Amor, matrimônio & família
Educação
- a vocação de dominar (ide e dominai)
- as três pessoas (personagem/crítico/roteirista)
- autonomia = autoridade/autoria (aproximar do autor)
- a temperança vs. o temperamento
- as virtudes cardiais (o eixo / a cardia)
- a fortaleza (as três forças)
- a força irascível (luta pela justiça)
- o tempo tempera (a presença)
- a graça = presença do pai
- fé do crítico → esperança do roteirista
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 9:13.
“Cara, pegando esse gancho para a gente seguir, O tema de hoje é o protagonismo dos pais na educação.”
Trechos da aula
a nossa vida não é outra coisa, senão uma tentativa a todo instante, em tudo que a gente faz, de dominar a realidade.
É o tempo da presença que tempera. O tempo tempera.
A fé do crítico é o fundamento da esperança do roteirista.
É dar uma espécie de autoridade, uma espécie de autoria.
Transcrição completa
Fala aí, Rafa, Ricardo, Flávia. Pessoal já entrando. Boa noite pra todo mundo. E aí? Tô me ouvindo bem, pessoal? Quem puder aí, Rafa Mattioli. Olha aí, a galera toda chegando. Muito bom. Boa noite! Pessoal, me avisem se vocês estão ouvindo bem, tá? Não tem tanta experiência no assunto? Vamos lá! Vou me avisando aí, dá um joinha. Boa! Vamos lá, daqui a pouco o Diego entra.
Enquanto a gente tá preparando aí essa entrada. O Diego vai chegar daqui a pouquinho. Ih pá, acho que ele chegou. Não, ainda não. Opa. Ainda não. Bom, enquanto o Diego chega, vamos... Opa, já chegou aí. Vamos ver aqui. Opa, agora foi.
Fala, né? Fala aí, Diego. Tranquilo, cara? Tudo certo, cara. Tô com saudade de te encontrar pessoalmente, cara. Não te vejo mais. Só vejo você no Insta, cara. Só te vejo no mundo digital, cara. Em breve a gente se esbarra por aí, meu irmão. Tá tudo tranquilo contigo, cara? Tá bem? Deus, graças a Deus. Família também bem. E o pessoal aí, tudo tranquilo? Tudo ótimo, cara. Agora a criançada já tá dormindo, né? Tá na paz aqui. Também. Estão com a Maria lá dentro. Boa. Já que tá aí...
Tá aí? Tá acompanhando? a galera conhecida aí é excelente excelente cara é chegar um primeiro quero agradecer tá sua presença aqui a gente poder bater esse papo você por um cara aí que que surpreendeu, o cara vem, né? Olhava pra você lá atrás, cara, e falava, pô, esse cara é uma máquina de matar, né? Aquela careca e tal, né? Comandante na marinha, falei, pô, aí de repente o cara me vem com todo o papo filosófico, pô, é isso aí, cara, vamos entender aí, contemplar o ser, vamos entender um pouco mais aí sobre a personalidade e tal, e, pô, veio com uma ideia muito bacana, né?
Entender a personalidade em três pessoas e tal E aí, pô, achei que valeu muito o pessoal aqui Os pais do colégio, as famílias que estão aqui no Monte Alto Ouvirem aí de você tudo o que você desenvolveu Esse conhecimento todo que você tem compartilhado Acho que vai agregar pra todo mundo Pra mim também, tô aqui pra aprender Tô ansioso aí pra essa conversa Cara, só antes de começar, vou fazer um pouquinho de merchandising aqui A gente está com o evento Portas Abertas para acontecer no sábado Então as famílias aí que ainda não se programaram, se programem Manifestem o interesse para participar do Portas Abertas A gente volta a ser criança Eu lembro quando eu estive lá atrás, meus meninos pequenininhos Eu tive a aula deles, assentei para assistir às aulas E pô, a Maria era professora, hein?
A Mariada avalou no colégio, pô. Então, gente, a gente volta a ser criança, ver como é que eles aprendem matemática, como é que aprende a grafo-motricidade e tal. Então vale muito a pena, gente. Então quem não se inscreveu, se inscreva, divulguem para os amigos também. Pessoal de fora pode vir e participar. Bom, e aí Diegão, lembrando até a gente, sempre que eu comento com a Ju também a gente lembra de vocês aqui no colégio com a gente, lembro da Mariá, pô dá saudade, Mariá no colégio e tal, ali começando o colégio com a gente, por isso que a gente conseguiu crescer, eram pessoas aí como vocês que fizeram a gente poder avançar.
Cara, eu queria te perguntar, antes da gente começar o papo assim, O que foi essa sua experiência no Monte Alto? Como é que você conheceu o Monte Alto? O que o Monte Alto ajudou aí você, o Mariás, sua família toda? Como é que ele pôde contribuir com a vida de vocês? Cara, o Monte Alto, muita gente não sabe o vínculo e o carinho que a gente tem com o Monte Alto. O Monte Alto ele Ele começou para a gente através daquelas ligações do Zegê, que ligam para a gente, convocando a gente a grandes aventuras na vida.
Então, a Mariada trabalhava em outro colégio. E aí a gente, a Maria saiu de lá para fazer um estágio, na época, no Porto Real, para aprender a estrutura de como é que eram as coisas, sobretudo a parte pedagógica, para ir lá para a Tijuca, para o Monte Alto da Tijuca, para começar lá na coordenação pedagógica dos colégios. E eu, cara, como fuzileiro, Fui chamado para raspar a parede, lixar e pintar. Então, um monte alto da tijuca. Alguma daquelas salas lá, com muita alegria e muito carinho, eu ajudei lá a pintar e lixar aquilo tudo lá.
E era uma maravilha, porque no meio daquele serviço todo lá, a gente brincava e se divertia muito. Então, a gente viveu... Na época, a gente se mudou ali quase que para frente do colégio. E a gente viveu... Na rua do colégio ali mesmo. A gente morava na rua do Monte Alto, ali na Ponte de Correia, na própria rua do colégio. Então a gente viveu realmente ali um grande amor mesmo, né? Fazendo parte, vivendo intensamente o colégio Monte Alto. A gente acabou que saiu para fazer o homeschooling justamente porque eu fui para a missão na África.
Então, na verdade, não foi nem muita escolha. Acabou que foram coisas da minha carreira mesmo que fizeram a gente tomar a decisão. E a gente sempre foi muito apaixonado pelo modo como como os colégios, porque eu estou falando da Tijuca, mas o pessoal, se não sabe, fique sabendo, tem um monte alto em Niterói e um monte alto em Botafogo também. Então a gente sempre viveu, a gente tem vários amigos que convivem, que vivem aqui na nossa casa também, vivem muito dentro dessa realidade, outros professores também, e nossas famílias que estão sempre se esbarrando por aí.
E uma das coisas que E eu tenho certeza que a gente vai acabar conversando aí. Realmente, o que eu considero o grande tesouro para a gente, Marcelo, é essa coisa do colégio envolver toda a família, sabe? Porque depois o pessoal vai perceber quando a gente começar a comentar Especialmente como é esse protagonismo, como ele funciona dentro de uma estrutura de família. Isso é até importante para as pessoas não caírem nessas balelas de que um colégio pode fazer tudo pelo seu filho.
Não pode. Se ele não prometer envolver a família, a verdade é que não pode fazer quase nada. Então, sem sobra de dúvidas, esse pra gente é o grande tesouro do colégio. Boa. Cara, é isso mesmo. Minha experiência é bem essa, cara. Quando a gente colocou os meninos no colégio, fundamos, né? E começamos ali bem no início. E a Maria, digamos assim, foi uma fundadora também, que estava lá desde o início. Desde antes, né? Você também ajudando aí a... a construir o prédio, lembro tanto de entulho que a gente tirou lá de dentro para poder deixar o prédio arrumado.
Caramba, você me fez lembrar agora muita coisa que a gente passou para poder erguer. Mas é isso, quando a família toda participa é realmente impressionante. A gente muda, a gente se muda. Não é só a criança, somos nós aqui como pais. Cara, pegando esse gancho para a gente seguir, O tema de hoje é o protagonismo dos pais na educação. Acho que você é o cara certo para a gente estar conversando sobre isso. E quando a gente fala em educação, educar vem de ex dotere, de conduzir para fora.
A gente levar a criança a ver algo além dela, para além dela. A educação já tem um sentido transcendente na própria origem. Ela é, por essência, algo que transcende. Faz a criança sair de si para algo além dela. Alguns veem uma dimensão social, mas a gente pode pensar numa dimensão transcendente mesmo. Isso vai totalmente ao encontro do ensino das virtudes que a gente tem no colégio e que também se trabalha em casa. Como você vê o papel do pai nesse processo de educar? O Marcelo, olha só, uma das coisas que sempre foi cara pra mim são as coisas duradouras.
E se hoje eu consigo de alguma maneira ajudar o pessoal a se organizar dentro dessa coisa da estrutura da personalidade e tudo mais, eu acredito que se tem uma coisa que me fez poder ajeitar algumas coisas foi ficar atento àquilo que dura no mundo, na nossa vida. Daqui a pouco a gente vai falar um pouco mais de como funciona esse protagonismo dentro das três pessoas. Que é uma estrutura do teatro que, para nós, durante toda a história da humanidade, foi a melhor forma que o ser humano encontrou para expressar a personalidade humana.
A gente nunca encontrou uma forma melhor. Então nada mais justo do que dar essa estrutura para ela. Então se uma pessoa quiser hoje falar... A gente quer saber como é a personalidade de Achilles. Qual é a melhor maneira de fazer isso? A gente vai ter que descobrir as verdades lá sobre Achilles. A gente vai ter que montar um roteiro e botar um personagem parecido com o que falaram. Essa é a melhor maneira de expressar a personalidade humana. A gente, inclusive, não conhece outra melhor para fazer isso, sabe?
Só que tem uma coisa que antecede a isso e que é a base disso tudo, que, na verdade, é essa vocação do ex-dutire. Porque a gente vai sair para quê? Você vê, na tradição judaico-cristã, Sobretudo no que chega à nossa mão, pelo que a gente entende como a Bíblia, no livro do Gênesis, tem lá uma vocação inicial do homem, que é dita da seguinte forma. Uma vocação para ele, uma tarefa, uma missão. Ide e dominai sobre todas as criaturas. E dominar no sentido mais estrito da palavra domino, o domine ou domino, quais declinações latinas que a gente ouve por aí, sobretudo ou as pessoas que têm contato com o latim ou vão à missa em latim, ou então outras pessoas que estudam ou conhecem alguma coisa de império romano que sabem como os imperadores eram chamados de domino.
Então como você vê, a nossa vida não é outra coisa, senão uma tentativa a todo instante, em tudo que a gente faz, de dominar a realidade. Então, dominar em todos os sentidos. No sentido que eu falo das três pessoas, por exemplo, que é saber o que são as melhores coisas, o que são a verdade das coisas, o que é a beleza das coisas. E cada uma dessas coisas a gente vai dominando depois com os instrumentos de cada uma das pessoas. E, obviamente, os pais têm que exercer um tipo de domínio sobre os filhos para ensinarem os filhos a dominar.
Você vê, tentar descobrir esse domínio no mundo? Estamos aqui tentando descobrir um pouco de domínio sobre educação. Flória, o que é tentar dominar um filho, um trabalho? Tentar dominar a matemática? Ou dominar como funciona uma célula humana, a mitocôndria? Se não tentar descobrir o que está escrito na cabeça daquele que criou todas essas coisas. Ou seja, tentar dominar, em último caso, no limite das coisas, que é essa vocação que a gente sente, é como se fosse uma espécie de transformação no próprio domínio, que a gente chama de várias maneiras nessa vida.
A gente chama desde buscar a felicidade até A santidade da vida é uma tentativa de domínio das coisas. Você entende? Os nossos órgãos são feitos para isso. A gente chega em um ambiente em que os nossos olhos querem dominar as coisas. O olho domina tentando sentir cheiro? Não. Ele domina pelas imagens. É a capacidade que ele tem. O ouvido tenta dominar a realidade ouvindo as coisas. Então, não seria diferente na vida dos nossos filhos. Eles têm uma vocação. uma vocação de dominar as coisas. E toda vez que eles são dominados, a gente primeiro está perdendo como paz e eles não estão cumprindo a vocação deles.
Então você vê, Só com isso aí, eu acho que já desmascara um monte de teorias educacionais que falam que, por exemplo, a gente tem que deixar uma criança no desespero e chorando e largada para ela se conhecer e se entender. Isso aí é uma criança entregue ao caos. A gente vê hoje em dia isso à torto e à direito na internet. Eu vejo, sobretudo, essa estrutura, Rafael, como sendo uma boa baliza para a gente. Uma pergunta de sempre de um exame de consciência. O quanto nós dominamos certas realidades, e no caso de hoje, o quanto eu domino a realidade de vida dos meus filhos e o quanto eu os ensino a dominar.
O que a gente chama, a grosso modo, de alguma maneira, de dar autonomia. Isso é muito comum no mundo educacional. Dar autonomia para as crianças. O que é dar autonomia? É dar uma espécie de autoridade, uma espécie de autoria. Ou seja, fazer com que ela se aproxime o quanto é possível a criança do autor. daquele que domina fundamentalmente as coisas, você entende? Então essa sempre é a medida de para onde está indo a educação. Essa é sempre a medida de quanto está indo a autoridade. De quanto a gente está se aproximando de um autor da obra.
Da obra que a gente vai tentar descobrir a todo instante. o seu roteiro, o melhor personagem para interpretar esse roteiro e uma crítica verdadeira de quanto esse roteiro é bom, de quanto esse personagem é bom e de quanto os dois são um só, que no final do dia é a grande alegria que a gente deseja, deitar a cabeça no travesseiro e pensar assim, eu fiz aquilo que eu deveria ter feito, eu fui aquele que deveria ter sido, eu sou aquele que sou, você entende? A nossa vocação é essa.
Então nesse sentido aí, entendeu, meu irmão? Bacana, cara. Essa visão. Então, já entrando aí, você falou muito do dominar, você muito dessa imagem, se aproximar do domino, daquele que de fato domina, daquele do senhor. A gente quando fala muito de virtudes, a gente está falando muito desse domínio de si também. E até vinculado com o que você comentou da autonomia. Então a gente tem todo esse trabalho de formação, de forjar o caráter dos filhos. A gente quer que eles dominem isso, que eles adquiram essa autonomia, esse domínio de si e o domínio das coisas pelo domínio de si.
Porque só vai acontecer o verdadeiro domínio no sentido do domino, de dominar, Quando a gente está na virtude, buscando o bem, esse bem supremo, que é o próprio domino Pegando esse gancho, a gente falando de virtude A gente fala muito que tem que trabalhar a virtude, forjar o caráter Para você ter uma personalidade desenvolvida E a personalidade vai ser o caráter junto com o temperamento Temperamento é um assunto que o pessoal já está bem na moda Todo mundo fala um pouco de temperamento e tal Agora acho que você tem esse gancho, eu queria que você agora explorasse um pouco mais isso com a gente De ver a personalidade não nessa ótica só caráter e temperamento Mas ver com esses personagens, essas pessoas Que é o personagem, o crítico e o roteirista Cara, explica pra gente como é que é essa visão, como é que é cada pessoa dessa Na concepção de personalidade aí que você desenvolveu Tá.
Bom, então a introdução para o assunto é como eu falei, né? Eu sempre tive muita confiança naquilo que é duradouro na história da humanidade. Porque é óbvio que existem doenças de tempos específicos, existem características de tempos específicos, e quando a gente quer conhecer a substância das coisas, a ousia, ou seja, a terra onde acontece a vida humana, O que a gente tem que buscar? A gente tem que buscar conhecer a base onde todas essas pessoas aconteceram. Então não pode ter modismo, não pode ter coisa de época.
Então foi dentro dessa experiência que eu fui buscar isso. Eu fui buscar o que hoje a gente tem que é duradouro e que era assim que era entendido o mundo na época dos gregos, dos romanos. Você entende? Então, para mim, ficou muito nítido dentro do dia. Eu tenho várias tabelas que eu faço de coisas para estudo, sobretudo coisas cronológicas, e eu fui percebendo coisas que eram muito duradouras. Uma das coisas que a gente, por exemplo, não vai passar aqui e se aprofundar, mas que é extremamente caro ao ser humano, que inclusive é muito meu mundo, É o mundo da guerra, da luta, que é uma característica constituinte, ontológica do mundo, ou seja, ontos do ser e antropológica do homem.
É um pleonasmo não vicioso, mas um pleonasmo até educativo, que é próprio do homem à luta. E nos grandes períodos de paz do homem, inclusive, ele arrumou as suas lutas para sempre poder estar lutando. Um exemplo. as próprias Olimpíadas gregas. Não tenho o que combater, então eu preciso de um combate, ainda que seja artificial para eu lutar por alguma coisa. E você vê que a humanidade não foge disso. Mas aqui a gente pode se prender primeiro para a gente perceber o protagonismo efetivamente dos pais e até posicionar um pouco o temperamento melhor.
é a característica de como isso se desenrola. E se a gente olhar para a nossa vida diária, a vida semanal ou anual, a gente vai ver que é extremamente simples. Como eu falei para o pessoal, você vê, eu estou aqui de noite, numa quinta-feira, daqui a pouco eu vou fazer duas coisas. Eu vou fazer um exame de consciência e vou pensar no meu dia que passou. Aí eu falo, cara, hoje eu pensei em ter feito isso e fiz. Não fiz. Aí tá, vamos ver o que eu planejei, o que eu consegui.
Se eu não consegui, por que eu não consegui? Se eu consegui, por que eu consegui? Eu vou fazer isso hoje e logo depois disso. Eu vou dar uma planejada no dia de amanhã, que é o que me faz botar o horário do despertador certo, a hora que eu vou acordar, o que eu vou fazer, o café da manhã, minha família, você vê. As pessoas vivem assim, né? As pessoas vivem assim. E o que é isso para a gente se eu tivesse que dar nome para essas coisas de uma maneira simples, que todo mundo entendesse de maneira muito rápida?
Então você vê, Marcelo, uma das coisas que para mim é muito bom disso é que eu nunca atendi um paciente que não tivesse entendido isso, porque é extremamente... todo mundo conhece teatro, né? Então você vê, eu tenho uma pessoa que vive no futuro. Daqui a pouco ela vai entrar em campo, eu vou estar sentado e um Diego vai começar a viver o dia de amanhã. Ele vai começar a viver o dia de amanhã, o Diego vai acordar 5h30 da manhã, depois vai não sei o que lá, vai à missa, vai fazer educação física, vai tomar café com as crianças, não sei o que lá.
Estou planejando o meu dia, um roteiro de um mundo que há de vir. O Diego do futuro. Mas de onde eu tiro toda essa vida da futura que eu quero pela frente? Eu tiro de toda uma experiência do passado, não é assim? Por que eu vou tomar café preto amanhã? Porque eu já tomei ontem. Lá no passado, eu vou para criticar. Então, se eu tomei um cafezinho preto, depois que eu tomei, que ficou passado, eu vou lá, critico e faço um juízo. Se eu vejo perspectivas daquilo ser bom no futuro, eu repito, tomei um café, fiz um juízo.
Se eu falar assim, esse café aqui é uma merda, vai estar amanhã no meu roteiro? Não vai. Mas se eu falar assim, cara, que troço gostoso, vai estar no roteiro do mercado. Então essa crença, esse juízo que eu faço no passado, essa fé, Ela é o fundamento do mundo que há de vir, da esperança. É isso que vai entrar no roteiro. E aí eu chego amanhã de manhã e entrego esse roteiro para o meu... o ator, o personagem. Eu entrego para o personagem e falo assim, vai lá, Diego, tenta cumprir esse roteiro aí.
Aí ele vai tentar. No roteiro está escrito para ele ser paciente com as crianças. Aí o personagem... meio fraco, meio irascível, perde a paciência com as crianças. E tem uma diferençazinha aqui, do roteirista para o personagem. Eles têm que se alinhar melhor. Quando que a gente faz isso? A gente faz isso quando isso se torna passado. Ou seja, quando a gente bota de novo o crítico em campo para olhar o passado e ver se o café é gostoso, se o café não é gostoso. Então você vê, meu irmão, a gente não foge disso nunca.
Nós sempre, quando eu atendo as pessoas, quando eu estou com as pessoas, sempre senta diante de mim um roteirista, um personagem e um crítico. Aí você fala assim, e quando a pessoa chega para narrar a vida? Inclusive, essa é a origem da palavra narrar, né? Contar uma história que perpassa o tempo, ou seja, ela está contando a vida dessas três pessoas, que é feita através da consciência humana, que é a unidade das três pessoas, sabe? Então você vê, sempre aparece diante de mim uma dessas pessoas, o cara falando do futuro.
Ah Diego, eu preciso de ajuda, porque eu acho que eu vou perder o trabalho, não sei o que lá. Eu falo, ah beleza, você é um tom roteirista na minha frente. Ou então ela senta, aí ela fala assim, ah Diego, eu queria te falar assim, quando eu era adolescente, não sei o que lá, eu tive uma experiência muito ruim, aí eu, ah beleza, você é um tom crítico. Ou então ela senta e fala assim, eu estou me sentindo muito cansada, eu estou sem energia para conseguir cumprir meu roteiro.
Aí você fala assim, temos um personagem aí na nossa frente, você entende? Então, por que essas coisas são extremamente orientadoras para a nossa vida na educação e na criação dos filhos? Porque quando a gente olha para as crianças, Quando a gente olha para um bebezinho, por exemplo, ele faz roteiro da vida dele? Ele escolhe alguma coisa da vida dele futura? Não escolhe, pô. Ele critica a vida dele para dizer se ele está mamando na hora certa, se a posição que ele está dormindo, ele critica isso?
Não. Ele é um personagem de um roteirista escrito, um roteiro escrito pelos pais e de um juízo, de uma crítica feita pelos pais. Então, a personalidade humana, que é a vida dessas três pessoas, a personalidade de uma criança, ela é, sobretudo, duas pessoas nas mãos dos pais e uma na mão das crianças. E à medida que as crianças vão fazendo seus próprios juízos, e a gente vai deixando que elas vão criando seus próprios roteiros, e o personagem delas consegue fazer as coisas no mundo, consegue arrumar a cama dela com o personagem, sem que o pai dela bote a mão por cima da mão dela fazendo isso, é dar a vida, é entregando a vida para essas três pessoas das crianças, que a gente está dando autonomia para elas, ou seja, está fazendo com que elas se pareçam com o autor da vida, com o dominador, porque a gente está dando domínio ao ensiná-las a amarrar um cadarço, a fazer uma cama, você entende?
A entender as coisas da vida, a dar nome para as coisas, a olhar para o sol e dizer que sol é sol. Entendeu, meu irmão? Então o nosso papel é só esse. É só esse. É um papel de divindade e de autoria. E é por isso que a gente chama isso de autoridade paterna. E autoridade exercida o tanto quanto a gente aproximá-las do autor e da autoria, que a gente chama de autonomia, normalmente, no mundo da educação. Entende, meu irmão? É uma coisa que... vai ficando muito complexa, mas que dá para a gente entender de uma maneira simples se a gente olhar para o teatro, sabe?
E aí, a gente posicionando, a gente olhando para cada uma dessas pessoas, a gente percebe facilmente, e aqui é uma das partes que as pessoas mais gostam, Porque quando a gente olha para o personagem no mundo, aquele que toma o café e se transforma no café, a gente percebe que ele vai se temperando daquilo que a presença dele vai se envolvendo. Então, se eu fico na presença do chocolate, vou amando o chocolate, ou seja, deixando de ser Diego para ser chocolate, consumindo chocolate, o tempo de permanência diante dessa realidade é o quanto eu me tempero.
É por isso que eu vivo falando que quem tempera é o tempo. O tempo tempera. Então, toda a vida do personagem é a vida da temperança. A vida da temperança, a ciência da temperança, é uma ciência muito mais abrangente do que uma ciência interior a ela, que é a vida do personagem, que a gente chama de temperamento. Então eu vejo as pessoas dando um tamanho gigantesco para o temperamento, só que ele é uma parte interna de uma ciência maior da temperança, que é só do personagem.
Porque essa natureza e modo de operação do personagem, a natureza dele, a substância dele, é o amor. O amor em que sentido? No sentido de deixar de ser para fazer alguma coisa durar mais. O pai que entrega a vida para que a vida do filho dure mais. Eu que quando tomo café, deixo de ser um pouco Diego cansado para ter a energia do café. Eu morro um pouco para ser um pouco café. Isso também é o amor, o tal do amor eros. Entende? Isso a gente está falando só do personagem.
Mas quando eu olho para o crítico, aquele que vive do passado, aquele que já tomou café, aquele que já brigou, aquele que já bateu, aquele que já olhou, aquele que já ouviu, quando eu vou no passado, eu não vou mais por temperamento, que é do corpo, que é material, como as pessoas dizem. Eu vou lá. para conhecer juízos, para fazer juízos, para conhecer sentenças verdadeiras, para conhecer a parte de um bem central que a gente aprendeu a chamar de verdade. É isso que a gente vai fazer lá no passado.
É por isso, e essa crença do passado, essa fé... Eu tenho fé que o café de amanhã vai ser um café gostoso. É por isso que São Paulo dizia que a fé é o fundamento da esperança. Porque se eu acredito que o café vai ser gostoso, eu boto a minha esperança dele amanhã. Por isso que amanhã eu vou tomá-lo. A fé do crítico é o fundamento da esperança do roteirista. Esse cara lá do passado da fé, ele explica completamente, por exemplo, porque os hebreus chamavam fé de emuná, que era a mesma palavra que a gente conhece como verdade.
Porque é a mesma tradução. Não existe uma palavra para verdade no Antigo Testamento escrito em hebraico. É o mesmo fundamento. O que é fé? O que é crença? O que é verdade? O que é o juízo? É a mesma coisa. É a mesma coisa. Essa é a vida do crítico. E o roteirista? Eu tenho um cara que vive do amor, o personagem, um cara que vive da fé no passado, e o cara que vive do futuro vive de quê, pô? Ele vive da esperança. Essa é a natureza dele.
Ele espera coisas. Você entende? Então essas três virtudes que a gente aprendeu a chamar de teologais, por causa do ensinamento da religião, para o cara que não conhece religião e não pratica, podia tranquilamente ser chamada de ontologais. Porque elas estão presas no tempo. Ou ela podia ser chamada de virtudes antropologais. Porque eu estou falando isso tudo aqui sem ter vínculo nenhum com religião, pô. Eu estou falando aqui para as pessoas entenderem psicologicamente ou logicamente. Você entende? Então, dentro desse sentido, eu tenho essas três pessoas que vivem com essas três naturezas e a gente posiciona o temperamento dentro de uma coisa maior, que é a ciência da temperança.
Por que isso? Você viu, Marcelo, quando eu olho para a minha infância, eu não tenho dúvida nenhuma, nem as pessoas que me conheceram, de que eu era um fleumáticozão raiz. Então o pessoal acha que eu sou colérico. Por quê? Porque eu preciso ser assim lá, você entende? Para cumprir minha missão bem e dominar a minha realidade. Entendeu? Por que eu consigo fazer isso? Porque o temperamento é ultrapassado pela temperança, onde mora a nossa liberdade. Então as pessoas têm que entender que elas não devem ser escravas do temperamento, porque a nossa liberdade permite que a virtude da temperança transforme o temperamento.
Você entende isso que eu tô falando? Então se eu botar o frango 24 horas no molho do maracujá, ele vai se temperar de maracujá. E a gente vai falar assim, isso aqui é um frango com maracujá. Entendeu? Então isso pra gente é extremamente importante pra gente posicionar temperamento e temperança, tá? E aí você vê, né? Um personagem cuja natureza é o amor, o modo de operação correto dele é a temperança. O crítico cuja natureza é a fé que vive no passado, que acredita nas coisas, como é o crítico que faz o juízo sobre o café, o juízo sobre ter filho ou não ter, o que é o crítico funcionando perfeitamente?
é fazer um dos melhores juízos sobre a vida, ou seja, é sendo justo. Então, o modo de operação correto daquele cuja natureza é a justiça e a verdade é a justiça. E o roteirista que vive no futuro, cuja natureza é a esperança, como é que ele funciona bem? se o modo de operação do roteirista é olhar para o dia de amanhã e decidir qual vai ser o melhor dia para o Diego. Eu vou decidir na minha cabeça, eu vou decidir mentalmente qual é o melhor Diego para amanhã, sendo que o que é a arte de decidir bem, De acordo com o Santo Agostinho, São Gregório Magno, ela termina no ato de decisão mental.
A gente chama de virtude da prudência. Isso, inclusive, é a definição de Manuel de Santo Tomás de Aquino. O que é a prudência? A arte de decidir bem. Decidir é uma vida para o futuro. A gente decide na mente e depois o personagem vai para o mundo tentar cumprir, você percebe? Então essas virtudes que a gente chamou de teologais, elas são o centro da estrutura da personalidade humana e o modo de operação desse carrossel em volta desse eixo, que é o café, o chocolate, o filho, Deus, o meu trabalho, a minha esposa, essas coisas que aparecem no centro e onde essas três pessoas orbitam, O modo de operação correto são o que a gente aprendeu a chamar de virtudes cardiais.
E o que é a cardia? A cardia é um eixo. A cardia é um eixo em volta do qual as pessoas giram. E o que prende essas três pessoas nesse eixo central? As três forças humanas. A força iracível do crítico, a força volitiva do roteirista e a força desiderativa do personagem. Essas três forças, com essas três pessoas funcionando de maneira temperada, de maneira justa e de maneira prudente, são o que a gente aprendeu a chamar das quatro virtudes cardiais. Entende? Essa é a estrutura da personalidade humana.
Seja tomando café, seja praticando o mais alto ato contemplativo diante de Deus. Entende? Então a gente vai fazer as pessoas, nossos filhos funcionarem bem fazendo essas coisas. A gente vai olhar para o nosso filho se temperando no mundo. Você vê que legal as crianças, né? A gente consegue comer chocolate E por causa do nosso crítico e do nosso roteirista, que já existem e são experientes, a gente fala assim, eu não vou comer muito chocolate não, porque chocolate engorda. Então vejam, isso é um juízo, não é verdade, chocolate engorda.
Então se eu comer muito chocolate no futuro, eu vou engordar. Aí a gente consegue conter o personagem do palco, para ele não comer todo o chocolate. A criança não. Ela come todo o chocolate até passar mal. Não é assim? Essa pequenininha, né? Então se a gente... Ela aguenta segurar, né? A gente coloca lá o docinho e ela aguenta. Vai lá. Três anos. Vê se você consegue. Quatro anos. Tenta de novo. Coloca um. Se você não comer, coloca o outro, né? Senão, você perde um. Então, a gente já viu que desde pequeno, crianças têm que trabalhar isso daí.
Valeu, valeu. Perfeitamente, perfeitamente. E aí você vê, né? Uma criança, ela não sabe que chocolate engorda. Uma criança não sabe que chocolate engorda. Ela já viveu a vida, ela tem noção, se você não ensinar pra ela, olha, tá vendo aquela pessoa ali, o gordinho ali, caramba, pô, ele tá comendo muito, ou seja, ele tá destemperado, né? Filho, isso aí vai te fazer mal, isso é uma sentença, eu tô ajudando meu filho a criticar a vida, a entender as verdades da vida. Falo, filho, não come muito disso porque você vai passar mal.
Eu tô educando o roteirista dele, tá vendo? Eu tô balizando a vida futura, pô. É por isso que é uma puta de uma sacanagem quando tu vê uma criancinha gordona. Isso é uma puta de uma sacanagem. O que está acontecendo ali? Pais extremamente covardes que estão criando um personagem extremamente fraco. que vai fazer com que uma pessoa tenha juízos errados sobre a vida e que tenha roteiros extremamente ruins. Por quê? Porque é óbvio que ela vai sentir várias dificuldades na vida. Um pai que não ajuda o filho a cuidar dos dentes.
Eu falo isso para as crianças aqui. Eu falo, filho, se o seu dente ficar podre, cair, se ficar amarelão, feio, torto, Quando você crescer, você não vai querer sorrir, filho. Você vai sentir vergonha de sorrir. Você vai se transformar em uma pessoa triste. O que é isso? Ajudar o filho a ir criticando a vida e a ir entendendo os roteiros possíveis da vida. Aí o filho, ele já tem a força própria do personagem para fazer isso? Não tem. Aí o pai vai lá e é um auxílio para a força dele.
A gente fala que é um auxílio para a força de vontade, mas não é não. A força de vontade decide coisas mentalmente. Historicamente é assim, a força volitiva. Quando a gente ajuda um filho no mundo, pega a mão dele, faz a cama com ele, a gente está ajudando esse filho com a força desiderativa, que é a força do personagem, que é a vida da temperança, do temperamento, é uma coisa separada. Entende? Então existem, óbvio, técnicas muito próprias para fazer cada tipo de coisa. Aí você vê a maravilha do Colégio Monte Alto nesse sentido.
Você fala, cara, o que é quando o Colégio Monte Alto chama o pai lá para ter formação? Ou o próprio professor, o que é uma maravilha, um dos grandes tesouros para mim do colégio. O colégio forma os professores e forma os pais. O que a gente está fazendo? Eu não consigo ser o personagem. Eu não consigo ser o pai lá na casa dele. Eu não consigo. Eu não consigo ir lá na casa dele e ser paciente por ele. Eu não consigo ser o personagem dele. Só que eu consigo dar uma ajustadinha no juízo dele.
E eu consigo fazer o que a gente chama na preceptoria de plano de ação. Roteiros melhores para o filho dele dormir bem. Pô, seu filho tá chegando no colégio cansado, será que ele não tá dormindo tarde?" Eu falo, cara, os colégios fazem isso, e isso é uma maravilha gigantesca. Você vê, a gente auxilia os pais com essas duas pessoas, e obviamente quem tá no palco com o filho, no palco da vida, o professor vai poder ajudar o personagem, o filho, ali no colégio, e os pais dentro de casa, sabe?
Então você vê, as duas coisas têm que ser feitas de maneira conjunta. E... Porque as verdades, os juízos, eles têm que ir sendo unificados, né? Entre colégio e família. E as esperanças, os roteiros, né? Têm que ir sendo unificados entre colégio e família. Então, essa coisa de não, tanto faz. Tanto faz. Deixa ele lá, ele vai aprender as coisinhas no colégio, aqui em casa é diferente, é outra coisa. Ele falou, pô, ferrou, pô. É uma criança que não vai dominar a vida. Por que ela não vai dominar a vida?
Porque ela não tá entendendo nada da vida, pô. Porque no colégio tá certo fazer certo tipo de coisa, e em casa tá errado. No colégio tem que sentar pra comer com os amiguinhos, em casa pode sentar pra comer no sofá vendo televisão, entende? Aí fala, cara, o que que tá acontecendo? Qual que é a maravilha do Monte Alto nesse sentido. Ele pega e chama os pais para ajudar os pais com esse crítico e esse roteirista. Cara, isso é uma maravilha sem tamanho, pô. Isso é uma maravilha sem tamanho.
Isso é um dos maiores tesouros, cara, que nossos colégios têm, parceiro. Pô, que aula, hein, cara? Que aula, muito bom tudo o que você explicou aí Eu, cara, tenho várias anotações aqui, dúvidas que eu vou querer tirar contigo um pouquinho Talvez mais tarde pelo horário aí, talvez não dê tudo Mas deixa eu fazer uma pergunta que foi uma pergunta que fizeram também Na verdade eu vou fazer um comentário sobre o que você falou da última parte do colégio e da família. Interessante, nessa visão das pessoas, ver que, como você comentou, o crítico vai ter essa noção da fé, vai trazer essa dimensão da fé do que aconteceu.
E isso vai alimentar a esperança do roteirista. E se a gente nessas duas dimensões, digamos que a escola dê uma fé para a criança, dê um juízo para a criança e a família dá outro tipo de juízo, não tem como forjar uma esperança forte o suficiente para que o personagem tenha o amor verdadeiro para seguir aquilo. Ele não sabe o que esperar. Então meio que ele perde a noção do que esperar. Ele meio que... E aí? Eu vou fazer o que agora? Então é interessante, peguei esse gancho aí do que a pessoa fala.
Agora uma coisa que é interessante, que você falou do temperamento E essa importância da virtude da temperança, que quando a gente estuda e pega lá, sei lá, Josef Pieper, virtudes fundamentais, a temperança é a última. Quando a gente pega a ordem hierárquica das cardeais Prudência é a primeira, justiça e tal, e temperança. E você mostrou que a temperança, na verdade, é fundamental para a ação do personagem. Sem ela, o temperamento toma conta de tudo. Ele não temperou direito. Está mal temperado. Faltou maracujá nesse frango aí, pegando o teu exemplo.
Agora, a pergunta que eu faço é a seguinte. Você falou de justiça do crítico, Você falou da prudência do roteirista, da temperança do personagem, mas cadê a Fortaleza nisso tudo? A Fortaleza está aqui. Olha só. Vou desenhar, porque a gente sempre acredita naquela, né? Confia no desenho. Olha aqui. Vou botar o café no meio, que a galera sempre gosta quando eu falo do café. Olha aqui. Quando o café aparece na minha vida...
Então está aqui. Pessoal, viu o desenho? Tem três setinhas aqui. Quando o café aparece na minha frente e eu estou na presença dele, existe uma força que me empurra para ele. Essa é a força do personagem do balcão. A força da presença. O que eu diria se eu me sentisse atraído por ele? Que eu tenho vontade de tomar café ou desejo de tomar café? Desejo, né? Que é mais da presença, é mais irracional, né? Eu sinto desejo, tanto é que eu controlo o meu desejo com a vontade.
Eu sinto o desejo de tomar café, mas como eu estou com esofagite, a minha vontade me diz para não tomar. Então eu tenho essa força do personagem no mundo, a força desiderativa. A força do roteirista que escolhe o bem mental é a força volitiva. Eu não vou comer doce, decidi na minha cabeça, a força de vontade. Aí chega o personagem fraquinho, vê o doce, a torta de limão e a força desiderativa vence a força volitiva. Beleza, então eu tenho a força desiderativa do personagem, a força volitiva do roteirista que decide o bem futuro e o pobre do crítico que faz justiça.
Olha só aí. Essa é uma das paradas que também o pessoal gosta pra caraca, porque resolveu vários problemas históricos das faculdades humanas. Olha só. Platão na República dizia que existe uma força que o homem tem para lutar por justiça, que é a tal da ira, a faculdade irascível do homem. Então você vê, se eu quero tomar café, eu fiz um roteiro de tomar café, aqui, decidi com a minha mente, roteirista, força de vontade, botei na mesa, A minha força desiderativa quer tomá-lo, o personagem no palco.
Aí você chega e dá uma porrada no meu café e ele cai no chão. E o roteirista e o personagem não vão se encontrar, não vão se ajustar para ser um só. Só que eu tenho que fazer justiça, porque eu nasci para isso. E eu tenho uma força interior que olha agora para o passado e que quer ajustá-lo. Porque a força do crítico que vive no passado, que luta pela verdade, é essa força irascível. É por isso que qualquer homem que se tornar relativista e não tiver verdade, vira um bananão sem força irascível.
É o cara que olha o mendigo na rua com fome e fala assim... Eu sei lá, nunca pensei sobre isso. Eu falo, se aquilo não é injusto pra você, não vai ter uma força interior que vai te fazer dobrar ou ir na direção dele, ou carregá-lo, você entende? A gente vê o nosso filho fraco e uma força interior que fala assim, cara, eu tenho que ajudar o meu filho, pô. Porque a gente sabe a verdade, você entende? Então é injusto que ele esteja fraco. A força iracível é uma maravilha, né?
É uma maravilha. Você vê, até nos fundamentos da religião, que a gente vê Cristo, por exemplo, falando de paz, é bonito pra caramba quando ele entra no templo e ele vê uma injustiça, né? E ele fala que a casa do pai dele não é uma casa de oração. E ele é consumido pelo zelo, né? E o evangelista fala, o zelo pela tua casa me consome, né? Me consome de quê? De injustiça. E existe essa força irascível. Então nós temos três forças que vinculam as três pessoas nesse amor no meio, nesse café, ou nesse Deus, ou nesse filho, ou nessa esposa.
E a fortaleza são essas três forças funcionando perfeitamente. Uma força de vontade que decide o bem, uma força desiderativa que começa a desejar o bem, e uma força irascivel que luta pela justiça desse bem. Você entende? Essas três forças funcionando bem fazem com que esse carrossel das três pessoas girem perfeitamente em volta dos amores delas. Aí está a fortaleza, por isso que ela fecha como se fosse aqueles três eixos cardã, daqueles três pininhos de uma porta. Então a porta tem três feixos, onde entram três pinos, como se fossem as três virtudes cardiais, e as três forças da fortaleza que a prendem nesse pino e a porta gira certinho em volta daquele eixo.
Por isso, virtudes cardeais. Beleza, meu irmão, profundo aí. Excelente. Entendi sua explicação, cara. Estou só fazendo a análise aqui. O meu crítico está analisando aqui o equilíbrio dessas três forças e tal. Estou vendo aqui que eu preciso fazer uma justiça melhor, mas eu tenho esperança, cara. Eu vou conseguir um dia equilibrar bem essas três forças aí para ter a fortaleza verdadeira, cara. Muito bacana, muito bacana mesmo. Cara, nosso tempo está chegando ao fim, mas eu queria te fazer uma pergunta só a mais. No contexto bem da educação, porque como você comentou, a criança ela é só personagem, ela está ali aprendendo.
O bebezinho que nasce então é personagem puro, ele precisa totalmente de um roteirista, de um crítico que o ajude. Mas chega uma hora, voltando até o início do nosso papo aqui, que você falou do dominar, chega uma hora que ele vai ter que ter esse senso. Esse senso do crítico, essa pessoa do crítico agindo, essa pessoa do roteirista atuando. E chega uma hora que os pais têm que entender, conseguir desenvolver essas pessoas nos filhos. E às vezes pode parecer que um pai que quer ser muito roteirista ou um pai que quer ser muito crítico E ele continua nessa saga por um tempo e acaba que o filho não passa para o papel de dominar.
Pode acontecer um pouco de um confundimento, uma confusão dos pais. Eu queria que você falasse um pouquinho como é que você vê esse passo, essa etapa que o filho começa a adquirir de fato esse domínio, essa autonomia e começa a andar já com essas pessoas aí, cada uma na sua musculatura, mas vai chegar um momento que eles vão estar todos aí prontos para aquele toque. Meu irmão, o fato de ter conhecido algumas outras culturas, então eu morei uma época no Líbano, lá no Oriente Médio, um país muçulmano, uma época na África, com a Maria, com as crianças, em São Tomé e Príncipe e tal.
Então a gente viu algumas outras realidades que permitem com que as diferenças e as semelhanças das coisas deixem a gente até mais orientado em como está acontecendo a nossa vida. Então olha só, hoje acontece um fenômeno extremamente interessante com as nossas famílias nesse sentido, olha só. Passamos quase uma hora falando de uma estrutura de domínio. Eu quero que meus filhos dominem certas realidades. Floria, quantas pessoas você conhece que são nadadoras? Você precisa nadar diariamente?
Quantas pessoas você conhece que nadam? Raríssimo. Que não sabe nadar ou que sabe nadar? Que precisam da natação para dominar uma parte da vida. Pois é, cara. A criançada de geral entra na natação. Só que as pessoas vão passar a vida inteira numa família, ou deveriam. Numa casa, vão se alimentar. Vamos comer comida, vamos ter cama. Por que que a gente não ensina nossos filhos a dominar uma casa e bota nossos filhos para dominar o judô, o futebol, a natação, o inglês e o alemão?
Até hoje eu não sei por que que nego faz isso com as crianças, de verdade. Vou falar mais. Eu sei que isso é uma parada sinistra de falar para o pessoal, mas é porque é uma parada extremamente simples de perceber. Olha, a gente se tempera pela presença. É o tempo da presença que tempera. O tempo tempera. O crítico faz juízos e o roteirista tem esperança. Olha, se você pega seu filho e manda ele para esses lugares, quem é que vai ser o crítico do seu filho e o roteirista dele?
Vai ser você ou vai ser um estranho? Porque você quer que seu filho nade, só que ele não vai precisar disso para praticamente nada na vida dele. Por que seu filho não está aprendendo a fazer comida? Por que seu filho não tá aprendendo a controlar o próprio corpo dentro de casa? A ajudar o irmão? Porque ele vai precisar ajudar o filho. Cara, isso existe há pouquíssimo tempo na humanidade e a gente aqui tá sendo cobaia disso, pô. A gente não foi educado assim, pô. Como é que a gente tá educando nossos filhos assim?
A gente nem sabe no que vai dar isso. Aliás, a gente já sabe no que vai dar isso. vai dar em adultos que não sabem fazer nada dentro de casa, que não conseguem sustentar uma família. E aí precisa de empregado para tudo. Não consegue mais lavar a louça. Olha, olha que maravilha é o Rafael. Uma criança, cara, que domina completamente o ambiente que ela vive, cara. Que vai dominando as pequenas coisas que vão nos acompanhar a vida inteira. Os pais... pra fazer crianças fortes, com estima grande, verdadeira, confiantes, pô.
Aí fala, não, meu filho tem que ir pro futebol, pra luta, porque ele vai aprender a vencer lá e vai ganhar confiança. Não vai nada, pô. No judô só tem um campeão. Todos os outros vão perder, pô. mas é óbvio que assim eu não tô falando que não tem que fazer eu acredito que tem que fazer sim luta futebol a menina o balé e todos eles fazem aqui em casa aqui na sala ali embaixo comigo na rua, eu jogo bola com eles, eu faço luta com eles, minha esposa faz baile com eles, por quê?
Porque eu não tenho que só... Isso é o tecnicismo, o positivismo. O que é o tecnicismo? É eu só querer educar o personagem no palco. Então o personagem ele é extremamente técnico, ele fala inglês, ele nada pra caralho, ele luta judô. Só que o crítico dele e o roteirista dele é uma merda. A verdade que ele tem na cabeça é imoral e o roteiro de vida que ele tem na cabeça é de um animal. Você entende? Porque os pais abandonaram o crítico e o roteirista. Você está me entendendo?
Eu não estou demonizando essas coisas. Eu só estou falando o seguinte. A humanidade foi criada como? Se eu domino a vida dominando o sapato, se eu ganho a vida com o sapato, se assim que eu me santifico no dia a dia, que eu domino o mundo e aquilo é um serviço para as pessoas, como é que a humanidade aprendeu que o filho era educado? Aos pés do seu pai dominando aquilo que o pai dominava. Por quê? Porque ele não educava só o personagem no mundo. Ele educava o crítico e ele educava o roteirista.
A fé do pai dele era a fé dele e a esperança do pai dele era a esperança dele. Isso é uma beleza sem tamanho, pô. Aí você vê que coisa triste. Eu atendo um monte de pais que falam assim, ah, eu sinto minha consciência pesada porque eu não quero estar com o meu filho. Pô, sabe por que o pai não quer estar com o filho? Porque o pai não sabe o que fazer com o filho, pô. Pra você ver, uma das maiores alegrias da minha semana é falar assim pra Maria, sábado de manhã, mano...
Ô, amor, o que que você tem aí na nossa casa pra gente melhorar aqui? Aí ela fala assim, pô, eu acho que tem que melhorar lá a janela do banheiro. A vazão da água da pia tá baixa. Aí eu chamo as crianças, a gente vai lá, desmonta a pia. Faz um monte de coisa. Às vezes faz um monte de besteira, faz um monte de besteira, pô. Eu já quis trocar o laminado da casa, o piso da casa. Maria havia. Eu falo, cara, mas o importante não é ficar perfeito.
É que as crianças fiquem comigo, fazendo comigo, aprendendo a amar um lar, pô. Aprendendo a se doar dentro de casa. Você entende? É por isso que eu falo pro pessoal pra essas paradas. Não precisa, nego, ter dinheiro pra caraca, porque hoje a educação é cara, porque o filho tem que fazer um monte de coisa. Isso é mentira, pô. Isso é mentira. Entende? Então essas coisas, cara... É no meio desse ambiente, a gente não tem que ficar com criança sendo idiotão ou sendo criança. O sonho deles é ser como a gente.
É dominarem o mundo como a gente domina. Entende? Então, é óbvio que eles vão querer fazer as coisas junto com a gente. Eles vão querer. Eles vão querer aprender a lavar louça. Eles vão querer. Eles querem isso. As crianças querem. A gente não deixa fazer porque a gente acha que está atrapalhando. Mas é nessa hora que a gente pode ter várias conversas profundas, fazendo essas coisas. Aí fala, cara, se o pai amasse a casa dele, é porque os pais também não fazem isso, entende? Eles pagam para os outros fazerem as coisas ali dentro da casa deles.
Eles pagam. Flória, você percebe como as coisas começam a desandar? Porque o filho não vê o pai trabalhar. Quem trabalha são outras pessoas. Eu vejo, eu como filho, vejo meus pais, final de semana, divertir, se divertir. Cara, óbvio que o filho não sabe nada da vida. Ele não tem confiança. Ele vai pra rua e ele não sabe nada da vida. As crianças estão assim e os adultos estão assim também, pô. Os adultos estão assim, pô. Por quê? Porque já foram criados assim, com esses papinhos de...
Ah, não, eu passei por isso. Meu pai me botava pra capir na rua, fazer essas coisas. Eu não quero que meu filho passe por isso. Pois é, pô. Ele não vai passar por isso. Aí ele não sabe fazer nada na vida. Ponto. Ele é um técnico. Ele fala inglês. É, nada bem para caraca, só não precisa disso no dia a dia. Ele não precisa falar inglês com ninguém e nem nadar. Mais uma vez, eu sempre estudei línguas aqui. Sempre estudei línguas. Inglês, francês, espanhol, até o alfabeto árabe eu decorei lá quando eu estava no língua.
Não estou negando nada disso não. Eu só estou falando que isso tem que ser feito debaixo das asas dos seus pais, para que eles aprendam as verdadeiras verdades e as esperanças esperançosas dos pais, e não aquele pai que recebe o filho, que fala inglês para caraca, mas que odeia a fé dele, que é o que a gente vê. Um dia se surpreende na adolescência quando o nosso filho odeia os nossos amores. Que coisa triste para caramba, não é, Fábio? É, muito aprendizado hoje. Esse tom é da faculdade iracível tentando fazer justiça, entende?
É uma angústia mesmo de ver a dor das pessoas. Não é que eu estou querendo empurrar a água abaixo. Isso para as pessoas, não é? Eu estou tentando compartilhar uma angústia de ver Ficar tentando curar isso das pessoas, você entende? É uma angústia mesmo de ver o pessoal sofrendo assim, sem saber o que fazer, sabe? É isso, irmão. E a gente às vezes não se dá conta porque são tantos compromissos, o trabalho, a agenda que a gente tem que é cheia, etc. A gente começa a pensar em soluções que são aqueles quick fix.
Arruma isso aqui, põe lá, faz isso, faz aquilo e tal. E para de pensar no que é de fato essencial nessa tarefa toda, nessa educação toda que a gente quer dar. Para de estar na presença dos nossos filhos. na presença. É por isso que eu ouvi um chamando por aí de graça, né? Aqui devo a sua graça. Rafael deuarda a sua graça. A presença dele apareceu, né? A graça da paternidade, a graça da teologia, não é outra coisa senão a presença de um pai, pô. Ponto.
Ponto. O que é uma família cheia de graça verdadeira? É uma família que está presente ali. Ponto. Vai ficar ali presente. O que é que teu filho vai aprender? A ser como você. Ponto. Se você está tentando viver as virtudes, o seu filho vai se temperar desse molho de maracujá. Óbvio que vai. Se você se ajoelha sinceramente na frente de uma cruz pra dominar o mundo, ele vai tentar dominar o mundo assim pela tua presença. Entende? Que no final das contas é a grande alegria e virtude do personagem, né?
O personagem no palco. É isso, meu irmão. Boa. Passamos das dez aí. Cara, excelente. Eu ficaria aqui muito mais tempo, cara. Ficarei aqui horas e horas pra falar contigo. Tenho vários pontos aqui, depois eu vou te provocar, vou tirar mais dúvida contigo. Maravilha, meu irmão. Olha só. Tenho só alegria de estar com vocês e poder estar nesse ambiente, ainda que virtual, do Monte Alto, que é um amor pra todos nós. Eu agradeço muito você estar contribuindo para a formação dos nossos pais. Você é um cara agora ativo, ajudando a gente, ajudando as famílias a poderem melhorar, ajudando nossos professores.
nossos profissionais todos que estão aqui acompanhando a gente para poder trabalhar essas três pessoas aí, ajudar todas as famílias e no fim as crianças para que elas tenham esse... Cara, vou falar da fortaleza, porque foi o que mais me chamou a atenção. O equilíbrio da fortaleza das três forças, cara. Porque é esse equilíbrio aí para mim é o... É o Tiago da questão toda, cara. Trabalhar prudente a gente até consegue um pouquinho o intelecto, né? Agora a fortaleza aí que você colocou, do jeito que você colocou, pô...
Essa aí é sensacional, cara. Gostei muito aí mesmo. Depois se tu for gravar... deixar gravado, tu me avisa e aí tu compartilha comigo. Eu acho que dá para compartilhar, né? Quando eu gravo agora, que aí eu boto junto no feed do colégio e fica no meu também, se o pessoal for acessar. E se tu for deixar gravado aí? Eu vou deixar gravado. Até o pessoal perguntou. Pessoal, vou deixar gravado, tá? Então vai estar aí no perfil do colégio. Aí, Diego, vou procurar aqui como é que eu faço para compartilhar contigo.
Sou um pouco analfabeto ainda. Vou tentar aqui dar o meu melhor. Bom, só agradecer, Diego, a você por ter vindo aqui falar com a gente. Agradecer também todo mundo que está aí assistindo a gente, que a nossa audiência aí não caía. Mais de 100 pessoas acompanhando a gente, acho que bateu 120, sei lá. Foi excelente, excelente todo mundo acompanhando. Pessoal, quem gostou, curte, comenta, compartilha, divulga. Se fez bem pra vocês, fez bem pra mim. Vai fazer bem pra todo mundo. Então compartilha aí que vai ser...
Vai ser bom todo mundo aproveitar o conhecimento, a sabedoria do Diego E aí só um último lembrete A gente está com matrícula aberta Então quem tiver filho na idade, quem conhecer famílias que queiram ter essas três pessoas aí se desenvolvendo Vem conhecer o colégio, divulga para os amigos que a gente está com matrícula aberta E crescer essa família vai ser muito bom, beleza? Valeu, Diegão! Até breve, tchau tchau.