A estrutura da pessoa
Um pedaço da vida (As três pessoas)
- as três pessoas
- a personalidade = unidade das três
- a persona grega
- a substância humana (ousia)
- as nove categorias de Aristóteles
- os transcendentais
- os três amores (eros, ágape, filia)
- a filáucia (amor egoísta)
- o conselheiro interior
- imagem e semelhança
Trechos da aula
Nós somos um ser humano formado por três pessoas. Essa é a novidade e é a grande estrutura de tudo.
Três pessoas diferentes na mesma natureza humana.
Um ser com substância humana formada por três pessoas.
Transcrição completa
Nós somos um ser humano formado por três pessoas. Essa é a novidade e é a grande estrutura de tudo. É difícil explicar um monte de coisa que vocês perguntaram ontem. por causa dessa falta do conhecimento de uma unidade, de um eixo onde a gente vai tocar e encostar todas as coisas para elas ficarem organizadas. Ontem eu estava aqui explicando para vocês sobre a ação virtuosa da sinceridade. Depois que eu expliquei, quase todo mundo depois mandou mensagem no WhatsApp falando a mesma coisa. Nunca imaginei que sinceridade fosse isso, Diego.
Agora faz todo sentido. E daí você percebe que a sinceridade que se fala por aí é uma doença, né? Ou que se usa por aí pra justificar certos atos. Eu fui sincero com ele. Falei que ele é chato aloprado, que ele é um bosta. Na verdade, a pessoa está chamando de virtude uma falta de paciência, até mesmo homicídio, que é muito maior por causa da ligação dela com falta de sentido de vida, depressão. Então, calma! tenha paciência com a nossa ignorância e com a verdade que se revela.
Eu preciso ter essa paciência todo dia pra não me afobar no estudo, pra não querer meter os pés pelas mãos de sair dando opinião e falando de tudo. Nós temos que contemplar essas coisas aparecendo no mundo e se encarnando na nossa vida, sendo experiência no mundo real. Então, eu vou voltar a falar do amor que a gente falou, separado por cada uma dessas três pessoas. A gente vai poder retomar a resposta que eu dei sobre a evolução da verdade, falando de emunar Aletheia, Veritas, vai falar de como isso acontece na nossa vida, como possibilidade, verossimilhança, probabilidade e a própria encarnação dela na experiência real.
Lembra da prova do chocolate, da degustação do chocolate, que é pessoal e ninguém pode dar esse passo por você? E isso tudo tem a ver com essa estrutura dessas três pessoas. A gente vai encaixar os três amores, o eros, o agap e a filia. A gente ainda vai explicar o que é a distorção disso da filáucia de São Máximo confessor como um amor egoísta e destruidor. A gente vai fazer isso com uma precisão imensa. A gente vai refinar três vontades diferentes, três liberdades diferentes de cada pessoa, três desejos diferentes, três razões diferentes, e tudo isso vai se encaixar.
E a dúvida dos transcendentais, da beleza, bondade e verdade vai fazer todo sentido. De quebra, vocês ainda vão perceber se a unidade é ou não é finalmente um transcendental. Até as formas de convencimento da retórica do trívio medieval, que a gente estudou, vão se encaixar nessa estrutura. A lógica, o pathos, a emoção e o ethos, que é realmente a ação que se torna o exemplo, que é o grande homem que convence, Isso é uma beleza, isso sem dúvida é uma beleza, no nosso trabalho, na nossa família, nas amizades, como chefe, como líder no trabalho, isso é diante da nossa realidade, dessa realidade ternária que eu falei para vocês, dessa composição, isso aí é uma maravilha para um diagnóstico do que está acontecendo.
E assim vai ser. A gente tem um terreno imenso pela frente para posicionar todas as coisas dentro de uma estrutura humana como essa, tá? Afinal de contas, não é assim que acontece na minha vida. Não existe essa pessoa em mim, que me aconselha, o melhor de mim, que me dá uma solução para o meu problema, para eu seguir bem no trabalho, para eu tentar ser um bom pai, um homem que atua no mundo com a ideia que recebeu aqui na consciência. E esse relacionamento do conselheiro, do reis conselheiro, esse pai, trabalha bem meu filho, trabalha bem.
Com esse homem que no final das contas ficou com preguiça e não trabalhou bem, O relacionamento desses dois é o terceiro homem, que é a própria estrutura onde acontece esse relacionamento, que é o homem que no fim das contas fica triste quando não consegue seguir o conselho, quando diz pra si mesmo que trabalhando ele vai ser feliz, mas ele não consegue cumprir essa ordem, esse conselho. E por outro lado, quando consegue, como é que a gente fica? A gente fica em paz, né? Ainda que o conselho seja totalmente sacrificante, quando a gente consegue unificar esse pai com esse filho dentro de nós, a gente fica em paz.
Esse terceiro homem, esse relacionamento, ele funciona perfeitamente. E se não funcionar, você vai sofrer sempre, você vai ficar angustiado. Essa pessoa que, no final das contas, faz essa mediação e essa união e essa estrutura que se unifica nos três e que no final das contas vai ser feliz ou vai ser infeliz. Essa substância humana em três pessoas de mesma natureza, com capacidades e limitações totalmente diferentes, isso na nossa mente, na nossa consciência, como objeto do Diego consciente, do pai, isso vai deixar as coisas tão cristalinas que até quando a gente voltar lá no assunto da sociologia, do Durkheim, do Marx, do Weber, do Comte, a gente vai ver que eles foram muito superficiais e desproporcionais quando eles falaram só de um homem social.
Por quê? Porque essa sociedade do homem, ela primeiramente é interior, essa dinâmica interior que a gente vive, Então a gente vai até providencialmente, por causa da nossa linguagem em português, a gente vai associar isso com as consciências a particular, a consciência, uma consciência coletiva. A gente falou isso de alguma maneira quando falou do Jung, da inconsciência do coletivo. Mas isso é como, em política, a gente chamar de filiação partidária. Porque, em sentido contrário, existe uma filiação que precisa existir em nós por causa dessa nossa estrutura interior.
Porque ela é assim. A gente nasceu, e uma parte de nós nasceu para se filiar. Agora, a questão é a quem, né? A quem que vai existir essa filiação? Então, não esquece mais disso. Não esquece mais disso. Três pessoas diferentes na mesma natureza humana. E nós vamos descobrir a separação da persona grega. Lembra da máscara usada no teatro grego, na comédia, na tragédia, lá no palco? Lembra da palestra da consciência, o homem que não é visto? Existe aquele homem que está atuando no palco, mas alguém montou um roteiro para ele, uma outra pessoa, um homem que não é visto e que nós não avaliamos, nós não sabemos sua intenção.
E no final das contas existe a relação entre esses dois, que é um fato concreto, o mundo real. O direito romano é assim, ele é facilmente encaixado nessa estrutura que eu estou dando para vocês. O conselho do pai, da consciência, essa intenção, a ação no mundo, e o fato que é gerado por essa relação entre os dois, que é a terceira pessoa. A estrutura que está mediando esse relacionamento meio interior. Não são essas três pessoas que no limite de um julgamento são separados de alguma maneira para serem avaliados.
A gente avalia a intenção, depois avalia o ato em si e depois junta tudo. para dar o veredito do ser que tem intenção e cometeu um ato. Esse é o fato geral, né? E você diz se é culposo, se é duloso por essa composição que carrega aí dentro as três verdades? Pessoal, olha só, eu tenho certeza que isso vai diagnosticar para um cara que é psicólogo, um advogado, um coach, um... um amigo que está vendo outro amigo indo para o barro e não sabe o que fazer, a pessoa que se empenha em educação da imaginação, que está muito em voga, um diretor espiritual, um líder no trabalho que precisa liderar os seus subordinados, se ele observar essas três pessoas, quando ele olhar um ser humano com essa mesma substância humana, a gente vai ver que que a vida real acontecendo, ela vai ficar muito mais fácil de receber uma ação nossa cirúrgica pra resolver o problema.
Obviamente, isso tudo que eu tô falando tá sendo tudo descrito por quê? Dentro de mim, né? Como dizia Montaigne, nada do que é humano me é estranho. Por quê? Porque eu sou ser humano. Então, essas coisas sou eu. Sou eu falando, tá? De uma certa maneira, eu percebo que tem gente que tem dificuldade de entender essa minha estrutura. Por quê? Porque desconhece o termo pessoa. Então, eu sugiro que, se quiser refinar isso, dá uma mergulhada na história de um debate que, normalmente, as pessoas desprezam. Que é o debate que é o que acontece lá na...
Conheça a persona grega, o que era aquilo, Não rejeitem a antiguidade, não rejeitem as discussões de uma união hipostática de pessoas. Não desprezem isso, tá? Por preconceito de linguagem teológica ou metafísica. A união dessas pessoas na mesma substância vai deixar evidente pra vocês o que é um ser que vive entre as pessoas. Por quê? essa é a tua dinâmica, por isso que você não cessa nunca, tá? A gente não sabe nem mesmo o que é a substância humana, quando eu falo pra vocês, com suas manifestações no mundo, né?
Eu falo muito isso pra vocês, né? A substância como a ousia, o campo grego, onde tudo acontecia, e seus nove acidentes que a gente viu em Aristóteles. E algumas pessoas vão direto pra solução que Boécio deu, né? Na linguagem latina. e já pegam aquele conceito pronto de pessoa e, obviamente, não vão entender nada. Isso quando vão lá para ver os latinos, quando não ficam direto falando o tempo todo sobre direitos humanos ou dignidade da pessoa humana. E, meu amigo, só sai besteira daí, que é o que a gente tem visto hoje em dia.
E, olha só, apesar de eu estar aqui falando de ciência humana, essa estrutura dá resposta para todos os estudos que eu falei que a gente fez, que eu fiz na adolescência, tá? Que era preponderantemente exata, né? Por causa lá do concurso do colégio naval, por eu gostar de fazer Olimpíada de Matemática, Física. Então, se tu pegar lá, pega um fractal do Mont-Denis, parece uma sucessão, um cardioide, né? Parece uma sucessão que é igual quando você vê do ponto e do infinito, que é a resposta que no fundo, no fundo, é uma função que é uma relação, uma função não é uma relação, entre duas variáveis que vão variar ali no x e no y e vão dar uma terceira coisa.
Eu expliquei isso até na teoria quântica. Quando eu falei da teoria das supercordas, lembra? Do que se comportava em algumas maneiras como ponto e como corda, ou seja, tinham um aspecto trinitário ali dentro desse estudo. Vocês lembram que eu falei disso, não é? Eu falei, quando eu falei da construção da ontologia também, vocês lembram que eu usei o diagrama de Euler para fazer quais são todas as cores do mundo? Então, eu botei lá no diagrama vermelho e não vermelho, e um limite entre os dois que definia o que era um.
Eu dei também uma estrutura ontológica ternária. Tudo isso agora está fazendo sentido, não é? É por isso que eu falei para vocês esperarem. E por fim, quem sabe, se a gente não fala também de metafísica, que também pode ser um começo, na verdade. A gente pode falar disso, pode falar sobre a possibilidade desse encontro, desse ser uno, que é uma trindade dessas pessoas interiores no encontro com uma outra trindade. como se elas duas fossem imagem e semelhança, uma da outra. Tá bom, pessoal? Não se esqueçam mais disso.
Um ser com substância humana formada por três pessoas. Um grande abraço! Fica com Deus!