Vida do espírito
Ato de Fé - Um tesouro da vida comum
- o ato de fé (a ejaculatória)
- o crítico (o espírito que proclama a verdade)
- as verdades que balizam a vida
- o crítico procede do personagem e do roteirista
- provar o café no mundo (o personagem)
- a verdade expulsa o demônio (Cristo no deserto)
- o método antirrético de Evágrio Pôntico
- a santificação da vida comum
Trechos da aula
As verdades servem para, assim que cristalizadas, balizarem a nossa vida.
O espírito, o crítico, ele proclama a verdade e a verdade expulsa o demônio.
Isso é um tesouro da nossa vida. Um tesouro da nossa vida.
Transcrição completa
Nos manuais antigos da história da igreja e na história dos santos mais antigos, sobretudo os medievais, os religiosos mais antigos, existe um modelo de oração que se chama... São três modelos, na verdade. Você pega nos livrinhos de oração, aí tem escrito lá assim, ato de fé, ato de esperança e ato de amor. As pessoas, elas nem sabem para que isso existe e por que isso está no manual de oração. Esse tipo de conhecimento aí, ele é um conhecimento de uma oração pequenininha que tem que se tornar extremamente pessoal e ser realizado várias vezes por dia.
Sobretudo para quê? Para reafirmar a fé da pessoa, a crença dela, a verdade que ela acredita e que vai direcionar a vida dela. Afinal de contas, é para isso que são as verdades. As verdades servem para, assim que cristalizadas, balizarem a nossa vida. Então, a partir do momento que a gente acredita em alguma coisa que é a vida do crítico, que é o espírito do homem. Ele procede do personagem. Por que procede do personagem? Porque o personagem prova o café no mundo e aí quando ele olha para o café para pensar no café com o crítico, ele extrai de dentro do café, de dentro do personagem.
O crítico procede do personagem. E o roteirista, quando o roteirista pensa numa vida pra frente e a gente tem que arrumar um mundo pra poder fazer com que essa vida aconteça em carne, o crítico, ele olha pro mundo pra ver como é que ele vai mudar o mundo pra que as suas ideias caibam lá. Então você vê, o crítico, ele procede do roteirista pra fazer isso. O crítico, ele procede do roteirista da vida, do pai, do senhor da vida, e procede do personagem no palco do mundo, do filho.
Esse é o crítico, que é muito conhecido na antiguidade como o espírito. Para nós, na modernidade, muito conhecido como a consciência humana. Então você vê, quando eu faço um ato de verdade, de fé, Eu estou fazendo o que antes de tudo? Eu estou reafirmando, inflando, dando vida, vivificando, renovando o quê? O espírito humano, na verdade, que ele acredita e que baseia a sua vida. Então, por exemplo, a pessoa todo dia resmunga para ir no mercado, para dobrar pilha de louças, fazer uma comida, pra fazer o trabalho de todo dia.
quando na verdade a gente ensina isso para as pessoas e elas até sabem isso, elas acham bonitinho quando elas recebem a mensagem assim. Elas só não fazem isso com o personagem no palco e elas não sabem o que isso gera na vida humana, porque elas não provam desse café, vocês entendem? Elas não provam do café, de acordar de madrugada com o filho chorando e fazer um ato de fé, um ato de fé, de falar para Deus, falar dentro do seu coração, falar com voz alta até.
Eu nasci pra isso, eu nasci pra ser pai, eu nasci pra ser esposo, eu nasci pra ser terapeuta, pra atender mesmo, dez pessoas por dia, pra amar minha esposa, pra morrer fazendo isso aqui, pra ir no mercado quase todo dia, porque eu tenho muito filho. Eu nasci pra isso e eu vou fazer isso até o fim e falar um eu te amo pra Deus. Vocês entendem que isso alegra o nosso coração, isso fortalece a nossa vida, isso tem que ser feito, um ato de fé. que hoje em dia é chamado por muitas pessoas, eu já vi, elas falam de ejaculatória, né?
Essas ejaculatórias são esses pequenos atos que devem ser feitos dezenas de vezes durante o dia, dezenas de vezes. Vocês têm que se acostumar a ficar fazendo atos de fé na verdade de vocês. Então vejam, quando os monges medievais, eles dizem que a gente olha, a gente realiza a oração do credo na missa, né? que é a parte da missa que fazia com que a gente saísse da liturgia da palavra? e depois entrasse na liturgia eucarística. A gente tem... começa ali, nesse momento, então o padre faz a homilia e depois disso vai ter uma separação na missa, onde vai ser proclamado, vai ser recitado o credo.
Quem que recitava o credo? Quem era católico. Inclusive, essa é a medida para conhecer uma pessoa, se ela é católica ou não. Pela recitação e a crença no credo. Então, quando ela falava o credo, diziam os antigos monges que os espíritos malignos se afastavam. O credo é recitado pelo crítico, aquele que afirma a verdade. Então você vê, olha para o momento que a gente vai viver agora na liturgia da quaresma. Quando Cristo vai para o deserto, e encontra com Satanás. E aí vejam o que acontece na vida dele.
Ele está lá com fome. Aí vem você, cansado. Vem você, que não aguenta mais dobrar pilha de roupa. Vem você, que não aguenta mais fazer mercado. Vem você, que não aguenta mais acordar, porque o seu filho acorda toda madrugada. Aí ele fala assim, por que você não transforma essa pedra em pão? Coitadinho de você, vítima. Tão pobrezinho, acorda toda madrugada. Todo dia tem que dobrar roupa e lavar a louça. E aí, Cristo faz o quê? Ele faz um ato de fé Ele simplesmente fala Nem só de pão vive o homem Mas de toda palavra que sai da boca de Deus Isso que eu estou fazendo é a minha vocação, é a minha vida Isso vai ser a alegria, o peso que eu vou carregar no mundo Vocês entendem?
Ele reafirma, acredita nisso E é óbvio que o nosso coração se entusiasma em fazer isso Em proclamar a vocação de vocês quando vocês estão cansados Quando vocês não querem fazer de novo, vocês entendem? E você vê, ele faz isso três vezes E ele expulsa o demônio fazendo isso. O espírito, o crítico, ele proclama a verdade e a verdade expulsa o demônio. E ele vence o demônio fazendo esses atos de fé que estão nesses manuaizinhos de oração aí e que vocês sempre passaram direto, vocês entendem? Isso deve ser feito o tempo...
várias vezes por dia na nossa vida. E aí, quando isso acontece, você vê, isso na vida de Cristo. Então, logo nos primeiros séculos, a igreja tinha um manual de um método antirrético feito por Evagrio Pontico, Evagrio que morava no Ponte, no Ponto, hoje é a Turquia, com essas proclamações de verdade que estão escritas na Sagrada Escritura, e que quando as pessoas eram tentadas pelo demônio, ele proclamava uma dessas verdades E acontecia como acontecia com Cristo no Evangelho. E o demônio se afastava e os anjos do Senhor vinham o servir.
Fazendo o quê? Levando a vocação dele à perfeição. A gente tem que fazer isso várias vezes por dia. Isso é um tesouro da nossa vida. Um tesouro da nossa vida. Tá bom, pessoal?