Presença & o tempo que tempera
Intimidade
- demorar = morar dentro
- fazer durar (vencer o tempo)
- a intimidade (conhecer e ser conhecido)
- graça = presença
- as três pessoas na música (ritmo/melodia/harmonia)
- o nous poéticos (intelecto ativo e passivo)
- a continência (gesto, atitude, duração)
- a honra e a dignidade
- a modéstia como guarda da intimidade
- a fofoca e a fama como perversões
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 5:19.
“Pessoal, vamos começar então pelas experiências da vida comum. E aí, grande Galvão. Boa noite, meu irmão. Não é para a eternidade, não. É para a intimidade. Falar de intimidade, né?”
Trechos da aula
O demorare é um morar ali dentro, você entende?
É por isso que a etimologia da palavra é essa. Você mora dentro
A dignidade de um ser no mundo é o quanto você demora
Transcrição completa
Fala, Jorjão. Boa noite, Taviana. Fala, Gabriel. Freitas. É, não era polícia, não era ambulância, Fala, Natan. Sandra. Fala, Sandra. Boa noite, meu irmão. Dona. Atlanta. Atlanta tá sempre aí. Boa noite, meu irmão. Adeus.
Boa noite. Boa noite. Boa noite, Ana. Bom trabalho. Boa noite, Laura. Boa noite, Ana. Boa noite, Cristiana. Obrigado, Ederson. Boa noite, Silvio. José. Boa noite. Aqui, aqui. Aline, a própria. Grande, Tiagão. Boa noite, meu irmão. Também gostei de conhecer você, Gabriel. Pessoal do Rio Grande do Sul aí. Aline, aqui. Boa noite, meu irmão. Boa noite. Se liga, mãe. Boa noite. Fala, Duculto.
Boa noite, irmão. Tá no Brasil já? Obrigado, Vivi. Mais um filho. Uma alegria sem tamanho, né? Cada vez é melhor, porque parece que o nosso coração vai se dilatando, né? Parece que cada vez cabe mais felicidade. Fala, Magno. Olha aí. Maria. Mariane. De Natal. Boa noite. Mateus, boa noite, Emerson. Boa noite, Maria. Boa noite, Stephanie, Nunes. E podes crer, Magno, estou te devendo uma resposta aí, né? Uma palestra aí na empresa, né, irmão?
Depois me manda mais uma mensagem lá, que às vezes, pô, são muitas e eu me perco. Mas quando for assim, vocês insistam, tá? Não desistam de mim, não, quando eu precisar falar. Boa noite, Pablo. Patrick. Uhul. Conteúdo edificante. Boa noite. Boa noite. Parabéns. Obrigado, Rodrigo. Boa noite, Jorge. Boa noite, Thaesa. Obrigado. Vai ficar gravada. Boa noite, Brunão. Eu sempre tento deixar gravada, meu irmão. Se eu não conseguir, foi por... Por burrice minha mesmo. Ou então algum problema, né? Grande Ego, boa noite.
Boa noite, Dite. Alaninha Dantas, boa noite. A paz, Freitas. Paz do Senhor. Boa noite, Tati. Olha aí, Matheus de Salvador. Carnaval de Salvador estourando na janela. Vem palestrar na WRL. Eu já fui muito aí, meu irmão. Primeiro filho chegando por aqui. Olha que maravilha, meu irmão. Você vai ver agora o tamanho que fica a vida, como é que é bom. Como chama... Três pessoas, né, meu irmão? O assunto da aula vai ser sobre demorar, sobre fazer durar.
Obrigado, Lilia. Boa noite, Ranulfão, Adsumos. Boa noite, Lucas. Boa noite. Boa noite, Renata. Boa noite, Leonardo. Maravilha, pessoal. Vamos começar? Boa noite, Sandra. Época de carnaval, né? Tema fazer durar. Pode ser fazer durar para a intimidade. A galera de Manaus aí, que maravilha.
Saudade de Manaus, cara. Boa noite, Luciana, André. Pessoal, vamos começar então pelas experiências da vida comum. E aí, grande Galvão. Boa noite, meu irmão. Não é para a eternidade, não. É para a intimidade. Falar de intimidade, né? É importante pra caramba falar de intimidade, cara. Esse tema é uma maravilha. A gente está sempre falando a mesma coisa, né? Eu espero que vocês... Depois vamos aos poucos ligando os pontos para live.
Também se não fizerem, eu vou fazendo. É uma obrigação minha também ir fazendo isso. Pessoal, vamos falar aqui de algumas coisas que acontecem aí na nossa vida comum? Vamos continuar no nosso ritmo aí do mercado, do café, dessas paradas aí? Eu vou falar alguma coisa de carnaval também hoje, para a gente entender algumas coisas que acontecem com a gente. Olha só. Quando eu tomo um café gostoso, quando vocês veem um bom filme, quando a gente ouve uma boa piada, vê alguma coisa muito bonita, quando alguma coisa aparece no mundo, coloca a presença dela diante de nós e a gente Não quer que aquilo vá embora, né?
Por algum motivo, aquilo parece um bem para a gente. Que maravilha! Parabéns! Parabéns para você que passou na prova e que eu não consegui identificar o nome aqui. Bom, que coisa estranha que acontece com a gente, que a gente quer fazer coisas que chamam a nossa atenção de alguma maneira, a presença delas. Estranhamente, a gente quer fazê-las durar, durar.
Vocês já viram como é gostoso? Se você toma um café sozinho e aquilo for uma maravilha, você quer logo sair daquela solidão, porque você quer contar para alguém uma coisa que está acontecendo dentro de você. Então, percebam dois grandes fenômenos acontecendo juntos dentro do coração e da mente humana. Eu quero fazer alguma coisa durar e, ao mesmo tempo, eu quero fazê-la durar e torná-la conhecida. Essa experiência que eu tô falando pra vocês...
Cara, eu tenho tanta coisa pra falar sobre essa experiência aí. do Fazer Durar, e eu tenho tanta coisa pra falar sobre as perversões disso, eu vou dar uma pincelada em algumas aqui. A minha própria ansiedade, a minha própria angústia em querer falar tudo isso pra vocês não é senão outra coisa a não ser isso, né? A minha ânsia de falar para vocês o que está dentro do meu peito é esse misterioso sabor maravilhoso que tem da gente fazer as coisas maravilhosas durarem mais e vencerem o tempo.
Vocês entendem isso? Então, olha só. Experiências assim no mundo, da duração das coisas. Vamos dar um exemplo num agora que eu estava recordando. Uma das minhas filhas estava cantando, fica ali preso na parede, a letra em latim do texto que São Tomás fez para o dia de Corpus Christi, que é uma canção chamada Adorote Devote. E aí ela estava cantando aqui, pertinho de mim.
E aí, quando ela está cantando, a gente começa... Então, você vê, o canto dela é um canto monofônico, é só ela cantando, e não tem instrumentos. Então, o que ela está fazendo? Ela pega uma sílaba e canta essa sílaba arrastadamente, né? Ela vence o tempo com aquela sílaba. Ela faz aquela sílaba demorar.
O demorare é um morar ali dentro, você entende? Ela mora dentro daquela sílaba, faz aquela sílaba durar. Isso, na técnica musical, é chamado de melisma, né? Então, você vê, sabe essa raiz da palavra mel, de melisma, né? São Bernardo de Claraval era doutor melífogo. de onde jorrava mel. E vocês veem que o mel, ele não se demora a cair porque ele tem uma consistência, ele tem uma ligação, né?
O mel, ele tem aquela coisa de se demorar em si, sabe? Ele não rompe, você entende? Ele tem uma continuidade. De onde então vem a tal da palavra melodia da música? E aí você vê, a música, ela tem três partes, né? Ela tem três pessoas dentro da música, porra. Ela tem o ritmo que é configurado à moda do quê? Da batida do coração do personagem no palco. Então o que que dá ritmo?
O que dá ritmo? é a batida. Então um ritmo maior do que o ritmo do coração humano faz com que o coração do ser humano acelere. De forma que se você quer ser veloz, ou seja, você quer demorar pouco tempo, você aumenta o ritmo, você aumenta a vida do personagem. Mas se você quer que a coisa demore. Você diminui o ritmo, diminui a batida do teu coração, o ritmo, então você diminuindo o ritmo da música, você diminui a batida do teu coração, e o que sobra se eu tiro o ritmo?
Sobra a melodia, aquilo que vai fazer durar, e a tal da harmonia. que nada mais é do que a interface entre ritmos e melodias, um relacionamento entre um e outro. Então você vê, quando a gente olha para a experiência, uma coisa legal, Bom, vocês sabem que eu sou católico, então é óbvio que eu tenho experiências com esse tipo de coisa dentro da igreja católica, mas vocês vão fazer aí a comparação com a experiência da vida de vocês. Então, por exemplo, quando uma pessoa quer pensar ali no chameguinho dela, aí ela quer pensar no chameguinho dela, ela bota uma música com um ritmo aloprado assim, Não, pô!
Normalmente ela bota aquela música melozona, sabe? Que o pessoal fala assim da dor de cotovelo e tal. Eu não tô falando da letra. Veja bem, não tô falando da letra. Eu tô falando da melodia, do mel. Entendeu? Então vejam. Quando, por exemplo, São Gregório Magno tirou o ritmo da música, e botou o canto monofônico melismático pra cantar os salmos, ou seja, o tal do canto gregoriano. Quando o cara tá cantando gregoriano, o que ele tá fazendo, pô? Ele tá vencendo o tempo.
Então ele tá falando assim pra você, seja menos agora o personagem no palco da experiência sensível, carnal, e fica aqui com a gente que eu vou te levar pra um terreno onde tudo demora mais e vence o tempo, você entendeu? É por isso que o canto vence o tempo. Pater noster. Vocês estão entendendo o que eu estou falando? Eu estou vencendo o tempo com uma sílaba, porra. Eu estou arrastando uma sílaba e ela está se tornando uma sílaba vitoriosa na vida. Entendeu isso? Então, olha as consequências disso.
Vou fazer aqui os parênteses para vocês perceberem as coisas do dia a dia, da vida comum, porra. O cara que está numa experiência religiosa, se a experiência que ele tem é uma espécie de trânsito pelo excesso de batida e e aquela coisa de mistura da luz com o canto que vai passando sempre do agudo. O agudo, ele não é sempre frágilzinho, é mais fininho, não é assim? O agudo parece que ele vai se romper, não é isso? E quando esse canto vai passando para o grave, ou seja, vai tomando gravidade, que é uma coisa da presença real, né?
Gravidade, como na gravidez, a presença de uma vida. Quando ele vai passando do agudo para o grave, vocês percebem que o nosso coração vai se elevando pela batida ao ritmo. Então vejam, eu tenho uma espécie de êxtase carnal em sentido contrário do tal do êxtase místico, do melismático. Como que eu sei qual é a diferença? Eu sei qual é a diferença porque um é proporcionado pelo ritmo e o outro é proporcionado pela melodia. Então a gente sabe quando a experiência do cara que ele diz ser espiritual na verdade é muito do carnal.
É uma espécie de êxtase carnal ali do rave, aquela parada ali que é muito diferente do êxtase de Santa Tereza d'Ávila. Entenderam? Ok. dia a dia, vamos continuar no dia a dia. No mundo militar, existe um gesto da continência, que não é bater continência, não é isso? É prestar continência. Então, o que a gente faz? O que é prestar continência? Prestar continência é prestar honra a uma presença.
Então aparece uma presença e você vai honrá-la. E qual é a configuração de uma continência excelente? A continência excelente tem três componentes. O gesto, a atitude e a duração. As três pessoas, a perfeição da vida das três pessoas. Eu vou na duração. Então presta atenção nisso agora. Olha a diferença disso aqui. Fala, meu irmão. Fala, meu irmão. E a diferença de você olhar aquele cara marcial que faz um gesto e mantém a duração do gesto e você fala sem saber nada, nada, tu não sabe nada, aí tu fala assim, meu irmão, alguma coisa grande está ali, tem alguma presença grande ali, você entende?
Tem alguma coisa gigantesca ali, por que você sabe disso dentro do seu coração, se tu não sabe nada daquele mundo militar? Porque tem uma pessoa que está fazendo um gesto que vence o tempo, vocês entendem? Por que o sino A badalada do sino, ela é mística. Ó, se vocês lerem Tratados de Demonologia, vocês vão ver lá que demônios têm medo de sino. Por que que demônio tem medo de batida de sino, pô? Porque a batida de sino, ela vence o tempo e parece que ela nunca mais vai acabar, você entende?
A batida do sino é uma materialização da eternidade musical, você entende? Ela toca, ela é uma batida de vida, só tom, e não acaba nunca mais. Você entende por que o sino causa isso na gente? Então você vê, a gente sempre é atropelado e o nosso coração, ele se demora, ele mora lá dentro de onde tem duração. Por que isso é muito importante? Porque quando eu vencer o tempo, eu demorar, quando eu demorar na coisa, intimidade dela. Então, veja.
Quando... eu não vou desenvolver isso aqui... porque... não é o lugar a nenhum momento, mas eu vou dar um gostinho pra vocês. Olha só. Quando a gente está na missa e você olha o padre elevando a hoste acima, preste atenção nisso. Isso é a mesma coisa que isso aqui?
Uma vez eu fui na missa com um cara que nada sabia sobre catolicismo e aí ele falou assim pra mim, a gente foi na missa que o padre fez bem devagarzinho assim ó, ele demorou a elevar a hóstia e depois ele demorou com ela no alto, ele venceu o tempo, ele demorou, ele começou a revelar a intimidade que ele tinha com aquela demora, porque ele morava lá dentro, ele demorava. Vejam, na igreja católica existem os tais dos dons do Espírito Santo, os presentes de uma presença.
Um desses presentes se chama piedade. O que é piedade? O teólogo olha para aquele padre e fala assim, caramba, que padre piedoso. O cara que não sabe nada da missa, ele olha para o cara e fala assim, pô Diego, o que é aquilo lá, meu irmão? Deve ser importante, né? Pô, o padre tá demorando pra caraca alguma parada no alto? Que parada é aquela lá? Deve ser importante pra caraca aquela parada ali, né? Falei, ah, você não sabe, mas aquele padre, ele tem intimidade com aquilo lá.
Na verdade, só ele. Aqui, entre todo mundo, tem intimidade com aquilo lá. Aquilo lá só pode vir ao mundo pela mão dele, inclusive, tá ligado? O teólogo chama aquilo de piedade. Nós chamamos de gesto, atitude e duração que vão fazer o amor dele vencer o tempo e ele vai morar lá, porque ele está demorando a fazer o gesto. Vocês entendem? Então vejam, quando você faz um carinho no rosto da menina devagarzinho e fica olhando para ela, aquilo Por que aquilo é um gesto romântico por excelência, de amor por excelência?
Porque esse demorar começa a gerar essa intimidade de quem mora efetivamente lá dentro. Vocês estão entendendo isso que eu estou falando para vocês? Por que isso é muito importante, mas muito importante? Porque as pessoas estão demorando nas coisas erradas e não estão demorando nas coisas certas. Isso, vocês devem lembrar disso.
Olha, depois eu vou ligar isso. Eu vou fazer a ligação disso com o domínio. Vou ligar isso com o domínio. Mas presta atenção, pelo amor de Deus. Por que eu tomei o café? E aí? Quando a presença do café não tá mais ali? E eu quero que ele demore. Eu quero que ele demore. Calma aí. Deixa eu fazer aqui um... Um favor a vocês? Então vejam, eu tomei o cafezinho gostoso.
Tomei o cafezinho, né? Aí, quando eu tomei o cafezinho, eu quero fazê-lo demorar mais, né? Então vejam, eu tomei o café e eu conheci o café por dentro, com intimidade, ele está dentro de mim, no meu íntimo. Eu me transformei um pouco no café, ele se transformou um pouco em mim, vocês entendem? E aí, para fazê-lo durar, eu tenho que fazer o que eu ensinei para vocês a fazer com o canto melismático, monofônico da sílaba que eu vou fazer vencer o tempo, você entende?
Eu vou fazer com o café isso agora. Como que eu faço o café vencer o tempo, pessoal? Eu quero passar para vocês, tá? A experiência da minha intimidade com o café. Então eu saí da materialidade dele. Aí, presta atenção agora, hein? Eu vou ter que arrumar um jeito de ir num mundo imaterial. Eu vou ter que usar palavras pra ir agora pra um mundo imaterial. Eu vou levar o café pra morar lá e vou me demorar com ele pra fazê-lo durar, pra vocês conhecerem o amor do café.
Aí eu vou achar um jeito de falar pra vocês sobre ele no mundo imaterial. Então tô lá. Vocês precisam conhecer o café da África de São Tomé e Príncipe. Vejam, vejam o que eu estou fazendo. Eu tirei o café do mundo material e levei o café para o mundo da palavra, do logos. Para você que não gosta muito das palavras religiosas, eu vou utilizar Aristóteles. Aristóteles chamou esse processo Esse poder que nós temos de tirar uma coisa do mundo material e fazê-la durar muito no mundo imaterial, conhecê-la, a intimidade dela fazendo-a durar no tempo e me demorar, morar lá dentro, através do que ele chamou de nous poéticos, ou seja, o que é nous?
Como é que o nous grego é traduzido para a gente hoje? Ó, vamos lá. São Paulo, nas suas cartas, falou sobre nous, psique e soma, espírito, alma e corpo, tá? Depois da transição grega para a transição latina, né? Aí, veja bem. Olha só. Então, olha só aí. E quem viu, lembra lá outra live. Eu tô no mundo material falando de café. Aí eu vou usar o nous poéticos, o espírito poético, pra construir um mundo dentro de vocês e material pra fazer o meu amor durar.
Eu vou dar um nous poéticos pra vocês, eu vou dar um espírito pra vocês, vocês entendem? Vocês não têm ideia do tamanho, você vê, ó, existe um sigma no século XI da Igreja Católica do Ocidente com o do Oriente, por causa de uma palavra, o tal do filioque. Quando eu falo pra vocês, nas três pessoas, e eu ensino que pra sair do personagem no palco e eu levar o mundo pro mundo do crítico, do espírito, do nous poéticos, pra sair do material e ir lá pra cima, quando eu falo pra vocês que tem o espírito que procede do pai e do filho, A inteligência que procede do pai e do filho, você gosta de inteligência, de intelecto.
Eu tô falando a mesma coisa, só que tô falando com a palavra grega de Aristóteles, nous, poéticos. Quando eu faço isso, e vocês veem, olha o nome dos dons do Espírito Santo. do nus, é inteligência, conhecimento, sabedoria, um dia eu vou posicionar isso tudo pra vocês, vocês já viram que eu fazer me demorar, me demorar tomando café assim ó, Ou o padre levantando a hoste assim ó, devagazinho, demorando lá em cima, ou então o cara, o Gregoriano, o canto Gregoriano cantando de maneira melismática, paternoster, e eu vencendo com uma sílaba só.
Eu tô utilizando o intelecto ativo, a inteligência que procede do filho. e quando eu estou no meu mundo querendo tomar o café na minha cabeça, e vou olhar para o mundo para ir no mercado, comprar o café no mercado, dar dinheiro, me sacrificar, pagar no caixa e chamar o café do caixa de meu café, o nus possibilis, o nus que tudo pode, É o intelecto ativo, é o espírito que procede do pai. Então veja, a gente aprendeu a chamar intelecto ativo e passivo pra uma coisa que a gente já conhece há milênios, pô.
Que é o espírito que procede do pai e do filho. Tá lá nas três pessoas, tá desenhado isso lá pra vocês, pô. Eu só tô dando unidade pra vocês da psicologia, da filosofia, da teologia, porque só muda o jockey. O cavalo é o mesmo. Então vejam, fazer demorar e viver essas experiências de conhecer, de levar para o mundo imaterial, de depois pegar do mundo imaterial e levar para o mundo real, traduzido no sacrifício, que faz chamar coisa de minha, fazer isso, fazer isso, desenhar no mundo real aquilo que está na minha cabeça, eu sonhei em tomar um café e eu vou mudar o mundo inteiro, e vou criar um mundo inteiro para eu tomar café, fazer isso pessoal, é tão grande, é um espírito tão grande do empreendimento humano, que Averroes e Avicenna, Nos mesmos séculos que eu tô falando pra vocês praticamente do espírito que procede do pai e do filho, da discussão do Oriente e do Ocidente, chegaram a uma conclusão.
errada, mas que tem a sua grandeza, né? Averroes e Avicenna depois foram corrigidos por São Tomás de Aquino, mas eles confundiram o intelecto passivo com o próprio Deus por causa da capacidade dele, pô. Porque eu tô aqui, pensei em tomar café, aí eu construo na minha cabeça um mundo inteiro novo pra eu tomar café. Quando eu olho pro lado e vejo o carro, eu desfaço esse mundo inteiro e crio um mundo completamente novo, vocês entendem que capacidade é essa? do intelecto passivo, o espírito que procede do pai, não é mais o espírito que procede do filho, vocês entendem?
Nós vivemos desse espírito que procede do pai e do filho, que me faz transitar lá pra cima, pra me demorar no café, pra fazê-lo durar mais, e depois eu pego isso e desço pro mundo, pra traduzir isso no mundo, entende? Isso é a mesma coisa, pessoal. Quando vocês olham, lêem teologia, quando vocês lêem filosofia, quando vocês lêem… psicologia, quando vocês vão tomar café, quando eu estou na igreja com o meu amigo, é tudo a mesma coisa, é a vida humana centralizada no intelecto humano, quando vocês fazem política e falam de executivo, legislativo, judiciário, é óbvio que vocês estão falando das três pessoas, porque nós somos essa imagem e semelhança que pensa com essas três pessoas, desse empreendimento humano que é o mesmo que faz a música, vocês entendem?
Isso é o nosso intelecto, o nosso espírito humano, A gente só tem dificuldade de ficar sabendo o que que é o nome, o que que não é o nome, porque fica com um rançozinho de, ah não, isso aqui é teologia, isso aqui é filosofia, isso aqui é tomar café. Eu falo, ora bolas, onde que tá a centralidade, a unidade disso tudo? Na minha cabeça, pô. É a mesma cabeça que tá no mundo da política e que toma café. Como é que seria diferente se não teria essa unidade?
Agora, vamos pra parte mais importante. Tem uma série de perversões pra falar sobre isso. Um dia eu vou falar da série de perversões numa história das heresias, como o pessoal foi errando nisso aí, tá? Inclusive a do sisma do século XI, do tal do filióque, né? Do espírito que procede do pai e do filho, que é o intelecto ativo e passivo, né? É óbvio que pra mim é, apesar deles não terem falado isso, pra mim tá nítido que é assim. Mas olha só, Agora eu vou falar do que gera duração.
Olha só, eu cheguei um dia na casa da minha esposa, da Maria, a primeira vez que eu cheguei na casa dela, eu sentei na sala e aí Ela estava lá dentro, né? Lá dentro dos aposentos dela, lá no quarto, no banheiro, fazendo as coisas dela, e eu fiquei lá esperando ela chegar, né? Ela estava fazendo charme para mim, entendeu? Aquela demorada romântica, né? Aí eu fiquei lá na sala vendo o quê? A parte que todo mundo vê, pô. A sala é o lugar comum, né? Todo mundo vê a sala.
Todo mundo vê as coisas da sala. Só que as coisas da sala começaram a me contar um pouco da história dela, né? E eu me interessei por aquilo ali. Aquilo ali importava pra mim. Importar. Portar dentro de mim. Então eu me demorei. Vocês percebem que é o mesmo fenômeno interior. O padre demorando, eu demorando a falar do café, eu falo, pô, o cara demora pra caraca, meu irmão. O cara demora pra caraca pra falar do café. Por que ele demora tanto? É a mesma coisa, demorar e ter intimidade.
É por isso que a etimologia da palavra é essa. Você mora dentro, né? E você cria essa intimidade no demorar, tá? Agora, olha só. Eu falei aí do canto gregoriano, do melisma, de tudo isso aí, do café e tal. Agora para pra pensar. Qual é a melhor experiência da religião que o homem conhece? Qual que é o grande tesão da religião? Vamos pra vida comum? Vocês já viram como é que é bom quando uma pessoa se importa contigo?
Quando você chega perto de alguém e você fala assim, pô, e aí, cara? Como é que tá a tua vida, pô? Tá feliz? Pô, tu tá nesse trabalho novo, e aí? Como é que tão as coisas? Aconteceu alguma coisa e tal? Por que que... Por que que é gostoso? quando alguém se importa com a gente. Vejam, a pessoa se importa. Tá percebendo o que eu tô te falando? Ela demora na tua presença e te traz pra dentro dela. Ela tá fazendo contigo, como eu falei do café, você entende?
Ela tá fazendo a tua vida durar mais quando ela se importa. Porque se você morresse agora, a tua vida pode ser contada por ela. Ela se importa contigo. Ela tá entrando na tua intimidade. Vejam, se isso não é a maravilha da amizade, né? O que é a maravilha do amor, da amizade, se não uma pessoa que vai te conhecendo por dentro e ela vai se aproximando de você e vai acontecendo aquele fenômeno que o Santo Tomás de Aquino falava, né? Ela vai amando as mesmas coisas que você, fazendo durar as mesmas coisas que você quer fazer durar, não é isso?
Os meninos que vão junto para o carrinho e os outros que vão junto para o boneco, né? Eles têm amores incomuns. E os que não gostam das mesmas coisas e lutam para as mesmas coisas ruins se afastarem. Eles se importam com as mesmas coisas. Isso é bom, né? Quando você olha pra uma pessoa e ela lembra teu nome e ela conhece a tua história, ela se demora contigo. Não é bom pra cacete isso? Agora, vai pra religião. Olha pra São Paulo falando. da intimidade dele com Cristo.
Que Cristo o conhecia pelas entranhas, né? Completamente. Todo. Ou então no próprio Evangelho. Eu sou conhecido da quantidade de cabelos na minha cabeça. Imagine que existisse alguém no mundo que tivesse essa intimidade comigo de conhecer a quantidade de cabelos que tem na minha cabeça. Então você vê. Ó, eu vou contar pra vocês só uma perversão. Desse desejo que nós temos de fazer o café durar mais, pelo processo que eu falei lá no início da live, né? Do fazer durar, dos intelectos, de tirar do mundo material e levar pro mundo do logos, da palavra, do mediador, né?
Que vai mostrar os amores do mundo real e que depois eu vou sair do mundo da palavra e vou fazer a minha verdade, o meu amor, se encarnar no mundo. com os intelectos, com o luz, com o espírito. Aí, a pessoa, ela quer te conhecer. E você quer se deixar conhecer. Porque isso é o que faz a vida da parte de cima durar. Vocês perceberam o negócio do café?
Você percebeu? Por que quando eu tomo o café tem um negócio dentro de mim? Você sabe qual é a perversão disso? Uma perversão simples. Pô, é a fofoca, porra. É óbvio que a fofoca é uma perversão disso. Você entende? Por que que sai, Diego? Por que que a gente fofoca, Diego? No outro dia me perguntou. Ele falou, cara, tu quer que eu te explique? É uma parada grandiosíssima. Por que que a gente fofoca? A fofoca é só perversão, pô. Por que que você quer contar a fofoca, meu irmão?
Porque você testemunhou a parada dentro do teu coração e nós nascemos pra botar o nosso coração na mão com a tocha em chamas e dar pro mundo, você entende? Eu faço isso com o café, porra. Eu quero ser profundamente conhecido e quando alguém oferece para mim essa importância e quer demorar comigo e ter essa intimidade, eu acho finalmente a vocação do meu coração que quer conhecer e ser conhecido. Vocês entendem? Isso acontece com o cafezinho. E vocês já viram que maravilha que é as pessoas que se convertem à religião, como elas gostam de falar isso?
O que importa é que eu sou profundamente conhecido por Deus. E é óbvio que é essa coisa é um tesão do cacete, porra, tu ser completamente conhecido por Deus. E vocês lembram da experiência do cara que saiu no caixa com o macarrão sem pagar? Que ele foge da autoridade, do autor, da ordem? Vocês percebem que ele faz uma coisa contra a natureza do coração humano? porque é um coração que deseja ser profundamente conhecido pelo autor da vida humana, mas quando eu cometo alguma coisa contra essa ordem, ao mesmo tempo eu estou fugindo dessa autoridade, desse autor.
Vocês percebem isso? Como é o nome disso na teologia? Pecado mortal. O que é isso no mercado? É o cara fugindo da polícia. Entenderam? É a mesma coisa. É o mesmo fenômeno do espírito humano, pô. Ok. É por isso que o pessoal fala assim, ah, pecado mortal. O que é o pecado mortal? É o rompimento com Deus. E fala, é, pô. É o cara fugindo do mercado com o macarrão. Ele tá fugindo da autoridade, você entende? Do autor, de uma ordem estabelecida. Entendeu? Beleza. Aí, o meu coração, que deseja ser profundamente conhecido, profundamente conhecido.
Se eu não me sinto olhado aqui, eu estou aqui, será que eu sou olhado? Outro dia eu estava correndo aí no meio do mato, sozinho assim. Aí eu falei assim, cara, Deus está me vendo correr. Já que Ele está me vendo correr e está uma merda essa subida aqui, dessa rampa aqui no meio do mato, Eu vou oferecer esse sacrifício pra ele, pô. Pra ele fazer alguma coisa pelos meus alunos, meus pacientes. Porque eu me sentia olhado por Deus. Agora, eu vou explicar pra vocês uma perversão.
Por que a fama é gostosa? senão você sair na rua e se sentir conhecido, porra. Vocês entendem por que que nego gosta disso? Eu sou famoso. Eu sair na rua e falar assim, professor Diego, eu sou teu aluno das três pessoas, eu te vi lá na Brasil Paralelo. Por que que nego gosta disso, cara? Porque a tua vida importa, porra. Estão demorando contigo, vocês entendem? Aí você tem aquela impressão. de que eles te conhecem. Só que é óbvio que o cara que vive da fama, quando ele está sozinho, ele vai ter vários problemas psíquicos, né?
porque ele não se sente olhado e conhecido na solidão. Vocês entendem o problema de vários famosos quando vai acabando a fama deles? Porque eles botaram a intimidade do coração deles naqueles olhares da rua, que é óbvio que não tinham intimidade com eles. Agora vocês querem que eu fale outra perversão? Da intimidade? Meus amigos, andar na rua sem roupa, mostrando tudo que você tem, a tua intimidade, para pessoas que não se importam e não demoraram, não fizeram aquele processo lá da outra live, do caixa do mercado, não pagaram o preço no caixa de comprar o macarrão para levar o macarrão para casa, para despir o macarrão, para botar o macarrão na panela, para comer o macarrão, para se tornar o macarrão.
Vocês percebem que eu me demorei na continência? por conhecer a intimidade daquela presença que estava ali diante dele. Vejam, no ritual militar, no rito militar, quando um comandante chega, o que são as honras de porta-ló? É dito assim, honras de recepção ao comandante reis. Aí o comandante-rei se posiciona. Aí quem tá recebendo fala assim, ó, toque de presença.
Nós estamos honrando uma presença. Vocês lembram na live anterior, quando eu falei que aquele orgulho, que vocês chamam de um bom orgulho, de quem fez a coisa certa, de quem é amigo da ordem e tem intimidade com o que é correto? Aquilo não é orgulho, o nome daquilo é honra. O nome daquilo é honra. Por que que o cara honrado, ele enche o peito dele de ar? Porque ele enche o peito dele daquele espírito que eu falei pra vocês, que é o intelecto ativo e passivo aí, de quem dominou um pedaço do mundo, você entende?
de quem tem o peito estufado da vitória, a gente vai honrar esse peito estufado, essa presença desse ar que enche mesmo, porque ele é a ordem do mundo, vocês entendem? A isso a gente tem a vênia, a demora do padre, a intimidade e a vênia da continência. Isso é o que a gente aprendeu a chamar de dignidade das coisas. Então o que é a dignidade de um ser no mundo? A dignidade de um ser no mundo é o quanto você demora e se entrega e o honra e o faz continência e o eleva e eu levo o teu intelecto ativo pra desenhá-lo num mundo imaterial onde ele jamais vai ser vencido e vai durar pra sempre, você entende?
Porque mesmo que não existisse mais café, pelo menos na minha linguagem e no intelecto humano, ele sempre existiria, porque ele foi eternizado pelo conceito de café. Entenderam isso? Então vejam. Se a mulher e o homem estão na rua, E eles não são conhecidos. E eles estão com a sua intimidade desnuda e toda aparente. Vai acontecer a tragédia que acontece com todas as pessoas que depois que aprendem as coisas falam assim, putz, que vida que eu vivi de ter sido conhecida e me deitado com uma porrada de mulher ou com uma porrada de homem.
Porque agora quando eu me entrego pra esse cara, eu queria ter sido todo dele, só que eu já fui, as minhas intimidades já foram conhecidas, você entende? E eu não tenho mais nada de novo pra dar pra esse cara. Ou então quando eu atendo o cara de 60 anos, que tá no quarto casamento e ele só tá com a quarta mulher há 3 anos e ele vai contar a vida dele. E ele percebe que ele não quer contar pra ela porque ela não demorou na vida dele quase nada.
E ele vai contar pro amigo. E ele gosta mais de estar com o amigo e ele demora mais com o amigo porque o amigo dele tá com ele há 40 anos, pô. E ele se sente profundamente conhecido com o amigo, mas não se sente profundamente conhecido pela mulher porque ela não tem intimidade, porque ela não demorou. É com um café assim, pô. na continência no quartel assim. Pessoal que presta continência no quartel sabe disso que eu tô falando. Que se tu sair na rua sem roupa e mostrar sua intimidade...
Você tá entregando a dignidade humana, você percebe? Você tá entregando tudo e não tem amor ali, não tem gente pra fazer durar. Só que como não tem gente pra fazer durar e você não tá sendo profundamente conhecida em lugar nenhum, você vai desnuda mostrando toda a sua intimidade, porque você precisa ser profundamente conhecida. Só que você vai como uma mendiga, você entende? Você, cara, vai como um mendigo pra ser conhecido. Completamente desnudo, porra... Sem nada por alguém que não demorou nada, você entende? Que não te conhece nada, porra!
Você tá sem dignidade nenhuma, você entende? Não tem honra nenhuma nisso! Isso não é... Pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus! Isso não é a religião no sentido estrito que vocês acham, isso tá escrito no coração humano, na psique humana, no uso humano, no intelecto humano, você entende? Você não consegue tirar essa estrutura do teu coração, porra. E a beleza disso, a beleza disso, está lá, escrito no castelo interior de Santa Teresa d'Ávila, quando ela fica lá esperando na sala, como eu esperei na sala a Maria, porque eu não tinha dignidade, eu não tinha pago ainda no caixa o macarrão para entrar no quarto, vocês entendem?
E eu estava esperando lá, Como Santa Teresa d'Ávila disse, da quinta, da sexta e da sétima morada, a partir de lá quem vem é aquele que ama, é o dono do castelo, é ele que vem. e aparece ali na tua presença para que você conheça a dignidade dele e seja profundamente envolvido pela sua intimidade. Até a quarta morada, você se esforça, você vai com a sua força, você tenta e vai no caixa e paga e fala com o pai, vocês entendem? E se arruma e tenta ficar bonito e o caramba, mas no final das contas, É a graça, a presença que aparece e vai te levar para os aposentos porque é óbvio que você não pode entrar lá, você entende?
Porque somente quem quer te dar toda a intimidade por uma grande dignidade que te leva até lá, porra. É assim com um cafezinho, porra. Vocês não acham que ia ser assim com o empreendimento humano da nossa vida? Vocês entendem? Então, quando uma pessoa fala, por exemplo, sei lá, fala aí de um tema de teologia do corpo, da temperança, né? Modéstia. O que é modéstia? O que é modéstia se não essa tentativa de guardar a intimidade? Porque nós temos que entregar a intimidade para onde está a grande dignidade e a grande honra da vida humana.
Então vocês veem, a merda que é quando tu atende o cara que fala assim, porra Diego, não, eu me deito com a minha mulher. E aí quando eu tô com ela na intimidade, eu lembro de outra mulher, cara. Aí o cara que me fala isso, Ele não tem religião, né? Aí eu falo assim pra ele. Meu irmão, a igreja católica enche a porra do saco de vocês pra vocês casarem virgem, né?
Mas vocês acham que essa porra é uma caretice, não é verdade? Que merda, né? Que merda. Ou, quando a pessoa fala assim, caraca, eu fiz tanta merda antes de me apaixonar por essa pessoa e agora eu queria casar com ela e ser tudo dela, mas eu sinto que o que eu tenho pra dar pra ela, todo mundo já conhece. E aí? Isso é só a bordinha do problema. O resto do problema eu falo numa próxima live sobre o que é a vergonha na personalidade humana.
E a gente vai em frente e arrebenta. E vamos juntos expor no tesão, na aventura que é a perfeição da vida humana. Tá bom? Tamo junto, pessoal. Quaresma para vocês. Vejam a última live. Vejam a última live da Penitência. E tenham uma grande Quaresma. Um forte abraço!