí. É, só preciso que a pessoa entenda. Eu só preciso que o pessoal entenda isso, cara. Sai daqui. Desliga a internet, cara. E vai tomar o teu gole de café, pô. Porque o gole de café que tu vai tomar, ninguém mais no mundo pode tomar, você entende?
Ele vai se transformar em você, pô. Vai ser o gole... Vai ser esse golinho de café aqui, ó, nessa caneca de caveira aqui, do Scomanf, que eu tô tomando, que vai dar energia. Para daqui a pouco, eu ali, como se o meu casamento nasceu uma criança, que ninguém mais pode fazer nessa vida, entendeu? Só eu, pô. O gole de café é só meu. Essa coisa que o pessoal tem que encarnar, cara. Uma vocação pessoalíssima. Isso, cara, que é a responsabilidade humana, entende? Quando a gente percebe isso, meu irmão.
A gente pode ser levado para campo de concentração, para bunker igual São Maximiliano, a gente pode ser mendigo, perder esposa, a gente sabe que a gente tá cumprindo uma vocação pessoalíssima e isso sempre vai proteger a gente. Beleza, meu irmão? Perfeito. Eu comentei já com a Nicole, eu tava assistindo uma última aula, não sei se foi a última, a penúltima, a 14 aqui sobre a consciência. Se terminar a aula falando algumas coisas muito belas e emocionado. Eu tava conversando com um amigo hoje, olha, ele tá fazendo aula do Diego, Eu chorei um pouco no final de uma aula, né?
Umas lágrimas ali que ficaram... Quando você olha pra você e fala, meu Deus, isso é lindo, né? Quando a gente percebe a coisa assim, algumas coisas que a gente percebe que estavam ali, a realidade se mostra, né? E a gente escuta e fala, nossa... Dão seguradas aqui algumas coisas que você falou, porque é isso mesmo, quando eu olho pra Nicole, pra Maria, é aquilo que você fala, nos abre algumas percepções da vida, e a vida é muito bela também e boa pra ser verdadeira, então quero agradecer demais, demais mesmo, não só como um aluno de seu curso, tem um tremendo carinho, a Nicole aqui sabe, então já comentei algumas vezes, E uma boa noite aí também pro seu atendimento.
Aqui eu vou fazer uma live depois pra falar sobre... Relacionalmente, eu espero que várias pessoas tenham entrado aqui, porque certamente essa parte foi uma muito boa. Enfim, uma gentileza tremenda. Qualquer coisa que precisarem também contem conosco. Não sei, deixa uma mensagem no final, é só falar. Uma mensagem, irmão? É, pô. Depois dessa aí, vamos tomar um café sexta-feira de noite. E quem é casado aí vai fazer filho, entendeu? Vai assumir responsabilidade no mundo. Que só a gente pode fazer isso. Exato. Vou ter que trocar de carro.
O cara tá falando aí. É, meu irmão. Vou ter que trocar de carro. Exatamente. Obrigado mesmo. Se lembrar, reze por nós. E uma coisa, eu faço um curso das três estruturas da personalidade do Diego, uma coisa que eu percebo assistindo as aulas, só comentando aqui, eu termino as aulas e tenho mais vontade de ser santo. Eu acho que é um jeito curioso de descrever aquilo. Nossa, isso tudo é muito... Sobe o sarrafo, né? Então, assim, isso tudo é muito bom. Então, pra aqueles aqui que quiserem ouvir algumas outras coisas um pouco mais vivamentes, para que talvez um dia vocês possam ter a família de vocês e terem acesso àquilo que é transcendente, a próxima live vai começar lá de baixo, pra um dia vocês poderem ter um filho pros seus olhos, né?
Porque a live vai ser sobre essa parte. Obrigado mesmo, te libero. E só um pequeno recado, falando do curso, eu tenho um curso de conquista até o casamento, dessa parte aí, que tá aberto só até hoje, 11h59 e por acaso tinha live do Diego que não tinha nada a ver, mas tudo a ver e era pra ter, pra estar aqui, então foi perfeito, mas bom atendimento aí e agradeço mais uma vez aqui de coração. Beleza. Augusto, muito obrigado também de coração, meu irmão, pela companhia aí, pela sua graça, né, que é a sua presença aqui.
Exato. Beleza, obrigado. Certamente a gente sai daqui sem nunca mais voltar, sem poder desver o que a gente viu e deixar de ouvir o que a gente ouviu. Ou seja, transformados pela presença, que é a própria estrutura do nosso amor. Obrigado por compartilhar um pouco aí, cara, comigo, da tua vida e da tua família também. Valeu? Um forte abraço, meu irmão. Obrigado pela presença de todos aí. Um abraço, pessoal. Até. Tchau.