Coletânea

A estrutura da pessoa

Examinar a consciência pressupõe uma consciência bem formada como gabarito do exame

7:04 · ~7 min de aula08 de janeiro de 2025Transcrição automática · em revisão
  • exame de consciência
  • formar a consciência (o gabarito)
  • a consciência bem formada
  • as três pessoas (roteirista e personagem)
  • a personalidade como unidade
  • atenção e memória
  • o porteiro da alma (Cassiano)
  • confissão / direção espiritual
  • a inveja (Iago / Otelo)
  • o sofrimento do afastamento de si

Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 0:01.

eu vou responder a pergunta do exame de consciência dentro da realidade de uma antropologia e uma psicologia específica.

Citações verbatim

Trechos da aula

para eu fazer um bom exame de consciência, eu preciso ter uma consciência bem formada
— Prof. Diego Reis
todo afastamento de mim, do personagem que vive, da minha consciência, é o sofrimento humano
— Prof. Diego Reis
para examinar a consciência, Eu preciso de dois aspectos fundamentais, atenção e memória
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

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Bom, eu vou responder a pergunta do exame de consciência dentro da realidade de uma antropologia e uma psicologia específica. Qual é essa psicologia? É a psicologia do homem como uma presença de uma trindade interior, que é facilmente explicada, tem alguns vídeos que já falam sobre isso. É em cima dessa realidade que eu faço o exame de consciência. E por que isso? Porque fica muito mais fácil da gente perceber quais são as dificuldades da gente viver uma vida que muitas das vezes está muito distante da nossa consciência.

Ou seja, parece até mesmo que quando a gente olha pra gente vivendo, a gente não se reconhece, né? Ou fala, caramba, como eu não gostaria de ser o homem que viveu durante o dia, se a gente para a noite pra pensar no que a gente fez. E aí como que se melhora isso? Bom, dá pra começar falando de algumas pequenas coisas, né? O primeiro é que se eu vou fazer um exame de consciência, eu vou, como todo exame, comparar a mim mesmo com um gabarito. Que gabarito é esse?

É a tal da consciência que me julgará a mim mesmo. Então se durante o dia, hoje eu tava lendo a descrição da inveja no livro do Shakespeare, Othello, quando o Iago sente a inveja e o ciúme. Então esse livro é um clássico porque parece que está sendo descrito a inveja de toda a humanidade, inclusive a minha. A gente fala assim, caramba, essa é a minha inveja. Então automaticamente o livro se torna um clássico porque ele fala de todos os homens. E aí quando eu tenho esse padrão, por exemplo, do que é um homem invejoso, e eu consigo reter que durante o dia eu tive essas peças, essa experiência, então à noite eu consigo...

eu tô falando à noite, tá? Mas é óbvio que exame de consciência se faz em qualquer momento. Mas eu preciso de um gabarito pra fazer isso. E esse gabarito, obviamente, ele pode estar errado, né? A gente não corrige prova e o gabarito não tá errado, então às vezes a prova tá certa e se o gabarito estiver errado, a gente compara no errado, né? E o que isso significa na vida? Que se a pessoa tá com a consciência mal formada, ela vai fazer um mau exame de consciência, porque ela vai comparar seus atos com a sua consciência doente.

Então a gente tá falando aqui da formação de duas pessoas. Um, da boa consciência. que se consegue como? Com uma sabedoria acima da sua sabedoria, ou uma espécie de sabedoria universal, que inclui o que eu falei das categorias clássicas, ou seja, ter um conhecimento das virtudes universais, das doenças universais, que a gente pode chamar de vício também. Então, se a gente tem essa consciência bem formada, ou seja, do ser humano que é saudável, que funciona bem, a gente consegue comparar quem? quem está vivendo durante o dia, o nosso homem que está vivendo durante o dia, a gente consegue comparar com o homem que a gente deseja ser à noite.

E aí olha que interessante, então aqui tem o primeiro passo, para eu fazer um bom exame de consciência, eu preciso ter uma consciência bem formada, aí depois a gente faz o próximo vídeo só sobre como formar uma boa consciência, para depois fazer um vídeo de como examiná-la. E a parte de examiná-la é a seguinte, para examinar a consciência, Eu preciso de dois aspectos fundamentais, atenção e memória. A atenção sobre os seus próprios atos é uma espécie de relacionamento de si consigo mesmo. A primeira vez que eu li sobre isso foram nos livros, nas conferências de São João Cassiano, livros muito famosos na Idade Média.

Então os monges do deserto do Egito, eles falam para nos tratar, tratar a nossa alma, a nossa psique. como uma espécie de porteiro. Vem um pensamento e a gente fala pro pensamento. Pensamento, o que você vai fazer dentro de mim? Que espécie de movimento você vai causar aqui? E quando a gente começa a ter, vocês percebem que isso é uma espécie de atenção, né? Eu estou atento ao que está acontecendo comigo mesmo. Quanto mais atenção eu tiver, mais capacidade eu vou ter de comparar os atos que eu estou fazendo com a consciência, com o que eu gostaria de fazer efetivamente.

E esse relacionamento, ou seja, de mim comigo mesmo, essa presença, essa vida nas minhas mãos, ela é o que eu chamei de personalidade. Ou seja, a gente não fala que o homem de personalidade é aquele que faz o que ele diz. Caramba, ele tem personalidade. Parece que existe uma unidade aí entre duas pessoas, um roteirista que planeja a minha vida e um personagem que vive a minha vida, que interpreta a minha vida no próprio palco da existência. E quando eles estão próximos, existe essa terceira pessoa, que é o relacionamento dessa espécie de pai e filho, que é como se fosse um espírito comum aos dois, se for isso mesmo, porque como eu falei, Eles podem ser tão distantes quanto um desconhecido.

Eu não me reconhecer. É meio que aquela frase que Santo Agostinho falava, tu estavas em mim, mas eu estava fora. Eu não me reconheço porque eu não estava em mim mesmo. Eu vivi o que os outros queriam e não o que a minha consciência me dizia. E aí, para a gente não ficar sentindo a dor de estar distante de nós mesmos, da nossa consciência, que todo afastamento de mim, do personagem que vive, da minha consciência, é o sofrimento humano. Então às vezes para romper esse sofrimento, o que eu faço?

Eu desligo a consciência, ou seja, eu vivo a vida durante o dia e eu não quero mais fazer exame de consciência porque isso me machuca, eu não consigo ser o que eu gostaria que eu fosse. Bom, então essa prática aí, ela melhora de diversas maneiras, a gente vai falando sobre elas, tá? Melhora como? Por exemplo, quem realiza a confissão vai fazer o que? Quando eu vou me confessar lá com o sacerdote da igreja católica, o que eu estou fazendo? Eu estou falando para o padre a distância entre o Diego que está vivendo e o Diego que eu gostaria de ser, não é isso?

Quem a minha consciência me disse para ser e quem na verdade eu fui. Quando eu vou fazer uma direção espiritual, ou conversar com um psicólogo, ou conversar com um amigo que tem mais sabedoria do que eu, ou ver uma palestra, ver um vídeo, o que eu estou fazendo na verdade? Eu tô tentando aperfeiçoar a minha consciência, né? O personagem tá ali parado, você tá aqui parado olhando pra mim. O personagem tá ali assistindo um vídeo e tá sendo formada uma nova consciência que vai ser o novo gabarito, vai ser um padrão mais elevado de quem você vai se comparar no dia a dia, tá bom?

Aí de pouquinho em pouquinho a gente vai falando de como a gente pode melhorar.

Conceitos nesta aula
Série · episódio 8 de 46

Papo Matinal

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