Coletânea

A estrutura da pessoa

A Personalidade Intelectual

45:05 · ~45 min de aula10 de outubro de 2023Transcrição automática · em revisão
  • personalidade intelectual
  • unidade entre vida moral e vida intelectual
  • intelecto ativo (nous poétikos) e passivo
  • a verdade encarnada (tem gosto)
  • a verdade = encontro com uma pessoa
  • a biografia antes da filosofia
  • a consciência fora do tempo (unidade que se dilui na trindade)
  • os transcendentais (verdade, bondade, beleza)
  • a boca fala do que o coração está cheio
  • nós não somos anjos (corpo e alma)
Citações verbatim

Trechos da aula

Se eu nunca tivesse provado, eu não conseguiria falar isso aqui
— Prof. Diego Reis
Antes de conhecer uma filosofia, vocês têm que ir atrás da biografia. Porque a filosofia pode ser um câncer.
— Prof. Diego Reis
O que tem sabor é a verdade encarnada no mundo como pessoa.
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

Transcrição automática · em revisão

Fala, pessoal. Sejam bem-vindos, meus queridos alunos. Essa é a primeira das nossas aulas bônus. Tô aqui já de maneira mais informal, né? Pra gente continuar juntos na presença, desenvolvendo com calma, agora já com uma imagem da nossa personalidade. desenvolver algumas coisas que vão, eu não tenho dúvidas, que vão deixar a gente bem orientados em vários dos assuntos que a gente convive. E se vocês chegaram até aqui, um desses grandes assuntos se chama personalidade intelectual.

O que como primeiro ponto eu já queria deixar registrado O seguinte, desde Aristóteles a gente ouve falar de uma unidade indissolúvel que compõe entre a vida moral e a vida intelectual. Então, para posicioná-los bem e com calma, Eu gostaria, inclusive, de falar um pouco do que seria, então, essa coisa até da moralidade, onde ela se encontra na personalidade, para vocês perceberem que não existe, de maneira estreta, a personalidade intelectual.

Sobretudo, a personalidade intelectual com grandes porções de moralidade, de imoralidade. Não existe isso. Então vamos lá. Primeiro, por que é estranho um conceito de personalidade intelectual? Quando eu digo personalidade intelectual, sabendo hoje o que é a personalidade humana, a personalidade humana, porque nós não somos anjos, né? A nossa vida não acontece aqui em cima, no mundo do intelecto. Então, vocês já viram que existe uma vocação maior, um chamado maior, uma identificação maior do crítico com o intelecto ativo e do roteirista com o intelecto passivo.

Então, ativamente, a gente faz uma força para que as coisas materiais, se tornem imateriais. Aristóteles dizia que a experiência que o ser humano tem com o ser, ou com os entes, fica melhor, com as coisas, separa as coisas no seu conteúdo fático e no conteúdo eidético, que para nós aqui, de maneira até um pouco mais precisa que Aristóteles, separamos o conteúdo eidético já nas suas duas partes, já que os dois são intelectos.

O conteúdo eidético, no mundo das ideias, é uma coisa para uma capacidade. Qual capacidade? Para o intelecto, que é esse mundo imaterial que a gente identifica muito com a alma, com o espírito. Eu diria mais para vocês Agora que a gente já viu o papel dos intelectos, sobretudo na sua evolução e naquela aula que a gente vai falando da consciência, que o intelecto vai fazendo a gente subir, lembra do exemplo da gradação dos anjos? Se for necessário, se eu achar necessário durante a aula, eu faço aqui novamente.

Mas nessas gradações, a gente tem um cume de chegada lá em cima, que a gente chama de... a gente começa desde doente, aqui do indivíduo, e vai passando pela taxonomia da biologia, cada vez generalizando mais. Então, a gente vai saindo do mundo material, né? Aqui no mundo material, a bola é azul. Não existe o azul puro aqui no mundo material, né? Ninguém nunca viu o azul andando por aí, não é isso? Então existe uma categoria superior dos azuis que englobam vários indivíduos. Isso que a gente diz sobre a coisa, sobre a substância, que nesse caso do azul é uma qualidade, que vai ser dita na linguagem por um adjetivo, a gente vai subindo em categorias.

Então existe a categoria das coisas azuis. Não é assim? A categoria das cores. Não existe a cor em si por aí, não é verdade? Isso tudo a gente já tá fazendo com a capacidade humana do intelecto, da inteligência, tá? Então a gente vai subindo, subindo, subindo, subindo até chegar no cume da taxonomia da biologia que a gente chama de domínio, né? Aquilo que domina tudo. Depois do reino, lá em cima, muito lá em cima, né? Que tem aquele mnemônico de quando a gente fazia a prova da biologia.

Reificofage, reino, filo, classe, ordem, gênero e espécie. Não tem esse? Acho que eu pulei algum. Se pulei, depois é só dar um Google aí que vocês vão ver a taxonomia completa disso. O que permite a gente ir subindo de degrau em degrau, como se fosse a hierarquia dos anjos, né? É essa capacidade do intelecto de... e conhecendo cada vez mais do alto, ou seja, vendo a obra se realizando completamente. Quando a gente chega nesse patamar, pra gente fica estranho dizer personalidade intelectual, porque personalidade intelectual é personalidade dos anjos.

A personalidade do homem sadia, equilibrada, não deveria ser uma personalidade intelectual, apesar de eu hoje entender o que as pessoas querem dizer com isso. Querem dizer que eu tenho a personalidade completa com as três pessoas e o eixo da personalidade relacional, a coisa que se relaciona com a gente, como uma pessoa mesmo, com características de pessoas, esse encontro pessoal o depósito da fé, muito a semelhança do que os hebreus chamaram da experiência da emuná, a confiança numa pessoa, né? Então, dentro dessa experiência, a gente entende que a personalidade, sendo intelectual, ela tem um intelecto que funciona de maneira muito mais plena, muito mais eficiente do que numa personalidade normal.

Que o intelecto, ele até funciona de maneira plena, mas o intelecto ativo, que é chamado por Aristóteles de nous poétikos, ou seja, nous, é a palavra grega para espírito. Então, quando São Paulo, nas suas cartas, fala de corpo, alma e espírito, ele fala de corpo em grego, soma, alma em grego, psique, psiqué, e espírito em grego, nous. nos poéticos, o intelecto, que ele chama de espírito, né?

E que a gente traduz depois, porque o pessoal tem um rançozinho com religião, né? Aí acha que é outra coisa. Outra coisa é falar uma bobeira do caraca. A gente tá vendo agora que é a mesma coisa. A experiência da religião, ela vai ser vivida, as pessoas queiram ou não. Por causa da nossa necessidade, a gente tem um lugar pra um ator. Então, não importa se a gente vai botar lá religião, o meu pai, Karl Marx, Freud, mas vai ter um autor no nosso lugar de encontro da unidade e a gente vai unificar a nossa vida em volta daquele amor.

A gente não tem como não fazer isso. Por que que não tem como, Diego? Porque o olho olha a imagem. O olho tem a sua tara por imagem. Ele não vai buscar o cheiro. Ele não vai buscar a textura da coisa. O olho busca a imagem, com características de imagem, com profundidade, largura, cores e tudo mais que o olho tem capacidade de fazer. Então a consciência humana, ela tem a capacidade de fazer uma coisa e ela vai fazer. Porque quando eu abro o olho, Eu não escolho mais se ele vai enxergar ou não.

Eu não posso abrir o olho e tá aqui olhando pra você e falar assim, não, eu tô de olho aberto, mas eu não quero enxergar. Eu não consigo mais fazer isso a partir do momento que ele tá aberto. Quando o intelecto tá aberto, quando a consciência tá aberta, elas vão realizar o que elas têm que realizar. Então ou vai tá religião lá ou vai tá Freud. Ou vai tá religião ou vai tá... o meu professor de história, mas vai estar lá alguém, vocês entendem? Eu acho que a gente já caminhou o suficiente pra vocês perceberem que é assim e terem um posicionamento verdadeiro, não só como se eu estivesse falando aqui como um guru, né?

Eu falando que é assim, vocês não estão entendendo e estão aceitando, não é isso? Então vejam, quando a gente fala personalidade intelectual, Bom, eu posso pensar assim, olha, sabe aquela senhorinha que eu contei pra vocês na aula de simbólica? Falando que se uma pessoa domina a arte dos sapatos de um lado daquela matriz, ela consegue ir dominando o mundo por simbólica. Então ela entende tanto de sapato, que como o sapato possui todas as categorias do ser, que são aquelas dez categorias, Ela acaba que, por simbólica, começa a entender todo o funcionamento restante do mundo.

Por quê? Porque o sapato funciona de acordo com as mesmas leis. Então, ela vai fazendo associações e vai se achando e se acha bem. Se ela entender bem o sapato, ela se acha bem. E aí, o que acontece? Acontece que aquela senhorinha que viveu a vida inteira, que levou uma família a perfeição, que viveu as coisas dentro de casa, uma experiência bastante humana da família, a grande experiência humana onde o ser humano pode inclusive se perpetuar. O ser humano não pode se perpetuar como indivíduo. Em que sentido?

O indivíduo não consegue dar continuidade à espécie. Não é assim para o ser humano? Então, para o ser humano, o que dá continuidade à espécie é o ato sexual que, pelo menos ali naquele momento da concepção em que está o homem, fez sexo com a mulher, e ali está um novo ser, o filho, ali está a estrutura familiar. Então, essa estrutura familiar tem uma base muito filosófica, inclusive muito presa. Não adianta a gente... Ah, eu quero montar uma concepção de família na minha cabeça. Isso é uma ideologia, óbvio que é uma ideologia.

Como assim, Diego? O que você está dizendo que é uma ideologia? O que é uma ideologia? Uma ideologia é uma ideia que você construiu na sua cabeça e que quando você vai colocar no mundo, O mundo não funciona bem. Então não adianta eu falar, por exemplo, que um homem com um homem com um filho é uma família. Primeiro porque no mundo real não foi feito assim. Não foram aqueles dois homens que fizeram aquele menino. Então é óbvio que aquilo tá muito longe da concepção de família.

A gente não precisa entrar no caso aqui de falar assim, ah não, mas e no caso da adoção? Então aquilo ali não é família? Não, não tô falando disso. Eu tô falando de perpetuar a espécie. O que é perpetuar a espécie? É ter uma capacidade, uma potência, um poder de, a partir dali, a espécie continuar. Então, acho que vocês já perceberam. Sobretudo quem está aqui, né? Quem chegou até aqui, acho que já tem bastante capacidade de entender a personalidade humana e saber onde a gente está chegando.

E, a partir daí, aquela senhorinha lá da família, ela consegue, efetivamente, através da vida dela, prática, das crenças que ela tem, sobretudo da formação que ela teve, de uma formação familiar, e dos roteiros que ela entende que são roteiros propriamente humanos que vêm dessa formação. A coisa de família, de fidelidade, de abertura à vida, de filhos, de uma vida normal. Que, às vezes, hoje pra nós pode ser uma coisa muito estranha, né? Mas até em alguns lugares ainda são bem normais. Tipo, na época que eu morava na África, eu percebi lá, na África, uma identificação muito com a minha vida, quando eu era pequeno, a coisa da família, das famílias grandes, e por aí vai.

Agora, a coisa é a seguinte, aquela senhorinha, apesar de ter tudo isso aqui funcionando muito bem, então ser uma personalidade forte, uma personalidade feliz, em paz, porque tem unidade de vida, se sente em paz com a vida realizada. O que a gente diz especificamente para não ficar caricatural, personalidade intelectual? A gente poderia chamar até a doença de, de repente, um intelectualismo, o "-ismo", como essa característica de um sufixo meio pejorativo, daquilo que está deteriorando, sabe? Para não ser que não fosse um intelectualismo, ou seja, uma vida aqui em cima, uma vida intelectual que não funciona bem, A gente quer falar de uma personalidade intelectual, onde a personalidade é boa e chamá-la de intelectual de que maneira?

Então, além dela ser boa, ademais a sua bondade, eu ainda tenho um intelecto poético que consegue, como um artista, como, sobretudo, um literário, dizer, dizer com as palavras. Então vejam, tem mais uma coisa aí, né? Porque tem a vida intelectual, que é a maneira com que você pensa as coisas e intelige o mundo, que não necessariamente tá dentro do mundo mediado pela palavra, que é o que eu tô fazendo agora.

Eu tô usando a palavra pra mediar uma atividade de leitura de mundo minha e o mundo real. Então, essa palavra que tá intermediando isso, ela tá tentando falar pra vocês o que tá na minha cabeça e, ao mesmo tempo, você pega essa palavra e tenta olhar pro mundo como ela fosse mesmo uma mediadora, né? A gente precisa, um dia, de repente fazer uma aula sobre filosofia da linguagem, ou, quiçá, um curso para a galera aprender bem gramática. Apesar de, eu acho que vocês já aprenderam bastante coisa.

Se não aprenderam bastante coisa, pelo menos aprenderam a coisa do pronome possessivo, do que a gente chamaria personalidade de os meus eus e os meus meus. Mas vejam, dentro dessa coisa da personalidade, o intelecto ativo e passivo, eles funcionam. Além dessa leitura interior, aparece uma outra coisa, que é a característica do artista que vai usar alguma coisa do mundo para expressar alguma coisa que existe. Então, por que alguma coisa do mundo para expressar alguma coisa que existe?

Porque na pintura a gente pode usar certos instrumentos, na escultura a gente pode usar outros instrumentos, e para falar das coisas do homem com as palavras, usualmente a gente usaria a literatura, não é isso? E aí por uma parte diferente da literatura, que a gente vai usar as palavras para mediar a vida do homem, né? Tem uma parte específica da literatura, nesse caso, que a gente incorporou na filosofia, que é o quê? A capacidade de pensar a vida.

Mas essa capacidade, todo mundo faz, todo mundo pensa na vida. Não tem como não fazer isso, porque essa é a vida do crítico, pensar na verdade, pensar no café que eu tomei, vocês entendem? Só que o crítico, com o intelecto ativo, ele vai pensar na vida. E ao invés de pensar na vida e traduzir numa música, a gente chama o filósofo daquele que pensa na vida e traduz em palavras. Não é assim que a gente chama o filósofo? Qual é essa diferença para o cara da literatura?

O cara da literatura parece que conta histórias, não é isso? Só que em alguns da literatura a gente vê certos tons da filosofia, tipo um Dostoievski desse da vida. Agora, o que a gente chama estritamente o filósofo? A gente chama estritamente o filósofo daquele que tenta buscar o que a gente aprendeu a chamar por aí de verdade, só que não é bem isso, acho que vocês já perceberam, né? Na verdade, ele tenta achar essa face aqui, da verdade, como juízos verdadeiros. Juízos verdadeiros. Então, vejam. Olha que coisa maravilhosa.

A gente divide as ciências, a gente fica tentando achar a distinção da literatura, da filosofia, da teologia. Mas vocês perceberam, agora, com uma unidade da personalidade, que não tem como fazer nada disso separado. Não tem como. Não tem como eu viver da suposta filosofia aqui, que é essa parte de mediar com palavras pra fazer as coisas durarem mais. Então eu tô meio café. Aí eu vou ficar pensando no café. Não é isso que a gente chama filósofo? É aquele que fica pensando no café. Só que mais do que isso, ele vai transformar esses pensamentos deles em sentenças que eles vão conversar, e indagar, e se questionar.

E isso é importante para que eles façam. Os filósofos querem fazer isso, né? Fazem isso, teoricamente, mais do que outras pessoas. Então, vocês estão percebendo aqui qual que é a coisa? Fala, olha, se aqui, no lugar do café, está uma pessoa que tomou o café, e o crítico, ele quer contar histórias. Para pra pensar nisso que eu vou falar pra vocês agora. O que que o cara da literatura faz? O cara da literatura conta histórias, não é verdade? O cara que vai escrever uma biografia. Se ele conta histórias, ele tem que estar em qual lugar na personalidade pra contar a história?

Se ele vai contar a história, ele vai contar a história com um passado um presente e um futuro. Porque a história está encaixada nisso. Eu sei que não todas as histórias e a gente não vai fazer um curso de literatura aqui. Mas quando a gente vai contar o nosso passado, diferentemente de olhar para o café e fazer juízos do café, mas a gente vai olhar para o passado com a consciência. de quem vai posicionar o café dentro de uma vida. Vocês lembram que a consciência, ela é uma unidade que sempre quando vai falar da vida, se dilui numa trindade.

Em que sentido? No sentido de a minha vida tem uma unidade. Se eu for contar minha vida com 10 anos, Por que que eu sei que aquela história de 10 anos sou eu aqui hoje? O que que dá unidade pra isso? A consciência. Eu tenho consciência de que esse aqui era aquele mesmo que estava lá. Mas quando eu for contar a história daquele lá, a consciência, ela se perde um pouco no crítico, né? Que vai lá fazer juízos e dizer como é que ele era. Se eu quiser contar do presente, eu vou ter que sentir como personagem o presente pra contar com a consciência.

Então, ela vem com unidade, mas ela se dilui na trindade. E a mesma coisa no futuro. Se eu quiser contar os meus planos do futuro, o roteirista vai fazer o roteiro, mas eu sei que aquele roteiro daquela vida futura sou eu. Então, a consciência, para saber que sou eu, ela precisa ir lá. e se banhar daquele roteirista. Então, a consciência possui uma unidade fora do tempo, ela está fora do tempo, ela é um lugar de encontro fora do tempo, e toda vez que ela vai se manifestar na minha vida, ela se manifesta no tempo, que é exatamente como a gente tem a percepção de Deus.

Ele é uma unidade fora do tempo, e toda vez que ele aparece no tempo, ele aparece diluído numa trindade. ou como um pai, ou como um filho, ou como um mediador entre o pai e o filho. Mas, assim como acontece no homem, pra mim é muito razoável que aconteça isso com Deus, como realmente uma imagem e semelhança nossa. Então, fora do tempo, com o poder que nós conhecemos, porque a nossa consciência tem esse poder, e se vocês tiverem dúvidas, vão lá ver novamente as aulas da consciência, ele tem essa unidade.

Então, vejam, a pessoa que faz literatura, ela está utilizando uma abertura maior, uma envergadura maior de instrumentos do que hoje o que a gente chama de filosofia em estrito senso, que é fazer juízos para achar a verdade. Porque a literatura, na literatura está envolvida as sentenças verdadeiras, a bondade e a beleza. A literatura, sobretudo a literatura biográfica, Então, vamos lá, a gente pode acertar aqui melhor até. A literatura biográfica é muito maior, muito mais abrangente, muito mais intensa, muito mais sublime do que a literatura filosófica em estrito senso, que fica tentando, por exemplo, a filosofia matemática.

A matemática, que acha sentenças verdadeiras sobre aquelas categorias lá do ser, sobretudo a álgebra, né? Dos numerais. 2 mais 2 são 4. 2 mais 2 são 4 é uma sentença verdadeira, não é isso? Ok. Isso é vida intelectual? Sim, é vida intelectual. Só que 2 mais 2 são 4, sai de onde? Como é que isso chega aqui em cima? Um dia, se vocês tiverem curiosidades, olhem métodos de ensino de matemática, sobretudo em educação infantil, aí vocês podem olhar, por exemplo, lá o método Singapura.

Olha no método Singapura como que as crianças aprendem que 2 mais 2 são 4. você pega duas bananas, coloca mais duas bananas sobre a mesa, aí ela vê duas bananas, mais duas bananas, junta, tá vendo? Quatro bananas. O que que são quatro bananas? É a verdade encarnada no mundo. Dois mais dois são quatro, com bananas, Tem cheiro, tem gosto, tem beleza. É bom comer da saúde.

Você deve comer quatro bananas por dia. Duas no café da manhã e duas à tarde depois de fazer exercício físico. Duas mais dois são quatro encarnados na vida humana, com toda a personalidade do homem. Isso é infinitamente maior do que a matemática e a filosofia, onde dois mais dois são quatro. Ah, Diego, mas você está explicando tudo isso com a filosofia. Pois é. Só que eu estou explicando tudo isso com a filosofia agora, tirando, arrancando da banana que dois mais dois são quatro, porque eu já provei essa fruta.

Se eu nunca tivesse provado, eu não conseguiria falar isso aqui, desenhar isso aqui pra vocês. Então, isso aqui já é muito menor do que isso aqui encarnado em mim na vida de uma pessoa. Eu queria cada vez mais de verdade, eu queria quase que enfiar isso dentro do coração de vocês. Que a experiência da verdade é a experiência de uma pessoa, do encontro com uma pessoa. E se isso não cabe na filosofia, eu falo, ah Diego, mas isso é além da filosofia, você está falando de provar a matemática.

comendo uma banana. Isso é biologia também? Pois é, mas eu queria unificar tudo, né? Eu queria que isso fosse também teologia. E agora a gente sabe que é, né? Agora a gente sabe que tomar o café pode estar envolvido com o amor ágape. Não é assim que a gente aprendeu lá na aula dos amores? Porque é óbvio que existe uma unidade disso tudo. Tem que existir. Onde que todas essas coisas se encontram? dentro de nós, um mundo inteiro construído para se relacionar conosco, como se a criação inteira fosse o amor de uma pessoa se relacionando comigo que sou pessoa.

É por isso que quando a gente vê isso tudo separado, não nos realiza como personalidade. Então, tenham muito cuidado com a coisa da personalidade intelectual. Porque, voltando agora e fechando um pouco com o princípio da nossa conversa de Aristóteles, vocês não vão encontrar uma personalidade intelectual que tenha uma vida imoral, porque se essa pessoa ela é infiel no casamento ela vive aqui ó no palco a infidelidade no casamento isso aqui não é uma aula sobre relacionamento sobre fidelidade nem castidade mas Eu acho que a gente já tem matéria suficiente para entender que esse bem aqui vai rachar, né, se não houver fidelidade.

Acho que vocês já, ao longo das aulas, já perceberam isso, né? Se eu traio a minha esposa, se a minha vida é uma vida de traição, se esse o café que eu tomo como o intelecto ativo, através da atenção, da responsabilidade, no uso da linguagem para dar o testemunho, se for com a linguagem, como que a gente vai fazer para falar do gosto do café como sendo um casamento fiel?

com a linguagem, se a gente não provou aquilo, se a gente não tomou esse café. Imaginem um filósofo que faz um curso sobre café sem nunca ter tomado um gole de café. Essa é a grande parte da vida intelectual das pessoas hoje, né? Então, quando eu fico enchendo o saco do pessoal na internet, o pessoal fala assim, poxa, mas Freud era um grande intelectual, por que não estudar a psicanálise?

Porque se vocês estudarem a psicanálise para conhecer a verdade, vocês vão tentar A verdade no sentido que a gente tentou expressá-la como a verdade que é bela e boa. Vocês vão conhecer uma verdade que destrói o homem. Ou seja, vocês vão conhecer uma espécie de mentira da felicidade humana. Aí eu falo assim, Freud se matou. Antes de vocês conhecerem a filosofia dele, por que não conhecer, através da literatura, a biografia dele?

Vocês estão entendendo o tamanho desse negócio da biografia? Então, quando eu falo pra vocês o que foi a minha vida intelectual, ela foi muito mais do que uma vida intelectual. Ela foi uma personalidade que tratou da vida intelectual incorporada na plenitude da personalidade. Por quê? Porque eu passei minha adolescência, minha juventude, sobretudo, lendo biografias. Só que eu li qualquer biografia? Não. Eu li a biografia das pessoas que acreditavam e lutaram pela perfeição, Então essas pessoas são as únicas no mundo que podem falar sobre o gosto do café porque elas tomaram o café, porra.

É isso que eu queria enfiar dentro do coração de vocês, porra. Que vocês não vão conseguir olhar a tal da verdade que realiza o homem face a face, olhos nos olhos, se for a psicanálise do Freud, porque lá está escrito sobre uma doença, sobre uma mentira, sobre uma destruição, sobre uma não realização. Aí eu falo, pô Diego, mas você leu as obras completas dele. Muito tempo depois disso aqui. Então depois que eu tomei o café, aprendi a falar sobre o café, Aí me deram um café estragado.

Passado. Velho. E eu falei assim, esse café vai nos matar. Agora vocês imaginem as pessoas que começaram a tomar o café pelo café estragado. E elas dão testemunho na vida sobre o café estragado. Isso é uma pessoa que começa a estudar psicologia pela psicanálise. Começa a estudar filosofia estudando Sartre, que era um homem depravado moralmente. Essas pessoas dão testemunho de que no mundo, filosoficamente?

Dessa destruição, porque esse é o café que elas tomam. não vão atrás de homens imorais para conhecer a filosofia deles. Antes de conhecer uma filosofia, vocês têm que ir atrás da biografia. Porque a filosofia pode ser um câncer. E como vocês vão saber se é um câncer? se ela não leva a personalidade à perfeição. É por isso que eu digo no Instagram, Freud se matou. Freud se matou. Freud se matou. Eu falava, Diego, mas tem verdades ali. Ele falou, pois é. Num puteiro também tem coisa boa, porque lá tem pessoas.

Tem pessoas num puteiro. Não tem pessoas num puteiro? Numa prisão também tem coisas boas. Tem presos que são pessoas. E a gente vai lá pra vida de perfeição, pra nossa vida de perfeição? Se não, quando a gente vai, deveria ser pra tirar as pessoas de lá? Então eu também fiz psicanálise, mas eu fiz já pra tirar as pessoas de lá. Porque eu conheci a biografia antes. Então vocês não podem ler o Capital, o Manifesto Comunista do Karl Marx, antes de ler a biografia dele, para vocês verem que ele é um homem depravado.

E eu não estou aqui o julgando. Ia ser uma grande graça pra gente, uma grande prova do amor de Deus se a gente encontrasse com o Karl Marx no paraíso. E é óbvio que ele pode estar lá. Eu tô falando das merdas que a gente viu lá na vida dele. Filha com empregada criada no sótão, de uma imoralidade gigantesca. de uma vida de fábrica, de sindicato que depois se traduz como naquele café escroto que ele tomava, ele traduziu aquilo com os juízos dele falando de um café escroto.

Então vocês vejam que não dá pra separar, não dá pra separar, não dá pra separar. Se eu vejo uma pessoa na internet casada, católica, que é fechada a vida. Ah, não quero ter filho. Eu não vou ler nada sobre ela. Eu não quero saber da filosofia dela, pô. Porque ela vai falar de quê? É por isso que tem aquela... A boca fala daquilo que o coração tá cheio. Eu falo, pô, você provou o café, você vai falar de chocolate. Provou do café, pô. A boca fala daquilo que o coração tá cheio.

O coração como fonte de quê? Como fonte, o coração, do que é... é que representa a vida material, né, do ritmo, dos elementos da música que é o mais carnal, o ritmo da vida, a batida, não é isso? Então vocês não podem. Quer dizer, não é que não podem, né? Não deveriam. sair por aí estudando qualquer coisa. E sobretudo nós, que estamos aqui fazendo o curso e somos mais velhos. E vocês de repente, ah, eu comecei a vida intelectual mais tarde. Eu falo, olha, se você começou a vida intelectual agora, jamais deixe na sua vida intelectual, independente do que você está estudando, de junto com isso que você está estudando, estar lendo vidas de pessoas que a gente nem sabe bem porquê.

Você pode não saber nada da vida humana, mas quando você está diante de uma Madre Teresa de Calcutá, você sabe que tem uma humanidade se realizando ali, você entende? Ele falou, a gente não precisa discutir, ninguém precisa ter vida intelectual para olhar para a Madre Teresa e ser ferido por uma grande bondade, você entende? Por uma coisa que é muito maior do que nós. Ele falou, porra, Tanto é que, imagina, a primeira experiência do homem, a gente chamou aquilo de uma grande bondade, de amor, pô.

A gente viu aquilo e aquilo enche o nosso espírito, como se lembrasse assim, ó, você nasceu pra isso e isso é a perfeição do homem, pô. A gente tem que ler vidas assim pra que a gente, sobretudo, tenha uma esperança e um roteiro na perfeição da vida humana e já o imagine pra nós. para ter uma personalidade intelectual que tenha esperança, sobretudo, na perfeição do intelecto, de contemplar a grande bondade, a grande beleza e a grande verdade que estão presentes no mundo, desde o cafezinho, desde a banana, até um amor estrondoso que pode dizer para a morte, abre teu olho, e a morte vai embora.

Nós vivemos, nos movemos e somos... por essa personalidade intelectual, por esse intelecto. Não por um intelecto que escraviza, por um intelecto que deforma, que mente, que constrói roteiros escrotos, que idealiza mundos que matam milhões de pessoas. Vocês entendem que existe uma vida intelectual demoníaca, escrota, de morte? De onde ela sai? Da imoralidade do mundo. Toda ela sai da onde? Da imoralidade do mundo. Então, essa coisa de vocês tentarem separar a vida intelectual da moralidade é uma loucura sem tamanho. E vocês, que agora conhecem a estrutura da personalidade humana com a sua unidade, não podem mais cair nessa mazela e têm agora a responsabilidade e o dever moral de curar as pessoas que se aproximam de vocês e que vão ser os amores da vida de vocês.

E vamos continuar por aqui. Vamos continuar por aqui tentando desenvolver a nossa personalidade intelectual. Mas já sabendo que ela não é tudo isso aí que as pessoas acham que ela é. Essa modinha aí da personalidade intelectual, do psicologismo, do intelecto. Nós não somos anjos. Um nenenzinho anencefalo que nunca vai realizar sua personalidade intelectual nesse mundo, que não vai ter sua psique funcionando bem.

Se a gente apostar todas as nossas fichas na personalidade intelectual, a gente não vai perceber? que existe a plenitude da perfeição no Arencéfalo. Porque ele é o personagem no palco, encarnado. Ele é o cafezinho, a banana. Tudo ali, tudo está ali. E, um dia, a personalidade intelectual vai se manifestar completamente pela existência dele no mundo, eternamente. Então, a nossa esperança completa não está na personalidade intelectual, está na presença de carne e osso, encarnada no mundo.

Isso aí é a biografia. é a história de uma vida. A personalidade intelectual é só um pedacinho e nem é o pedacinho mais saboroso, porque a personalidade intelectual não tem sabor de nada. O que tem sabor é a verdade encarnada no mundo como pessoa. Porque nós não somos anjos, nós somos homens, com corpo material e alma espiritual. Até a próxima, meus queridos alunos. Um forte abraço.

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