As feridas da alma
Suicídio
- o suicídio (a des-existência)
- a presença / graça = presença
- a solidão como pré-condição da queda
- o personagem, o crítico, o roteirista
- a pulsão de morte (Thanatos) e o desejo realizado
- o pensamento coletivo (neurose coletiva, Jung)
- a gradação do mal (quanto da personalidade é tomada)
- o relativismo como doença suicida
- a inconsequência (o videogame, GTA)
- a terapia da presença total (o suprassumo)
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 11:43.
“Eu vou falar um pouco para vocês sobre algumas técnicas que as pessoas falam de combate a suicídio.”
Trechos da aula
Qual é a primeira coisa de todas que eu falo de tudo, é a presença, a graça, a presença.
Existe esperança no suicida, ele espera que o sofrimento dele acabe
Esse é o suprassumo de tudo. Esse é o suprassumo de todas as terapias. Todas.
Transcrição completa
Fala, Gabriel, boa noite. Fala, Rodrigo. Tudo bem, Gabriel? Fala, Arthur. Fala, André. Boa noite, Simone. Alegria minha também, Eduardo. Fala, Luiz, Grande Barahuna. Boa noite, Ana. Algum conselho para quem vai prestar o CFN, mestre?
Entra lá, domina. ou que te falarem para dominar, quando você dominar, oferece como serviço. Fala, Daniel. Boa noite, galera do Guarujá. Boa noite, Clara. Fala, Eduardo. Boa noite, Lucas. Fala, Patrick. Fala, Arthur. Boa noite, Natália. Salve, Rocha Miranda. Boa noite, Roberta.
Boa noite, Maria. Rafael. Obrigado, Gabi Meirelles. Guayuba. Pessoal do Ceará aí, sempre forte. Fala, Alex. Boa noite. Valéria de Rondônia. Boa noite, Valéria. Fala, Ronaldo Brasília.
Chegou a tempo, Gabriel. Boa noite, Pedro. Como dominar a preguiça. Boa noite, Juliana, tudo bem? Emília, boa noite. Gabi Pelegrini, boa noite. Contando o dia pra chegar o lançamento da Comunidade Reis. Boa noite, Roberto. Seja bem-vinda. Tiago Andrade aí, diretamente de Belfor Rocho. Tá bem, meu irmão. Tá só subindo na vida. Hora da temperança dominical.
Fala, Gisele. Partiu o ESA. Vai e vença, Matheus. Como dizem hoje. Os SAS britânicos, né? Who dares wins. Quem ousa vence. Vai lá e pega o que é teu. Hora de nós temperar. Porto, Portugal, que maravilha. Sertão de Alagoas, que maravilha, Sara. Seja bem-vinda. Brasília, Campinas. Fala, Dilson. Boa noite, meu irmão. Boa noite, Neide, Goiânia. Jéssica, boa noite.
Marisa, boa noite. Patrícia, boa noite. Fala, Davi. Sete Lagoas, Minas Gerais. Silvestre de Jacareí. Thaís de Belo Horizonte. Belém do Pará. Comandos anfíbios. Que alegria e feliz. Já já a barba sai. Arapongas, Paraná. Aí tu sumos, Raioto. Tamo junto, meu irmão. Fala, Valfredo de Salvador.
Boa noite, Ana Paula, Regina, Criciúma, Icefe e Sim. Sejam bem-vindos, pessoal do Icefe e do Sim. Alegria ter vocês aqui. Hendrickson, boa noite, meu irmão. Estou servindo no obrigatório em um batalhão de selva. Que maravilha. Que maravilha, meu irmão. Selva. Selva pra quem é de selva. Alexandre. Estudei no Pássaro Azul em Rocha Miranda também. Morei na rua da fábrica da Panco. Que maravilha. Eu fui alfabetizado no Pássaro Azul também.
Mas ainda não era ali na estrada do Otaviano onde é não. Era lá em cima na rua Tinguar. Michele de São Gonçalo. Thiago Veríssimo de Cuiabá. Regente Feijó. O paciente do Álvaro. O grande Álvaro. Já tem tempo que eu não encontro com o Álvaro. Professor da Universidade... Vocês são sinistros, né? Boa noite, Maria Laura. Natal. Eu, de Natal. Araripe, interior de Ceará.
Bravuzulu, Maringá, Parará. Minas Gerais, Teófilo Ottoni, Carla, Hendrickson, de Minas. Cris, de Campo Grande. Teases, da família. Tenciane, seja bem-vindo, de Anápolis. Sheila, Lorena, boa noite. Campos Salles, Ceará. Marta, é isso? Li certo? Fala, Edson. Pô, o livro, não sei, cara. O livro, em duas ou três semanas, eu vou ver como é que ficou isso aí. Eles já estavam prontos, já mandaram para mim mês passado, para eu aprovar a capa.
Um mês retrasado, eu acho. Cris, um grande abraço para toda a sua família. MF Rodrigues, de Rocha Miranda. Sou nascido e criado em Rocha Miranda. Perdi um amigo para o suicídio, 24 anos. Estava totalmente movida com reiki e mais uma porrada de coisas relacionadas à espiritualidade. É, eu estou esperando o livro também. Acho que a comunidade vai sair antes do livro. Fala, Ricardo Enilde. Fala, Jefferson Rodrigo. Vamos lá, tá na hora, né?
São Pedro Aldeia, vou passar aqui mais rápido. Boa noite, boa noite, Reginaldo. É, é, desculpa aí, Reginaldo. Eu li só o começo e falei Regina, que eu vi aqui, ó. Reginaldo, forte abraço, meu irmão. Me perdoe aí da outra vez. A alegria é minha, tá com vocês. Quem é seu, PESP? Entrega a carcaça, meu irmão, dá o nome. E entrega essa carcaça aí. Gente pra caraca, hein? Boa noite pra vocês. Que bom que vocês estão aqui. Fala, Sandra. Tô passando rápido aqui. Boa noite pra todos vocês, hein?
Maria maravilhosa. Estou assistindo às aulas dela. Ela é. Maria é um espetáculo. Maria, minha professora querida no ICEF. Ladário! Bom, vamos lá, né? Vou passar aqui todo mundo. Boa noite para todo mundo. Bom, para quem vem pela primeira vez, eu não consigo sempre explicar e começar falando das três pessoas para que as pessoas entendam direitinho, mas eu vou explicar aqui só os três termos principais.
Bom, eu estou aqui falando com vocês e vocês entendem que eu aqui sou o personagem no palco. Então, se eu tomar aqui o gole de água, eu tomo no presente, aqui é minha vida no presente, E aí, depois disso, eu posso pensar sobre essa experiência do presente. Então, eu vou lá no passado, vou lá na memória, no campo das ideias, e a presença que está lá é uma presença de ideia na memória. E o que eu consegui estabilizar lá de verdade sobre o que acontece no presente vai ser usado depois para orientar a minha vida para o futuro, lá no roteirista, não é isso?
Então, eu gostei de café, tomei o café no presente, Fui lá no passado, avaliei, fiz os juízos, critiquei, por isso que normalmente a gente chama de crítico, poderia ser diretor para ficar mais cinematográfico. Fui lá atrás com o diretor, com o crítico, critiquei, achei as sentenças verdadeiras, um pouco de verdade sobre isso, joguei lá para frente para o roteirista para tocar a minha vida com base naquela realidade. Então é assim que funciona a lógica, a política, o mundo das emoções, enfim, a teologia e tudo que a gente faz no dia a dia funciona dessa maneira.
Eu vou falar um pouco para vocês sobre algumas técnicas que as pessoas falam de combate a suicídio. Então, olha só. Vou falar de causas e algumas coisas do que fazer. Olha só. Usualmente, A gente precisa de uma visão de pessoa para poder tratar de um assunto. Então, por exemplo, se você chegar num terapeuta, num psicólogo, num amigo, no cara da esquina, no teu esposo, na tua esposa, para falar sobre ser humano e a pessoa começar a se abrir contigo e falar da vida para você, o que você entende do que ela está falando?
Você entende baseado na visão que você tem de homem. Não é assim? Então, por exemplo, esse é um bom dia pra gente repetir o que eu sempre falo pra vocês sobre o Freud, né? Freud que se matou. O Freud, ele passou um bom tempo da vida dele falando sobre a pulsão do Eros, uma pulsão sexual, uma pulsão sensitiva, uma pulsão dos desejos para que a gente realizasse as coisas, ou seja, eu vi uma torta de limão e aí eu sinto uma pulsão, um desejo por aquilo ali e eu vou e realizo.
Então a gente infelizmente aprendeu com Freud aí realizando os desejos que vão aparecendo na vida, vontade de fazer sexo com a mulher do vizinho, aí o doutor Freud ia lá e aconselhava as pessoas com a visão que ele tem de recalque, de impulsão do eros e de ego, superego e tudo mais, e ele falava baseado no que ele entende de pessoa, no que a pessoa vai fazer, então quando vocês olharem uma técnica, ou um jeito de se abordar alguém que está com uma ideação suicida, que tentou se matar, que está pensando em se matar, que está nas vias de fato, você vai olhar para aquela situação com uma visão de homem, com uma visão de pessoa.
Então, antes de tudo, vocês têm que saber que as pessoas, quando elas estão falando as coisas para a gente, elas estão falando, como eu já ensinei pra vocês, utilizando Santo Inácio de Loyola. Quando eu tô falando as coisas, antes de falar das coisas e das pessoas, eu tô falando de mim. Vocês entendem já um pouco sobre isso, né? Eu tô falando de mim, daquilo que eu me tempero. E aí, as pessoas, elas fazem assim, ó. Ah, não, eu sei como é que vai fazer pra... ajudar uma pessoa que tá com ideação suicida.
Bom, uma das primeiras coisas, então, que a gente tem que saber. A pessoa que tá pensando em se matar, que tentou se matar, que vai se matar, ela quer deixar de existir, né? Então, nós existimos e ela vai desistir. Ela vai des- existir. Alguma coisa que é ela acha melhor que não seja. Como que nós podemos desistir? Quais são as maneiras de desistência que existem na vida? Existem três desistências. Vou dar um exemplo para vocês.
Eu estou aqui fazendo uma live para vocês. Aí, de repente, o pessoal começa a sair daqui e eu fico sozinho aqui. na live. Aí eu olho assim e falei, ah, não compensa mais ficar aqui. Vou ficar aqui sozinho, falando pra mim mesmo. Eu vou desistir. Então eu tô desistindo de uma atividade aqui no presente, do personagem no palco, que por algum motivo eu não tô dominando. Vocês entendem isso? Vocês e eu desistimos de coisas diariamente. Você começa a malhar. Aí você espera um resultado em um mês, né?
Aí aquele resultado não vem, ou seja, você estava tentando dominar o mundo e você não dominou. Você foi dominado. Aí você desiste de desistir. Por quê? Porque você não conseguiu ter uma técnica no mundo de domínio. Você desiste daquilo e vai fazer outra coisa. Ok. isso é o personagem no palco. Então, vejam, tem gente que fala do suicídio assim, ah, suicídio se trata assim, olha, eu já atendi muita gente com um problema de suicídio muito diferente, então vou dar exemplos agora de suicídios de personagem no palco, sem muita coisa a ver com crítico ou com roteirista.
Olha só, os casos de suicídio que aconteceram com crianças e adolescentes brincando na internet com a brincadeira do desodorante, ou com a brincadeira da navalha, ou com a brincadeira do boneco de máscara, as brincadeiras de internet que apareceram por aí e que levaram crianças e adolescentes a se matarem. Essas crianças e adolescentes que se mataram estavam com problemas graves de depressão, sentido de vida? Muitas delas não. muitas delas foram como idiotas, receberam um conselho, isso, baleia azul, receberam um conselho de uma pessoa, tipo assim, a pessoa fala assim, cara, olha que maneiro, pula daqui de cima, aí tu tem 10 anos de idade, Você fala, pô, mas eu vou me machucar, vou morrer.
Não vai nada, cara. Deixa de ser bobo, pô. Claro que não vai, já fiz isso um monte de vezes. Aí você, ah, beleza, você não sabe muita coisa da vida, né? O teu personagem não tem experiência, então você vai. É um suicídio meio que ele não é. ele não é culposo, ele não tem intenção. Ou seja, o que não tem intenção na nossa personalidade? O roteirista não fez roteiro. Lembra quando eu dei uma aula com sentido jurídico para vocês, explicando a diferença da atenção, da intenção, da retenção, da pretensão e dizendo da diferença de crime culposo para doloso?
Então é meio que assim. Existe esse tipo de suicídio. A pessoa que se suicida meio que é isso acontece? Isso é um problema de personagem no palco, não é um problema de personagem no palco? Como é que se resolve problema de personagem no palco, na presença física real do presente? Qual que é a nossa vocação? Dominar o mundo. Qual é a primeira coisa de todas que eu falo de tudo, é a presença, a graça, a presença. Aqui devo a sua presença, aqui devo a sua graça.
Então, a presença é a primeira ferramenta de existência e de tudo que a gente pode fazer pelas pessoas. Eu estou começando simples, a gente vai chegar nos problemas em pessoas que eu atendi há pouco tempo, que estavam em manicômio no dia que tentaram se matar, a gente vai chegar em casos mais graves. Mas vamos no problema simples do personagem no pau. Esse tipo de problema Como que ele é solucionado? E o que que tem acontecido pra que isso tenha sido uma tônica na vida das pessoas?
Isso eu já falei pra vocês um milhão de vezes, né? Isso é fruto da idiotice, do egoísmo, da babaquice. de pais que deixam seus filhos sozinhos, que botam filhos sozinhos no quarto, que deixam... Ah, não, o meu filho está no quarto dele tendo a privacidade dele. A privacidade dele é uma óvula, ele está se destruindo dentro do quarto. Você tem que tirar o seu filho dentro do quarto e ele tem que conviver com a família na sala. Ah, mas eu quero ter privacidade, eu quero ter um quarto para mim.
Então, você sai de casa, vai trabalhar e arruma um lugar para você. A casa não é para você ficar no quarto. Você entende? Por quê? Isso que eu estou falando para vocês A gente se fala direto aqui em casa sobre isso. Eu já falei pra vocês um monte de vezes e eu sempre vou falar essas coisas e repetir porque isso é o fundamento, isso é muito importante e sempre aparece gente nova aqui. A gente não foi feito pra ficar sozinho. Eu já falei pra vocês sobre períodos de história da igreja, sobre o aprendizado da solidão durante anos, o que é, o que não é.
o que acontecia nos colégios antigos, que tinha a figura do espetor, da presença, que não permitia que acontecesse o bullying e várias coisas, não é isso? As pessoas mais velhas, elas falam assim, eu tenho 38 anos, elas falam assim, é no meu tempo, isso aí é falta de bullying, no meu tempo tinha bullying, caramba. Quando eu era moleque e tinha um espetor no colégio, que não deixava o nego fazer nada com ninguém e aloprar igual o nego alopra hoje. Então você vê, era a presença de uma pessoa, de alguém que domina, que evitava o bullying.
Então é assim com o bullying, é assim com mentira. Quando o pessoal fica perguntando para a Mariana Caixinha, para mim, como é que vocês fazem com mentira? Eu falo, mas como é que vai mentir? Se aqui em casa tem que ficar todo mundo, a gente fica sempre presente e eu sempre falo para os meus filhos, quando meus filhos saem da nossa vista, do nosso olhar, vão lá pra dentro fazer alguma coisa, e a gente percebe, a gente já fala logo, vou lá buscar, chamam e falam, o que houve, filho?
E eu falo pra eles, é pra você ficar sozinho? Por que não é pra você ficar sozinho? E todos eles sabem. Porque se eu fizer besteira, não tem ninguém pra me ajudar, pra me corrigir. Vocês entendem? É simples assim. Isso é simples como matemática, tá? Não é pra ficar sozinho. Vocês não perceberam que nós, com 30 anos, 40 anos, 50 anos, 60 anos, Quando a gente fica sozinho, nós somos mais fracos. Eu não contei para vocês o exemplo? Eu quando chego em casa e não tenho minha esposa e meus filhos.
Falei, me jogo no sofá, ver celular. É assim. Essa é a nossa fraqueza. Nós sozinhos somos uma merda. Acompanhado. A gente olha pro outro e fala assim, cara, eu não posso ser tão merda na frente dele, né? Vou tentar ser um pouquinho melhor. Já perceberam? Esses somos nós. Vocês percebem como a presença das pessoas começa a salvar a gente, não é isso? Então vocês veem, né? Essas tragédias iniciais todas de suicídio simples, né? O suicídio sem grandes questões profundas de psique, de alma, de emoção espiritual, de consciência.
é problema de gente que está ficando sozinha. Então, vocês estão dando o celular, estão dando o videogame para outras pessoas e vocês vão receber a culpa. Um dia vão sentir na carcaça a culpabilidade delas terem se matado por vocês terem as deixado sós, se a responsabilidade da companhia for de vocês. Tá bom? Beleza? Filho, é para ficar sozinho quando? Nunca, nunca. Mas não é... Nunca é para ficar sozinho, nunca é para ficar sozinho. Nunca é para ficar sozinho. Se vocês arrancassem a porta do banheiro e a do quarto da casa de vocês, os filhos de vocês não iam ter problema de pornografia, de masturbação, de fazer bullying com o outro, não sei o que lá, de sacanagem, vocês entendem?
É só isso, né? É bem simples mesmo, tá? Então vocês veem, né? Na época que a gente morava na África, era uma maravilha entrar na casa das pessoas lá simples, né? e perceber que era tudo um cômodo só, era uma coisa só assim, sabe? E quando tinha as separaçõezinhas, muitas vezes eram por cortina, coisa simples assim, sabe? Então era uma separação muito mais ou menos e na maioria das vezes não tinha porta nenhuma, né? E vocês olharem o mundo antigo, vocês vão perceber que essa coisa de privacidade doentia que a gente tem é coisa do mundo moderno e que está deixando a gente na solidão, né?
Então a gente tem esse primeiro problema, grande problema aí, o problema do personagem, das pessoas que estão ficando só. Eu acho muito bonito quando muitas pessoas me mandam mensagem... E falo assim, caramba, Diego, eu tava me sentindo mal, pensando em coisa errada e fazendo sei que lá e tal, e eu lembrei que era só sair da solidão. Então, eu saí de casa, eu fui visitar uma pessoa, eu liguei pro meu pai, e tudo aquilo, toda aquela besteira na minha cabeça passou. Aí eu falo, pois é, passou.
É por isso que a gente chama a presença da graça, né? Aqui deu a sua graça, aqui deu a sua presença. Então, vejam. Se uma pessoa decide se matar, Ela decidiu na cabeça dela. O crítico criticou a vida e viu que fez os juízos dele e chegou na esperança dele. A gente diz de uma maneira geral assim, a pessoa perdeu completamente a esperança. Não dá para acontecer isso, só para vocês saberem. Não existe perder a esperança completa. Por quê? Porque o cara que vai se matar, ele tem esperança.
Qual que é a esperança do cara que vai se matar? O que ele espera? Escreve aí, o cara que vai se matar, ele espera o que? A esperança é onde vive o roteirista. O roteirista vive, é ele que espera. resolver o problema, acabar com o sofrimento dele. Então, essa é a esperança do suicida. Vocês entenderam? Não existe não ter esperança. Não tem como, porque isso é uma... Isso é uma parte intrínseca do homem, é como se eu falasse assim, o olho não tem olhar, não dá, você entende?
Existe esperança no suicida, ele espera que o sofrimento dele acabe, tá bom? A gente fala às vezes de uma maneira geral, mas aplicando corretamente é assim como acontece, tá? Então olha só, vamos lá, vamos subir agora. Vamos sair um pouquinho do personagem. Vocês já viram que a gente está fazendo merda pra caramba com o personagem no palco, né? As pessoas não sabem mais ajustar. O pessoal fica aí falando de castigo, botar de castigo no quarto, sozinho. Isso aí é um desastre total, tá? Vamos subir agora.
Vamos fazer juízo sobre o mundo real. Os juízos que as pessoas estão fazendo hoje sobre o mundo. Vamos lá. Vamos para o crítico. Imagina o seguinte, ó. A minha vocação é dominar o mundo pela presença. Se eu não estou dominando o mundo do personagem no palco, eu desisto das coisas, não é isso? Então, vocês já perceberam que as pessoas que vão se matar, elas usualmente estão perdendo o domínio sobre as coisas do mundo. Ou então, dominaram muitas coisas e estão perdendo a esperança de novas coisas para dominar.
Vocês sabem que muitos problemas, muitos países ricos têm esse tipo de problema do personagem. Como que isso acontece aqui para a gente, no Brasil, mais próximo de nós? Olha só. Eu, há um tempo atrás, atendi um jovenzinho de 14 anos, um adolescente, que era coroinha numa dessas igrejas católicas, né? E aí ele era coroinha num grupo de uns 15 coroinhas, sabe? Aí nesse grupo de uns 15 coroinhas, esse jovem de 14 anos fazia sexo semanalmente com seis meninas desses 14 coroinhas, né? Aí eu atendi esse menino de 14 anos E ele falou assim para mim, eu não sei o que eu vou fazer da vida, eu já tenho, ele era de uma família relativamente endinheirada né, e aí ele tinha dinheiro, fazia sexo com um monte de menina, Tudo é que, usualmente, começa a acontecer na vida adulta, depois de ralar muito, de fazer as coisas.
Não que a gente tenha que fazer isso aí, né? Aí, esse menino estava com uns papos depressivos, né? Por que ele estava com um papo assim, com 14 anos? Porque ele tinha provado coisa demais, né? E aí, quem prova coisa demais, começa a perder a esperança de coisas novas para provar, não é isso? Vocês conhecem essa situação, né? Caramba, aqui eu já domino tudo, aqui eu já provei de tudo. Isso é muito típico de países ricos e muito abastado, né? Vocês veem. Olha que interessante isso que eu vou falar para vocês.
Vocês já perceberam que em certos períodos do ano, Pessoas sábias fazem períodos de dureza na vida, né? E é legal, porque se o cara gosta de torta de limão, aí ele come torta de limão uma vez a cada dois meses, cinco meses. Quando ela aparece, É uma alegria, sabe? Hoje a minha esposa... Ontem a minha esposa fez torta de limão pra mim e tinha muito tempo que eu não comia. É a minha sobremesa preferida, né?
E aí, quando eu vi a torta de limão, me bateu uma felicidade, assim, que eu enchia ela de beijo e ia agradecer e tal. Agora, imaginem se eu comesse torta de limão todo dia. Aquilo ia me saturar, né? Eu ia perder a alegria de ver torta de limão, vocês entendem? isso que eu tô falando pra vocês, isso é um problema de personagem no palco, né? Isso é freudiano. O Freud, depois de um tempo, ele percebeu que a realização constante da pulsão do Eros, do desejo, trazia um outro impulso, uma outra pulsão pro ser humano que ele chamou de Thanatos, né?
Que em grego é de onde vem a morte, não é isso? Thanatos. que é muito comum, né? Um desejo realizado é um desejo morto, não é isso? Pois é. Hoje os pais têm criados filhos realizando todos os seus desejos? Têm? Eu estou bebendo muita água hoje porque eu estou com a garganta irritadona, né? Senão eu vou ficar tossindo direto. Me desculpem, tá? Os pais que estão realizando os desejos do filho direto estão construindo esse impulso, essa pulsão de morte nos filhos.
Vocês adultos que ficam realizando os seus impulsos o tempo todo, vocês estão construindo dentro de vocês um ambiente de morte. Vocês sabem que quando eu tinha uns oito, nove anos, eu gostava muito de uma música chamada Beauty. É construir em inglês, o verbo, né? De um grupo antigo chamado The House Martins. Uma música de 1981 ou 83. E aí, A minha mãe ligava o rádio na JB FM.
E aí eu ficava fazendo as coisas durante o dia, assim, né? E aí, quando tocava essa música, eu parava tudo, sentava e ficava ouvindo essa música com maior alegria, né? E aí só Deus sabia quando ia tocar de novo aquela música na rádio, né? Quando eu entrei pro colégio naval com 15 anos, eu comprei um discman, um CD do The House Martins, e ficava ouvindo a música uma porção de vezes.
E aí, em um mês, dois meses, a música, que pra mim era um espetáculo, né? Eu não queria mais ouvir a música. Por quê? Porque eu provei demais. Vocês sabiam? que é proibido comungar mais de duas missas no mesmo dia? Vocês sabiam que um sacerdote, para celebrar três missas ou mais, tem que ter autorização do bispo para fazer isso? Por que não pode fazer muito aquilo?
Injuei. Isso é uma morte, vocês estão percebendo? Agora, façam, repitam essa experiência que eu estou fazendo, falando para vocês, e vão fazendo com tudo o que a gente faz no dia. Tudo, tudo o que vocês desejam está na palma da mão de vocês. Vocês estão construindo um ambiente psíquico de morte, e essa é a construção do nosso dia. Eu já falei isso para vocês. A gente senta numa cadeira, se ela incomodar a gente. Nós estamos construindo uma pulsão de realizar todos os nossos desejos. Isso é uma pulsão de morte.
Vocês entenderam isso? Isso é da vida do personagem no palco, o homem dos desejos. Como que sai disso? Sai disso estabelecendo um momento no dia, um momento na semana, um momento no mês e um momento no ano, onde a gente vai deliberadamente romper a nossa cadeia de desejos, vocês entendem? Então, quando vocês ficam olhando as pessoas fazerem as coisas de vida espiritual, caramba, vocês acham meio bobeira, meio idiotice, é só para vocês saberem que meio bobo e meio idiota é quem não tem a mínima ideia do que está acontecendo.
Essas pessoas só estão transformando a vida num espetáculo, vocês entenderam? Elas estão transformando uma torta de limão numa potência. que vai ser encontrada depois de 40 dias com alegria. Vocês entendem isso? Tá? Isso é importante. Por quê? Porque é assim que, por exemplo, se educa um filho, é assim que se amadurece, que se fica forte, tá? Agora vamos pensar um pouco mais. Então vocês já viram que o nosso mundo do personagem tá uma bosta, né? As pessoas não estão entendendo o que tá acontecendo, né? Elas se dão tudo, elas se mimam o tempo todo.
Eu já falei isso pra vocês, né? Outro dia eu fiz um vídeo curto falando. O cara hoje, ele quer... aprender, ele quer começar a fazer educação física amanhã, segunda-feira, aí ao invés dele sair de casa descalço e danar correr na rua e vir aqui no chão e danar fazer flexão, ele fala assim, ah não, amanhã eu vou começar a fazer educação física, então eu vou me inscrever numa academia? Só que antes eu preciso passar no shopping pra comprar umas roupas de academia, porque eu vou comprar uma garrafinha, desculpa, uma garrafinha melhorada e tal, tu vê.
A pessoa queria fazer educação física. E ela já colocou uma relação de 10 mimos antes. A nossa vida tá assim. Olha pra vida de vocês e vê se não é assim. Você vai estudar. Ah, eu quero estudar tal coisa. Aí você começa a pensar, cara, eu preciso de um caderno, eu preciso de uma caneta, eu preciso de posts, eu preciso disso aqui e não sei o que lá. Você começa a se mimar, vocês estão entendendo? A gente tá tarado disso, tá bom? Isso é só a pontinha do iceberg, né?
A gente tá aqui, ó, 9h40 já e a gente tá falando personagem, né? Vamos dar uma subida pra vocês darem uma olhada no mundo de cima, como é que tá agora. Então, vocês já perceberam que os diagnósticos de pessoas que vão tentar se matar, elas estão permeadas nas três pessoas de maneiras muito diferentes e diversas. Isso sem começar a falar da consciência. Mas para vocês entenderem como uma pessoa conscientemente entra na vala do suicídio, depois vai lá, vê de novo uma live chamada A Vergonha Humana, onde eu ensino como é a experiência de vergonha e o que ela significa na personalidade humana, e vocês vão entender o suicídio mais complexo, o que toma a personalidade inteira, tá?
Esse obviamente é o mais difícil de ser combatido, né? Mas o combate dele é como todos os outros combates, pela presença das três pessoas, tá? Isso que eu estou falando para vocês, pessoal, olha só, o suicídio, esse desistir, esse não ser, ele invade naturalmente a personalidade? pelas suas três possibilidades e toma ela inteira ou não. Vocês lembram quando eu falei para vocês sobre na igreja católica existe uma gradação do que se chama de gravidade de pecado, já ouviram falar disso, né? Então, existe o tal do pecado venial, o pecado leve, existe o pecado mortal, o pecado mais grave.
Então, você viu, olha só. Presta atenção nisso que eu vou fazer agora aqui. Pensei em pegar o dinheiro daquele camarada ali, pensei, aí eu pensei e rapidamente já falei para o meu próprio pensamento, pô, tu não pode fazer isso não cara, isso está errado, beleza, não tem nada aí, não aconteceu nada, tem gente escrupulosa que fala assim, digo, eu estou pecando por pensamento, eu falei, o que está acontecendo? Ah, não vem esse pensamento na minha cabeça, e por mais que eu repudi, ele falou, não, não, não, você não está entendendo, pô, se ele só vem na tua cabeça e tu manda ele embora, não aconteceu nada, pô.
Agora, olha só, ele está no crítico, né, vem o pensamento e tu está fazendo juízo sobre ele. Agora, preste atenção, hein? Pô, se eu pegar aquele dinheiro daquele cara, eu posso resolver o meu problema. Ah, vou sair do crítico, de quem tá fazendo juízo sobre a situação, e vou pro futuro, vou pro roteirista. Pô, então eu posso pegar o dinheiro dele. Eu vou pegar de noite, quando ele for dormir. Preenchi agora a vida do crítico e do roteirista com esse mal, tá vendo? Ficou mais grave porque tomou mais um pedaço da personalidade.
Agora, vocês já perceberam que o direito é feito assim? Você conhece? Você tem culpabilidade? Você fez roteiro? Você tinha intenção? E depois? Você executou no mundo? Agora, vou tornar o pecado que começou levinho, ficou mais grave pela intenção, vou torná-lo agora muito grave. Ele vai tomar conta da personalidade inteira. Foi dormir. eu peguei o dinheiro, eu executei aquilo que eu acredito que é verdade e que eu fiz um roteiro na minha vida com personagem no palco, vocês entenderam isso? Então isso é para tudo, isso é de gravidade de pecado, isso é de nível de força de neurose, isso, se algum de vocês conhecer, níveis de influência do demônio na vida de uma pessoa.
Desde a influência normal de uma ideia demoníaca até a possessão total é a quantidade de partes de pessoas da personalidade que se toma, entendeu? Até tomar o personagem no palco, que é a possessão, que é o nível inteiro do demônio agindo na vida de uma pessoa, beleza? Isso é o quanto a tua personalidade está cheia de alguma coisa, beleza? É só isso. Com a ideação suicida, é exatamente a mesma coisa. Então, veja, vamos para o crítico, vamos para o mundo das ideias. Existe um pensamento, um pensamento.
Onde tem pensamentos? Eu tenho o que vocês chamam de meu pensamento, que, usualmente, é o pensamento que está por aí, pela sociedade, que você chama de meu. Ah, eu gostei desse pensamento. Ele é meu agora. Eu penso assim. Eu sou autônomozão de pensamento. Eu penso assim. O Jung chamava esse pensamento que está por aí, geralzão, que a gente acolhe para a gente, de pensamento coletivo, que se for te fazer mal, a gente chama de neurose coletiva. Na Alemanha, na verdade eu não lembro se o Goethe é antes do século XIX, porque se foi antes do século XIX não era Alemanha, era Prússia.
O Goethe escreveu um livro chamado Os Sofrimentos do Jovem Werder. Quando eu li esse livro, eu tinha uns 16, 17 anos, eu fiquei muito puto. Eu nem sabia que o Goethe era um cara tão considerado por aí. Achei o prólogo interessante e fui ler. O Goethe, no final do livro, faz o suicídio. vira uma coisa bonitona, né? O jovem Werder vai se matar por amor, por problema romântico.
Aí o Goethe, literariamente, faz o rapaz parecer o corajoso e a solução ser uma grande solução de um cara que viveu uma grande vida. Que merda, né? Eu falei para vocês, um dia eu vou ensinar vocês, ensiná-los a fazer crítica literária com calma, mas aqui já vai de cara um macete. A gente conhece uma grande obra, ou seja, um bem, pelo teste do bom, belo e verdadeiro. Teste de Aristóteles. O bom é bom se ele for belo e verdadeiro. O belo é belo se ele for verdadeiro e bom.
Entendeu? Beleza. Então, a obra do Goethe, ela é uma merda. Por que ela é uma merda? Porque ela destrói o cara no roteiro. Ele faz juízos errados sobre a vida. E aí, o que aconteceu na Alemanha ou na Prússia, na época que ele escreveu esse livro? O que vocês acham que aconteceu? um surto de pensamento coletivo de suicídios de pessoas com problemas românticos. Por que vocês acham que aconteceu isso? Por um pensamento cultural coletivo que estava por aí, vocês entenderam? Então, como é que isso acontece na nossa sociedade hoje em dia?
O que está acontecendo com o crítico que busca a verdade e que domina o mundo conhecendo as coisas? Existe um pensamento que está por aí do suicídio como solução das coisas. Vocês entendem isso? Uma pessoa que... Vocês conseguem resolver o problema com a solução que, tipo assim, nunca passou pela cabeça de vocês, que vocês nunca viram? Isso é muito difícil de acontecer, né? Isso é muito difícil. Só que as pessoas estão vendo por aí, né? Você vê. Há pouco tempo eu estive em Belém, no Pará, Porra, quando eu entrei no shopping, os shoppings tudo tomado de rede.
Rede, né? Rede dessas de igual a gente pula. Em todos os andares do shopping, de um para o outro, era tudo em rede, em todas as escadas rolando, caramba. Aí eu já tinha suspeita do que era aquilo ali. Aí eu fui perguntar para um amigo meu lá de Belém o que tinha acontecido. Ele falou, cara, um cara se matou, pulou. O que começou a acontecer no shopping de Belém? o pensamento coletivo, vocês entendem? Então a pessoa tá cega por um problema, ela perdeu o domínio sobre o mundo, tá doendo tudo, ela foi abandonada pela mulher e caramba, ela tá na escada rolante do shopping.
E mês passado um cara se tacou, três meses o cara se tacou, disse aquilo lá. Então tem um pensamento coletivo que está fazendo aquilo acontecer, vocês entendem? Então tem essa dificuldade também, isso é um problema cultural. Como é que a gente combate isso? A gente combate isso atrozmente fazendo o que a gente está fazendo aqui, dizendo para as pessoas que isso é uma merda, que isso não soluciona nada, que a vida tem mais sentido que isso, que a gente pode resolver, que a gente vai ficar do lado delas para ajudá-la e abraçá-la e fazer companhia, vocês entendem?
Então isso já é uma grande tragédia. Nisso aí que eu tô falando pra vocês, a gente continua o problema do personagem que a gente falou, né? Porque, por exemplo, a Baleia Azul é isso também, né? A Baleia Azul não é uma ideia? Não é uma ideia que tá por aí e que vai levando as pessoas a se matarem? Então vocês veem, ó, agora outro problema do crítico que tem levado as pessoas pra ideação suicida. Kierkegaard, um filósofo antigo, falava muito da angústia, do sofrimento humano. Ele e Schopenhauer, quando a gente lê, dá um aperto no peito, uma desesperança da vida.
Por que isso acontece? pelo jeito que eles compreenderam o que é a vida, pela verdade que eles têm sobre a vida. Porque é como eles falam mesmo. Por exemplo, se não tem vida após a morte, se não tem Deus, se não tem o que a gente luta. Você viu, tudo na nossa vida que a gente luta, a gente luta por um sentido fora daquela coisa. Por exemplo, se eu falar assim para você, por que você está malhando? Aí você vai falar assim, pra ficar forte, pra conquistar aquela menina, pra ficar mais saudável.
Por que você tá fazendo faculdade? Porque eu quero conseguir um bom emprego. Por que você tá estudando? Porque eu quero ganhar dinheiro. Ou seja, o sentido de tudo que você faz nunca tá naquilo que você faz, né? Sempre tá numa coisa que tá fora e depois. Já perceberam que essa é a estrutura do mundo? Pois é. Aí tu fala, isso, li lista. Aí você fala assim, Cara, o que você está fazendo da vida? Cara, não sei. Pronto, ferrou. A gente tem um grave problema aí de ação suicida.
Ele só não sabe que é suicida com palavra, mas ele é suicida por essência. Você entende? Ele está vivendo a experiência do não servir para nada, do não ser. Aí eu pergunto para vocês, essa ideia tem tomado força hoje e corpo na nossa sociedade? Tem tomado? Essa tem sido a tônica das pessoas hoje, sobretudo as que abandonam a religião? Então, o nosso crítico está com um grave problema de quê? De encontrar a verdade. Isso é só a ponta do iceberg, porque se eu começar a falar para vocês de relativismo, para o crítico, cuja vocação de dominar o mundo é encontrar a verdade?
Se a verdade não existe para a vocação do crítico do homem, que é encontrar a verdade, o que você está falando para o seu crítico? Que a vida dele é uma merda sem sentido e que ele não tem o que fazer aqui. Ou seja, você está falando sim para o seu crítico? Pode desistir, cara. O relativismo é uma doença suicida. Beleza? Vamos um pouquinho para o roteirista agora, né? Bom, o roteirista, ele vive desse influxo de vida que procede do personagem no palco, do filho, e vai para o roteirista, para o pai.
O crítico, ele fica fazendo esse influxo, né? Eu tomo café no palco com o personagem, Aí o crítico que vive aqui dentro, ele conhece o café e ele diz para o roteirista do futuro, olha, eu estive lá com o Diego no palco e ele tomou um café gostosão, tem como você amanhã comprar aquele café no mercado? Ele procede do roteirista e do personagem, né? Ele é o influxo que vive dentro dos dois. Ele é uma espécie de espírito do pai e do filho, do roteirista e do personagem.
Esse é o crítico, né? Beleza. Aí, você olha para o mundo e a verdade que você tira do café que você está tomando é que É só isso mesmo, é essa merdinha que tem por aí, pô. Ou então você vai num grande de um terapeuta, aí ele fala assim, ó, eu tenho as melhores terapias pra suicídio, pra quem tem ideação suicida. Aí você fala assim, cara, eu vou apostar todas as minhas finanças agora, minha última esperança nesse cara. Aí você vai e o cara... Se fala meia dúzia de coisa ali, te manda fazer uma dieta, ir para uma academia, fazer isso, fazer aquilo, o que salva a tua vida durante um ano, de repente, até você perceber que não era exatamente aquilo que você estava buscando, que você precisa encher o teu peito de mais coisas.
Porque o roteirista, como é que ele domina o mundo? Ele domina o mundo sempre buscando uma experiência nova no futuro, o que é bom, o que é melhor, o que é melhor, o que é melhor. E quando as pessoas olham para o futuro e elas não veem que o melhor está por vir, elas começam a ter a desistência do roteirista. Vocês veem, eu estou falando de uma maneira bem genérica aqui, de desistência. Mas a mesma gradação de preenchimento da personalidade inteira, com as três pessoas que eu estou ensinando para vocês, essa mesma gradação de pessoas, ela tem intensidades em cada pessoa.
Vocês, na linguagem cotidiana, têm várias palavras para pequenos suicídios. Vocês chamam pequenos suicídios do dia a dia de? de tristeza, de cansaço, de tibieza, de depressão. Isso tudo é o quê? Tudo isso é a mesma coisa. uma falta de movimento da vida, da personalidade, que vai fazendo o seu círculo de domínio. Aquele que conhece as verdades, aquele que faz roteiros com as verdades que conhecem e aquele que vai para o palco cumprir o roteiro daquela verdade que ele conhece. Essa é a nossa vida do dia a dia.
Vocês entendem? Jogar para passar o tempo é grave em muitos casos, então. Até porque também... Porra, jogar o quê? Videogame? Porra, se for isso, meu irmão... Se for isso, cara, vocês não têm ideia do que essa merda de ficar jogando videogame faz com as pessoas. Procura aí estudos e vê qual é a porcentagem desses moleques aí que fazem essas merda de entrar em colégio matando geral, não sei o que lá, o caramba, que estão copiando videogame. Porra, olha só, olha a experiência, vou tomar o café videogame, eu vou tomar esse café agora, do cara que eu atendo que joga videogame oito horas por dia, o cara está jogando GTA no videogame, ou seja, ele pode matar, ele pode roubar, inclusive ele ganha ponto por isso, isso no jogo o ajuda a ser melhor no jogo.
Se ele morrer no videogame, ou se ele matar no videogame, qual que é a consequência disso? Nenhuma, pô. Ele começa o jogo de novo. Ué, se você vive uma realidade onde os atos do mundo naquela realidade não têm consequências, você está se temperando uma hora por dia? De que característica humana? da inconsequência. Vocês nunca perceberam que quem joga videogame é inconsequente ou está vivendo uma vida inconsequente para a gente ficar alinhado na linguagem? Vocês nunca perceberam que essa é a atividade do inconsequente? Você viu?
Eu já conheci muitas pessoas que depois de certos momentos de característica delas, eu falava assim, cara, tu gosta de jogar videogame, não joga? Isso acontece muito com os jovens hoje em dia. Então, você vê. Olha se a inconsequência não é a característica muito comum em muita gente que comete suicídio e muita gente que faz essas merdas na vida de assassinato, de apostar, de apostar, de problema sexual, de traição. Eles são inconsequentes. O cara faz a merda depois que acontece um desastre. Ele falou assim, cara, mas eu não queria que fosse assim, pô.
Eu não queria que fosse isso. Falei, meu irmão, em que mundo que tu vive, pô? Tu não sabe que no mundo real quem mata vai pra cadeia? Que quem aposta fica endividado? Só que o cara tava fazendo isso no videogame, pô. Aí no videogame não acontece nada disso. Vocês entendem? As pessoas, elas acham que a vida delas é inocente àquilo que elas se temperam no dia a dia. Falei, meu irmão, meu irmão. me fala a tua presença diária. Quando eu falo pro pessoal, por isso que quando eu atendo as pessoas, eu faço um mapa de presenças diárias delas.
Por quê, porra? Porque se ela me falar onde ela tá presente, com as pessoas que ela tão presente, eu consigo começar a construir uma personalidade, porra. Mas é óbvio que é assim. Se a gente conhece, tem uma estrutura de personalidade, sabe como é que acontece as coisas, se você me falar a presença, eu falo, acontece. A gente sabe como é que funciona, porra. Entende? Não é difícil de fazer isso, não. Agora, vamos lá. Olha só, hein? Para a gente fechar aqui, 10 horas. Vamos para os casos mais graves.
Uma pessoa está toda ferrada psicologicamente. Não adianta mais você conversar com ela. Você não vai conseguir convencê-la nessa conversa derradeira. Eu já atendi ideação suicida durante madrugadas inteiras, durante dias inteiros, 7 horas de atendimento, 8 horas de atendimento. Se uma pessoa quer se matar, decidiu, então veja, ela vive no mundo, aí ela perdeu o domínio sobre o mundo, não quer saber de mais nada, aí ela foi para o mundo do crítico, nos juízos dela, ali na cabeça dela, ela foi criticando, chegando às verdades, aí ela pegou aquilo que ela achou de verdade e foi ver o melhor na vida futura, ela falou assim, é o melhor me matar.
Qual é a terapia para essa pessoa? A terapia de emergência. O que tem que ser feito com essa pessoa? O suprassumo da terapia. A terapia de todas as terapias. A da presença total. A terapia sacramental, a encarnada no mundo, que vai te segurar vivo no mundo. Vai ser o braço do teu amigo, do teu pai, do teu irmão que vai segurar tua mão, pô, e não vai deixar você pular, não vai deixar você apertar o gatilho, vocês entendem? Então, vejam, os terapeutas, os psicólogos, as pessoas que atendem as pessoas, elas têm que saber uma coisa, o terapeuta, o psicólogo, ele tem pouquíssimo Eu aqui com vocês, de longe, eu posso ajudar um pouquinho o crítico, ajudar um pouquinho o roteirista, né?
Mas eu posso ir aí, agora, entrar no celular e pegar você pela gola, igual eu falo pra vocês, né? E falar assim, fica aqui comigo, porra! e segurar você, manter você na vida, eu consigo fazer isso? Eu não consigo porra, mas seu pai consegue, seu irmão consegue, seu amigo consegue, qual é a tragédia hoje do mundo? As pessoas estão sem presenças reais, vocês entendem? É por isso que a nossa profissão está na moda, é por isso que o psicólogo está na moda, o tirambil está na moda, porque as pessoas estão sem presenças pra aperfeiçoarem, as aperfeiçoarem pela presença, que é a graça, vocês entendem?
Então a terapia que é o supra-sumo da terapia, os psicólogos e terapeutas não podem fazer, então nesses casos, quando eu percebo que o mundo das ideias tá muito assim, eu sempre peço pras pessoas quem tá em volta delas, e eu começo a atender as pessoas em volta delas, e pedir ajuda pra todo mundo que fica na presença dela diária, vocês entendem? fazer carinho nela, ficar na presença dela, sorrir para ela, fazer companhia para ela, porque essa é a vida humana porra, essa que é a vida humana porra, esse que é o supra sumo da presença porra, é por isso que as verdadeiras religiões, a grande religião, ela é uma religião de presença real no palco, no mundo porra, porque esse é o supra sumo do amor, Esse é o suprassumo da terapia, uma família numa casa presente que vê o tempo todo, que está o tempo todo atento, que pergunta o tempo todo, que as pessoas são prioridades, que estão à volta, que seguram elas, que sorrim com elas, que encostam no peito delas, que choram junto com elas, vocês entendem?
Que é aí que a gente miseravelmente está se destruindo e está perdendo? Esse é o suprassumo de tudo. Esse é o suprassumo de todas as terapias. Todas. Eu já falei para vocês sobre várias terapias, de várias coisas, e vocês já viram que eu sempre termino na presença total, que quando vocês falam assim, agora eu vou para o raio, vai o racha. Eu falo, é aí que você vai. Você vai na presença do ser humano total, atento, consciente de que está amando e se entregando e fazendo tudo o que ele pode.
O resto, a ideiazinha, a esperançazinha, o caramba, ajuda um pouquinho de tempo, é um paliativo, mas não é a vida humana total, tá bom pessoal? Depois de Strings aí, vocês já perceberam que deu para dar aqui só um passando as coisas, de uma maneira geral aqui, uma mobilizada meio que dizendo categorias de problemas que estão acontecendo com o personagem, com o crítico, com o roteirista, algumas coisas para a gente tomar cuidado com os três, para vocês não ficarem fazendo besteira o tempo todo aí, vivendo no mundo dos prazeres, colocarem algumas coisas na vida de vocês aí de...
de durezas reais, de olhar um prato de comida e falar assim, cara, eu não preciso comer isso aqui todo dia, que é gostosão. Eu não posso um dia na semana comer uma coisa mais difícil e abrir mão disso aqui para que no dia de amanhã, quando aparecer um feijão e arroz normal, eu me alegre com feijão com arroz? Como é que se alegra com feijão com arroz? Se você for privado do feijão com arroz no dia anterior. Beleza? É por isso que eu falo com o pessoal.
Na época que a gente morava na África, eu não vi essas merda que aparecem no consultório assim, que doideira cara, que doideira que a gente está vivendo, vamos continuar a nossa luta né, vamos que vamos, obrigado pela presença de vocês, que é a graça, o mais alto da mais alta das ciências, a graça da teologia é a nossa presença aqui né, que maravilha, boa semana para vocês, um forte abraço.