Coletânea

As feridas da alma

O sentimento de culpa

56:46 · ~51 min de aula22 de janeiro de 2025Transcrição automática · em revisão
  • a culpa = assumir responsabilidade por uma desordem
  • graça = presença
  • a desgraça / a solidão (ausência da presença que testemunha)
  • a vocação de dominar (reordenar o caos)
  • desculpa vs. perdão
  • a pena e a penitência
  • o penitente (pagar a pena de quem não pode)
  • a honra (ordenar o caos)
  • persona Christi (autoridade delegada para perdoar)
  • a transferência da culpa (o bode expiatório)

Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 5:55.

Bom, pessoal. Vocês sabem que eu fico meio que na dúvida até em cima da hora. Como eu não coloco o tema antes para ir deixando as coisas acontecerem durante a semana, durante os atendimentos, as dores e as dúvidas do pessoal. E aí eu vou vendo por onde estão se encaminhando as dores de vocês, e aí baseado nisso, eu escolhi o tema de hoje, que vai ser de introdução minha

Citações verbatim

Trechos da aula

Não existe terapia e cura nenhuma e ordem no mundo que não seja a presença
— Prof. Diego Reis
O que é culpa? É assumir a responsabilidade por uma desordem
— Prof. Diego Reis
A culpa, ela nasce junto com a pena
— Prof. Diego Reis
Eu posso te desculpar, mas eu não posso te perdoar
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

Transcrição automática · em revisão

Boa noite, Gabriel. Espadote. Olá, meu irmão. Boa noite, Maria. Cristiana, boa noite. Arthur. Olha aí, pessoal de Miami. Boa noite, Eron. Fala, Leonardo. Bruno. Meu aluno, Bruno. Lucas. Dona Atlanta, olha só. Pessoal dos Estados Unidos tá feroz aí. Boa noite, boa noite, Natan.

Boa noite... Quem é Nutri? Perdi ali. Perdi. Brenda, boa noite. Ana. Rafael, boa noite. Tem ficado gravado assim. Se depender da minha vontade, vai. Boa noite, Beatriz. Minas Gerais, olha, é de Minas. Nutre Porfirio. Fabiano de João Pessoa, ó. Natália. Boa noite, Natália. Túlio. Fala, Túlio. Rondonópolis, ó. Vamos ver, vamos ver se dá tempo.

Vai ser rápido, vai ser rápido. Eu vou passar aí, vou pra Cuiabá. Gabriel, boa noite, meu irmão. Matheus, Selva. Olha, eu coloco o despertador. Alânia, salve, Diego, Gabriel. Fala, meu irmão. Daniel, boa noite. Boston, ó. Mais um dos Estados Unidos. Boa noite, Ana. Boa noite, Coutinho. Aí, ó. Do Acre. Boa noite, Maria.

Aí, que maravilha. Gente boa nascendo aí, filhos do túnel. Tuane, boa noite. Natal. Boa noite. Manauara aqui, pessoal de Manaus aí. Fala aí, Igor. Igor é de São Paulo. Pará, Brasília. Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Plantão. O plantão ia fazer na hora. Boa noite, Juliana. Quanto tempo, né? João, te amo, mestre. Te amo, meu irmão. Obrigado pela tua presença também pela companhia. Paraíba.

Ceará. Que bom, Neide. Que bom. Fanny, boa noite. Olha aí, tá ao vivo hoje, Juliana. Fala aí, tudo bem, meu irmão? Boa noite. Boa noite. Ramon. Maranhão. Belo Horizonte, Rio Grande do Sul. Prova... Prova... Amanhã. Amanhã é a prova de vocês. É por isso que hoje tinha gente me pedindo revisão e tirando dúvida, querendo tirar dúvida. Está explicado agora. Quer dizer que amanhã vocês têm prova de antropologia. Boa noite, boa noite, Nicolas. Minas Gerais, ó, o Thaís é de Minas Gerais.

Boa noite, Rodrigo. Luana, da Paraíba. O pessoal da Paraíba é uma maravilha sem tamanho. Laura, Buenos Aires, ó. Pessoal que tá na Argentina aí. Prova, ó, a galera da prova aí. Cotejipe, Cotejipe. Essa Bahia querida. Vamos, café aqui na chácara. Cafézinho, né? Cafézinho, lembra? Tocantins. Derramaram o nosso café lá na Mississipi, que maravilha, que legal. Que bom que vocês vão ter prova. Bom, o Birlândia e Minas Gerais é sempre bom, eu gosto pra caramba. Eu sei que quem vê a live depois deve... ser chato, né?

Essa introdução pra quem vê depois, né? Mas é muito bom. aproxima bastante a gente falando com vocês e vendo aqui de onde vocês estão falando, tá? Por isso que eu aproveito aqui. É o tempo também da galera aí entrando, né? Micarla de Natal. Que bom. Imagina também que seja bom. Excelente, Gabriel. Que maravilha. Santo André, São Paulo. É, Alex. É uma maravilha. É uma maravilha. Eu também gosto pra caramba. Companhia de polícia.

Orgulho em pertencer. Boa noite, meu irmão. Arthur, boa noite. Natália, boa noite. Natália. Boa noite, Bruna. Bom, pessoal. Vocês sabem que eu fico meio que na dúvida até em cima da hora. Como eu não coloco o tema antes para ir deixando as coisas acontecerem durante a semana, durante os atendimentos, as dores e as dúvidas do pessoal. E aí eu vou vendo por onde estão se encaminhando as dores de vocês, e aí baseado nisso, eu escolhi o tema de hoje, que vai ser de introdução minha, mas ele tem possibilidade, de acordo com o que vocês vão falando aí, de eu ir levando para caminhos diferentes, né?

Mas o tema que eu vou começar hoje é um tema simples, mas constante na nossa vida. Busquei respostas durante muito tempo sobre várias dúvidas que eu tinha do tema da consciência humana. Não é o sofrimento não, mas é um tipo grande de sofrimento. Talvez a gente vá por esse caminho. É um caminho quase que necessário, depois de um tempo, chegar no sofrimento humano. e até ter uma possibilidade de domar o sofrimento humano, de dominá-lo.

Existe essa possibilidade real e isso atrai muito o ser humano. Como domar o sofrimento? A gente vai em um sofrimento humano e vai aos poucos aprendendo a domá-lo. Olha só, quando a gente faz alguma coisa de errado ou a gente tá em público, imagina a situação aqui. O filho de um de vocês tava batendo uma bolinha na sala, filho de sete anos, chutou a bola errado e quebrou a televisão.

E aí? Você não está presente na sala, ele está sozinho. Bom, vocês já perceberam que eu vivo por aí chamando a presença de graça, né? Então, o que é isso? Isso aí é só um vínculo, o vínculo com a teologia. Eu estou mostrando para vocês um dia, um dia, certamente a tendência natural é que um dia eu dê aula de teologia para vocês e quando eu chegar lá, eu vou precisar que vocês lembrem das nossas experiências humanas, né?

Afinal de contas, a gente vai entrar lá pelo café, pelo macarrão do mercado da semana passada e hoje pela televisão quebrada. Então vejam, chutou a bola, está sozinho, ele está sozinho na sala e quebrou a televisão. O que acontece? O que começa a acontecer? na psique, na alma, no espírito, na consciência, seja lá como você vá chamar a experiência. Mas o que começa a acontecer na cabeça desse jovenzinho que chutou a bola e quebrou a televisão?

Uma situação corriqueira, né? Ele chutou a bola e quebrou a televisão. Eu vou começar daí, mas com o tempo a gente vai ver o sofrimento, da mulher que abortou o próprio filho, do homem que fez sexo com a secretária, os sofrimentos de quem está numa experiência meio que solitária e fez uma besteira. Vejam, se essa besteira testemunho da besteira, né? Culpa. Pode ser que seja culpa.

Só que tem alguma coisa que acontece que vem a reboque da culpa. A gente pode levar pela culpa. Então, eu vou começar pela culpa. O que é a culpa, afinal de contas? Eu vou dar o exemplo simples que é o que está acontecendo aqui. Vamos supor, estou aqui e caramba, de repente eu dou uma pancada aqui na live, zoneio tudo. E aí o celular cai, a live desliga. De maneira interessante, a primeira coisa que eu vou fazer diante de vocês, Por que que acontece esse fenômeno?

Por que que sem pensar o meu instinto, ele me leva a pedir desculpa? Vejam, dá pra gente falar também, levar por esses dois caminhos aí, a vergonha e o arrependimento estão dentro dessa experiência aí. Vejam, existe uma ordem, jamais esqueçam do domínio. O domínio é o que rege completamente a nossa vida, a tentativa de dominar, de vencer o mundo. Então isso que eu vou falar agora é uma consequência natural da tentativa de continuar dominando, de uma tentativa de acertar as coisas, de dominar, de reordenar as coisas.

Então vejam, A primeira coisa que eu faço, sem pensar em nada, quando eu dou uma pancada aqui no celular, é vir para vocês e pedir, assim, uma desculpa. Isso é uma maravilha, sobretudo... A gente está entrando em um tempo cuaresmal, um tempo em que várias dessas realidades estão inseridas e tomara que dê tempo para a gente chegar lá. Se não der, tem mais um domingo, tem, para a gente falar, tem. Então você vê, eu percebi que foi criada uma desordem. Eu percebi. O que é a culpa?

A culpa é a seguinte, eu dei a pancada aqui no celular e não dá para eu esconder de vocês isso. Isso está na luz. Isso está na claridade. Ou seja, essa desordem que eu causei tem testemunhas. Testemunhas dão conta de que eu causei. Eu sou a causa da desordem. Então, naturalmente, eu não vou tentar fugir da causa dessa desordem, porque tem testemunhas.

Ou seja, a presença de vocês aqui vai me salvar de um caminho de miséria. Qual caminho de miséria a presença de vocês vai me salvar? Da mentira, da escuridão, da tentativa de mudança da realidade. Então, por exemplo, o que significa isso? Significa... Eu vou dar um exemplo bem prático. A gente não vai por esse lado da educação infantil, não. Mas quando eu boto o tema de educação infantil, as pessoas vivem perguntando assim para mim, Diego, como que você lidar com o problema da mentira aí na casa de vocês?

Eu falo, olha, de verdade. A minha esposa está ali na cozinha assistindo a live aqui, é testemunha. A gente tem raríssimos problemas com a mentira aqui na nossa casa. Mas por que raríssimos? Eu nem lembro agora de um para tentar contar. Por quê? Porque as crianças não ficam só. Elas têm sempre testemunhas. Então, quando acontece uma situação, quando elas quebram alguma coisa, normalmente, antes delas pensarem em distorcer a verdade, a testemunha do mundo traz tudo à luz.

Então, por exemplo, se o Totonho quebrou o carrinho, eu já ouço a voz do José. Papai, o Totonho quebrou o carrinho. Se eu não estiver presente. Então, vocês percebam? Eu estou dando esse exemplo para vocês e vejam na vida de vocês a fraqueza que vocês têm quando vocês se colocam em lugares que não têm testemunhas da verdade. Vejam, olha só. O cara que quer ver besteira no celular, aí ele tá na cozinha, aí viu no grupo do trabalho dele, mandaram a besteira.

Pra onde ele vai? Se ele for pra sala, onde tá a família, ele consegue fazer besteira? Não. Ele vai pra solidão. Ele vai pra solidão. Aí, lá na solidão, ele vai fazer aquilo ali. E lá na solidão, a desordem acontece, só que ele não precisa se explicar pra ninguém. Ele não fica com vergonha de ninguém, porque não tem presença. Ele primeiro se coloca na ausência da presença, né?

A presença, eu vivo chamando de graça, né? Ele se coloca primeiro na desgraça e depois da desgraça, ele fica lá na desordenzinha dele, sem a vergonha, sem a culpabilidade. É a presença. É por isso que eu falo para vocês. Não existe terapia e cura nenhuma e ordem no mundo que não seja a presença. Por conseguinte, na teologia, a graça. Não existe nenhum outro instrumento de realização da personalidade humana ou nenhuma terapia que é realizada. Eu estou há vários anos olhando as várias escolas de terapia para ver as coisas que funcionam.

Quando elas funcionam, Eu percebo sempre que é uma presença, é a graça. Vocês entendem? É ela que dá conta da vida humana, tá? Mas vamos lá, vamos continuar aqui. Vamos falar da desgraça para a gente conseguir se livrar de vários sofrimentos que vão acontecendo se a gente não for a cada passo da destruição, a gente não conseguir sair do ciclo da destruição, da desordem, do caos. para o caos não dominar e a gente voltar para a experiência da ordem. Então vamos lá, vou voltar para um exemplo simples, a televisão quebrou, se o meu filho está na presença, no testemunho, começa a aparecer uma espécie de febre, física, ou seja, uma dor interior, que ele vai tentar curar.

Se tiver testemunho, ele vai tentar curar na hora. Então, quando o José fala assim, papai, o Totonho quebrou a televisão, o Totonho quebrou o carrinho. Na hora eu ouço o Totonho, que não vai tentar a desculpa, desculpa, que não vai tentar a mentira, ele vai tentar se desculpar. Então, o que é isso? Ele assume a responsabilidade, a causalidade, assume para si a responsabilidade de ter feito um mal. Se fosse uma coisa boa, se ele tivesse uma coisa boa, se ele tivesse feito uma coisa boa, Papai, Totonho consertou o carrinho.

Se ele tivesse feito uma coisa boa, ele iria por um outro caminho. Então veja, se ele tivesse feito uma coisa boa, eu ia chegar aqui na sala e ia olhar para ele. Ele ia estar com um sorriso e com o peito estufado. O que a gente chama de orgulho. Esse nome, orgulhoso. Esse nome, ele não é o melhor nome técnico pra isso. Não é por causa da origem da palavra orgulho, que tá muito mais atrelada a um defeito, né?

A gente vai corrigir isso em breve. Qual é a palavra, qual é a palavra que faz o totônio encher o peito de ar por ter ordenado o caos no mundo. O nome dessa palavra é honra. Essa é a palavra correta pra essa experiência humana. Honra. Mas separa, a gente não vai pra esse caminho. Não hoje. Não hoje. Hoje a gente vai pelo caminho da ordem que vira o caos, e não do caos que vira a ordem. Apesar de daqui a pouco a gente ordenar esse caos.

Então a TV está quebrada. Aí eu chego na sala, aí o Totonho, ele fala assim, papai, desculpa. Ele faz a grande terapia da culpa. Ele assume a responsabilidade pela desordem. Eu causei a desordem. E aí, sabe, a culpa é um peso, né? Sempre que eu faço esse gesto, eu lembro do Atlas. Atlas é aquela figura mitológica que carrega o universo no ombro, né?

Por que ele carrega o universo no ombro? Ele carrega como pena, como penitência. O penitente é aquele que cumpre pena, né? O Atlas carrega aquele universo porque na mitologia ele enfrentou Zeus, que é conhecido mitologicamente como o Deus da Ordem. Então, como pena, ele carrega a culpa do mundo sobre si. Porque vejam, existe uma ordem no mundo. Presta atenção nisso.

Existe uma ordem no mundo. É por isso que se eu der o tapa aqui, Eu falo assim, pô, desculpa pessoal, esbarrei. Eu não preciso pensar para pedir desculpa. Eu sei automaticamente, por viver dentro da ordem do mundo, automaticamente eu percebo que eu feri a ordem do mundo. E quem criou o mundo? Presta atenção nisso. porque isso que eu vou falar pra vocês independe da religião. Isso é uma constituição ontológica do ser humano, ou seja, tá dentro dele de qualquer maneira. Se eu esbarrei aqui no celular e desvirtuei a ordem do mundo e eu tenho testemunha que aqui são vocês que eu causei, não dá pra eu mentir, não dá pra eu me esconder, eu vou assumir a desordem do mundo, sendo que seja lá o que for para você, que é o dono da ordem do mundo, eu o feri.

Na ordem que ele criou, não está lá previsto Diego, socar o celular durante a live. Não tá previsto isso, você entende? Então eu assumo pra mim a percepção da desordem. Essa é a definição da suma teológica de São Tomás de Aquino pra culpa. O que é culpa? É assumir a responsabilidade por uma desordem. Então vejam, Quando eu assumo a responsabilidade pela desordem, eu assumi uma ação no mundo que não está prevista pelo ordenador do mundo.

Isso significa que as consequências que saem dali são um pedaço do mundo por mim. Se eu esbarro aqui e a live acaba, algumas pessoas iam falar assim, poxa Diego, que pena que a live acabou. Então toda vez que eu assumo uma culpa A culpa, ela nasce junto com a pena.

A pena é a desordem no mundo. Que pena. Que pena que ele se machucou. Que pena que o copo quebrou. E quando eu olho pra essa pena, pra essa desordem, e vejo que ela é um fruto da minha ação, eu assumo o mundo para mim. E aí eu viro um atlas, né? Eu começo a carregá-lo aqui, às minhas costas. Carregar esse piano da culpa, né? Eu tô falando do totóinho da TV quebrada, mas quando eu atendo ali, eu atendo a mulher que matou o próprio filho na barriga, Eu atendo o homem que traiu a esposa e que a esposa se matou por causa disso.

Vocês estão entendendo? Eu estou falando de uma culpa do Totói que ele percebe a desordem no mundo e aí? e seu desculpado, eu alivio meu filho do peso do mundo e agora ele está livre. Por que ele pediu desculpa para mim? Porque aqui para ele dentro de casa, eu sou o dono dessa ordem, né?

Fui eu que ordenei através das minhas capacidades, a TV aqui dentro, fruto do meu trabalho. Então tá aqui. Ele ofendeu uma ordem que foi criada por mim. E aí, ele recorre a mim pra desculpá-lo. Aí eu pergunto pra você, e a mulher que matou o próprio filho no útero, Ela se desculpa com quem? Fala pra mim. Ou o senhor, que eu atendo com 70 anos, é pra ela mesmo?

É isso mesmo? Ela tem poder para se desculpar? Parem para pensar no que eu estou falando. É impossível ela se desculpar. Vocês veem, né? Ó, vamos lá. O Pai Nosso, que é uma oração universal. Qual é a experiência de desculpa no Pai Nosso? Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. não tem se desculpar. Eu me desculpo, eu me perdoo. Ele falou, mas como que se você se perdoa? De quê? Se você não é criador da ordem? Ele falou, você não tem poder para se desculpar.

Isso é impossível psicologicamente, você entende? Isso não é coisa da religião, pô. O Totonho quebrou a TV. Se eu não estou em casa, se ele tá sozinho, como ele vai se desculpar se ele não comprou a TV, vocês entendem? Ele não criou a ordem, pô. Ele vai ficar angustiado até eu chegar em casa. E aí, quando eu chegar em casa, ele pode querer mentir pra aliviar aquela culpa, como... Como... O doutor Freud foi o especialista, o especialista.

É por isso que ele é a maravilha do tempo moderno das pessoas. O homem que nos ensinou como perverter a verdade para se desculpar sem pedir desculpa. Então, eu quebrei a TV. Para não pedir desculpa para o dono da TV, eu falo assim, ah, eu quebrei a TV do meu pai, mas o meu pai também, ele não comprou o carrinho que eu queria. Aí eu faço o processo de transferência da culpa. Olha só que maravilha. Eu só sou o cara que faz um monte de merdas porque...

o meu pai me batia muito ou a minha mãe me abandonou. Então, na verdade, a culpa é deles. Parabéns, doutor Freud. Parabéns. Que maravilha. Você perverteu o mundo para que agora a gente não tenha mais referência da ordem do mundo. E se a ordem do mundo não existe mais, Eu não preciso mais pedir desculpa pro criador da ordem do mundo. Parabéns, doutor Freud. Aí você, não vai dar tempo aqui, né? Já são 9h36. Mas olha, a minha agenda de atendimentos, ela é permeada por pessoas com ideação suicídica.

que se matou, né? Quando a gente trata, por um certo tempo, as pessoas com ideação suicida, você vê que sempre tem alguma coisa em comum em todas elas, que é a experiência final. Ó, eu não vou entrar nela agora pra um dia a gente falar só sobre ela e eu ir com essa calma e essa tranquilidade que a gente tá indo aqui agora, tá? Eu preciso que seja assim, eu sei que às vezes, eu também fico ansioso, vocês veem que eu fico ansioso para querer falar de tudo, né?

Mas vamos com calma para a gente se curar disso, então vejam ó, então eu tenho experiência da desordem que eu causei, o Totonio causou a desordem na televisão, o que que se busca? Se busca o domínio daquela ordem, o ordenador daquela ordem que eu desordenei. Por que que quando eu bato aqui, ó, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, e desordeno esse ambiente, por que que eu peço desculpa para vocês? Porque eu tô... A pena aqui... Quem tá cumprindo a pena de eu tá aqui sacaneando, avacalhando a live de vocês aqui, ó, batendo?

Quem está cumprindo a pena são vocês. Vocês estão assim, pô, que pena, o Diego não para de bater aqui na tela. Então, eu estou assumindo a responsabilidade diante de quem cumpre a pena. Então, ele vem me pedir desculpa da TV porque quem cumpre a pena sou eu. Eu cumpro a pena. Vocês entendem isso? Que a pessoa... Então, olha bem. O cara com a ideação suicida ou o senhor de 70 anos que acha que viveu uma vida de merda? Ele não tem gente para pedir desculpa, porque ele não pode se desculpar, você entende?

A consciência dele pesa e um dia a gente vai falar só da consciência. Pra gente entender. Eu tô falando sobre várias experiências humanas. Vocês vão vendo aí, tá? O macarrão no supermercado, né? De quem tá fugindo da autoridade do ordenador. Vocês entendem aquela experiência do macarrão da live passada? Eu tô fugindo desse mesmo cara de hoje, pô. O cara autoridade do macarrão, aqui agora autoridade da TV sou eu. A mesma experiência. Aí o Totonho, ele fala assim, papai, quebrei a televisão, me desculpa.

Aí eu falo assim, filho, te desculpo. Olho para a televisão. Que pena que não tem mais TV. O meu filho tá desculpado. Mas o fato de eu desculpá-lo não conserta a TV. O meu filho, ele não tem poder pra pagar essa pena. Ele não tem capacidade pra pagar essa pena. E aí o que eu faço?

Eu faço um passo a mais da desculpa. Eu vou perdoá-lo. Vocês sabem que o sufixo per- de permanganato, de per-fazer, de perfeição. O mesmo sufixo do perdão significa a plenitude, a feição, o fazer perfeito, o doar perfeito.

o limite do doar. Então eu vou assumir a pena do meu filho. Eu o desculpei e agora eu vou perdoar. Eu vou doar até o fim e vou pagar com a minha vida, a minha capacidade, o meu dinheiro. do meu filho. Vocês estão entendendo que são coisas diferentes? São experiências diferentes. O homem com o seu poder, que carrega a pena dos outros, ele é um penitente.

O que é um penitente? é aquele que olha para as pessoas. O penitente é o terapeuta que atende a mulher viciada em achiche, a mulher que traiu o marido, o homem que traiu a esposa, O penitente é aquele que consegue pagar um pouco daquilo que o outro não pode pagar.

Vejam, pelo amor de Deus, como a televisão é assim, como a televisão Quando um pai desculpa o filho, arranca o peso das costas do filho, e perdoa o filho, e doa mais, ele doa mais, o que foi doado o filho vendeu, ele vendeu, Então ele vai dar mais. Ele vai ajeitar a televisão, vai consertar a televisão, o copo.

Ele é um penitente. É isso que é uma pessoa que é penitente. Vocês entendem? É assim com a televisão quebrada. E como que vocês acham estranho? que um homem que tem um paciente que é fraco, que ele possa se oferecer diante do ordenador do mundo para cumprir pena por aquele que não pode pagar, se a nossa vida simples é assim. Vocês entendem isso que eu falei agora? Então vejam.

O Totonho, ele vai lá, pede desculpa pro papai que tá aqui, que domina. Mas para pra pensar agora na mulher que abortou o filho, então. Ou você que tá na solidão, vendo pornografia, se masturbando, fumando maconha. Tu tá aí na solidão, não tem testemunha, você entende? Você tá desgraçadamente sozinho, vocês entendem? A ausência da presença. Pra quem que você vai pedir desculpa?

Quem que tá sofrendo a pena? Algumas outras pessoas? Pode ser. Agora, se você está sozinho, solteiro, está aí, vendo pornografia, se viciando, não ajudando ninguém, não fazendo nada para ninguém, sua vida não está prestando para nada, você vai pedir desculpa para quem, jovenzinho? Só tem uma possibilidade. Você precisaria que uma pessoa pudesse encarnar o Criador da Ordem.

Essa é a sua única chance. Então vejam, agora sim, agora sim, A gente vai adentrar o mundo que com um pouco mais de prazo, um mundo sem desculpa que com um pouco mais de prazo chega nas ideações suicidas. Existem algumas técnicas hoje que estão sendo tentadas. para que as pessoas aliviem essa culpa.

Elas são técnicas artificiais e camuflam a desculpa. Vou dar alguns exemplos para vocês. A técnica que eu falei, ainda agora, a do Freud, é a técnica do bode expiatório, né? É a técnica do bullying. É a mesma técnica, mesma coisa. É a técnica de pegar uma pessoa para pagar o parto. Ou seja, na técnica do Freud, ele pega todas aquelas pessoas do teu passado e joga a culpa para todas elas, né?

O seu pai, a sua mãe, papapá, papapá, papapá. Entende? Beleza. Vai dar certo? Momentaneamente, parece dar. A longo prazo, eu estou aqui falando para vocês onde chega. O Freud viu na carne dele onde chegava e eu até umas pessoas com ideação suicida aonde chega. Ou isso, ou um problema gravíssimo de morte da consciência, que a gente vai ver depois quando a gente falar só sobre a consciência. Mas vamos voltar aqui. Outro tipo, sabe aquela coisa da religião de fecha seus olhos, vem aqui na frente que vai ficar uma pessoa aqui e aí você fecha os olhos e imagina que ela é Jesus Cristo.

Imagina que ela é o seu filhinho que você abortou no útero. Fecha seus olhos, imagina que essa pessoa aqui na tua frente é essa pessoa aí que você feriu e pede desculpa pra ela. E aí você faz esse processo e também se alivia momentaneamente. Porque você sente, você sente. Não tá encarnado no mundo, você entende? Não tá encarnado no mundo. É uma sensação no mundo do crítico e do roteirista, né?

De que eu fui perdoado. Ou a religião que é, bom, Não tem Deus no mundo, encarnado no mundo, mas tem o Deus Invisível. E aí você pede perdão para o Deus Invisível. Só que você sempre fica com aquela polguinha atrás da orelha, sabe por quê? Porque você não consegue ouvir aquela voz assim de eu te perdoo. Só que é pior do que isso. Eu tenho o poder que me foi delegado pelo autor do mundo para perdoar os teus pecados.

Então, por esse poder que me foi delegado por ele, eu te perdoo. Era isso que você queria? Só que as pessoas não têm isso. a menos que Jesus Cristo perdoa pecados. Vocês lembram o caso do paralítico, né? que pede para o Senhor para curá-lo, e Jesus fala assim, todos os teus pecados estão perdoados, tá ligado? E depois fala para o fariseu, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados. A menos que Jesus Cristo tivesse delegado isso para as outras pessoas, tá ligado?

A menos que ele tivesse falado assim para os apóstolos. Pô, olha só, faz o seguinte, eu vou passar pra vocês esse poder de perdoar pecados, os pecados que vocês perdoarem estão perdoados, tá? O que vocês ligarem aqui na Terra, eu vou ligar no Céu, tá bom? Eu vou submeter o Céu ao amor de vocês, vocês entendem? O que vocês modificarem na Terra, o que ligarem na Terra, eu vou ligar no Céu, e o que vocês desligarem na Terra, eu vou desligar no Céu. A menos que Jesus Cristo, que Deus tivesse dado esse poder, para os apóstolos, para eles darem esse poder, a gente estaria ferrado para caraco, porque a gente nunca ia aliviar o universo do Atlas das nossas costas, a gente ia carregar o peso do mundo inteiro, porque o cara que eu matei, eu não desmato e ninguém desmata, ninguém desmata, Só que se tivesse alguém, porque o Totonho olha pro papai dele e o Totonho só tem a desculpa completa e o perdão completo porque ele sabe que o papai pode pagar a pena dele e o papai vai comprar outra televisão, vocês entendem?

Mas com uma morte, somente se o papai Ele só poderia ser perdoado, ou seja, ele só teria a penitência que o cura completamente se o papai tivesse o poder de levantar o morto. Porque ele matou uma pessoa. Então o meu perdão só pode ser dado porque tem o poder de pegar a morte e ordená-la. como eu posso ordenar a televisão quebrada. Então, eu preciso, eu preciso dessa estrutura no mundo, senão a minha cabeça não funciona.

Vocês estão entendendo? Eu estou falando de uma parada extremamente simples da televisão. Se eu não tenho o poder, eu não posso te perdoar. Eu posso te desculpar, mas eu não posso te perdoar. Não posso, vocês entendem isso? Se eu... Se meu filho quebrou a TV e eu não tenho dinheiro, não tenho mais o que fazer pra TV, o Marcos, psiquiatra, cheio do dinheiro, fala assim, pô, Diego, toma aqui esse dinheiro, cara. Faz o seguinte, Compra outra TV lá pra sua casa.

Olha que maravilha! Olha que maravilha! Eu não tenho nada a ver com a vida de vocês, com a TV quebrada de vocês, mas se eu tiver capacidade, eu posso cumprir as penas por vocês, com o meu poder. é uma vocação grandiosíssima, grandiosíssima, que uma pessoa que anda ao lado daquele que ordena o mundo, que tem grandes capacidades, tem.

Então, os apóstolos que andavam com o Cristo, que tinha poder sobre a morte, podiam perdoar pessoas que feriram de morte. Porque a morte pode ser ordenada por Cristo. Por mim, não. Não por mim. Deus teria que ser muito bondoso conosco, para colocar uma pessoa que estivesse diante de nós em persona Christi, na pessoa dele mesmo, e que pudesse falar assim, pelo poder que me foi conferido, pela igreja católica, pelos apóstolos, pelo Jesus Cristo, por Deus, pela autoridade que me foi concedida, eu te perdoo, eu te Perdoo.

É a desculpa até as últimas consequências. Eu assumo a sua culpa e pago a sua pena. E quem anda com ele pode fazer isso também. É óbvio que esse é um caminho natural. É óbvio que o coração de quem se aproxima do domínio, de quem começa a dominar. Na teologia, na religião, a gente chama isso de vida de oração, de intimidade com Deus, de vida espiritual. Quem anda perto dele, a presença dele delega uma autoridade na pessoa dele.

A composição da psique humana mostra isso para a gente desde as coisas mais frágeis, como eu estou dando o exemplo para vocês aqui da televisão. Tá bom, pessoal? Eu ia entrar aqui na vergonha, mas a gente fala numa próxima oportunidade, tá? A gente vai falar da vergonha e do que por sua parte Ela calma. Vocês lembram que eu falei uma vez com vocês aí em alguma live sobre uma vez que o demônio foi confessar com o padre Pio, né? E aí começou a falar com o padre Pio tudo o que ele fazia.

Então, quando eu falar da vergonha, eu vou falar da segunda vez que o demônio foi se confessar com o padre Pio e o que ele falou lá e tentou fazer com as pessoas sobre a vergonha, tá? Por hoje, fiquem aqui com a culpa e a desculpa. a pena e a penitência e vão indo nesse caminho pra gente entrar na quaresma pra ordenar o mundo e quem tiver capacidade pagar penas por aqueles que ainda não podem pagar porque um dia eles vão pagar penas com a gente pra ordenar o mundo.

domínio sobre o sofrimento, tá bom? Até a próxima, um forte abraço!

Conceitos nesta aula
Série · episódio 19 de 46

Papo Matinal

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