As virtudes & os vícios
Vergonha
- a vergonha = não-querer-ser
- a soberba = olhar sozinho (raiz dos vícios)
- a queda de Eva
- as três pessoas (personagem / crítico / roteirista)
- a solidão após solidão
- olhar com o olhar da ordem (como Deus olha)
- Capax Dei (capaz de Deus)
- a vocação de dominar
- os sete vícios capitais / os logismoi de Evágrio
- a desordem encarnada
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 1:47.
“Então, Eva está lá. Ela está sem a presença do personagem. Ela está na solidão.”
Trechos da aula
A soberba é olhar para qualquer coisa no mundo sozinho.
É olhar para o mundo com o olhar da ordem para que não seja oferecida uma desordem.
a serpente ela não ofereceu uma banana para quem quer maçã, ela ofereceu a divindade para quem nasceu capaz de Deus
é o não querer ser, eu não quero ser, isso é vergonha
Transcrição completa
Meu irmão, quem não tava ao vivo chorou, meu irmão. Poxa vida. Pô, eu vou começar. Eu vou voltar aonde a gente tava e essa live aqui eu não vou deixar gravada, não. Perder uma meia hora, né? Meia hora de live que a gente perdeu, uma gravação. Vamos voltar? Quem não estava ao vivo nessa aí chorou. E essa é a base, né? Vamos lá, vamos continuar. Bom, tá aqui registrado. Eu não sei, depois eu vou ver se com o que a gente vai falar a partir de agora.
vai dar pra deixar gravada a live aqui. O pessoal que tá chegando agora e não percebeu, estávamos aqui umas 240, sei lá, 250 pessoas ao vivo e aí a live caiu, né? Meia hora de live. Eu vou continuar agora e aí quem tava aqui tava, né? Bom, vamos lá então, continuando. Então, Vamos lá. Então, Eva está lá. Ela está sem a presença do personagem. Ela está na solidão. Vejam.
Ela está na solidão do personagem. Aí vocês viram, então, que eu mostrei para vocês que ela trouxe a tona. a lembrança, a memória, e que ela trouxe à tona o roteiro, o futuro. Então vejam, isso é uma personalidade. Isso é uma personalidade. Então se vocês estiverem presentes fazendo uma coisa na vida de vocês que não tenha uma memória e não tenha um roteiro, aí não está a personalidade de vocês, vocês entendem?
É por isso que de uma maneira geral, a gente fala assim, muitas das vezes, o cara está vivendo a vida de um animal, é a vida do hedonista, a vida da busca incessante por prazer, é o carpe diem, só o momento presente, o hoje, ou essa coisa que o pessoal fala muito por aí, Com um ar de... Enche o peito pra falar, né? Com um ar de virtuoso, né? Não, eu vivo o momento presente. Pra mim, não me importa o dia de amanhã. Ainda cito o evangelho, né?
Não me importa o dia de amanhã. O mesmo evangelho que, por exemplo, onde é dito lá, né? Que quem entra numa guerra ou numa construção sem planejar o quanto vai fazer, é... É óbvio que estava fazendo besteira, você entende? Então, as pessoas têm lá. Ela diz virtuosamente, então, que ela não está nem aí para o amanhã e também não está nem aí para o passado. Eva não. Eva estava lá diante da serpente e ela estava com toda a personalidade, com toda a pessoalidade. Então, ela lembrava de onde vinha, e ela lembrava para onde ela estava indo.
Então, ela lembrava do passado e depois ela lembrava do futuro. Bom, qual que é a ordem? A ordem é que se eu comer, o que vai acontecer amanhã? Eu vou morrer. É essa. Essa é a lembrança da vida futura, a lembrança do passado associada com a vida futura. Então, eu não posso comer, porque foi dada uma ordem. E essa ordem, o que acontece lá na frente, se eu não cumprir a ordem? Ocorre a desordem. Qual que é a desordem? É a morte. Então, está lá formada a personalidade humana e as três presenças na qual começa a narrativa da desgraça.
Então, primeiro, a tentativa que é o que a gente chama da base de todo o erro humano. Qual que é a base de todo o erro humano? Na história do estudo das virtudes do Ocidente, sobretudo consolidadas a partir dos estudos de São Gregório Magno, o primeiro papa monge, beneditino. Então, a gente tem lá o tal dos sete vícios capitais. Mas no estudo dessas mesmas realidades no mundo oriental, a gente tem em Evagrio Pôntico, Evagrio do Ponto, uma cidade da atual Turquia, a gente tem os nove logismoi, pensamentos, os pensamentos.
Então você vê, lá no Líbano, a bibliografia maior lá, onde eu morei, no Oriente Médio, no Líbano, que fica a sudeste da Turquia, terra do Evagrio, de cultura mais oriental. Nesse caso, obviamente, o pessoal conhecia menos os pecados capitais, que é mais ocidental, e conhecia mais os logismoides do Evagrio Pântico. Mas o que é importante nisso? Lá tem como base o que a gente chama aqui de soberba. Aqui, A soberba não está dentro dos sete pecados capitais, só que ela não está de maneira separada, porque ela está em todos eles.
O que é a soberba? Então, olha para a experiência de Eva. Ela está lá e aquela é a narrativa da queda do homem. O homem vai tropeçar e vai se esborrachar, o ser humano. Olha a história da queda. Então, a primeira ausência, a do personagem. Deus não está ali, Adão não está ali. Começou a história da desgraça. Aí ela tá com as duas presenças, a presença do crítico e a presença do roteirista. Aí o que a serpente então fala pra ela? A serpente fala assim, não, não é isso não que Deus falou não.
Não é que você vai comer e vai morrer, não é esse o roteiro. Sabe qual é o roteiro? O roteiro é que se você comer, você vai ser como Deus. Você vai conhecer o bem e o mal. E a Eva perde a segunda presença. O que é a soberba? Olha agora. O que é a soberba?
O que é a soberba? A soberba é olhar para qualquer coisa no mundo sozinho. Como assim sozinho? é olhar para qualquer coisa no mundo sem o olhar da ordem, ou seja, sem olhar para o mundo como Deus olhou e olha. Então, olha só, por exemplo, se vocês estivessem falando sobre os pecados capitais, o que é a gula?
Antes de você se ferrar todo por causa da desordem do material, da alimentação, do concupiscível, é você olhar para a torta de limão sozinho. O que é a vareza? É você olhar para o punhado de dinheiro sozinho. O que é a luxúria? é você olhar para a mulher sozinho. Como assim sozinho? Se eu olhar para a torta de limão e eu fizer o que eu sempre achei a maravilha, São João da Cruz está naquele quadro dos santos por causa disso que eu vou falar para vocês agora.
Porque ele me ensinou na minha adolescência a fazer a seguinte pergunta, Como Deus olha para a torta de limão. Como Deus olha para o punhado de dinheiro. Como Deus olha para a mulher. Como Deus olha para o meu amigo no trabalho. Como Deus olha para a caneta. Essa é a grande É olhar para o mundo com o olhar da ordem para que não seja oferecida uma desordem. Então, para Eva foi oferecida uma desordem.
Deus te deu uma ordem. Uma pessoa escreveu aí, alguém que eu não lembro o nome, né? A desobediência, né? Desobedecer. Ela olhou para o mundo e ela lembrou do olhar de Deus, mas foi oferecido um outro olhar e ela escolheu o futuro com outro olhar. Ela falou, pô Diego, tem mais coisa aí que você não quer falar? Tem. Vocês sabem que uma das coisas que mais me deixou apaixonado quando eu li o Catecismo da Igreja Católica?
Foi quando eu li que nós éramos Capax Dei, tá escrito lá no Catecismo em latim, né? Capaz de Deus nós somos capazes de Deus. Essa capacidade é uma faculdade, uma potência. Nós temos o poder, a potência divina, o poder para ser como Deus. E o mesmo São João da Cruz escreveu na forma de poesia, o que Deus pretende é fazer-vos deuses, sendo ele por natureza, ele porque ele é, e nós por participação.
Como um fogo que converte tudo em fogo, o que Deus pretende é fazer-nos deuses. Então vocês percebem porque eu encho o saco de vocês falando que a nossa vocação é dominar, é ser um outro domino no mundo para os cristãos, um alter Cristi, em latim, que deu o nome para os cristãos de cristão, porque eles eram como Cristo, você entende? Eles dominavam o mundo como Cristo dominava, mas é isso. Então vejam, a serpente ela não ofereceu uma banana para quem quer maçã, ela ofereceu a divindade para quem nasceu capaz de Deus e para quem tem o tesão de ser divino, você entende?
Você entendeu? A serpente ofereceu tudo para o qual o coração do homem nasceu, só que ela não tinha. Você vê, esse é o fundamento, o substrato. E na próxima vez eu vou falar para vocês sobre o bem, na próxima live. É preciso que a gente... Eu quero falar várias coisas e eu fico pensando assim, cara, para falar isso, o que eu tenho que falar antes? Para falar isso, o que eu tenho que falar antes? Aí eu quero falar de umas coisas para vocês que eu percebi que eu tenho que falar antes sobre o bem Só que antes de falar aquilo, eu tenho que falar isso hoje.
Você vê que isso está, inclusive, na raiz da nossa natureza, que é o modo como a gente tropeça. Vocês entendem por que a gente está tropeçando, tropeçando, tropeçando, tropeçando? Um caminho de desgraça é um caminho de solidão após solidão. Solidão após solidão. Então, primeiro, eu saí da solidão do personagem. Depois, eu saí da solidão do roteirista. E por fim, eu abraço aquilo como minha verdade, por causa da falsa ordem, que é a desordem. E aí, ela encarna a desordem no mundo.
Ela realiza, ela come a maçã estragada, né? O alimento do personagem ia fazer a vontade do pai, né? Ela comeu o alimento do enganador, da mentira. E aí vem o tema, né? Meu irmão, eu enrolo pra caraca, né? Eu enrolo pra caraca, meu irmão. Agora que eu vi que eu gastei 45 minutos pra falar a palavra do tema, né? E aí, desgraça, após desgraça, a ausência após ausência. Quando acaba aquilo ali, quando acaba aquela experiência de Eva, Deus vem.
Então vejam, Não é que a gente fez um monte de merda e ele não quer mais vir, vocês entendem? Porque ele vem. Eva tá lá. Solidão após solidão. E Deus vem. E quando Deus chega, O que que ela faz? Ela vai pra trás da árvore, pô. Vocês lembram da história do xadrez, né?
Meu filho, aconteça o que acontecer, não sai da minha presença, fica aqui jogando com o papai, que o papai vai dar um jeito. Mas ela agora... Ela saiu da presença do personagem, depois ela saiu do roteirista, depois ela saiu do crítico. E aí agora? Eu vou vir como dono tabuleiro, vou organizar tudo para conseguir de novo? Porra, mas ela se esconde. E lá está escrito assim, ela sentiu vergonha. Vergonha. Olha a experiência que vocês têm da vergonha.
Se eu tô aqui e eu fiz uma besteira e eu tô sentindo vergonha, o que acontece comigo? Existe um mundo... A gente não fala assim de uma maneira geral? Eu queria, como o avestruz, né? Cavar um buraco e enfiar a minha cabeça na areia, na terra. Porra, você quer morrer, você entende? A vergonha... esse nome vergonha, é a tragédia do homem, é o produto do mal do mundo, ou seja, é o não querer ser, eu não quero ser, isso é vergonha, então eu fui deixando de ser, vocês estão entendendo, a personalidade, ela está se desfazendo, passo após passo, pessoa após pessoa, agora eu não quero mais ser, e o fundamento da vergonha, vocês vejam, vejam uma vez eu contei aqui para vocês uma experiência da primeira vez que Padre Pio confessou o demônio, eu não sei se vocês lembram, então naquela vez eu contei que o demônio ficava falando tudo que ele fez de mal, e o Padre Pio não conseguia refutar, agora eu vou contar a segunda confissão do demônio com o Padre Pio, na segunda confissão o Padre Pio percebeu que ele estava na fila, E aí saiu do confessionário e perguntou pra ele, o que você tá fazendo aqui?
Aí ele fala assim pro padre Pio, eu vim devolver pra eles aquilo que eu tiro deles quando eles vão fazer merda, eu vim dar pra eles a vergonha, eu vim dar pra eles a morte, eu quero que eles desejem não ser Eu quero que eles enfiem a cabeça na terra. Na mitologia grega, a gente não tem o personagem que enfia a cabeça na terra e grita pra dentro da terra o pecado dele, porque ele tem vergonha de falar a escuridão. Vocês entendem? Eu queria ajudar dezenas de vocês a retomarem o casamento de vocês.
a ter vida intelectual, só que eu não vou conseguir fazer isso, eu não vou conseguir ajudar vocês, se vocês estiverem e se entregarem e se esconderem na presença, se vocês escolherem a vergonha, a ausência, a desgraça, a morte, Eu não vou conseguir ajudar vocês a ser sincero, que vai ser o fundamento de uma coisa que a gente vai falar ali na frente, de como se vive a perfeição do casamento, por exemplo. Vocês precisam sentar na mesa, pegar uma folha de papel e escrever tudo o que vocês sentem vergonha.
Olhar aí a live, que eu não sei o nome, mas se alguém souber, tem uma live aí que eu falo da desordem, da desculpa, não é isso? Acho que é a da desculpa, né? Pra gente sair disso. Escreve tudo que te gera vergonha e ao invés de como o rei Midas enfiar a cabeça na terra de vergonha, vão lá e confessem. Deus, véi, não se escondam atrás da árvore. Porque ele é o dono do tabuleiro. Ele sabe o que fazer. Se vocês não fizerem isso, eu fico tentando falar pra vocês com calma, pra não chegar aqui e falar assim, porra, vai todo mundo se confessar, porra, senão vocês vão se ferrar pra caraca, vão ser infelizes, caramba, eu podia só falar isso, né?
Tipo guruzão, né? Mas eu queria que vocês lembrassem de como é a vida real. Eu queria que quando vocês fossem criar um filho, vocês não falassem assim, ó. Ah não, eu deixo meu filho trazer a namoradinha pra dentro de casa ou eu deixo minha filha trazer o namoradinho pra dentro de casa, que é melhor eles fazerem as coisas aqui do que fazerem na rua. E aí o seu filho, ele perde a vergonha da desordem. Só que a vergonha, essa morte, É o remédio do homem.
Eu ainda tô devendo pra vocês, né? Uma live sobre só a morte, né? Vocês não podem deixar a vergonha pra lá. Não podem. Porque ela é a corrupção total da personalidade humana. Vocês entenderam? É por isso que ela tá lá na experiência original, no comecinho lá. Pô, eu tinha que fazer um curso pra vocês sobre a Bíblia, né? Ia ser maneiro pra caraca, né? Mas ainda falta, ainda tem um monte de coisa na fila antes de chegar nisso aí. Isso aí era só pra falar pra vocês da experiência da vergonha, que é importante, tá bom?
Beleza, pessoal? Não sei, vale a pena deixar gravado aí só esse finalzinho? Acho que não, né? Porque senão quem olhar aqui não vai entender. Ah, Juliana viu desde o começo, faz sentido para você, Manu. Acho que precisava do começo todo, né? Beleza. Uma maravilha sempre estar na presença de vocês. Se livrem da vergonha e vocês vão ver como é olhar para a torta de limão, para o café, para a esposa, para o dinheiro e não olhar mais só.
Não olhar para essas coisas escondidas atrás da árvore, mas olhar para todas essas coisas na presença daquele que criou tudo isso com a ordem verbal, com a palavra encarnada no mundo. Nós nascemos pra isso. E nós somos capazes disso. Eu também amo vocês. É bom demais estar com vocês. Até a breve.