As virtudes & os vícios
Somos escravos da busca pelo bem
- as três pessoas
- o personagem
- o crítico
- o roteirista
- inteligência e vontade
- a consciência antecedente / agente / consequente
- exame de consciência
- escravo do bem
- apetite irascível / fortaleza
- tristeza e depressão (des-pressão)
Trechos da aula
A gente é tarado pelo bem.
Porque ele é escravo do bem.
A vontade é a força do intelecto.
Transcrição completa
Boa noite, pessoal. Tudo bem? Esse é o vídeo que a gente começa a falar sobre algumas necessidades introdutórias no tema das virtudes, que foi o que o pessoal pediu. Olha só, eu tenho feito um esforço nesse início com esses primeiros vídeos aqui para diferenciar três pessoas. O que é característico de uma pessoa humana? Dois aspectos, a inteligência e a vontade. O que é isso na prática?
Na prática é o seguinte, nem eu nem você jamais vimos um ser humano que não está fazendo a seguinte ação específica. Todos nós sempre estamos buscando achar um bem, pensando aqui, o que é o melhor? E quando a gente acha na nossa cabeça esse bem, a gente faz isso. Ah Diego, a gente, nossas ações são só essas? Não, óbvio que não. A gente tem ações com a ânima de um vegetal e a ânima de um animal, não é isso? A gente tem essas atividades que são instintivas, como um animal vive.
A força do animal que faz o animal realizar os atos que ele realiza é um instinto, não é uma força livre e deliberada como a nossa. O pastor alemão faz a mesma coisa na Alemanha, no Brasil e em São Tomé e Príncipe. A gente não. A gente não. A gente pensa sobre qual é o bem e a gente usa a nossa força para ir atrás dele. Pensando sobre qual é esse melhor, a gente pode chegar à conclusão que é o que Hitler escolheu ou o que Madre Teresa de Calcutá escolheu.
Entende a diferença do ser humano? É um pouquinho diferente do pastor alemão, da Alemanha e do Brasil. Então pode dar um pastor alemão Hitler e pode dar um pastor alemão Madre Teresa de Calcutá. Acho que não é o caso, né? Então tem alguma coisa aí de diferente no ser humano, né? São essas coisas, essas duas coisas. Então eu que estou aqui agora fazendo esse vídeo, eu pensei que esse vídeo seria o melhor que eu poderia fazer. Um bem. Um bem pra fazer agora. Por isso eu tô usando minha força pra fazer isso.
O cara que tá lá no morro agora, comprando drogas, ele tá lá porque ele quer se ferrar pra caramba, quer ser infeliz, quer sofrer aloprado, quer ser preso, quer morrer? Não. Ele está lá porque, apesar dele saber que existem essas possibilidades de mal, ele acredita que tem um bem melhor lá. Então, na medida interior dele, ele vai medindo e deliberando na cabeça dele presença de coisas boas e presença de coisas ruins, e ele chega a uma conclusão que existe um bem maior do que um mal presente.
Então, nós só fazemos isso com o intelecto e a nossa vontade. vai atrás disso aí. Isso aí é tipicamente humano. É por isso que passou por toda a história da filosofia e da psicologia como sendo razão superior, né? Ou as faculdades mais elevadas, as capacidades mais elevadas do ser humano. Só que eu tenho insistido com vocês de que existe uma tensão interior nossa que é a presença de três pessoas humanas. E por que eu decidi chamar de pessoa? para o que eu falo. Porque o que caracteriza a pessoa é um intelecto que busca o bem e uma vontade que vai atrás desse bem.
Força é igual a massa vezes aceleração. Uma força movimenta uma coisa em uma direção, dá uma aceleração para ela. Os atos humanos são assim, por causa de um sentido Eles são realizados através de uma força humana. A gente vai diferenciar cada força dessa. A gente pode fazer isso de maneira simples. Olha só. Ainda agora, lá no passado, tinha um Diego sentado ali, que estava pensando em fazer esse vídeo aqui. Então ali atrás tinha um intelecto deliberante, ou seja, antecedente da ação, uma consciência antecedente que está buscando um bem futuro.
E a vontade, a força que leva essa inteligência a fazer isso, a gente chama de vontade. Nome técnico, capacidade volitiva. Ou um outro nome ainda, que significa exatamente isso, apetite irascível. Quando vocês ouvirem capacidade irascível do ser humano, é a capacidade de ter vontade, tá? Por que eu estou agora preocupado? em enumerar essas, designar, enomear essas duas capacidades humanas. Porque tudo que eu falar sobre virtudes e vícios é relativo a esses poderes humanos. Então vai ser sempre assim, olha só. Eu tenho a capacidade de ter força, né?
A capacidade irascível. O apetite irascível. Se isso for bem usado, a gente vai chamar isso de fortaleza, né? Uma pessoa forte, de vontade forte, a educação da vontade. Se eu colocar outra variável aí, a variável do tempo, da força no tempo, a gente chama isso em física de potência, né? Como virtude, a gente chama isso de constância, não é isso? O cara que é sempre forte, ele tem a virtude da fortaleza, ele é constante. Se eu errar por excesso na força, você vai falar que esse cara você vai chamar essa atitude desse cara que tem força demais de ódio.
Na verdade, de raiva, né? Vamos tentar ser precisos aqui. O ódio é a raiva prolongada no tempo. E se eu errar para o outro lado, por pouca força? Sabe o que é pouca força? Quando você é fraco para buscar uma coisa boa. É aquele cara que... o nome técnico para isso É tristeza. Uma força fraca pra buscar um bem se chama tristeza. É quando você tá desanimado, mesmo diante das coisas que existem na vida pra você buscar, a gente fala, ei, o cara ficou triste, porque ele buscou um bem e não conseguiu alcançar.
E aí a vontade dele esmoreceu. Se essa tristeza se prolongar no tempo, que é a força funcionando mal, por menos força. Se isso acontecer, se isso se prolongar no tempo, a gente vai chamar essa tristeza de assídia. E a última consequência dela a gente chama de depressão. Pressão não é força sobre área, é quando a força sobre a área de atuação humana não existe mais. Então é assim que a gente vai fazer aqui. O que eu estou fazendo aqui agora? Eu estou apontando duas capacidades humanas que funcionam o tempo todo, em todas as deliberações e todos os atos humanos, tá bom?
Atos humanos, não tô falando ato animal nem ato vegetal, não tô falando disso porque, o que que é isso? Respiração, movimento peristáltico, o que que acontece em nós de forma instintiva, como animais, tá bom? Não tô falando disso. Tô falando do que torna o ser humano pessoa. Então volta aqui para as três pessoas. O Diego que estava sentado lá atrás pensando nesse vídeo, ele tinha uma inteligência própria, que é a consciência antecedente do ato, e ele tinha uma força própria, que é a vontade. A vontade é a força do intelecto.
Ela estava funcionando lá atrás. Quando vem aqui um personagem fazer o vídeo, Eu tenho outra pessoa, por quê? Porque eu tenho outro intelecto. Agora eu estou usando aqui a consciência-agente. Eu não estou mais pensando no bem futuro, agora eu estou realizando o bem que eu deliberei lá atrás. Então tem aqui uma inteligência diferente e tem aqui uma vontade diferente. A vontade do agente, que eu chamei de personagem para vocês, o lado de trás é o roteirista, que está planejando isso aqui. Quem está realizando isso aqui é o personagem.
A força de quem tá atuando no palco no momento a gente sempre chama de desejo. Então a gente fala assim, ó, a minha vontade foi fraga porque eu quis fazer o vídeo, eu planejei fazer o vídeo lá atrás, cheguei aqui, eu senti sono e fui dormir. Então esse cara que tá aqui, o personagem, ele tem outra força, que é a força sensitiva, a força sensual, dos sentidos. Porque quem tá aqui, tá aqui de carne e osso, não tá pensando num bem futuro, tá realizando um bem presente, tá?
Então eu mudei o intelecto, mudei a vontade, mudei a pessoa, personagem. Quando eu acabar esse vídeo aqui, que eu estiver sentado ali na minha cama fazendo meu exame de consciência, aí eu vou pensar para trás. Com o que? Com que inteligência? Com a consciência consequente. que é a que faz o julgamento, que vai olhar lá pra trás e vai falar assim, caramba, foi tudo bem. Eu planejei fazer o vídeo e eu fiz o vídeo. O roteirista pensou em fazer o vídeo, escreveu uma possível biografia minha e o personagem executou essa biografia.
e agora eu vou consolidar no meu exame de consciência a minha personalidade. Ela vai consolidar isso que foi feito na escrita da minha biografia, que é factual, é um fato já, que foi planejado e executado. É uma terceira pessoa que tem uma inteligência diferente, que é a consciência consequente. E qual é a vontade dessa terceira pessoa? A vontade dessa terceira pessoa é a força resultante da minha vontade. do roteirista com o desejo do personagem. E a gente sempre fica nessa aí, né? Eu tinha a intenção de fazer e não fiz, ou seja, o desejo foi mais forte do que a vontade.
Qual é a força sadia da personalidade da terceira pessoa? É quando a vontade do intelecto antecedente, da consciência antecedente, que é a vontade lá do roteirista, está alinhada e na mesma direção da vontade desse personagem aqui realizando. Então eu tenho uma personalidade forte. O que é personalidade fraca? É quando o cara pensa uma coisa e faz outra. Não é assim que a gente fala que o cara é sem personalidade? Então uma terceira pessoa com uma força de vontade própria e com uma que é a vontade resultante do desejo e da vontade do intelecto e com uma inteligência própria, que é a consciência consequente.
Então, essa terceira pessoa, ela é simplesmente o relacionamento do roteirista com o personagem. Ela é a formação da nossa personalidade, tá bom? Esse primeiro momento aqui é de consolidar isso aqui que é o que caracteriza a pessoa humana, uma inteligência própria e uma vontade própria. A gente fala muito em liberdade, né? O ser humano é livre até certo ponto, tá? Porque ele é escravo do bem. Não existe nenhum ser humano que deseje o mal e a infelicidade, tá bom? Você pode parar aí agora e tentar pensar nisso.
Quando ele alcança a infelicidade e o mal, ele alcança como resultado de um cara que errou o alvo, mas ele mirou no bem. O intelecto dele escolheu por um bem que era possível bem, mas que no final das contas se mostrou mal. A gente é tarado pelo bem. Parafraseando Santo Agostinho, a gente poderia dizer que nós procuramos incansavelmente o bem, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar no bem. A gente faz isso o tempo todo e nós temos uma força que é um presente que nos foi dado para a gente buscar o bem o tempo todo.
Inteligência e vontade. Uma para descobrir qual é o bem melhor e a outra para correr atrás desse bem. Todos os seres humanos fazem isso o tempo todo. A gente vai ver essas capacidades funcionando bem como virtudes nos relacionamentos das coisas que a gente usar pra alcançar esse bem, que são coisas, pessoas, Deus, objetos, dinheiro, o nosso corpo, a nossa mente, a gente vai ver cada característica dessas funcionando bem e errando pra mais ou errando pra menos, tá bom? E aí a gente vai construir aqui, a gente vai demorar um pouquinho, né?
Porque, bom, pelo que eu escrevi aqui, que já tem mais de uns 10 cadernos aqui sobre isso, sobre virtudes. Já tem mais de 170 virtudes e vícios escritos. Então a gente vai falando de algumas coisas. Comecei com as duas capacidades mais importantes. A gente ainda não terminou de falar sobre elas. E a gente ainda vai se posicionar aí, falando sobre vontade funcionando bem e intelecto funcionando bem. E errando para um lado e errando para o outro. Tá bom, pessoal? Um abraço grande e aí fica com Deus.