As virtudes & os vícios
Pornografia e a insensibilidade no Matrimônio
- graça = presença
- a desgraça (presença que desvia)
- amor = sacrifício
- a hierarquia dos amores
- eros, filia, ágape
- a vergonha = não-querer-ser
- a solidão como pré-condição da queda
- a graça de Estado
- o pecado solitário (objetificação)
- o mal como bem corrompido sem substância
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 7:09.
“A gente, na verdade, está falando nessas semanas sobre o vício capital da luxúria e suas virtudes opostas também, obviamente, mas falando sobre todos os efeitos e sobre todas as consequências desse vício na vida das pessoas e sobre também alguns elementos específicos que são muito característicos da nossa época, do nosso tempo.”
Trechos da aula
eu chamo, tecnicamente, essa presença de desgraça
que é a palavra substancial do amor, o sacrifice, o fazer durar
É tu não querer estar ali. Tu não querer ser aquilo que você é
Nenhum homem conhece o mal por amar o mal
Transcrição completa
Boa noite, Renata. Ariane, boa noite. Foi bem, boa noite. Boa noite, gente. Boa noite. Boa noite, Raquel.
Boa noite, Thiago. Boa noite, Clara. Um segundinho, gente. Professor, bem-vindo. Aí, gente, o professor Diego já chegou. Vou botar aqui pra...
Isso. Só um segundo, pessoal. Eu tô lutando aqui com a tecnologia. Oh! Mestre, boa noite. Fala, João. Tudo bem? Tudo bem, professor. Coitado. Graças a Deus. Um prazer. Um grande prazer. Prazer conhecê-lo. Prazer é meu também. Tenho certeza que prazer é meu também. Professor, uma curiosidade que eu gostaria de comentar logo no início. O senhor já fez malado com a minha tia recentemente. Eu sou sobrinho da Nazaré Barbosa. Olha só que maravilha. Tu tá metido lá com o pessoal do Atlântico também?
Então... Não, infelizmente. Eu tive vontade de fazer a segunda faculdade de filosofia só pra fazer no Atlântico, cara. Mas infelizmente não tenho envolvimento. Tem alguns alunos meus que agora estão no Atlântico, que foram meus alunos no ensino médio. E o professor Gabriel agora é aluno do Atlântico. Maravilha, maravilha. Tu fala de um a de um, João. A gente agora tá aqui no nosso escritório em São Paulo, cara. A gente tem um escritóriozinho aqui do Forjando Carata aqui em São Paulo, em Tapestrinha da Serra E eu acho que o sinal caiu Pessoal, vocês estão nos ouvindo?
Raquel, se você estiver ouvindo a gente, dá um ok aqui no chat só pra eu saber se... Ah, calma aí, voltou Ah! Voltou o professor, voltou. Uma breve queda aqui. Voltamos, voltamos. Vocês são de São Paulo capital, então? Então, na verdade, eu sou carioca. Eu sou do Rio, nascido e criado, saí do Rio há 21 anos só. Mas aí eu vim para São Paulo e nunca mais voltei. Mito, teve um anozinho que eu voltei para o Rio, mas o resto foi tudo São Paulo aqui.
Não chegamos a estar lá capital, capital não, professor. A gente está em uma cidade chamada Tapecerica da Serra. Tapiceira. Cidadezinha meio perfeita. Maravilha. Mas é legal. Cidadezinha boazinha. Eu gosto muito daqui. É bom. Eu gosto bastante de cidade de interior também. Sim, tem um clima muito interioriano mesmo. A minha esposa é da roça. Minha esposa é nascida e criada na roça. Ela gosta um pouquinho mais de mato. O nosso estilo é mais esse. Estão falando aqui que Diego deve conhecer seu pai, João. O meu pai é da Marinha.
Meu pai é capitão de mariguerra. Então talvez o senhor conheça pelo... É, eu sou capitão de corveta, né? Sou fuzileiro naval. Não sei se ele é fuzileiro da armada. Então talvez o senhor conheça meu pai, talvez conheça meu tio. Paulo Barbosa. É mariguerra também? Não, agora não sei como é essa paternidade. Não, beleza. Mas teu pai é da armada? Meu pai é de engenharia, de engenharia. Ah, então beleza, tá tranquilo. O comandante vai gerar o serviço. Mas estamos em casa, estamos em casa, pô. Estamos em casa, estamos em casa.
A família toda, menina, o exército, o aeronáutico, o marinha, tá toda a família. Pô, maravilha. Só tu que fugiu pra poder ficar com uma barba dessa aí, né? Pois é. Meu sonho é ir pra reserva pra deixar a barba dessa aí. E eu fugi com pouco. Na verdade, eu fiz sete anos no colégio militar, cara. Meu ensino fundamental e médico foi tudo no militar. Foi tudo no militar. Então, na verdade, foi uma coincidência eu não ter virado militar mesmo. Vai entender. O colégio militar aqui do Rio que tu fez.
Quando eu fiz licenciatura em filosofia, o meu estágio supervisionado foi lá no colégio militar do Rio. Ah, eu pedi lá pra uns conhecidos lá, aí fazia, eu morava na Tijuca na época, né? Aí nada mais justo, né? Que um militar aproveitar pra fazer a parte da supervisão lá, do estágio, supervisionar. Casa boa, casa boa. Professor, vamos começar a entrar no assunto aqui direto a ponto? Vamos, vamos lá. Aliás, Mito, se eu fosse em combate, você precisava fazer uma breve oração primeiro? Não, fica à vontade, tá contigo.
É que a gente sempre faz antes de começar, né? Então, claro, claro. Vamos manter as nossas tradições. Vamos lá. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Amém. Vindo Espírito Santo, encham os corações dos vossos fiéis e acendam neles o fogo do vosso amor. Viverá o Senhor e o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da Terra. Amém. Amém. Amém. Amém. O prazer em que aparecemos é também de todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozamos sempre da sua consolação, porque ele é este Senhor nosso.
Amém. A vossa proteção recorremos ao Santo Amém de Deus, não desprezeis as nossas súplicas e nossas necessidades, mas livra-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem Gloriosa e Bendita. Amém. Santo Anjo do Senhor, meus alunos guardadores, certeza que me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde e me protege. Amém. Amém. Santa Maria Joaquina, rogai por nós. Santa Maria Goretti, rogai por nós. Beleza, professor. A gente, na verdade, está falando nessas semanas sobre o vício capital da luxúria e suas virtudes opostas também, obviamente, mas falando sobre todos os efeitos e sobre todas as consequências desse vício na vida das pessoas e sobre também alguns elementos específicos que são muito característicos da nossa época, do nosso tempo.
E o assunto de hoje é um problema em particular que é muito específico de fato do nosso tempo Porque por mais que existisse, sempre existiu, sempre teve imagens imorais, digamos assim, a pornografia, a imagem moral, a imagem baixa Isso sempre existiu, sempre teve pintura, sempre teve demonstrações teatrais e tal Isso sempre aconteceu Mas agora, no tempo que a gente vive com a exposição à mídia tão acessível, tão fácil, tão vasta Se tornou, de fato, um problema bastante icônico Aliás, eu já queria começar a conversa justamente falando disso A gente queria voltar um pouquinho mais o assunto para a questão da interação da pornografia com o matrimônio Como uma coisa interfere e prejudica a outra Mas eu acho que primeiro a gente, eu gosto muito de definir as coisas desde o começo Para definir os termos, saber do que a gente está falando Então, pra gente falar um pouquinho sobre o que é pornografia?
O que é pornografia? Qual a consequência da pornografia? Por que é uma coisa tão grave, tão séria? Uma pergunta que já ouvi em salas de aula, já ouvi de jovem, né? Tipo, se eu não tô fazendo mal a ninguém, se eu não tô nem tocando ninguém Se eu não tô fazendo nada diretamente da outra pessoa, por que não pode? Por que é tão ruim? Por que é pecado grave? Eu acho que essas perguntas são interessantes para a gente começar O que é pornografia propriamente dita? E qual é o efeito disso?
Pornografia, obviamente, a gente está falando de pornografia E o vício da masturbação também, que são casados, ironicamente casados São coisas que estão ali ligadas, conectadas uma com a outra Eu queria começar a falar, se o senhor tiver algum comentário nesse sentido Então, João, quando eu vejo vocês falando sempre dos vícios, virtudes opostas, a gente sempre vê essa linha tomista da coisa, até porque hoje a psicologia tomista Ela sempre tem esse viés de começar diagnosticando os vícios dominantes da pessoa, essa coisa assim Então você viu meu amigo, olha só Eu tenho uma forma de tratar as pessoas, os assuntos, os problemas em geral que as pessoas aparecem E óbvio que hoje aparece muito esse problema eu sempre começo toda a psicologia humana, toda.
Pelo que na teologia a gente aprendeu a chamar da graça, mas que com as pessoas comuns fica muito tranquilo a gente chamar da presença. Porque se a gente olhar bem, por exemplo, o tratado de Santo Agostinho sobre a graça e tentar achar uma palavra do dia a dia normal, a gente na verdade até usa assim, vamos supor, quando eu falo para uma pessoa assim, quando eu falo assim, Pô, o João deu ar da sua graça. Ou então, aqui devo a sua graça, João. Eu tô falando da presença, né?
Então... Isso é até um grande macete para as pessoas. Elas perceberem o desenvolvimento de toda a teologia, de toda a psicologia atomista, sempre a partir da graça. Até antes de começar sobre as virtudes, os dons do Espírito Santo, todas essas coisas, elas perceberem sempre uma presença. Porque a presença, João, qualquer presença, que aparece na nossa frente, ela já pede de nós e, queiramos ou não, uma presença já nos introduz no tal do mistério do amor, que nada mais é do que aparece uma presença diante de mim A partir do momento que eu a percebo, ou seja, que eu dirijo qualquer dos meus sentidos para ela, ou seja, a minha sensibilidade, a minha vista, o meu ouvido, o tato eu toco, o meu paladar, o cinto cheio...
Qualquer coisa que eu faço, eu começo a deixar um pouco de ser Diego para me tornar um pouco aquela coisa. Então está aqui, está aqui em cima, minha esposa deixou uns bis aqui que ela bota, fez uma cartinha e deixou um bis aqui para adoçar minhas noites de trabalho, que eu atendo à noite normalmente, deixou aqui. Se eu começar a comer bis, bis, bis, tomei um café, o que acontece comigo? Daqui a pouco não está aqui na minha barriga, a gordura, a hidrogenada do chocolate não está aqui na minha barriga, não estou carregando ele comigo?
Mas é óbvio, a presença dele, ela me cobra um preço. Porque a partir do momento que a graça está adiante na nossa presença, que é a presença efetivamente, é por isso que eu chamo, tecnicamente, toda presença que não faz o movimento do homem para onde ele tem que ir, mas faz um movimento que foge um pouco para o lado ou vai para o lado contrário, eu chamo, tecnicamente, essa presença de desgraça. Entende? Porque eu falo de uma presença que realiza o homem dá graça porque é sempre assim.
Tudo nasce a partir daí. Tudo que a gente pode falar, por exemplo, do mundo cristão, da teologia, cara, apareceu alguma coisa. Apareceu o Cristo encarnado, o Cristo crucificado, o Cristo ressuscitado. É a partir de uma presença que a gente começa a construir tudo, na verdade. Ou destruir tudo. Porque a partir do momento que aquela coisa está presente, o mistério do amor vai funcionar. Eu vou deixar de ser Diego e vou me transformar um pouco naquilo. Se aquela graça, aquela presença, for uma presença criada para me levar à beatitude, à felicidade, à santidade, o que quiserem chamar disso, mas o movimento do ser humano, a gente diz que esse amor é um amor humano, né?
Porque existe um amor desumano. A gente aprendeu, por exemplo, a gente tem isso em teologia. A gente aprende em São Máximo confessou, por exemplo. Existe um amor de si contra si, a tal da filálcia, né? Então existe um amor destrutivo, assim como existe uma hierarquia dos amores. Então eu estou falando de uma coisa simples, me transformar aqui na Coca-Cola, no café, que é o amor sensível, o amor erótico do grego. Não erótico Freudiano, de sexual, mas erótico de sensual, de sensitivo. E a partir daí eu tenho outras presenças que aparecem diante de mim e me cobram eu me transformar nelas e elas em mim.
E, obviamente, cada uma com a sua força de me fazer durar. Então, o chocolate me dá uma força de duração. Ele salva a minha vida por um instante, se eu tiver fraco. Mas outras coisas salvam a minha vida por muito mais tempo. Até a gente chegar no último amor, que a gente conhece, que o amor Agape que consegue fazer a gente durar, não um pouco de tempo, mas para sempre. Então, você vê, a coisa toda Ela tem que ser... A gente pode começar a olhar nesse sentido e até com muita tranquilidade e falar, pô, mas vocês não estão falando de teologia não, cara, não precisa ser assim.
A gente pode falar como as pessoas conhecem, por exemplo, ô João, se eu olhar uma cena, qualquer cena, qualquer cena, O que acontece na minha cabeça, cara? Eu, no outro dia, vi um reels com uma imagem bonita, falando um dos grandes mistérios da ciência, que era a imagem de dois dendritos E a parte dos dendridos e axônios, que parecem aquelas linguicinhas dos neurônios. Eu falo, cara, uma pessoa olhando uma imagem e elas tentando se tocar, porque quando se toca, fecha um circuito e passa uma onda eletromagnética, que é a própria luz.
Então a gente consegue detectar o movimento de luz numa ressonância magnética funcional e ver que quando a gente olha uma coisa, se acende uma luz na nossa mente e é criado um caminho fisiológico concreto, sabe? Então, as pessoas não têm exatamente essa percepção de que quando elas se colocam naquela presença, aquela presença é uma desgraça, porque ela vai transformando o homem naquilo. Ela vai transformando o homem naquilo. E você vê... Quando a gente vê um homem transformado naquilo, assim como, em sentido contrário, a gente vê um homem que vê uma beleza e a gente conhece os efeitos que uma beleza causa no ser humano.
Porque quando a gente vê uma beleza, e eu vou sempre tentar fazer isso, João, é falar para onde eu devo ir e para onde dá merda, para a galera. Para a galera se localizar ali, para você ver Quando a gente vê uma grande beleza Quando a gente olha uma mulher nos olhos Ou a gente olha a beleza de uma mulher, que a gente olha para ela E a gente fala assim Quando a gente vai subindo nos amores e a gente chega ali no filia, né? Dentro dos amores filia.
Daquele jeito de São Tomás de Aquino, né? Aquelas pessoas que começam a amar as coisas que a gente ama, odiar as que a gente odeia. Dentro desses amores filia, a gente encontra aquele que a gente fala assim, cara, eu queria esse pra minha vida inteira, né? Eu morreria por esse. A gente se apaixona ver aquilo ali. Então você vê, a gente vê uma beleza que transcende a nossa vida, que, na verdade, a transcendência vem disso, inclusive, porque a gente tenta medir aquilo com todas as nossas faculdades.
É óbvio que a gente não alcança. Então, essa presença, essa graça dessa mulher que aparece para mim, para um homem, como a Maria apareceu para mim, ela me dá esse primeiro presente da graça. que é eu não medi-la. A gente chama essa experiência na teologia, por exemplo, de temor. A primeira presença que uma graça dá para a gente é o temor de não saber medi-la e ficar meio que dominado por ela. dominado por ela. Então ela começa a transformar a gente nela, sabe? Você vê, esse é o mistério que é infinitamente acima do mistério de você olhar para uma mulher E falar como a gente vê por aí o tempo todo.
O cara olha para a buna da mulher e fala assim, que mulher gostosa, queria comer essa mulher. Assim como eu falo assim, eu vou comer esse chocolate. Uma diferença infinita de amor. Infinita. Sabe? Então as coisas acontecem dessa maneira. Simples assim. Simples assim. Sabe? Acontecem com a gente no dia a dia. Então você vê. Esse simples olhar para a pornografia começa a nos transformar em pessoas que aprendem a amar as coisas com esse amor mais baixo de desejar comê-las. Comê-las como um prato de comida. Ninguém conta a história de um prato de comida, né?
A não ser que essa história esteja envolta de uma história muito maior, né? Que você vai contar que um dia estava comendo um churrasco, mas que estava com um amigo para contar uma coisa muito maior, né? Ninguém na velhice para para contar uma história dessa, né? Então, eu acho que quando a gente começa a levar as pessoas para o mistério da vida comum, a gente vai começando a perceber de maneira muito mais palpável, o tamanho da destruição toda. E vai chegando, óbvio, na completa insensibilidade que um homem tem diante de uma mulher.
Mas é óbvio que ele vai virando uma coisa dessas, né? Pra tudo, né? A gente aqui vai focar mais no matrimônio, né? Mas ele vira isso pra tudo, né? Ele vira uma espécie de animal que sabe se alimentar. E que sabe ficar por ali pelos amores mais baixos. Pode falar, meu amigo. Eu acho muito interessante que na teologia moral a gente chama esse pecado em particular de pecado solitário. E é muito interessante como assim, ele de fato vai transformando o ser humano num animal egocêntrico. Ele te treina a sentir-se bem só.
Ele realmente bloqueia em você esse canal que te conecta com outra pessoa. Ele não é feito para pessoas que estão entre pessoas. Ele é feito para pessoa que está sozinha. Para a pessoa que está voltada para si mesma e utilizando das coisas Objetificando, aliás, aquilo que você tem em contato é justamente um objeto Uma tela, um computador, um celular, uma revista É um objeto Então, literalmente, ele é objetificante E vai cegando a pessoa nesse sentido E a verdade, o mais grave é esse O mais grave é que a pessoa fica completamente refém desses amores que são extremamente passageiros.
Porque o amor, todos os graus de amor, Eles têm um mistério do crescimento do amor. Isso é uma coisa extremamente importante para as pessoas. Você já tem filho, João? Você tem filho? Então, olha só. É o quê? Desculpa, não entendi. Meu filho nasceu agora em dezembro. Pô, maravilha. É menino ou menina? Menino, José Miguel. José Miguel, então olha só. Aqui em casa também é. Os meninos são José, as meninas são Maria, que são cinco, né? Então olha só. Você vê, você pega ali o José Antônio, meu terceiro filho.
Aí ele tá ali, gosta muito de um carrinho, né? Gosta muito de um carrinho. Ele falou, cara, ele conhece o amor mais baixo que a gente aprende a fazer, que é aquele do momento, né? Tanto é que a criança, você tira o carrinho dela, parece que acabou o mundo, que ela sabe amar aquilo ali, né? Aquele amor ali rápido e momentâneo, né? Ele falou, cara, como que qualquer pai consegue levar a criança um pouco pra cima? Ele fala, cara, qual é o amor que meu filho tem?
O meu amor tem esse amor prazeroso, prazeroso de momento por um carrinho. Eu falo, cara, como é que eu o levo um pouquinho para cima, para ter uma responsabilidadezinha a mais, para tentar se sacrificar um pouco, que é a palavra substancial do amor, o sacrifice, o fazer durar, porque é sempre assim. O que é o amar o chocolate? É eu morrer um pouco para o chocolate viver um pouco. Essa é a estrutura do amor. Um sacrifício. Eu faço um sacrifátil pelo chocolate. Diego deixa de ser um pouco Diego e vira um pouco chocolate.
Essa é a estrutura do amor tanto do chocolate quanto do amor de Cristo. Aquele que se deixa sumir para se configurar Cristo. faz o mesmo processo na sua vida que o cara que se consome para virar chocolate ou que o cara que se consome para virar pornografia. Então esse é o mistério da presença. A presença que a gente escolhe na nossa vida, ela quer a gente queira ou quer não queira, ela vai fazer isso com a gente. Então você vê. Aí eu percebo essa dinâmica no meu filho, no José Antônio.
Eu falo assim, cara, O amor é sacrifício. Então ele tá ali, ó. O carro dá prazer pra ele. Aí eu falo assim, ele deixa o carro largado ali. Aí eu falo assim, filho, se você não guardar seu carro lá no armário, amanhã não tem carro. Então o que que eu faço com ele? Eu uso o amor dele. Porque olha só, ele fala assim... Isso é muito importante pro casamento, cara. Mas muito importante pro matrimônio. É isso que eu vou falar agora. Olha só. Ele fala assim, cara...
Esse carro me dá prazer. E eu quero que ele me dê prazer amanhã também. E meu pai tá falando que amanhã ele não vai estar aqui. Se eu não guardá-lo... Ele falou, cara, mas guardar é ruim. Não me dá prazer. Guardar é um sacrifício, né? Aí eu pego o amor dele e faço ele fazer um sacrifício a mais para que a promessa de amor do amanhã esteja presente. Então eu banho o sacrifício, eu banho o amor dele pelo carro, que é o Eros, Com amor, responsabilidade.
Res esponsa, né? Ou respondere, de responder a uma promessa, ou res esponsa, de coisa de esposo. Então eu ensino meu filho a desposar o carrinho. a fazer um sacrifício que banha um sacrifício menor para que aquele sacrifício dure mais. Essa é a substância do matrimônio. Só que eu vou subindo ainda nos amores até chegar no amor filia, no amor filial, para escolher essa primeira filia que eu quero que toque a minha morte. Aí eu falo, cara, eu consigo assumir uma responsabilidade? Eu consigo banhar esse amor que me dá o prazer da presença dela, da companhia da minha mulher?
Para que ela dure mais, para que amanhã ela esteja comigo Eu consigo assumir certos sacrifícios É esse detalhe que o cara que fica no mais debaixo É essa força que ele não tem mais Ele perde o instrumento humano que faz o homem subir de sacrifício em sacrifício para fazê-lo durar eternamente. Você entende? Então ele não consegue mais fazer nada. Ele não consegue assumir a responsabilidade de um estudo. Ele não consegue assumir porque ele se atrasa, porque está trancado no quarto vendo pornografia ou está no banheiro.
Você entende? Ele vai se tornando escravo porque ele se transforma nesse amor mais baixo. Ele não consegue, você começa a banhá-lo, tenta banhar com sacrifício, ele não tem mais força. Porque isso é um exercício. Isso se faz com uma criança de três anos. Entende? Ensiná-la a banhar sacrifícios com sacrifícios. Porque o pote do amor vai enchendo assim, né? É óbvio que as coisas são assim, né? A gente vê muito pela criação das pessoas hoje que elas perderam... Eu não gosto muito de dizer capacidade de amar porque nós somos reféns do amor, né?
Como diz São Paulo, nele nos movemos, vivemos e somos. A gente chama de virtude teologal, mas se a gente não falasse de teologia seria uma virtude ontologal ou antropologal. O ser humano não foge do amor. Ele se coloca na presença da pornografia e ele se transforma nela, ou seja, ele a ama. Aí você vê uma coisa que hoje em dia é extremamente grave, João. Você vê, isso na educação, principalmente com relação a essa coisa da pornografia, é importante Porque eu já tenho ouvido falar pais falando assim, eu prefiro que o meu filho veja pornografia em casa Ou até pior, que traga a mulher pra dentro de casa porque pelo menos ele faz na rua Eu falo, cara, olha só Quando a gente faz essas merdas, a gente inicialmente sente vergonha Pô, tu não vê?
Ninguém começa a participar desse mundo olhando pornografia no meio da sala e você já cantou a Pedra da Solidão, né? O cara, ele sente vergonha. Vergonha. Vergonha. É o oposto do ser, né? É o não ser. Porque o que é sentir vergonha? É tu não querer estar ali. Tu não querer ser aquilo que você é, não é verdade? Não existe nada mais triste do que a vergonha. Ela está muito bem narrada lá no Gênesis por isso. E o ser humano, a primeira vez, a primeira consequência.
E ele, quando é colocado novamente na presença da graça, ou seja, Deus aparece novamente, o ser humano se esconde e é narrada a primeira grande destruição. Ele não quis ser diante da presença. Se a gente falasse, cara, qual é a única coisa que é a destruição do homem? É esse não querer ser diante da presença da graça. A vergonha, o não querer ser. Então você vê, Santa Bernadette, cara, uma vez ela falou uma coisa que na época dela deixou geral assustado e que a primeira vez que eu li também me deixou assustado.
Porque quando ela narra o que era um pecador, um cara ferrado de vida, ela não fala assim, é um homem que comete o pecado. Ela não fala assim, ela fala assim, o pecador é um homem que ama, o pecado. Então ela ensina que o pecado pode ser amado e ele é. A gente está falando disso aqui agora. E ela fala uma coisa a mais. O homem assume uma responsabilidade sobre o pecado e quer fazê-lo durar. O que é isso na prática? É aquele cara que não tem mais vergonha da pornografia, mas que é o cara que no grupo do trabalho coloca a pornografia como se ele fosse o cara.
Você entende? Ele está encarnando a vergonha Ele está encarnando aquilo que não é Você entende o tamanho? Essa é a coisa de hoje É que isso sempre foi cometido, como você falou Mas hoje as pessoas querem transformar o não ser, a vergonha Aquilo que não é, que é o parasita da substância, que é o bem É a sujeira na parede de um castelo, o cara quer transformar aquilo na duração E aí o otário é o cara que não faz aquilo, você entende? Essa já é uma destruição gigantesca É um cara que está assumindo responsabilidades pela desgraça, por aquilo que nos destrói Então perceba que é possível fazer isso E isso eu estou aqui destrinchando um pouco o que foi enunciado por Santa Bernadette quando fala do mal E é óbvio É óbvio, João.
Isso hoje eu não tenho mais dúvida, né? Talvez eu tivesse um pouco, quando eu era adolescentezinho, com 15 anos, e li a primeira vez aquele tratado da castidade de Santo Afonso, né? Aí eu lembro que a primeira vez ali eu fui falar sobre a castidade, eu ficava pensando, cara, tudo isso que eu tô falando é uma uma promessa que na verdade eu não consigo nem sentir o gosto. Dava anos luz de sentir aquilo. Você entende? Mas eu falo com a minha esposa. Hoje que eu atendo uma porrada de gente com um monte de problema, eu casei virgem com a minha esposa.
Lutei desde a minha adolescência contra esse negócio de pornografia e masturbação. Eu fico pensando assim, eu falei, cara, quando eu ouço um cara falando assim pra mim, cara, minha vida é um inferno porque eu me sinto extremamente culpado porque eu deito com a minha mulher e eu só consigo pensar nas mulheres que eu vejo no filme pornô, né? Ou nas outras mulheres que eu já dormi, né? Eu fico pensando assim, sabe? Isso não existe em mim. Eu não falo isso. É óbvio que eu não falo isso pra ele.
Você entende? Eu só penso na minha cabeça. Eu falei, cara, apostei todas as minhas fichas no lugar certo quando eu era adolescente. Você entende? Apostei todas as minhas fichas, cara. Porque não tem nada assim, sabe? Porra, eu tenho... Tenho relação sexual com a minha esposa, cara, não passa nada na minha cabeça além da presença dela, você entende? Cara, que maravilha! Que maravilha! Que coisa espetacular de não ter comparação com nada, com ninguém, e eu fico pensando. E aí, meu amigo, eu entendo, quando isso acontece comigo, eu entendo o que Santa Teresa Bávila falou no Castelo Interior no Encaminho de Perfeição, né?
Nenhum homem conhece o mal por amar o mal Somente quem conhece o tamanho do mal é o homem que ama o bem Porque é ele que consegue ver o tamanho da destruição, né? Às vezes a gente fala assim, ah, o cara tá dando testemunho ali da merda que causa, né? Mas, meu amigo, é óbvio, mas é óbvio E eu não trato as pessoas assim, João Eu não trato as pessoas... Ó, você vê Às vezes o cara vem, ah, pornografia e masturbação Aí ele fica falando comigo de pornografia, masturbação, casamento Eu ouço com todo amor Aí eu falo assim, beleza.
Bota aqui na gaveta a pornografia, a masturbação. Aí eu falo com ele assim, meu amigo, o que é o matrimônio? Você entende? Eu vou levá-lo, eu vou tirá-lo de uma terapia da desgraça para colocá-lo na terapia da graça. Porque eu passei cinco anos da minha juventude sendo dirigido espiritualmente por um longe beneditino. Então eu li esses livros todos aí de São João Cassiano, de São Gregório, de São Basílio. Os tratados e os livros A Regra de Vida de São Bento Isso tudo eu li em todos os lugares Como é que se vencia a tal da porneia, né?
Como é que se vencia? Eles sempre dão o exemplo do cão, né? Você pega o cão, prende o cão na coleira, deixa ele sozinho lá no canto e vai tocar a tua vida Daqui a algum tempo você olha pra ele, ele morreu por inanição Ninguém alimentou aquele cão Em sentido contrário, quem luta contra a porneia se colocando na presença dela se ferra. É assim em tudo quanto é tratado de porneia. Em São Tomás de Aquino também é assim. Mas eu digo porque isso é muito característico nos monges.
Então você vê, essa coisa de A gente, por olhar para o mal da pornografia e da masturbação, falou, beleza, é uma destruição gigante do nosso tempo. Mas meu amigo, de verdade mesmo, isso me dá um tesão e uma esperança no bem gigante. Meu amigo, a verdade é a seguinte, se as pessoas olharem um matrimônio verdadeiro, uma entrega verdadeira, uma família verdadeira, Essa é a única terapia possível para essas pessoas. É impossível. É impossível viver uma vida lutando contra a pornografia. É impossível. Ou você vai e se coloca na presença da graça e aqui talvez seja a coisa mais importante da nossa vida.
A gente conhece a graça santificante, a graça atual, a graça de Estado. Vou te contar um pequeno mistério sobre a graça do Estado. Eu sou um homem casado, eu tenho uma graça de Estado. Eu falo, olha, no fim de semana retrasado, a minha esposa estava com as crianças, ou outro fim de semana, não lembro exatamente, estava com as crianças fora de casa, lá nos pais dela, e eu cheguei em casa sozinho. Cheguei na minha casa sozinho aqui. Aí eu cheguei em casa, tirei o meu blazer, Joguei no sofá, me joguei no sofá assim, ó Aí eu falei, cara, parece minha vida de adolescente, entendeu?
Porque eu não faço isso em casa, né? Na presença das crianças eu não deito no sofá, cara Não fico jogado assim, né? Aí eu falei assim, cara... Minha vida de adolescente era assim, né? Quando eu não tinha um pinto pra criar, eu chegava e nada me cobrava nada. Aí eu cheguei, cara, olhei pra minha túnica, que escorregou e caiu no chão, assim, eu não tava nem aí. Fui na geladeira, peguei uma Coca Zero, falei, cara, a casa é só minha, né? Quando eu tava assim, aí eu, num breve momento, elevei meu pensamento a Deus e falei assim...
Aí a moda te extertou, né? A presença daquela mulher salva a minha vida de um moleque, né? Porque todo dia eu entro em casa e a presença, a graça da minha esposa dentro de casa, só a presença dela, João, ainda que eu nem a veja, mas só em saber que ela está ali, já causa dentro de mim uma força que me faz botar a túnica no lugar certo, botar as coisas no lugar certo, cumprimentar as crianças. Isso em teologia se chama graça de estado, que é uma presença.
Você entende? Que é a mesma presença do sacerdote diante da sua comunidade, né? Ele sozinho fica na merda, pô. Aí falou, cara, o que é solidão? Eu casei no dia de Santo Antão. Eu casei no dia de Santo Antão. Falaram, cara, o que que Santo Antão foi fazer no deserto, segundo o santo Atanásio? Foi expulsar o demônio de lá, né? É o que ficou famoso. O homem que expulsou o demônio da casa dele, que é o deserto, né? Cristo foi pro deserto pra encontrar com quem?
Com o demônio. Que é solidão, né? Ele falou, cara, eu li a vida de monge pra caraca, 90% deles quando vão pra cela deles se ferram lá dentro, né? Esse é o mistério da vida dos monges, né? Ele falou, cara, por quê? Porque parece que não é bom que o homem esteja só. Tanto é que depois da primeira leva da história da igreja dos monges, que ficavam solitários, apareceu a segunda grande leva que deu frutos grandiosos, que foram os monges que viviam em comunidade. Entende? Por causa dessa coisa da solidão, cara.
Então você viu, eu falo, eu não fico só, jamais, pô. Eu tô aqui contigo, na tua companhia, né? Que é uma presença, uma graça, que me cobra alguma coisa na vida, né? Vou sair daqui, depois vou estudar. Ou, às vezes, até fazer minha oração, meu amigo. Eu faço lá na sala, pô. Com todas as crianças presentes. Você entende? As pessoas ficam se colocando só, na solidão. Eu falo, cara, vamos se ferrar, pô. Vamos se ferrar pra caraca, você entende? O cara fica aqui, eu vou ficar aqui dentro, cara.
Aí tu entra no grupo do WhatsApp, aí daqui a pouco o cara bota a imagem do filme pornô, aí tu tá ali, ó. Ai meu Deus, quero ver, eu não quero ver. Cara, sai da solidão e se coloca na presença de uma pessoa. Acabou, pô. Acabou. Entende, meu amigo? O senhor comentou lá atrás sobre a questão da vergonha, né? Mas ele estava se referindo ao Gênesis, a vergonha de Deus, né? A vergonha que os nossos primeiros pais sentiram na presença de Deus E o que me veio à mente foi justamente o efeito disso que a gente estava falando com relação à esposa Eu também casei virgem com a minha esposa, né?
E assim, como a parceria, como a cumplicidade entre marido e mulher é uma coisa maravilhosa A gente fecha lá no nosso quarto e vai falar de tudo, pode ser absolutamente aberto ali E aquele é o lugar seguro, do nosso sacerdócio doméstico ali No nosso leito, tudo pode ser discutido, tudo pode ser vivido E passou pela cabeça justamente isso, como deve ser infernal ter algo que eu não pudesse dividir com a minha mulher Ter algo que me fizesse ter vergonha de falar com ela Tem algo que me fizesse ter vergonha de partilhar com ela, de sofrer com ela, de rir com ela Uma coisa que eu não falasse pra ela porque ela ficaria triste, porque ela ficaria...
Quando se perderia? Como eu me sentiria, como o senhor mesmo tá falando, como eu me sentiria só? Solitário, por não ter a presença, a parceria e a amizade da minha mulher O amor verdadeiro, ele te faz se sentir completo, te faz se sentir de fato cheio, pleno Enquanto esses amores mais baixos que o senhor mencionou mais cedo, eles nos esvaziam e impedem que a gente possa voltar a completar-se Porque a gente fica com vergonha, a gente não quer falar isso para a esposa, não quer falar Imagina, né?
Se tivesse um carro, se tivesse um negócio, alguma coisa, você não vai falar pra esposa, né? E aí pronto, tá? Aquilo que era antes a amizade da vida, né? Eu brinco com ela. Bem, depois de você eu não quero nenhum melhor amigo, não. Você é meu melhor amigo. A gente tá aqui junto, é isso Como perder isso deve ser a parte mais trágica da coisa Perder o amor que vive com você, literalmente, a tua vida Partilha a tua vocação Porque o matrimônio é isso, é uma vocação conjunta É um chamado que Deus fez pra mim, mas também fez pra uma outra pessoa o mesmo chamado O Zé Miguel, que é o meu filho, ele vai ter a mim e vai ter a minha esposa E não tem outra, não tem outra pessoa pra substituir, não tem chamar o substituto, não tem nada, né?
Quem Deus chamou fomos nós dois, né? E como isso é uma coisa que, assim, o senhor foi falando e eu fui com vontade de parar tudo e ir pra casa e voltar ao meu bem A minha mulher tá aqui, ela tá ouvindo a conversa Mas um pouco antes aqui a gente tava trocando mensagem, falando E realmente assim, é isso que se perde, né? É isso que se põe em jogo E é uma troca idiota, né? É uma troca que não vale a pena, sabe? essa alegria por algo que é ilusório.
Eu acho muito interessante, eu estava fazendo aqui o meu roteirinho para pensar no que a gente ia falar e tal, e me veio muito essa questão da ilusão, que o mundo da pornografia, ele cria uma espécie de mundo fictício que, na verdade, não tem zero contato com a realidade, nem se a pessoa de fato fosse para uma balada, não ia ser daquele jeito. A vida não funciona daquele jeito, as pessoas não funcionam daquele jeito. É uma ilusão. É um mundo fictício, é uma fantasia. E quando você volta para o mundo real, o que você encontra é a solidão e a tristeza.
Como deve ser, de fato, uma vida infernal. Uma vida trágica. Eu sempre lembro muito... de Santo Agostinho falando, e isso é bom para a gente ter muita misericórdia sempre, de todos nós, na verdade. Santo Agostinho olhava as coisas por esse lado daquilo que é do ser, e menos pelo não ser. Então ele sempre falava que a pior consequência de tudo isso, de toda essa destruição e de todo o mal, a primeira delas é simplesmente você tá ausente daquilo que deveria ser o presente, né?
Porque você vê. Por que eu gosto muito sempre de começar toda a terapia por essa coisa da presença e da graça, né? E depois vou transitando por essas três pessoas que estão aqui atrás de mim. Elas ficam aqui porque eu atendo o pessoal aqui, né? Então, olha só. Você vê. Um cara que faz um negócio desse. Olha que coisa interessante. E olha como é bom a gente sempre olhar essa coisa da presença humana. Ou de qualquer presença. Ou quando a gente lê em teologia, é graça lembrar da presença.
Ou quando pensar em presença, é lembrar da graça. O cara que vai ver pornografia e se masturbar. Qual que é a primeira coisa que ele tem que fazer dentro de casa? Sair, né? Sair de uma presença. Então você vê, ele ali começa a abandonar a graça de Estado. É a primeira graça que ele abandona, né? Que é a sua esposa, né? Sabe? Você vê. Eu gosto muito dessa fenomenologia das coisas simples, né? Por isso que eu comecei falando dos sentidos, o que acontece com eles, né?
Que você os marca, né? Você os sela com uma construção fisiológica efetiva que vai durar ali, pô. A verdade é essa. Eu falo, cara, eu tenho 36 anos. Você falou, sei lá, a primeira vez que eu devo ter visto uma imagem pornográfica, sei lá, com 7, 8 anos, de repente. Flor, ela existe na minha cabeça até hoje. Eu sei que imagem é essa, inclusive. Você entende? Cara, a coisa é o que é. Construiu uma coisa fisiológica dentro da minha cabeça. Sabe? Então as pessoas não levam a sério essa coisa da presença e do amor.
Você entende? Elas acham que simplesmente estar presente em algum lugar tanto faz, né? Sabe? Tanto faz. E aí a outra coisa, meu amigo, que é gigante pra gente, mas gigante, é a coisa da intimidade, né? Porque você vê, quando a gente lê grandes tratados de teologia, ou a gente vê grandes conversões, ou a gente vê grandes encontros com Deus das pessoas, o que é que sempre é uma grande experiência marcante para elas? É quando elas falam assim, que ficou profundamente forte quando São Paulo falou, que ele percebeu que era profundamente conhecido por Deus, Falei, cara, tem coisa melhor do que você ver como é bom tu chegar num lugar Porque quando a gente chega num lugar, a gente chega perdido, né?
A gente vai tentar dominá-lo e se orientar nele Cheguei numa festa Falei, cara, olha qual é a primeira coisa que a gente faz quando chega numa festa A gente busca um olhar conhecido, né? Quem que eu conheço aqui? E quando a gente conhece uma pessoa, a gente abre um sorriso e vai na direção dela. Essa é a nossa vida, pô. Essa é a nossa vida. Aí, quando uma pessoa nos conhece, a gente se sente seguro naquele lugar. Você fala, cara, eu vou conseguir. ser feliz nesse lugar.
Eu tenho companhia. A gente orienta a nossa vida assim, a gente chega numa nova sala de aula, num novo lugar que vai dar palestra. Em qualquer lugar, a gente busca ser conhecido e conhecer. Esse é o fundamento de toda a nossa orientação na vida. Então, é que eu estou falando de uma presença. Na verdade, tem uma pessoa que vive só disso, que é o crítico. Mas não é o caso de eu falar que é uma pessoa que vive por conhecer e ser conhecida. Aí você vê, meu amigo, quando uma pessoa fala assim, eu sou profundamente conhecido por Deus.
Eu falo, cara, a gente consegue se aproximar muito disso na nossa vida aqui? Quando a gente fica anos do lado de uma pessoa e a gente se sente profundamente conhecido por ela. Cara, como é uma maravilha eu saber que a minha esposa me conhece, sabe? Que se eu tivesse Alzheimer agora e sumisse tudo da minha mente, uma mulher ia contar a minha história, entende? E contando a minha história, ela ia me fazer durar, né? Então, você vê, quando a gente fala assim, eu me sinto profundamente conhecido por Deus, isso é uma percepção de imortalidade, né?
Ainda que eu sumisse da história, Deus me conhece por inteiro, então eu não morro nunca mais. Simplesmente porque Ele me conhece, pô. E isso é bom demais do ser conhecido, né? Aí tu fala, pô João, aí o cara ele consome pornografia e masturbação, tem vergonha da sua esposa e sai da presença dela, aí ele vai para o trabalho e no trabalho ele vai tentar criar intimidade com outra pessoa, porque com aquela ele tem vergonha e já não pode mais falar as coisas para ela, ou seja, ele já sabe dentro de si, ainda que ele não saiba enunciar isso, ele já tem a percepção dentro de si que ele tirou daquela mulher o poder de conhecê-lo.
Isso já é uma merda gigantesca. Ele não sabe enunciar isso, mas ele percebe isso. Aí ele vai tentar criar essa intimidade com colegas, né? Então ele não fala isso em casa, mas ele fala pra colegas que ele dormiu com outra mulher, que ele pega geral, ele bota o videozinho lá no grupo de pornografia, você entende? Só que ali ele já está percebendo que ele já está desesperado por intimidade Ele já está percebendo isso Ele falou, cara, eu não gosto de falar muito quando não é muito teologia Essa, na verdade, foi um...
Há 21 anos, esse sempre foi o meu intuito. Eu falo, cara, como que eu vou aprender a falar tudo de teologia, falando das coisas comuns do meu dia a dia? Esse sempre foi o meu intuito, para as pessoas sempre perceberem que a gente não está falando de teologia, mas que, na verdade, a teologia fala do que é o manual da vida, da felicidade humana. E não o contrário, pô. Eu não sou feliz porque eu estou fazendo o que a teologia me manda. Na verdade, a teologia está descrevendo como eu vivo feliz.
É o contrário. É o contrário. São Tomás de Aquino não dizia que Deus primeiro criou a teologia quando ele criou o mundo. A teologia foi criada primeiro pelo mundo. O mundo saiu da cabeça de Deus. Toda teologia é uma tentativa de entrar na cabeça de Deus. Então o cara que está estudando biologia e está tentando entender como é que uma mitocôndria transforma a glicose em trifosfato de adenosina, esse cara está tentando entender o quê? Teologia, pô. Então, meu amigo, essas coisas estão impregnadas no nosso dia, pô.
Aí o cara fica mendigando amigos que possam tentar contar a vida dele, porque a vida dele já não pode ser mais contada em casa, porque em casa ele não é, porque ele tem vergonha, porque ele tem vergonha, porque tem vergonha, porque ele tem vergonha, vergonha, Pô, Juninho, isso já é o que Santo Agostinho falava. Isso já é o inferno, pô. Porque a experiência com Deus é justamente o contrário. É ser profundamente conhecido. E a gente começa a fazer com a nossa esposa o processo do desconhecimento, sabe?
Então, a gente precisa ficar muito atento, cara. O meu exame de consciência primordialmente começa todo nesse, todo nesse. E falo, cara, em quais momentos eu tive vergonha de qualquer coisa? Da minha presença, da minha fala, do meu olhar, da minha esposa descobrir alguma coisa, dos meus subordinados, dos meus superiores, pelo não ser, pelo não querer ser conhecido Que coisa triste, né, cara? A gente fazer uma coisa que a gente deseja não ser conhecido, principalmente pela nossa esposa. Então, não é que a teologia diz que acabou a graça santificante.
É a presença da minha esposa, que é a minha graça de Estado É a presença dela que saiu Assim como um sacerdote que entrar nessa merda toda aí Ele vai ter vergonha da comunidade, que é a graça de Estado dele É a esposa dele A esposa do sacerdote é, antes de tudo, a comunidade dele, né? Então você vê, é esse mesmo processo, pô A gente começa a não querer ser, sabe? Então a gente tem que ensinar essas duas coisas para as pessoas E hoje eu vejo que já tem bastante gente enunciando as destruições Só que eu te falo, eu atendo gente que fica tentando lutar contra as destruições Meu amigo, não é olhar para a presença da desgraça e ficar dando soquinho nela que a gente vai vencer, entendeu?
Não é assim. É por isso que sempre tem que ter essa jogada da tal da virtude, né? E onde está a coisa funcionando bem? E como é que a gente consegue estar na presença da nossa esposa e amá-la? Como Cristo amou a igreja e se entregou por ela. Falou assim, o que a gente tem que fazer? Afinal, assim, sabe? Eu falo, cara, como é que eu ajudo um cara que não quer estar nem nessa presença? porque sente vergonha. Firrou, né? Firrou. É muito interessante, professor. Durante a semana, a gente está fazendo o lançamento do nosso terceiro curso do vício à virtude, que é justamente sobre a questão do luxúrio.
Mas, na verdade, ele introduz o vício e ele passa direto para a virtude para botar ao contrário. E a gente está... Foi muito engraçado. Eu comecei a fazer uma aula sobre castidade. Uma aula de castidade virou cinco aulas de castidade, né? E basicamente o enredo todo dela foi dizer, gente, a galera acha que castidade é uma virtude do não, mas na verdade é o contrário A castidade é uma virtude, sim, a castidade é uma virtude que protege algo que é muito bom E não algo que fica te privando de algo bom, fica te cortando em algo bom A graça da castidade é justamente que ela está protegendo uma coisa que é tão boa, tão maravilhosa, tão incrível Tão preciosa que vale a pena qualquer sacrifício para proteger Que vale a pena você driblar todas as balas possíveis para poder manter aquilo ali Eu comecei com uma ideia pra ela e ela foi virando do avesso.
Porque na verdade é isso. O grande ponto é defender aquilo que é maravilhoso. É viver bem. É justamente tornar aquilo que Deus sonhou pra gente. Deus sonhou coisa boa. Deus sonhou uma vida maravilhosa pra nós. Mas isso é uma coisa interessante, cara. Isso é uma coisa que eu tento ajudar a galera aí. da terapia, da psicologia. Porque é óbvio que quem senta diante de nós pedindo ajuda vai contar sobre um mofo em uma parede. Ou seja, vai contar sobre um problema. Só que o mal não tem substância em si.
Ele é o parasita de um bem. Ele é um bem corrompido. Então é importante que a gente sempre consiga olhar e contar para as pessoas Primeiro sobre o bem E depois onde está sujo ali Até para saber se o bem daquela pessoa é um barraquinho ou se é um castelo Entende? Então você vê, essa coisa realmente de... E isso é uma dificuldade, cara Porque eu vi muita palestra de muita gente boa em igreja Falou, cara, vou falar sobre castidade Aí ela só fala de toda a destruição da luxúria, por exemplo Entende?
Eu falo, cara, mas isso não tem nada a ver com castidade, pô A castidade é o seguinte, eu quero saber o seguinte, o que é um homem devoto a uma mulher há vários anos cumprindo, por exemplo, as três promessas do consentimento, né? Sendo fiel até a morte, aberto à vida e educando os filhos na fecatória. O que que isso gera? Cara, a gente sabe disso, é óbvio, né? Às vezes tem que fazer um esforço damado pra achar isso no mundo, né? Você entende? Mas, pô, nego tem que contar essa história e onde essa história Isso é um castelo, né?
E onde no castelo tem uma infiltração, pô Onde a parede tá ruim Só que qual que é a nossa coisa? A gente, por querer fazer o amor durar O castelo durar Isso é muito próprio do mundo militar, né? A gente chama isso no mundo militar de visão em túnel, né? A gente foca no mal, porque a gente precisa destruí-lo para fazer o nosso amor durar Então o meu corpo pode estar todo são Eu não fico assim, olha Caramba, que braço saudável Ninguém faz isso, né? Só que se começar a me espetar agora que alguma coisa no banco aqui, banco de madeira aqui, saiu uma farpa, eu vou ficar assim, cara, tem uma farpa na minha coxa, tem uma farpa na minha coxa, tem uma farpa na minha coxa, tem uma farpa na minha coxa.
Por quê? Porque eu quero salvar a minha vida. É urgente que a gente ensine isso para as pessoas. Elas vão aparecer para a gente falando assim, tem uma farpa na minha coxa, tem uma farpa na minha coxa, porque elas não querem morrer. E o desprazer do corpo é um sinal de morte, que alguma coisa quer destruir. Assim como a vergonha de alma é sinal de que alguma coisa quer te destruir. É falar, mas quer destruir o quê? As pessoas não sabem o que é esse o quê.
Elas não sabem porque elas não vêm mais por aí Aí elas entram numa desesperança Elas entram num casamento com o seguinte juízo Ou na vida de pornografia e masturbação Que é a maioria dos casos de quando eu atendo mulheres que vêm pedir ajuda para os seus maridos Elas vão assim, o meu marido falou que isso não é errado porque todo mundo faz Ele falou, cara, o que é que falta efetivamente para esse cara? Uma graça, ou seja, uma presença de um homem que viva de maneira diferente, que seja vários anos casado, que tenha uma porrada de filho e que sorri.
que, na verdade, é o grande sinal humano que identifica onde está a beatitude, a santidade, a felicidade. É por isso, inclusive, que as páginas onde tem sorrisos e gaiatice têm milhões de seguidores. Entende? Então, isso é muito importante para a terapia de todas essas besteiras, que a gente encontre as presenças de pessoas que saibam o que é que passem ano após ano se transformando naquilo que é e que possam sorrir. Essa é a grande terapia do mundo, porque ninguém vai sustentar uma vida lutando contra a farpa da coxa.
Você entende? Pelo contrário, quando a gente escolhe e conhece amores maiores, a gente é capaz de, por amores maiores, sentar em lugares onde tenha farpa por eles. Pelo contrário. Entende? Isso é fundamental, isso aí que você falou, João. Que a gente foque muito, cara, muito na grandeza da beleza do nosso castelo e que a gente sorria. Perfeitamente, professor. Professor? Bateu o nosso horário aqui, a produção tá avisando. Fala pra caralho, fala pra caralho, João. Pelo menos dois cariocas, se deixar a gente fala a vida inteira.
Pô, meu irmão, te agradeço novamente, tá, cara? Eu que agradeço muito pelo convite aí. Vamos marcar mais conversas. Claro, com certeza, com certeza. Vou só aproveitar uma oportunidade pra fazer só um avisinho, se o senhor me permitir. Fica à vontade, é tudo teu, amigo. Manda brasa aí. Pessoal, hoje até amanhã a gente ainda vai estar aberto o curso Educação Católica para a Paz. Não sei se o senhor sabe, professor, não sei se o Gabriel concluminou a live que comentou com o senhor, mas nós temos um curso que tem a intenção de dar subsídios básicos para pais católicos que queiram melhor formar seus filhos.
Então assim, com aulas de formação humana, que são minhas Virtudes na literatura, doutrina, sagradas escrituras E os cursos do vício à virtude agora na sua versão da luxúria Então a gente está com isso aberto, na verdade até amanhã Já está uma semana, então quem está indo agora está me atrasado já Até amanhã a gente ainda vai estar aberto, mas amanhã fecha o carrinho Então se você tem interesse, se você quer se aprofundar mais nessas temáticas para melhor se formar Porque o nosso ponto principal no curso é justamente esse Para você formar qualquer um, você precisa se formar primeiro Para formar qualquer um em virtude, você precisa lutar pelas virtudes você mesmo primeiro E formar os seus, particularmente as crianças, seus filhos ou seus alunos, os professores também A gente está aí com o link na bio para todos vocês que quiserem se tornar nossos alunos A gente está esperando ansiosamente e estamos preparados para toda a atenção que vocês precisam Para fazer o melhor uso possível aí do material que a gente tem pronto lá E agora o curso do Vice da Virtude, da luxúria que tem esse material sobre a castidade e sobre o vício da luxúria, mas mais sobre a questão do combate dele, da coisa boa, da parte boa.
Maravilha, Deus abençoe o projeto de vocês, cara. Maravilha. Muito obrigado, professor. Deus abençoe o nosso combate. Um abraço na família. E aja o combate. Um grande abraço a todos. Obrigado pela presença. Obrigado pela graça de vocês todos aí. Forte abraço! Fiquem com Deus! Tchau, tchau! Até breve!