Amor, matrimônio & família
A Essência do Casamento - Com Marcelo Zanette
- a essência do casamento (o esse, a substância)
- a graça = presença
- o eu te recebo (o consentimento)
- as três pessoas (roteirista/personagem/crítico)
- a mudança substancial (a indissolubilidade)
- saudade = presença de uma ausência
- a submissão de roteiros (o roteiro maior do casamento)
- a alma esponsal (a solidão com a coisa amada)
- matéria e forma do sacramento do matrimônio
- a graça encarnada na anunciação
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 0:41.
“A ideia é a gente conversar, bater um papo aqui hoje, falar um pouco sobre o casamento, sobre o que importa no casamento.”
Trechos da aula
A graça é a presença, é a presença.
a indissolubilidade está no eu recebo.
O mistério da presença transforma a gente naquilo que a gente se coloca presente.
Saudade é a presença de uma ausência.
Transcrição completa
Vamos lá, gente. Agora vai dar certo. Mudei de lugar agora aqui. A internet é onde eu tava. Acho que não tava muito boa mesmo, não. Agora vai dar uma melhorada aqui. Vamos lá. Agora vai dar certo. O Reis já vai entrar aqui. Então eu vou falar agora com o Diogo Reis, porque agora eu vou gravar. Eu vou... Pra ficar gravado. Diogo Reis, Filhos. Trabalha na Marinha. Fuzileiro naval da Marinha. E é formado em Filosofia Clínica. E atende, enfim, muita gente aí. Ô Reis, eu só fiz uma breve apresentação porque vai ficar gravado agora.
É, era só pra galera chegar, pô. É, exatamente. Agora eu também mudei de lugar aqui e aí eu fui pro lado da internet. Agora vai funcionar isso aqui. Agora vai. Agora não tem como errar mais. Mas olha só, ô Reis. A ideia é a gente conversar, bater um papo aqui hoje, falar um pouco sobre o casamento, sobre o que importa no casamento. E eu queria que você falasse um pouquinho pra gente da sua experiência, dos seus estudos. Pra você, na sua cinematografia, do seu estudo do cinema, do nosso roteiro de vida, falar do nosso diretor, enfim.
Como você bem define. Fala-se um pouco do casamento. Tem até um amigo dessa época aí, o Maurício Férez, que estava fazendo as gaiatices aqui na live. Eu, quando era da escola naval, eu fiz escola naval de 2005 a 2008. Eu fiz escola naval. Nessa época aí, eu ia para os mosteiros beneditinos, junto com esses amigos aí. Eu lembro que uma vez a gente foi num mosteiro lá em Salvador, numa dessas viagens da escola naval e tal. E aí eu lembro que lá no mosteiro, eu perguntei para os monges lá.
Eu falei, olha, eu estou estudando sobre a matéria e a forma dos sacramentos. E eu queria que vocês me ajudassem a desvendar aqui, porque todo mundo que estuda esse tipo de coisa sabe que é um problemão a matéria e a forma do sacramento do matrimônio. Inclusive, durante a história, alguns papas tiveram que intervir sobre certas situações. Por exemplo, a partir do Conselho de Trento, que onde foi definido como dogma o matrimônio, A gente teve as discussões de, por exemplo, da consumação, se a consumação era necessária como essência do casamento, para a consumação do rito também.
E aí isso veio caminhando até a época do Papa Leão XIII, no século XIX, e ele falou, não, não necessita da consumação, utilizando até conceitos depois como o casamento josefino, onde não tem consumação, sabe? Então, você vê, desde muitos anos eu me preocupei com essa coisa, sabe, Zanetti? Só que efetivamente, quando... Eu estava falando isso até hoje com um amigo, né? Quando eu fui... Quando eu percebi essa coisa das três pessoas, que você estava falando do roteirista, do personagem e do crítico, cara, isso resolveu uma série de problemas para mim, né?
Isso que o Zanetti está falando, na verdade, é uma... Uma teoria da personalidade onde eu uso baseada no presente, no passado e no futuro, sabe? É uma coisa relativamente simples, né? Mas, Rosanete, quando eu separei a coisa do personagem, né? Que, por exemplo, eu faço um roteiro. Fiz um roteiro hoje de manhã de estar aqui contigo agora, né? E agora tem um personagem aqui no palco interpretando o roteiro que eu imaginei. Quando acabar a live, Eu vou olhar para trás, então o roteirista pensa no futuro, o personagem vive no presente aqui, na nossa presença.
Quando acabar a live eu vou olhar para o passado, vou olhar para trás e vou fazer juízos sobre a nossa live. Pô, foi boa? Pô, não falei o que eu queria falar. A internet estava ruim, a internet caía toda hora. E essa é a nossa vida psicológica. A estrutura da nossa personalidade é montada assim, em cima de uma estrutura da esperança do que há de vir. de uma presença amorosa, onde a gente se coloca presente e se transforma na própria dinâmica do amor, transforma-se o amador na coisa amada, onde eu coloco a minha presença e depois eu faço meus juízos, olhando para trás, falando sobre o amor que eu vivi e com essas verdades que eu olho para o passado, eu construo novamente o meu futuro, como dizia São Paulo, a fé, é o fundamento da esperança.
Então, se eu tomei Coca-Cola ontem e me fez bem, eu planejo Coca-Cola para amanhã também. É a dinâmica psicológica. Então, Ozanete, quando eu fui percebendo a força da presença, cara. E aí, entrando na coisa dos sacramentos aqui, né? A gente sempre fala muito de sacramento como o sinal visível de uma realidade invisível, né? Só que isso é sempre incompleto, porque o sacramental também é assim, a simbólica também é assim. Qual que é o grande diferencial do sacramento em si? É que no sacramento é uma realidade, visível que mostra o invisível, porém santifica, santifica.
E a santificação para a gente, a infusão da graça, e eu gosto sempre de frisar isso e falar isso para as pessoas, o que é a graça da igreja católica? A graça é a presença, é a presença. Você vê, eu acho sempre muito forte, muito grave, Quando a gente vê o relacionamento dos primeiros pais, de Adão e Eva com Deus, a primeira vez que eles esconder da presença, né? Que que cenário dramático pra humanidade. Dramático, triste, né? Deus se coloca presente, ou seja, a sua graça tá ali e o ser humano se esconde, né?
Que que a própria experiência da vergonha, né? Da gente não querer ser quem a gente é diante das pessoas assim, sabe? Então você vê, olha só, isso isso é uma coisa minha que Talvez daqui a algum tempo eu coloque pra frente sobre essa coisa do sacramento do matrimônio, mas olha só. Existe uma crônica interessante nos Evangelhos sobre a encarnação, a anunciação e a encarnação de Nosso Senhor. Porque quando o evangelista vai falar sobre Nosso Senhor, ele fala assim, e a vida de Jesus Cristo foi assim, né?
E como é que foi a história? Aí ele fala, Maria, sua mãe, desposada de José, concebeu pela graça do Espírito Santo. Eu falei, cara, olha, olha Eusanete, esse é o momento, a encarnação, né? A encarnação é o momento culminante da graça nesse mundo, né? Porque a graça se fez carne, finalmente, né? E Deus habitou entre os homens. Ele não nasceu ainda. Na verdade... apareceu a primeira vez como aquela luz da fecundação, né? Apareceu. Então, a graça tá toda, como dizia São Bernardo de Claraval, né? Tá toda rodeada por Maria, entende?
Então, como ele dizia, né? Que o ser humano não olha mais Deus nessa vida sem estar olhando o corpo e sangue da Virgem Maria, né? Porque a graça a tomou pra ela, tá? Esse é o momento. E o momento dessa narrativa, faz uma única questão, que é uma questão que eu não tenho dúvida que depois apareceu pra São Paulo, quando ele chama o sacramento do matrimônio de sacramento magno, né? O grande sacramento, ou seja, o grande sinal da graça aparece para o matrimônio, entende? Aparece para uma mulher que foi desposada, tá?
Essa é a primeira vez que a humanidade conhece essa plenitude da graça e está aí no forno, no prelo, a tentativa, depois dos quatro dogmas marianos, da tentativa dos dois próximos dogmas marianos, do quinto e do sexto, da co-redentora e da medianeira de todas as graças. Porque a gente realmente não conheceu nada da graça sacramental Entende? Eu vou sugerir daqui a algum tempo, o Papa não botou agora na litania da Virgem Maria, né? Quando a gente reza depois do terço, né? Eu vou sugerir daqui a algum tempo um mater matrimônio, entendeu?
Uma coisa dessas assim pra... Porque você vê, nesse momento, Rosanete, eu não tenho dúvidas que é nesse momento que o sacramento do matrimônio recebe a graça, o sacramento do matrimônio. Ele foi banhado pela graça no banho que a Virgem Maria recebe na concepção de Cristo, entende? Ali está infundida toda a graça, que é a graça de todos os sacramentos, é nosso Senhor, entende? Isso foi encarnado dentro do ventre dela nesse sentido. Então você vê, o sacramento do matrimônio, ele tem vários simbolismos. que, cara, pra mim ficou de uma maneira muito patente quando eu participei de um casamento lá no Líbano, né?
Ele tem uns cerimoniais diferentes do rito maronita lá, né, Zanetta? Então, você vê, a gente, dentro dos sete sacramentos, a gente tem os dois sacramentos de serviço à comunidade, né? Você vê, lá no Líbano, quando o noivo e a noiva se apresentam pra... para o consentimento, que é o próprio, que é, na verdade, é a forma, né? O consentimento é a forma do sacramento. A matéria são os corpos, né? Ou o pessoal também bota o consentimento. Só que aí entra a coisa das três pessoas, né?
Fica muito mais organizado para mim em perceber. O consentimento é uma decisão, né? A decisão é a vida do roteirista, né? Então eu tô aqui, ó. Antes da gente chegar aqui, Zanetti, eu tô planejando um roteiro de estar aqui contigo, tá? Bom, à noite eu estarei com o Zanetti, decidi. A arte de decidir bem é a virtude da prudência, né? Que é a vida do roteirista. Então essa vida cessa na decisão, entende? No consentimento. no consentimento. Então é cessada a vida da primeira pessoa. E Santo Agostinho dizia, ratificado por Santo Tomás de Aquino, que a virtude da prudência termina na decisão mental, apoiada pela vontade, que ainda é imaterial, e depois ela é consolidada na ordem que é cumprida no mundo por um corpo temperante ou temperado de uma pessoa que consegue cumprir a vontade mental, o que não acontece com muitas pessoas.
Eu quero ser fiel à minha esposa, decisão mental. Quando chega na hora do vamos ver, já está se engraçando para a garotinha do trabalho. Não é assim? Aí chega de noite, ele olha para trás, e vê um roteirista que não está junto com o seu personagem e ele sofre. A terceira pessoa, essa que faz o juízo, que olha para o passado, ela não encontra uma unidade na personalidade, sabe? Então você vê, o consentimento recebe essa decisão, uma decisão mental. Eu te recebo, Maria. Eu, Diego, te recebo, Maria, como minha esposa.
uma decisão mental que vai se encarnar dia após dia. E aqui, ó, se a live terminasse e a gente tivesse que consolidar onde está a essência, o esse, a substância do casamento, Zanetti, que todas as pessoas podem, acima de tudo, repeti-la dia após dia, dia após dia, quando quiserem renovar o seu casamento, eles têm que falar assim, ó, Eu recebo, eu te recebo. É traição, é mentira, é briga, é não sei o que lá. Ele tem que, o consentimento dele, a indissolubilidade está no eu recebo.
Porque receber é estar na presença, né? É essa presença. E nesse sentido, a infusão de todas as graças, o sim da Virgem Maria é esse, né? Eu te recebo. Ó Eterna Graça, ó Toda Graça, você entende? Quando eu falo isso pra minha esposa, é isso que eu tô falando pra ela. Eu te recebo, eu quero estar na sua presença. É a resposta que ela dá pro anjo, Gabriela. Faça-se místico na vossa vontade, eu recebo a sua vontade. Sim, eu recebo você. Você faz presente. É, e que é o que eu falo que é a coisa do roteirista, que é a coisa do corpo.
Se eu decidi mentalmente e eu botei a minha presença aqui pra minha esposa, Zanetti, e quem é casado, quem vive o seu relacionamento, quem deseja estar com a sua esposa, sabe que esse é o mistério da presença. O mistério da presença transforma a gente naquilo que a gente se coloca presente. Então o pessoal falar a sua esposa, ela fala com gíria de marinha. Pô, você tem o jeito da sua esposa falar agora. Mas é óbvio, a nossa presença transforma a gente um no outro, sabe? É nesse sentido que nosso Senhor, você vê, existe um apócrifo de um soldado romano, um soldado da época de Tibério César, que fala sobre nosso Senhor e a Virgem Maria, e chega uma hora que ele fala assim, e eles eram muito parecidos, né?
Tem até uma música do Padre Zezinho que ele fala assim, sorri como Jesus sorria, amar como Jesus amava, sentir como Jesus sentia. Cara, esse soldado é óbvio que que quando a gente olhava para Jesus Cristo, é óbvio que Deus se apaixonou pela Virgem Maria e teve o sorriso dela, o olhar dela, o jeito dela. É só a gente olhar para os nossos filhos, né? Como eles vão se transformando na gente pela presença, que é a graça, sabe? Então, se a gente tivesse que falar qual é o fundamento do consentimento, do matrimônio, da matéria, da forma, do sacramento, de toda a graça, é o eu recebo, você entende?
Eu recebo, você é minha esposa. Aí depois a gente continua tentando falar que isso é em todos os roteiros desse mundo, né? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o final da nossa vida, entende? É de qualquer jeito, eu te recebo. Aí você vê a coisa do ensacramento de serviço, só os dois. Você percebe a beleza. Eu, durante a minha adolescência, depois de ter lido a vida de São João Maria Vianney, por causa de umas pregações dele, eu sempre ficava lembrando que em todo instante nesse mundo, quando a gente fecha os olhos, Existe o sacramento de serviço do altar, que sempre vai ter um sacerdote oferecendo a presença de Cristo, o corpo de Cristo.
Enquanto a gente fala, algum sacerdote nesse mundo está oferecendo a experiência da graça, o corpo de Cristo. E ali vai todo tipo de pessoa receber. Amém. Que assim seja. O sacramento do matrimônio, que é do outro serviço, né? Que são os dois únicos sacramentos de serviço. Ele é sempre nesse mesmo sentido, né? Independente de quem vem na fila. O negro, o branco, o alto, o baixo, o chato pra cacete, o legalzinho, o flamenguista, o vascaíno, entende? Eu me entrego. E no sentido contrário, a gente, como a Virgem Maria.
Eu te recebo. É o fundamento que São Paulo falava do amor entre Cristo e a sua igreja. E nesse sentido você vê que a gente sempre confunde a Virgem Maria com a igreja. Ah, no Apocalipse está falando da Virgem Maria. Não, está falando da igreja. Quem é a mulher que foge para o deserto? É a Virgem Maria, é a igreja. É, tanto que a gente usa a expressão Igreja esposa de Cristo, enfim, a gente usa sempre para fazer alusões do feminino com a Igreja. A Igreja é o feminino, vamos dizer assim, de Deus, o lado feminino quase que de Deus.
Exagerando um pouquinho aqui, quase que ainda merezi. Mas é interessante, Reis, por isso que essa base filosófica, teológica, ela é fundamental para a gente ver a grandeza daquilo que a gente está fazendo. O meu dia a dia, muitas vezes, eu fiz questão de começar essa jornada com o Reis para trazer para a gente esse embasamento fantástico. Eu nunca tinha escutado, Olha, eu nunca tinha escutado sobre o início do sacramento, do matrimônio, como a encarnação de Cristo, em Maria, como você falou. Pra mim, eu fiquei assim, eu fiquei de boca aberta.
Caraca, é verdade. Eu nunca tinha feito essa leitura, eu nunca tinha feito, enfim, nem lido algo do tipo E faz todo sentido. Caraca, o cara é perfeito, é isso mesmo, né? É toda base Então é importante que as pessoas... A gente entenda, estude, reze, mais do que tudo, né? Porque muitas vezes essa aqui é uma compreensão que a gente pode fazer humanamente falando Mas a gente tem como... Enfim, pra gente transpor isso Repara, a grandeza que o reis trouxe pra gente, mostrando na encarnação de Cristo o que é o matrimônio.
Tal é a beleza dessa presença. Porque, repara, quando a gente está conversando aqui hoje eu e o reis, a gente está trazendo a presença de Deus aqui, a presença da graça pra todo mundo. Só que essa presença, essa graça, a gente não tem essa capacidade de absorvê-la integralmente A graça de Deus sobrepõe a qualquer explicação que a gente venha a dar Por mais maravilhosa que o rei trouxe pra gente aqui Mas ela é sempre muito pequena, perto do que é o sacramento do matrimônio São Tomás, quando ele terminou a Suma Teológica, terminou todo o trabalho dele e falou assim, ó, queima isso tudo que isso aqui não serve pra nada, porque isso aqui não é nada diante de Deus.
Isso aqui, ele deve ter ficado envergonhado na oração, na contemplação de Deus e aquilo que ele escreveu. E olha que é São Tomás. Não é pouca coisa, é a Suma Teológica, não é qualquer livrinho de dez páginas que ele escreve para tentar desvendar alguma coisa. E às vezes a gente quer simplificar o problema, problemas corriqueiros do dia a dia Que como muito bem falou o Reis aqui, eu te recebo, o recebo aqui é tudo O recebo resume todas as promessas ali do sacramento, é verdade Outro insight que você teve aqui, enfim, não aqui, que você já teve antes E que você encarou, é verdade, o recebo é resumo É interessante que às vezes você fala do Líbano, né?
Aqui no Brasil, do casamento no Líbano, tudo que você presenciou lá Aqui no Brasil, só que, enfim, não é por causa do rito É por causa de algumas invenções, né? Às vezes você vai num casamento que alguém inventa ali Só que aí as pessoas aumentam, né? Eu já vi isso Aumentam as promessas de patrimônio Não, eu prometo que eu vou ser paciente Eu prometo que eu vou não sei o quê Quando na verdade O resumo que o rei falou, se a gente sabe o poder do que é aquilo que a gente tá falando Tudo que tem por trás da palavra eu te recebo como minha esposa Carol, Carol é minha esposa, Carolina É resumo e tudo, eu não preciso, vamos dizer assim, destrinchar isso Porque não recebo, recebo tudo que vem Porque, repara, o que as pessoas mais reclamam é Depois, ah, mas eu não imaginei que a pessoa fosse ficar assim Ah, eu não imaginei que ela ia me tratar desse jeito.
Eu não imaginei que pudesse acontecer essa coisa. Mas, repara, quando a gente fala eu recebo, a gente recebe tudo. Recebe tudo. E aí, Ozanete, pegando esse gancho do recebo tudo, do CV, dando continuidade naquela narrativa lá, Você vê que o fato da Virgem Maria ter recebido a graça, ter recebido o Cristo, toda a graça, todo o sacramento, toda a graça sacramental está tudo ali. Você vê. Do lado dela tinha um homem que sabia que eles iriam enfrentar agora tudo que pode ser enfrentado de mais dramático na vida, né?
Porque ela poderia ser apedrejada, né? Não é isso? Ele ia ficar com uma fama, tá? Por causa do próprio rito judaico, que eles ainda estavam na fase de que eles não coabitavam, né? Tinha toda essa problemática, né? E aí você vê que é um drama de todo o matrimônio. São José estava lá e ele iria deixar a Virgem Maria e assumir toda a culpa. Ele ia fugir como culpado, São José o justo. Você vê, estava todo o drama ali, forjado, da vergonha, da morte, da humilhação, todo o drama.
E aí ele dorme, aparece um anjo para ele e fala, José, Não tenha medo de recebê-la. Não é assim que o anjo fala pra ele? Você fala, cara, esse é o drama de toda pessoa que vem com traição, com o problema, com a minha esposa é desse jeito, ela tá cheia de não sei o que lá, o jeito dela acaba comigo, no final das contas a gente só deveria falar isso pra ele, né? Meu amigo, não tenha medo de recebê-la, entende? Porque o consentimento e a presença dela vão gerar a terceira pessoa, que é a relação entre esses dois, que é o próprio Espírito Santo.
Eu gostei muito quando o D. Fulton Sheen escreve o livro sobre matrimônio e ele escreve como três para casar. Porque é realmente a graça sacramental, entende? Que é uma presença. É a coisa da presença. É muito importante que o pessoal realmente tenha como fundamento isso, né? Aconteça o que acontecer, tudo tem que ser resolvido com essa presença, né, Zane? Não, e é engraçado que as pessoas... Eu já... Todo mundo fala isso naturalmente. Você já reparou, Diogo? Quando a pessoa vai se separar, assim... Eu escuto isso todo dia.
A pessoa fala... Ela nunca fala que o... Que o problema é com o outro. Ela fala que o problema é com essa terceira pessoa. O amor acabou. Ela ataca, é impressionante, mas a pessoa tem que atacar necessariamente essa terceira pessoa No fundo, ela não quer acabar com o relacionamento que ela tem com a outra Mas ela quer acabar com o terceiro Ela quer acabar com a presença, ela quer acabar com o Espírito Santo, ela quer acabar com a graça É lá que ela quer atacar, ela não ataca a outra, ela usa como artifício a outra porque é chata, porque traiu, porque perturba, sei lá, mil e um motivos Mas pra dizer o quê?
Que o amor acabou, o amor, é ali que é atacado Porque ali que está a rocha firme e segura o casamento É esse amor, é essa graça E ali que é o casamento mesmo O casamento não sou eu, não é a Carol O casamento é isso É esse amor que nos une É a graça, o Espírito Santo, enfim A gente pode chamar de diversas coisas Mas essa terceira pessoa que fala do três pra casar Essa santíssima afinidade do casamento Enfim, isso pra mim é uma prova empírica a empírica do sacramento.
Onde eu vejo? Eu vejo palpável o sacramento. Estou tocando o sacramento agora. Eles estão querendo matar o sacramento. No fundo, eles estão querendo crucificar Cristo aqui de novo. Estamos crucificando Cristo de novo aqui. Matando ele aqui. Claro. E aí, meu amigo? Bom, uma outra questão da minha juventude foi tentar resolver uma outra coisa sobre os sacramentos, que era a questão de quais sacramentos geravam mudança substancial, ou seja, mudança pela essência. E aí vem uma coisa que deixa mais claro para a gente, mais palpável, a coisa da indissolubilidade do casamento, por causa de uma mudança substancial.
Então, olha só. O pessoal, por exemplo, não consegue visualizar... Vamos supor um exemplo mais fácil de tocar. O batismo. Qual é a diferença de uma pessoa batizada para uma não batizada? Se eu conheço pessoas batizadas que não tem nada de presença de Deus, e eu percebo pessoas não batizadas que possuem uma presença de Deus. Então, olha só, olha só. A minha esposa, ela já foi lá na minha casa quando a gente não era casado, ela foi na casa dos meus pais.
E aí, quando a minha esposa entrou lá, ela estava presente naquela casa, na minha vida, só que a estrutura da casa, o fundamento da casa, não possuía um cômodo substancial, ou seja, estrutural, onde fosse o cômodo da minha esposa. Você entende o que eu tô falando? Não tinha um quarto para ela lá. O quarto é uma estrutura da casa. Se você tirar todas as presenças, tudo da casa e deixar a casa vazia, tá lá. A estrutura substancial, onde tudo acontece, onde a vida acontece. A terra, tem uma sala, um quarto, outro quarto.
Então, a diferença de um cara, por exemplo, que é batizado, casa dele, a terra onde ele vive, quando a gente entra na casa dele, a casa dele tem um canto, tem um cômodo, que é uma capela, ainda que naquela capela não esteja Cristo presente, pela falta de um estado de graça. Em sentido contrário, eu posso entrar numa outra casa que não tem uma estrutura de uma capela, E Cristo tá presente lá. Qual que é a diferença? A diferença é que ele tá lá como visitante e não como um morador onde ele tem uma estrutura substancial que ele habita lá permanentemente, né?
Então você viu, Marcel, eu de vez em quando atendo umas pessoas que falam assim pra mim, pô cara, eu passo uns problemas aí que quando eu tenho relacionamento sexual com a minha esposa, eu lembro das outras mulheres que eu dormi. E a gente sabe que existem fortes estruturas de mudança pelo processo do amor num ato sexual, né? Por isso que a gente chama de caráter unitivo, né, Marcel? Exato. Aquilo vai impregnando a nossa presença, a nossa mente, tudo, tudo, tudo, tudo. Então o cara, ele vai dormir com a esposa dele, vai ter um relacionamento sexual, E ainda que eles estejam ali presentes, a mente dele está assolada por um fantasma que não é a mulher dele e ele sofre com isso.
Você entende? Eu vou te falar, eu sei que assim pelo... pelo que eles me contam. Eu falo, cara, vai ficar só entre nós dois aqui, né? Eu casei virgem com a minha esposa, eu e ela. Eu não consigo, pô, pensar. Não tem outra coisa em mim. Você entende? Não tem outra estrutura em mim de outra mulher que tenha cheiro ou tenha... Porque eu não fui invadido por essa outra presença, onde a minha presença se transformou. Entende, Marcelo? E aí tá a coisa do que a gente chama, a grosso modo, de saudade, né?
Porque você vê, a saudade não é uma ausência. Ausência é ausência. Saudade é a presença de uma ausência. Porque a minha esposa não tá em casa, mas se eu for lá no quarto, a cama diz pra mim que uma outra pessoa mora aqui substancialmente. substancialmente. Essa é a entrada no castelo interior de Santa Tereza, né? Você chegou na sala e tem uma fotografia de uma pessoa, uma lembrança de casamento dela, uma coisa que ela gosta, e você vai conhecendo aquela pessoa, ainda que distante, pelas pequenas presenças que apontam para ela.
E a gente vai entrando no interior do castelo até... Na verdade, a gente não entra na casa de ninguém e vai no quarto, né? A gente espera a pessoa, e é por isso que Santa Teresa d'Ávila diz que nós não entraremos na adega, nós esperaremos a pessoa vir se apresentar até nós, entende? Então eu me lembro de quando eu cheguei na casa da minha esposa a primeira vez e eu sentei na sala para esperá-la, e tava o quadro dela pequenininha, eu falei, caramba, minha esposa pequena.
Você entende? Os pequenos detalhes da presença que vão me apaixonando por ela e eu vou desejando entrar no interior dessa casa pra encontrá-la e um dia eu vou tirá-la dali pra um lugar substancial onde vai ter a estrutura dela. E às vezes as pessoas morrem, Marcelo, e elas têm que mudar de casa. Tamanho é o fundamento da mudança substancial do sacramento do matrimônio. Então, é por isso que ele não é indissolúvel porque as pessoas acham... Ele é indissolúvel estruturalmente no ser humano. Ele é uma mudança da nossa terra.
Sabe? Entende? E isso não é coisa de... A gente tá vendo aqui fenomenologicamente como isso acontece no dia a dia. E é assim. Eu tô dando um exemplo simples, né? De ver uma fotografia. Quando tu chega em casa, Marcelo, olha aqui. A gente chega em casa, né? Aí tu fala assim, caraca, minha esposa não tá aqui. Então, meu amigo, eu já largo logo a túnica que o índio não tem que largar se ela tivesse, entendeu? Você vê como essa coisa da presença e da ausência... Aí eu falo, caramba, mas eu não sou solteiro.
Aqui, aqui, e aí tá a saudade da minha esposa, né? Tem uma presença de uma ausência, porque estão ali as coisinhas dela, ela tá aqui estruturalmente. Então eu vivo, eu vivo como essa união de carne, substancial. É um roteirista que planeja a vida agora com o olhar dela. Então eu pego a túnica e levo pro quarto. Porque a minha esposa mora aqui. Pô, isso é uma maravilha, cara. Jéssica Artaud dizia, né, cara, é isso que salva a gente, né? Isso salva a gente, sabe? Essa ausência de uma presença ou a presença de uma ausência, né?
Deixa a gente de ser vagabundo, né? Eu lembro quando eu morava sozinho, falei, cara, ficava tudo jogado, pô. Quando eu fosse pela presença da esposa... Eu falo isso com as mulheres, olha, você tem que se fazer presente na vida do seu marido. Ah, meu marido é grosso. Ele é grosso porque você tá se fazendo um pouco presente na vida dele. Eu te recebo, grossão. Seja menos grosso, seja menos ruim. Desleixado, largado. E a mulher tem essa capacidade. Sim, claro Simplesmente por ser a esposa dele, você tem essa capacidade, você tem essa vocação Você tem esse chamado pra fazer isso, você tem a graça pra fazer isso, você pode fazer isso E é muito legal, Henrique, você vai falando, quando você vai colocando esse exemplo da casa, das moradas Santa Tereza Um dos conselhos que eu dou pro pessoal que passa por uma crise muito forte no casamento É mudar um pouco até, às vezes, mudar de casa Exatamente pra essa marca da presença de...
A gente reconstrua inclusive isso, né? A gente tem uma reconstrução completa Mas é muito interessante reparar como a gente... Às vezes a gente... Quando eu dou um curso pra casais A primeira coisa que eu gosto de lembrar pro pessoal E às vezes eu falo, puxa gente, às vezes eu tenho que falar meio que o óbvio, né? Mas é lembrar que o ser humano, a pessoa humana Ela não é um cavalo e ela também não é um anjo Por quê? Porque às vezes a gente Ou a gente cai em duas tentações, dois extremos Da gente olhar o casamento simplesmente como uma coisa material Como a união de um homem e uma mulher E ficar preso nas coisinhas do dia a dia, porque você fez isso, você não fez aquilo Você deixou de fazer isso, deixou de fazer aquilo E ficar preso nas coisas materiais como se fosse a coisa mais importante do mundo E esquecer da presença da pessoa, do vínculo muito maior que vocês têm, enfim Ou no outro extremo, pra achar, e aí acontece mais com as pessoas que têm uma vivência religiosa, de achar que o casamento é simplesmente uma questão espiritual e abandona as questões materiais.
Então, a pessoa vira desleixada, não dá atenção, sabe? Eu tô casado, puxa vida, eu tenho um sacramento no matrimônio, e aí a mulher se anda de qualquer jeito, o homem para de dar atenção pra mulher, enfim, os filhos ficam largados. Então, o homem, ele necessita O homem é feito de corpo e alma. Ele não é só corpo e ele não é só alma espiritualizada. Ele não é. Ele é corpo e alma. Então todos os elementos são fundamentais. Não é uma coisa que às vezes... Ah, mas isso aí é bobagem.
Às vezes eu vejo isso, sei lá, a vida do rei ele é muito atribulado, enfim Até em casa, às vezes ligam pra ele que deu um problema na rua Alguém caiu de moto lá, deu ruim E aí ele tem que correr atrás, enfim, às vezes tem que estar no quartel fim de semana Mas a preocupação, por exemplo, que o rei tem em ter momentos com a família Ele tem que estar presente com os filhos, com a esposa, e isso não é uma futilidade Eu vejo ele fazendo arte marcial com as crianças, às vezes ali, ensinando jiu-jitsu Isso não é uma futilidade.
Se der, eu brinco com as crianças aqui Se não der, eu não brinco Se der, eu converso com a Maria Se não der, não é uma coisa fútil, não é uma bobagem É uma coisa fundamental Para o casamento, é uma coisa essencial Isso faz parte da essência do casamento Também, isso faz parte do sacramento do matrimônio Porque nós somos feitos de corpo e alma E isso tem que estar, vamos dizer assim, entranhado E a gente tem que... É que eu falo com os casais, a gente tem que aprender A gente faz todo dia uma oração mental, onde no fundo a gente contempla um pouco a Deus.
Mas eu diria que no casamento é parecido. Eu diria que a gente tem que todo dia contemplar a esposa e a esposa contemplar o marido. Fazer uma espécie de oração mental diante da esposa. Até falo com os caras às vezes. Pega uma foto. a sua esposa, vocês dois juntos, e tira uns 10 minutos e contemple aquela foto. Contemple a... Enfim, quando o rei chegou na casa dela e contemplou, a foto dela menina. Olha, ela era criança, ela era um... E ele tava contemplando, olha que beleza, como é que ela era linda.
E provavelmente imaginou os filhos, né? Caramba, as nossas filhas devem se parecer no futuro com a Mariá desse jeito aqui, né? E ele já começou a sonhar, já começou a... No fundo, fazer presente já a vida matrimonial dele E isso é fundamental, sabe? Isso, na verdade, vai curando muitos problemas matrimoniais É simplesmente esse entendimento Eu acho que se as pessoas assistissem essa live, enfim Esse Conselho de Brilhantes que o Regi nos apresentou aqui Aqui tá a resposta de todos os problemas, tá tudo aqui Na presença, no recebo, tá tudo aqui É a essência da coisa, né?
E a gente vai desenvolvendo, mas no final das contas, todo desenvolvimento é para aperfeiçoar essa presença, né? Exato. Essa é realmente a essência da coisa, né? Exatamente isso. Então, o que nos cabe agora, diante de tudo isso, eu diria, é essa contemplação. Diante da beleza de Deus, diante da grandeza de Deus, não me cabe mais nada. Eu não posso complementar a beleza dEle. Me cabe contemplar. E é isso que nos cabe. É a gente parar e olhar e falar assim, caramba, isso é maravilhoso. E às vezes não tem palavra, né?
O que eu vou falar diante da maravilha do amor, do meu amor conjugal? Não sei. Não tenho palavra pra... Tanto que tem aquela passagem da vida de São José Maria, que quando aparecia, ia todo dia aquela pessoa lá que balançava aquelas latas e olhava para o sacrário e ia embora todo dia. E aí uma vez, São José Maria, na época o padre de José Maria perguntou, curioso, né? Mas o que você fala? É tão rápido, você já sai aqui, o que você fala? Sou eu, João Leiteiro.
E diante de Deus, da grandeza de Deus, olha... Não sou eu o marido da Carol, se você não tem mais nada pra dizer aqui. Diante da grandeza de Deus, nos basta contemplar. E no fundo, ele contemplava Deus e dizia simplesmente o que ele era. Ali, na verdade, ele dizia tudo dele, né? Os vão, os leiteiros vão, moquinho, aquilo que eu sou e a minha profissão, moquinho, o leiteiro, dizer tudo. Então, diante de Deus, no fundo, no fundo, e diante da maravilha do matrimônio, acho que nos cabe aprender a contemplar Ele, né?
Sim. E aí, Ozanete, é óbvio, né? Essa presença tem seus aperfeiçoamentos, né? E aí, como eu estava falando, né? Então, dentro dessa dinâmica da nossa personalidade, dessas três pessoas, é óbvio que a presença tem a sua carga e a sua gravidade. Em que sentido, né? Em que sentido? Bom, Eu estou falando de três pessoas para a gente compreender a carga que a gente dá para certas presenças. Por exemplo, eu posso estar aqui na minha mesa de jantar ou diante da minha esposa, junto aqui no mesmo ambiente, presente.
Só que essa presença, dentro dessa estrutura que eu falei algumas vezes, é a segunda pessoa, o personagem. Só que tem o primeiro personagem, que é um roteirista, E tem a terceira pessoa que é um crítico, ou seja, que ele precisa de uma atenção sobre o que está acontecendo para que ele faça suas avaliações e seus juízos. Então, por exemplo, Eu posso pegar aqui e tomar um café desatento e nunca mais pensar nesse café e estive presente, pensei no café, não é isso? Só que eu posso planejar estar aqui, fazer um roteiro para estar aqui e estar aqui presente e atento ao café.
prová-lo e fazer um juízo sobre ele. Esse café aqui é quentinho, tá gostoso, tá amargo? Ih, botaram uma adoçante, né? Então eu chamo isso de uma presença atenta e consciente, que agora é desenvolvendo a estrutura que a gente começou falando da presença do eu te recebo, né? Então você vê, Dentro disso aí, e obviamente eu trato separadamente cada uma dessas três pessoas nos seus modos terapêuticos, por exemplo. Porque, por exemplo, a gente que é casado, a gente sabe que existe um roteirista da vida do Diego.
Só que a união das carnes é a união das pessoas. Então, existe um roteirista do casamento ao qual o meu roteiro está subordinado. Então, eu não posso aqui agora, e porra, meu amigo, sair lá na rua gritando Richardson, ir para o boteco, me embebedar e chegar aqui amanhã de manhã, entendeu? Fazendo a dança do pombo, igual o Richardson. Não posso. Porque dentro desse meu roteiro, que é um roteiro maravilhoso, esse do pombo, que eu gostaria de fazer, existe o roteiro do casamento. Você entende? Então, isso é um outro tipo de presença.
É uma presença de futuro, uma presença mental, de pensamento. Uma presença que contempla. Então... Eu faço esse roteiro da minha vida com a minha esposa, a gente conversa juntos E a terceira pessoa é essa que faz os juízos Então a gente senta aqui e a gente fala sobre o nosso filho, sobre a nossa vida, sobre a louça, sobre o armário da sala, sobre como é que vai ficar a parede ali E a gente combina nossos roteiros e faz os nossos juízos Então a gente está exercitando a plenitude da presença das três pessoas.
Uma presença que planeja futuros e que, vivendo e encarnando esses futuros no dia a dia, olham para trás e fazem juízos. para ver a diferença entre roteiristas, personagens e aperfeiçoá-los, para unificá-los. Você entende como é que eu vou tratando dessa... Porque as coisas têm que andar aí equilibradas. As três pessoas têm que andar aí equilibradas. Justamente. Justamente porque nós somos corpo, uma parte material e uma parte imaterial. Segundo o dogma antropológico, um corpo material com uma alma espiritual. Mas a interseção dos dois pode ser encarada no sentido que São Paulo usa, de soma, psique e luz.
Corpo, alma e espírito, por causa da interseção. Então essas três pessoas, entende? Uma que é totalmente material, é o personagem no palco, que se tiver fedorento, Ferrou, pô. Entendeu? Se tiver fedorento, não tem roteiro que sustente, pô. Entendeu? Como é que eu vou planejar? Para pra pensar. Tu chegou fedorento do quartel, cara. Tu acha que tua esposa tá doida pra ir contigo pro quarto, pra um chamego, pô. Entendeu? Já acabou. Mas é interessante isso, porque, na verdade, quando você casa, você tem um segundo roteiro, como você falou, né?
Tem um roteiro que submete ao seu roteiro, né? Tem um roteiro maior, né? E a pessoa, quando ela toma consciência disso, cara... Quando ela toma consciência disso, cara, isso é um alívio gigante, Marcelo. Porque isso dá um ordenamento, né? Cara, isso é uma maravilha, inclusive, pra educação dos filhos. Você chega assim pra tua esposa e fala, amor... Vem cá, já pensou alguma coisa pro fim de semana? Ou então o teu filho faz alguma coisa? Aí tu fala, cara, eu não vivo sozinho, né? Pô, sábio o pai que faz aquela pergunta cabal, né?
Você já falou com a mamãe? Falou, pô, isso é um homem sábio, né? O que sua mãe disse? Pô, tu vai chegar e vai falar assim, pode fazer. É, tu fala, pode fazer e aparece tua esposa fuzilada e tu fala assim, Putz, cara. Perdi o namoro de hoje. Já era. Mas isso é fundamental. E as pessoas não têm essa noção. de uma submissão de roteiros quando casa, né? Você, meu amigo, quando você casa, o seu roteiro agora é submisso, é o roteiro de um filme maior.
Agora deixou de ser um ato, um ato único, que só tinha você, o monólogo, e agora você faz parte de um roteiro de um filme muito mais amplo. Que o diretor não é você mais. Tem uma piada meme lá do Qatar que diz isso. Não sei se você já viu, né? Que fala que no Qatar as mulheres tem que pedir autorização pros homens pra ir pro estádio. Aqui no Brasil é o contrário. Os homens tem que pedir autorização pra mulher pra ir pra estádio. Então é isso, né?
Enfim, a gente tem um roteiro maior aqui que a gente tem que seguir No fundo, nos dá muita tranquilidade mesmo, né? Aquilo que você falou aí, quando você entende isso e se você casa, já pensa dessa forma, tudo facilita ainda muito mais Isso dá uma serenidade muito grande, né? Porque é igual a gente me pergunta, Marcelo, você quer ir no fim de semana fazer tal coisa? É uma tranquilidade enorme. Aí eu falei, pera um minutinho, deixa eu ver se eu quero. Carol, eu quero, eu não sei o que no fim de semana.
Ela, não. Olha, eu não quero. Aí eu falo, pô cara, isso aí não é pra mim não, pô. Eu não quero. A minha esposa lembrou que eu não quero. Isso traz uma tranquilidade enorme também. Essa submissão, que essa é a verdadeira liberdade, né, o Reis? Porque a ideia que as pessoas têm é que se submeter a esse outro roteiro é perder a liberdade. Eu tô deixando ser livre. Na verdade, não. É o momento que eu tô sendo mais livre. Porque eu submeto a fonte de toda a minha liberdade e foi quando eu te recebo Eu submeto aquela vontade que eu assumi eterna E ali eu faço ela presente no uso da minha liberdade atrelada a esse roteiro maior Então a ideia é o contrário É o contrário.
Toda vez que a gente tem esses roupantes de falsas liberdades, na verdade está se escravizando. Você pode ter certeza que o egoísmo, o orgulho ali, que começou a afetar, estamos escravos dele. Enfim, e que são os maiores inimigos do casamento. O orgulho e o egoísmo, de longe, são os maiores inimigos. E você viu, Marcelo, muitas das vezes, Não são nem por coisas que aparentemente já em si são tão degradantes Porque você vê, quando a gente vai buscando melhorar as coisas É óbvio que primeiro a gente deixa coisas degradantes Tipo, o cara tá começando ali uma vida espiritual, ou até a vida de um relacionamento.
Aí ele começa, ah, eu tenho que começar um relacionamento? Eu tô deixando coisas degradantes. Outras mulheres, bebida, o cara quer ser sério, deixa coisas degradantes, você vê. Mas depois de um tempo... A verdade é que a gente tá deixando... A gente começa a deixar os nossos amores, né? Não são mais vícios nem imperfeições, né? A gente deixa amores por um amor maior, né? Você vê, isso é muito bem simbolizado, assim, né? Pô, quando eu casei com a Maria, como eu falei, né? Pô, casei virgem ali e tava querendo, entendeu?
Pô, vamos casar. Aí, pô, vamos logo pra lua de mel, entendeu? E aí, eu me recordo, cara, que... Eu falei, cara, eu chamei simplesmente as pessoas que eu mais amava, meus grandes amores, para participarem daquilo ali. Quando deu uma meia-noite pouca durante a festa, eu lembro, eu encostei no Mariá e falei assim, pô, meu amigo, deixa a geral aí comendo essas paradas e vão meter o pé, pô, entendeu? Tipo assim, eu não tô deixando vício não, entendeu, Marcelo? Eu não tô deixando pessoa que eu não conheço ou nada de ruim, pô.
Eu tô deixando amores. para ficar com a minha esposa, para ter realmente essa união, que é uma coisa que só a solidão entre os dois dá. Você vê, olha essa coisa da responsabilidade de quando a gente está sozinho com a coisa. O meu filho, você vê, O seu filho dormiu, aí ele deixou o carrinho na sala. O carrinho é o carrinho que ele tem prazer com, ou seja, ele brinca com o carrinho. Ele brinca com o carrinho. Se eu assumo a responsabilidade dele de ele ter prazer com o carrinho, só que na hora do sacrifício de pegar o carrinho para guardar, se eu faço isso para ele, Eu chego aqui, aí no dia seguinte, ele fala assim, cara, o carrinho é só pra eu ter prazer, né?
Então ele larga o carrinho em qualquer lugar, ele não tá nem aí, ou seja, ele não assume a responsabilidade do carrinho, porque ele sabe que tem outras pessoas que quando ele vão dormir, tem intimidade com o carrinho. Entendeu? Que metem a mão no carrinho dele. Então ele perde a responsabilidade. E é assim. É assim, Ozanete. Quando a gente vê uma coisa que ninguém mete a mão e só a gente, é essa solidão com uma coisa que gera a experiência que a gente chama de alma esponsal.
Ou seja, eu sou todo para o meu amado e o meu amado é todo para mim, né? Como no Cântico dos Cânticos, a sua Amita fala, né? falando para o amor dela, né? Então é somente essa solidão em um local que você percebe que nenhuma outra pessoa coloca a mão ali que você gera essa alma esponsal no sentido da própria palavra de responsabilidade, sabe? De réis esponsa, né? Ou de responder, né? Que é uma coisa de esposo, sabe? Cara, isso dá um sentido pra nossa vida?
Porque você tem aquela percepção... de que se você não fizer no mundo, ninguém vai mais fazer. Você entende? Então passa a ter um grande sentido pra nossa vida doar a vida por aquilo ali, se sacrificar. Então o meu filho, se ele sabe que o carrinho tá ali e ninguém assume a responsabilidade por ele, ele vai aprender que pra ele ter prazer com o carrinho, ele vai precisar se sacrificar pelo carrinho, porque o carrinho é só dele. Você entende essa experiência? Eu tô falando do carrinho pra ela ficar mais palpável pra gente e pras pessoas compreenderem essa coisa de deixar os outros amores, ainda que a gente tenha que, na prática, deixar nossos filhos, né?
pra que a gente possa sair pra jantar com a esposa, fazer um programinha e tal, ir no cinema. Entende? O pessoal acha que isso é pouca coisa, né? Mas isso gera uma experiência interior, quer você saiba falar dela ou não, é assim. A experiência do mundo real, da responsabilidade, ela é assim. Ela é uma experiência esponsal, de solidão. Sabe? De eu sou todo pra aquilo e aquilo é tudo pra mim. Entende? É perfeito mesmo, porque... Enfim, isso a gente consegue... Enfim, explica tudo o que... O que é que o marido e mulher...
Um tem que ser prioridade na vida do outro. Um pro outro. E a gente tem que abandonar todos os outros amores. Puxa vida, mas eu vou ter que abandonar isso que eu gosto tanto? Eu vou ter que deixar aquilo que eu gosto... Olha, ela ali se torna... Vamos dizer assim, o túnel de... Tudo está ali e tudo vale a pena nela ou nele, enfim, dependendo da coisa Enfim, ali está a resposta também Está a resposta da sua vida, se for esse o seu caminho E aí está o sentido da vida É interessante, o que eu mais escuto Tá quente aí, né?
Eu começo a fazer umas paradas com a mão aqui e começa a suar, entendeu? É, até o comanf fica com calor, tá vendo? Mas eu me perdi aqui. Marido e mulher, eles... Começa a fazer sentido esse abandono de todo o resto Porque na verdade ele vai assumir, vai receber A única coisa que importa na vida dele, eu lembrei É a questão do sentido da vida Porque a maior parte das pessoas, e esses aí são os que você recebe mais A minha vida não tem sentido A gente vive hoje uma epidemia de suicídio Uma epidemia de falta de sentido de vida E as pessoas, porque na verdade elas não assumem verdadeiramente Esse sinal do matrimônio, esse recebo.
Uma responsabilidade, né? Exato. Cara, isso aqui é meu. Isso aqui vai... E vai dar um grande sentido pra vida dele, né? E ele de vez em quando percebe que... Ele percebe... Eu, durante um período da minha vida, Marcelo, que... Eu rezava a liturgia das horas e na oração das completas, existe aquela oração que a gente remonta as palavras do profeta Simeão quando ele fala, e agora meus olhos podem dormir em paz porque viram a vossa salvação. A experiência que as pessoas têm que entender é realmente essa.
Eu tenho certeza, por exemplo, que você conhece às vezes a experiência de estar sentado, isso acontece muito comigo. Eu olho minha esposa, olho as crianças, E a gente não sabe exatamente que é isso que a gente está falando, que a gente está falando as completas. E agora meus olhos podem descansar em paz. Eu posso descansar em paz porque meus olhos viram a salvação. Mas se tu fala assim, cara, a minha vida vale a pena. Como quem fala assim, cara, se fosse isso, se fosse isso aqui, eu teria vivido a maior aventura da minha vida.
Eu nasci para isso. Que é a coisa mesmo, é o cheiro, é o toque da vocação, né? Cara, tu brincando de parada mongoloide às vezes com teu filho, né? Tu fala assim, cara, nasci pra essa parada. Eu não sei se eu acho isso que eu sou mongoloide mesmo, entendeu? Não, mas é... Eu nasci pra essa parada, entendeu? Eu tô fazendo aquilo que eu tinha que fazer nesse momento aqui. Fazer essa parada mongoloid. Isso é bom demais, né, cara? Isso é bom demais. Isso te dá uma paz.
E essa é a verdadeira paz e tranquilidade. Você sabendo que você tá seguindo o roteiro. É o roteiro da sua vida mesmo. Você não tá seguindo o roteiro da vida de outro. Você não pegou o roteiro qualquer, agora tô seguindo isso aqui. Essa é a questão. Isso te dá uma tranquilidade, olha. E esse é o desespero das pessoas. Caramba, Marcelo, eu não sei se eu tô fazendo o que eu tinha que fazer. Eu não sei se eu tenho que lutar pelo casamento, eu tenho que chutar o balde.
Eu não sei se eu tenho que fazer isso ou fazer aquilo. Olha, a dúvida... A dúvida talvez seja a coisa mais angustiante que exista. É por isso que o adolescente, ele é meio revoltado, né? Enfim, não só pela transição, tem uma série de maneiras, mas uma delas é a dúvida O que eu vou ser? Na verdade, o que eu sou? Eu não sou criança? Eu não sou adulto? O que eu sou? O que eu vou fazer? Então essa dúvida é revoltante, gera uma certa revolta em algum adolescente E outros causam desespero Realmente, e viver com dúvida, viver com um ponto de interrogação na cabeça o tempo inteiro gera ansiedade gera uma série de problemas.
Em 2005, 2005, 2004, entre 2005 e 2007. A minha vida, todas as dúvidas de minha vida se acabaram entre 2005 e 2007. Todas as coisas mais importantes da minha vida se resolveram. Em três anos se resolveu toda a minha vida. E depois daqueles três anos, todas as dúvidas se acabaram. Todas as ansiedades. Acabou. Acabou. Aqui. Em três anos, tudo se acabou. Enfim, até hoje. É isso aí. Depois disso, é só aperfeiçoar as presenças. Tu decidiu as presenças. Quem está aí é o presente. Exatamente.
E aí, pronto, agora vou aperfeiçoar, vou surfar nessa onda aqui, é gostoso pegar essa brisa, vamos lá. Ih, caramba, lá tem o marzão, tem a onda batendo alta lá. A gente começa a ver que a gente tem que ir pra onda mais alta, né? E a onda do início já não serve, eu tenho que pegar a onda do Havaí lá. Tomou um cachotão melhorado, né? Tomou um cachotão, você toma uns cachotes, mas eu sei, pô, eu tenho que pegar essas ondas altas aqui. É isso. Meu amigo Reis, Vai lá ver a sua mata.
Já foi... Pô, passa rapidinho, né, cara? Já foi mais de uma hora, né? Começamos 9h30, aí 10h45. Ah, porque, enfim... É, ainda teve os rolos da internet. Olha, agora o próximo a gente vai continuar no almoço, depois continuar nas outras lives, porque... Até a eternidade. A gente vai continuar esse papo, inclusive, na eternidade. Uma cirurgia. Até chegar... Até finalmente chegar à presença, né? Exato. E foi o motivo porque o Santonaggi aqui rasgou tudo e queimou, né? Segura, eu não quero outra coisa senão a tua presença.
E aí aquilo ali, amigo. Enquanto isso a gente vai vivendo essa aventura aqui. Porra, lembra lá que a gente conversou, Reis? Caraca, não era nada, cara. É muito melhor. Nossa, a presença aqui é muito melhor. Pô, e a gente achando que tava entendendo alguma coisa isso aqui. Não tava entendendo nada, cara. A gente era burrão. Beleza, meu amigo. Eu te agradeço com o coração aí pela conversa, cara. Pelo convite, tá? Obrigado. Uma maravilha aí. Eu que te agradeço pela generosidade. Fica com Deus. Um abraço grande, meu irmão.
Fica com Deus. Tchau, tchau. Tchau, tchau, pessoal. Tchau, tchau. Vou passar o vaque. Foi isso, pessoal. Então amanhã tem uma outra live especial e eu vou mandar o convite daqui a pouco. Um abraço. Tchau, tchau.