Coletânea

Presença & o tempo que tempera

O que é meu de verdade

49:17 · ~40 min de aula09 de janeiro de 2025Transcrição automática · em revisão
  • graça = presença
  • do físico para o metafísico
  • amor = sacrifício
  • a responsabilidade ritual
  • o pronome possessivo (incorporar na personalidade)
  • a autoridade / o autor
  • as três pessoas (roteirista/personagem/crítico)
  • vontade vs. desejo (ausência vs. presença)
  • o sacramento do matrimônio (consumação)
  • amadurecer = sacrificar-se

Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 9:35.

Hoje o nosso assunto... Hoje eu precisava dar essa introdução para vocês aqui.

Citações verbatim

Trechos da aula

O centro da personalidade para Santo Tomás era a presença
— Prof. Diego Reis
Tudo começa pela física, para o ser humano. Tudo começa pela presença
— Prof. Diego Reis
Ela só acontece por um processo ritual de um sacrifício que você oferta para aquilo que vai se tornar seu na presença de uma autoridade
— Prof. Diego Reis
um homem que vive vida imoral jamais deveria ser ouvido como quem fala a verdade da filosofia
— Prof. Diego Reis
Palavra por palavra

Transcrição completa

Transcrição automática · em revisão

Opa! Fala, Gabriel. Fala, Natan. Boa noite, meu irmão. Mateus. Boa noite, Ana Paula. Boa noite, Luísa. Luísa é a da louça, né? Comandos. Também te amo, meu irmão. Saudade. Boa noite, Renan. Boa noite.

Boa noite, Amanda. Boa noite, Lucas. Boa noite, Aline. Renata. Bom dia, Renata, tá na Austrália, né? Anápolis. Ursula, ferrou, né? Boa noite, Natália Gandolfo. Boa noite. Boa noite, Maíra. Tudo curto. Continênciazinha, tudo curto. Boa noite.

Espadote. Espadote sempre marcando presença aí da Colômbia. Boa noite, Natália. Natália tá ensinando as três pessoas pra geral. Daiara. Angélica. Boa noite. Esqueci. Está no meu roteiro, salvá-la. Vamos ver se o personagem vai conseguir. Boa noite, boa noite, boa noite. Acho que está justo esse horário do domingo, nove da noite.

É o horário que eu consegui. Durante a semana, nesses horários de live, eu normalmente estou atendendo, né? Minha aluna. Boa noite. Boa noite, Caio. A galera que chegou da missa aí, ó. Chegando na missa agora. Hoje é a missa. Hoje é dia de Santo Tomás de Aquino.

Ah, o Julhão aí, ó. Né, meu irmão? Grande Julho. Esse aqui você conhece, né, meu irmão? Hoje é dia de São Tomás de Aquino. Alguém me perguntou um dia desses sobre vida intelectual e tal. Uma das coisas que eu sempre fiz na vida, inclusive sobre essa coisa aí das três pessoas, foi levar minhas dúvidas intelectuais pra missa, né?

Porque a gente aprende, ou deveria aprender, que a missa, pela intemporalidade dela, ou seja, existe uma missa, né? Até hoje só foi celebrada uma missa, existe uma missa. E nela estão presentes as três igrejas, né? a igreja militante, a igreja padecente e a igreja triunfante. Então, obviamente, hoje foi um bom dia para falar com Santo Tomás na missa. Santo Tomás já ouviu muito problema intelectual meu na missa, especialmente Santo Tomás. Mas isso é papo mais para o futuro.

Até eu chegar nessas coisas, nesses assuntos aí de vida intelectual, de uma vida intelectual decente, tem tanta coisa para falar antes disso. Você viu lá no curso, lá no curso eu dei uma aula bônus sobre personalidade intelectual. Vê, eu deixei para falar isso no final do curso e falei meio a contragosto. Falei porque tinha muita pergunta sobre isso. Porque tem muita coisa para acertar antes da gente viver uma experiência intelectual. Hoje alguém me mandou no direct uma frase de Sócrates dita por Platão.

Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida. Essa frase, famosa essa frase, né? Eu olho essa frase assim e assim como a tendência moderna da psicologia, Ou assim como, eu fico até triste às vezes, por exemplo, hoje é dia de Santo Tomás, eu fico triste às vezes quando eu vejo psicólogos tomistas ou tomistas colocando o intelecto humano como centro da personalidade. É óbvio que não é, para Santo Tomás eu tenho certeza que não era o intelecto o centro da personalidade.

O centro da personalidade para Santo Tomás era a presença. que é a graça, né? Tanto é que tem o famoso cenário no final da vida dele, que ele tenta queimar todos os livros. E aí, quando ele tem a experiência com Deus, ele não fala nada de vida intelectual. Ele fala que só queria ficar na presença dele. E eu tenho um receio muito grande dessa carga que as pessoas lhe dão pro intelecto e pra vida intelectual. Essa coisa aí, dessa frase, né? Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida, porque às vezes a gente vê a vida dessas crianças que vêm viver no meio de nós um dia, um dia.

Às vezes as pessoas têm, algumas mulheres têm um dia de gravidez, um dia. E aí, essa pessoa que tem um dia de vida no útero da mãe, ela morre, né? E aí é óbvio que um dia a gente vai conhecer essa pessoa eterna no paraíso, na idade de um corpo glorioso, né? Uma pessoa adulta, madura, forte. E aí vocês vêm dizer que a vida não examinada ou que não tem um intelecto como centro da personalidade não vale a pena ser vivida? Pode ir, uma ova, vocês entendem?

O intelecto humano é uma formiguinha perto da presença eterna da vida humana. Então, hoje o pessoal precisa ter muita calma aí com a moda da vida intelectual. E eu tô falando isso, isso tá vindo de um homem que dedica um bom tempo da vida a esse tipo de atividade, não está vindo alguém aqui que é contrário à atividade intelectual não, atividade intelectual é uma atividade obviamente muito importante, eu vou falar muito para vocês sobre a consciência humana. Mas vamos lá, 15 minutos aí de resenha agorativa.

Eu também amo vocês, meus irmãos, meus alunos, meus amigos, Davi. Hoje o nosso assunto... Hoje eu precisava dar essa introdução para vocês aqui. Olha só, quando eu estou falando para vocês, quando eu atendo um paciente, Como que eu me oriento? Está aqui na minha realidade? Então, eu ia falar sobre um tema hoje, aí eu estava olhando a caixinha de perguntas. Essa caixinha aí que eu coloco no dia da live, ela é muito importante para mim, porque eu me oriento por ela, para as prioridades que eu dou nas coisas.

Então, vocês participarem aí, mesmo que o Diego não vai responder a minha pergunta, mas eu me oriento nas necessidades de vocês, no sofrimento de vocês, por essa caixinha. Então, olha só, quando eu estou olhando, quando aparece uma pessoa e ela se senta na minha frente para ser atendida, ou eu estou diante de um amigo, ou eu estou diante de uma realidade humana, a pessoa, ela fala, ela vai falar, né? e a gente vai começar uma conversa, ou um atendimento que seja. A presença dessa pessoa, ela está num lugar físico, mas ela também está num outro lugar, que a gente chama de tempo.

Ela tem que estar. Então, você vê, quais são as possibilidades que aparecem para mim? A pessoa, ela está falando assim, ela vem, aí vai falar assim, Ah, eu queria falar contigo sobre os problemas que eu estou passando no meu casamento, ou os problemas com a criação dos meus filhos, ou eu estou com dificuldade financeira. Então, está lá a pessoa e a bola, aquela bola do meio que sempre está entre os três bonequinhos, que é o eixo da personalidade, que é a presença, que é onde a gente vai desembocar a nossa conversa de hoje.

que é o ponto da gente conseguir chamar essa presença de alguma coisa que é minha e como a gente cura a nossa responsabilidade e o nosso entusiasmo para fazer as coisas. Então, olha só. Quando uma pessoa fala para mim sobre o que ela vê pela frente na vida, as esperanças ou, usualmente, as desesperanças. Brilha pra mim, na personalidade humana, numa imagem do universo, do homem, brilha pra mim um ponto, né? Então, eu vou pra lá. Então se ela tá falando de esperança, ela tá falando de esperança, ela tá falando de vontade, ela tá falando de prudência, ela tá falando da arte de decidir bem, ela tá falando de um momento que ela vai descer pro mundo real dedutivamente.

As coisas, elas estão encaixadas pra mim numa imagem da personalidade humana. Então, obviamente, Quando a gente sabe, conhece a dinâmica da personalidade humana, eu sei de onde eu estou vindo e para onde eu estou indo. Então, se aquilo vem de um problema, de uma, como diz a TCC, de uma crença nuclear disfuncional... Deixa eu... A bateria ficou fraca aqui. Amor! Amor! Você pode me passar o carregador do celular, por gentileza, que eu esqueci de botar aqui na... Desculpa te incomodar, esqueci mesmo. Obrigado. Ou como o Victor Frankl falava do sentido da vida, da logoterapia.

Então, por exemplo, quando a pessoa está falando de sentido de vida, onde que ela está localizada para mim? ela está localizada lá no roteirista, num lugar. Porque o tempo é um lugar. Tanto é que a gente usa as mesmas preposições. Quem já fez o meu curso sabe que no meu curso tem uma aula sobre classes gramaticais para falar das categorias humanas e de simbólica. Então, as preposições servem para a gente falar da categoria espaço. Só que quando a gente fala do tempo a gente sempre fala com categoria espacial, né?

Não, o cara está vivendo lá no passado. Vocês percebem? Aquilo é um tempo, né? Mas é óbvio que é um lugar. Tanto é que para vocês se encontrarem, para duas pessoas se encontrarem, elas não conseguem se encontrar só no mesmo lugar. Elas têm que se encontrar no mesmo lugar e no mesmo tempo. Não é isso? Se a gente estiver em duas igrejas com um dia de dilatação, de diferença, a gente não se encontrou. Então é a mesma realidade como eu botei no story hoje. O espaço-tempo tem essa característica aí.

Então isso é a solução de um problema físico. Metafisicamente, psicologicamente, é a mesma coisa. É por isso que é muito difícil. Eu entendo hoje a grande dificuldade das pessoas às vezes entenderem o mundo psicológico, metafísico, imaterial, invisível. Porque é óbvio que o ser humano só tem um modo de entrar nesse mundo. Ele só tem um modo de entrar no mundo imaterial, é através do mundo material. Ele só tem um modo de entrar no mundo invisível, através do mundo visível. Ele só tem um modo de entrar no mundo metafísico, através do mundo físico.

Então, por exemplo, se você olha uma pessoa assim, ah não, eu me converti pela metafísica. É óbvio que é balela. Nenhum ser humano se converte pela metafísica, porque a metafísica não é o mundo humano. O mundo humano é uma metafísica. Tudo começa pela física, para o ser humano. Tudo começa pela presença. A presença real, física, para o ser humano, começa assim. Então, o nosso caminho é do físico para o metafísico e o caminho de Deus é do metafísico para o físico, não é isso? Ele cria ex nihilo, do nada, do metafísico para o físico e a gente cria as coisas no mundo metafísico através da mediação do mundo físico, sobretudo com palavras, imagens e simbólica.

Então, quando a gente olha para um problema, que é o problema que eu queria falar efetivamente, de uma pessoa que, eu acho que é a Isabela que perguntou isso, ela perguntou assim, por que que hoje as pessoas estão vivendo assim, várias realidades humanas, sem assumir a responsabilidade que a gente pode chamar, assim, de responsabilidade ritual. O que é responsabilidade ritual? Por exemplo, qual que é a diferença de duas pessoas que vão morar juntas, que se juntam, vão lá, têm relação sexual, transam, e falam, pô, vamos morar juntos.

sexual, elas decidem passar por um processo ritual, sobretudo o que a gente chama de sacramento do matrimônio. Então a pergunta era assim, Diego, tem diferença de eu fazer isso, de eu ir viver junto com a pessoa e ver, ou isso é um assunto da igreja, se isso é coisa de igreja? Então tá bom, vamos deixar então o assunto da metafísica, da teologia, da igreja, vamos deixar aqui, vamos falar sobre isso aqui e vamos ver a unidade da vida humana que se encontra aqui na nossa presença do personagem no palco, onde vive o crítico e o roteirista.

Então olha só, vamos lá. E a Joana, olha só a Joana, eu sempre lembro da Joana no dia de São Tomás de Aquino, no dia de aniversário da Joana que entrou aí, parabéns Joana. Sempre quando eu vejo o dia 28 de São Tomás de Aquino eu lembro da Joana, agora eu costumo lembrar de aniversário de pessoa assim baseado em relação com a vida dos Santos. Então, olha só. Roteirista, hein? Roteirista. Aqui, a minha vida futura. Eu vou decidir aqui na minha cabeça, né? Vejam, deixa brilhar aí na frente de vocês a personalidade humana.

Então tá aqui, ó, o roteirista no futuro. Deixa brilhar na cabeça de vocês a vida desse cara, a vida que vocês planejaram pro dia de amanhã. Então você fez um roteiro pra amanhã. No roteiro do dia de amanhã, o almoço da minha casa vai ser macarrão no cardápio. Eu decidi na minha mente, né? Então a decisão na mente, a decisão na mente, sem a presença das coisas, é um ato de vontade, o ato de desejo não tá aqui, né?

Ele tá em outra parte da estrutura da personalidade. Ele tá vinculado com o personagem no palco, na presença real da coisa no mundo físico, não é assim? Então eu sinto desejo pela torta de limão pela presença dela. Se ela estiver ausente e eu decidir na minha cabeça pela torta de limão, é um ato de vontade, tá? São coisas muito diferentes, muito diferentes. eu decidi por um ato de vontade que é o encerramento da prudência, São Gregório Magno, quando termina o ato mental de vontade, se encerra então a virtude da prudência, a capacidade, o modo de operar, do que pensa no dia de amanhã.

Então, encerrou na minha cabeça que amanhã o cardápio vai ser macarrão. Está decidido, eu decidi. Então, veja bem, as dezenas de pessoas que fazem pergunta assim para mim, Diego, por que que o personagem, por que que meu personagem, ele não consegue, ele não consegue cumprir com força, com entusiasmo, Eu vou fazer uma live dessas só sobre o entusiasmo da vida humana, como que se mantém um entusiasmo constante e duradouro ao longo de muitos anos. Mas, por agora, eu preciso das antessalas, das pré-condições de um entusiasmo.

Eu decidi na minha cabeça o roteiro de um mundo que há de vir, que está lá num lugar, no futuro, que ainda não existe no mundo real, E pode ser que nunca exista, nunca se torne o presente, mas é um mundo que eu já criei com essa minha capacidade de criar mundos. No mundo mental, é um mundo que está sobre esse terreno, que eu chamo de substância da vida do roteirista, que é a imaginação. Uma ação através de imagens. Então tá lá. O macarrão. Eu já vejo o macarrão.

A carbonara, o macarrão com aquele bifão, a milanesa, com ovo. Macaquinho no cipó, né? Macaquinho no cipó é carne moída. Macarrão com carne moída. Tá lá. O macarrão de amanhã. Pra que amanhã o macarrão ele se consumir o macarrão e o macarrão realizar efetivamente a vocação dele no mundo. Porque eu vou comer o macarrão para ter energia, né? Sobretudo carboidrato.

Então eu tenho um plano para a minha vida para o macarrão. Esse macarrão que está na minha cabeça, ele não é meu macarrão. Ele é, eu falo assim, eu falo assim pra minha esposa, amanhã nós vamos comer macarrão. Vocês percebem que ele ainda não tá incorporado na minha personalidade. Por que que é isso? Porque dentro das categorias dos pronomes, ou seja, daquilo que é para o nome, que é incorporado no nome, que é o símbolo da substância individual, da vida propriamente humana, da vocação pessoalíssima. ele vai receber um pronome possessivo.

Então, o meu incorpora alguma bola do centro das três pessoas no meio dos meus eus, de forma que a gente vai se tornar os nossos eus e os nossos meus. O Ortega, quando ele falava, eu sou eu e minhas circunstâncias, o que que ele tá falando olhando pra personalidade humana? Eu sou os meus eus, os três aqui, com os meus meus, que são aquelas bolas do meio naquela torre dos amores duráveis que são, que é o eixo da personalidade humana. Então vejam, o macarrão, ele não é meu macarrão, ele não é, ele é só macarrão, amanhã nós vamos comer macarrão, qualquer macarrão, só que de maneira estranhíssima, quando ele está encarnado no mundo, quando ele está na minha frente, no meu prato, se o meu filho colocar o dedo naquele macarrão, eu falo assim, filho, Você pode tirar a mão do meu macarrão?

Por que que ontem eu já tinha decidido na minha cabeça que o macarrão seria meu, mas eu não chamava de meu? E que a linguagem dá conta de explicar, de ver o que acontece na nossa psique, na nossa alma, no nosso espírito, na nossa cabeça, na nossa consciência. Presta atenção, que processo é esse? Quando eu decido na minha cabeça a decisão mental, então vejam, vamos começar aqui agora a falar como adulto, eu decidi na minha cabeça, na minha cabeça, que eu quero que a Maria dure na minha vida, ela não é a minha Maria, ela é a Maria, eu falo assim, cara eu quero casar com essa mulher, ela dure.

Então, é uma morfilia, as amizades que, entre elas, eu quero que uma dure mais, para ter uma intimidade maior, uma duração maior, um olhar mais presente que testemunhe mais ainda a presença da minha vida. A decisão mental, para ela se encarnar no mundo, para o macarrão do mercado se tornar o meu macarrão, o que eu tenho que fazer no mundo real para que ocorra essa transformação na minha alma?

mediada pela linguagem quando eu passo de um macarrão genérico para um macarrão portador do meu pronome possessivo, que vai incorporá-lo no centro da minha personalidade. Como é que isso é feito? Olha só. Vamos lá. Então, eu decidi, no mundo imaterial, no mundo metafísico, que amanhã vai ser macarrão, eu vou ter que olhar para o mundo então, eu vou ter que, lá de cima, lá de cima, do mundo intelectual, eu vou ter que olhar para o mundo real, para fazer o processo que os medievais chamaram, tanto subindo quanto descendo, de véritas, então o que é véritas, é o quanto o mundo encarnado, o real, o tocável, o que tem gosto, se parece com o mundo de cima, Então, no mundo de cima, as coisas não se desgastam, né?

Aqui em cima, dois mais dois são quatro. Mas só... só é assim pro homem. Porque o homem, no mundo, ele viu duas bananas mais duas bananas e dão quatro bananas. O homem nunca viu, no mundo, andando por aí, dois mais dois são quatro, você entende? A gente nunca viu isso. Pô, essa porra de... de que eu me orientei pelo mundo metafísico, uma loucura sem tamanho, sem cabimento nenhum na nossa vida, eu me converti pela metafísica de São Tomás, isso aí não tem cabimento nenhum na vida humana, aí eu estou lá, agora quando eu olho para o mundo real, eu falo assim, caramba, no mundo real não tem macarrão não, está na minha cabeça só o macarrão, aí eu vou ter que, achar um mercado, saber se no mercado tem um macarrão que eu quero comprar, só que muito mais do que isso, eu vou ter que sair da minha casa portando um poder, um sacrifício, porque quando eu chegar lá no mercado, eu vou ter que oferecer diante do mundo um sacrifício da minha vida, para ser portador daquele macarrão, você entende?

Para que um dia ele possa se tornar o meu macarrão e entre na minha vocação pessoalíssima, então eu vou sair de casa portando um poder de realizar sacrifício, porque eu vou ter que me entregar um pedaço de mim em sacrifício, lá no mercado qual vai ser? Vai ser o dinheiro, que eu achei no chão, pode até ser, mas o dinheiro é símbolo é um símbolo de troca, de um trabalho, né? Antigamente era o escambo, aí você trocava o espelho pela comida. Eu estou carregando um poder comigo, um poder de sacrifício, aí eu chego lá no mercado, entro no mercado, procuro o macarrão, acho o macarrão, então vê, eu já tive que realizar várias coisas no mundo real, vejam, eu decidi na minha cabeça e agora eu estou olhando para o mundo e eu vou transformar o mundo, para que ele se realize, para que ele encarne, que é a vocação final da verdade, da decisão, para que ela se encarne, para que ela exista, aí quando eu pego o macarrão, aquele macarrão que eu peguei, Ele não é meu.

Eu já tenho o macarrão na minha mão, você entende? Olha só. Vocês sabem quando que eu percebi isso que eu estou falando para vocês? Uma vez eu estava em Cabo Frio, na escola naval, eu estava em Cabo Frio com uns amigos, aí a gente foi no mercado, aí um amigo meu comeu um traquinas, Aí comeu antes de passar no caixa, né? Quando tu vai no caixa, pô, teu cartão pode não passar. Hoje em dia tem vários métodos, não tem? Vários métodos. Tipo assim, se tu tiver com o celular, tu faz pix, caramba, mas de vez em quando, de vez em quando pode dar merda, né?

Eu, há um tempo atrás, tipo assim, ajudei uma pessoa a pagar o mercado, dei meu pix pra ela, falei, ó, porque ela fez a compra ali, e não tinha como pagar, você entende? Imagina se ela tivesse comido a parada, tá ligado? Sem ter como pagar. Aí eu tava lá com os amigos, aí de repente comeu o biscoito, chegou no caixa, o safado do meu amigo tirou pra mim e falou assim pra mim, pô meu irmão, ruinsão, Pagar a parada que tu já comeu, né, cara? Pô, já comi o biscoito, agora vou ter que pagar pela parada.

Ruizão, né? Aí eu olhei pra ele, cara. Falei assim, meu irmão. Pô, tu comeu o biscoito, cara. Agora tu tem que pagar pelo biscoito, tá entendendo? Esse biscoito não é teu, porra. Nenhum de nós aqui pode chamar esse biscoito de teu biscoito, tá ligado? O biscoito é do mercado, porra. Você comeu o biscoito do mercado, cara. Entendeu? Aí, nesse dia, no caixa do mercado, eu percebi que um homem jamais poderia dormir com uma mulher sem fazer um ritual de sacrifício na presença de alguém que tivesse autoridade para dar essa mulher para ele.

Sabe por que isso? Porque o cara saiu do mercado assim pra mim. Porra, Diego, tô me sentindo culpado, cara. A gente fez ele pagar, mas ele... Porra, tô me sentindo culpado. Porra, meu irmão, tô me sentindo meio ladrão, tá ligado? Porra, eu não queria pagar a parada. Se vocês não estivessem aqui pra me obrigar, eu ia sair desse mercado sem pagar o biscoito, porra. Então, presta atenção. Quando eu cheguei no caixa com o macarrão do mercado, e eu botei o macarrão na frente do caixa, o caixa, ele é representante de uma autoridade que tem poder sobre o macarrão, o caixa também não é o dono do macarrão, ele representa o dono do mercado que é dono do macarrão, que tem autoridade, então vejam, qual que é o processo psicológico que faz a personalidade humana amadurecer, e vocês vão ver porque eu estou falando, usando essa palavra tecnicamente, amadurecer, porque para eu poder usar finalmente o pronome possessivo, ou seja, para eu dar posse àquele macarrão a minha personalidade, Eu vou ter que oferecer um sacrifício num altar, diante de alguém que tenha poder sobre o macarrão e que possa me transformar pelo processo ritual no dono do macarrão.

É assim que acontece na sua vida, dia após dia, para tudo que você chamar de meu. Ela só acontece por um processo ritual de um sacrifício que você oferta para aquilo que vai se tornar seu na presença de uma autoridade, de um autor. Vocês estão entendendo isso que eu estou falando para vocês? Vejam, eu estou falando de traquinas e de macarrão. Se com traquinas, meu irmão, o meu camarada saiu do mercado com com culpa, com um problema psicológico, porra, que eu tive que resolver pra ele.

Vocês imaginem, porque presta atenção aqui. O macarrão agora é meu macarrão, não é? No saquinho do mercado? Na porta do mercado? Não é meu agora? Eu não ofereci um sacrifício pelo macarrão? Agora? Agora, o macarrão é meu, mas presta atenção, ele é meu. Onde que a gente está agora na personalidade? A gente está aqui na faixa de baixo do hexágono, no pontinho que vai começar a vida do amor do personagem no palco.

porque ele é meu, o macarrão é meu, está no meu saquinho, porque eu fiz o ritual de sacrifício no altar diante de uma autoridade, só que ele ainda não se deu para mim e eu não me dei para ele, eu não consumi ainda o macarrão, eu só vou ter finalmente o carboidrato que vai fazê-lo realizar a vocação pessoalíssima, porque eu posso falar de macarrão, eu posso ensinar tudo para vocês de macarrão, o macarrão do mercado e falar de macarrão, mas a verdade é a seguinte, o macarrão que você come ou esse macarrão que eu como, ele é pessoalíssimo ninguém no mundo, é desse macarrão que é consumido no mundo que vai virar a energia que vai me fazer realizar o meu trabalho, a minha vocação, esse macarrão que é meu, ele só vai se impregnar de mim e cumprir a finalidade da vocação que é se encarnar na vida humana, ele virar Diego, o macarrão vai virar Diego, eu vou me tornar um pouco macarrão, quando eu chegar em casa, prepará-lo e consumí-lo, de forma que quando isso acontece, eu posso chamar o macarrão como São Pio chamava Cristo ou Santa Terezinha, ou como está no Cântico dos Cânticos que Santa Teresa d'Ávila comentou, né?

Eu sou todo para o meu amado e o meu amado é todo para mim, ele é meu amado, ele é só meu, mas é óbvio que ele é só seu, porque você o consumiu e consumou a sua vocação. É assim como o macarrão, O que vocês acham que é com uma mulher? A Igreja Católica, maravilhosamente, fala que a consumação do casamento se dá no ato sexual. Mas é óbvio, tá ligado? Até então, eu tô com o macarrão na sacola do mercado.

Eu saí do mercado com o macarrão e até então eu não tenho nada. Só que presta atenção. o cara que nem deu de si, que não tem nenhuma autoridade, tá ligado? Ele pegou uma mulher e levou pra casa dele, e ele tá chamando de minha mulher em volta dele. Todo mundo sabe que ele é um ladrão, você entende? Mas é óbvio que todo mundo sabe, pô, porque nenhuma autoridade deu aquela mulher pra ele, vocês entendem? Ele não chamou a comunidade pra pedir a mulher, ele não chamou alguém revestido de um poder imaterial de uma autoridade que é óbvio que tem que ser expressa pelo fundamento da religião, ele não chamou, pô.

Você entende? Se o meu amigo saiu do mercado com um problema psicológico, cara, vocês imaginem tu botar uma mulher dentro de casa que não é sua, pô, que você não deu um sacrifício no caixa pra ter a mulher pra você, você acha que é a tua cabeça? tá funcionando bem, com o que você vai fazer com aquela mulher no mundo, mas é óbvio que não tá, mas é óbvio que você fez um exercício de imaturidade e de roubo, é óbvio que é isso, por quê? Porque quando você consumi-la, quando comer o biscoito no mercado, você vai falar assim, porra, mas agora eu não quero pagar, Agora eu não quero pagar o pato, porque eu já tive tudo sem o sacrifício, e você mulher, você que se dá, ou o homem que se dá também, tá corroborando com esse roubo, você entende?

Com essa imaturidade, porra. Porque óbvio que é uma imaturidade, porque o que é a plenitude da maturidade? O que é uma fruta madura? A vocação da fruta madura não é cair pra morrer, pra se sacrificar? Pra dar vida pra pessoa que vai se alimentar, ou pra dar vida ao solo, ou pra dar outra árvore? São essas as possibilidades do amadurecimento. Você vai se consumir, vai morrer. em sacrifício por alguma coisa maior do que você, você entende? Pela comunidade, pelo solo. Isso tudo se torna o quê?

Matrimônio, patriotismo, você entende? Essas coisas de fundamento de religião, do martírio do santo. Aí o cara acha que não, pô. Ele acha que não, que é tranquilo assim, sabe? Que isso... Ah, meu irmão, isso é parada de religião, porra! Isso é parada de religião! Porra, vocês estão de sacanagem, cara! Não dá pra fazer isso nem com biscoito, porra! Você quer fazer com uma mulher dentro de casa? Você entende isso? Então vejam... Você aqui hoje... Não pode. Você não pode. Nós sabemos que você é mentiroso. Se você não levou sua mulher diante de uma autoridade pra dar um sacrifício de responsabilidade diante dela, nós em volta de você, a gente só não te fala.

A gente só não te fala porque a gente também é covarde e acha que não vai te ajudar porque tem medo de você ir embora. Você entende? Mas vejam... Se... você não ofereceu, se não ofereceu o sacrifício, nós sabemos que essa mulher não é sua mulher, ela não é sua mulher, você entende isso? Isso não é a imposição da religião, não é a imposição da religião, a religião só está ensinando você a perfeição da alma humana, para que você tenha uma coisa e chame de minha, com todo um processo completo de responsabilidade, de sacrifício, de amadurecimento, de você levar a mulher para sua casa, e o casamento, o sacramento do matrimônio, o sacramento que vai ser consumido, que se consuma no ato sexual, é esse momento, e que se você consumissem isso tudo, Você tá se enfraquecendo e tá transformando a tua personalidade na personalidade de um ladrão E você pode ficar tentando se convencer que é sua mulher, é minha mulher, é minha mulher Todos nós em volta de você sabemos que não é Porque você não tem autoridade Você não tem autoridade sobre aquele biscoito, você entende?

Aquela autoridade não foi te dada por ninguém Você não é o caixa Você não pode levar o biscoito pra casa sem oferecer um sacrifício ritual. Você não faz isso com biscoito, pô. Não faz isso com biscoito. É isso. Tinha que... Tá aí, meu irmão. Pô, olha que fantástico aqui que o Tiago tá falando. A gente tinha que começar a chamar gente e falar, pô, tu é casado na igreja, irmão? Ele falou, não, não sou, não. A gente ia começar a gritar, pô, na rua. Pega ladrão, porra, esse maluco é ladrão.

Ele roubou a mulher dos outros, porra, e levou pra casa dele, é ladrão. Mas eu não tô aqui pra falar isso, como quem tá aqui, porque quer te dar uma lição de moral, porque se acha melhor do que você. Sabe por que eu tô aqui falando isso? Porque é uma merda ver um homem que foi criado pra perfeição e que tem a vocação e os poderes dentro de si pra dominar o mundo, pra dominar o mundo. e jogar isso fora porque não quis dar o dinheiro no caixa para levar o biscoito para casa.

Vocês entendem? E que poderia estar realizando grandes coisas nesse mundo, nessa vida, né? E estar com um problema psicológico, porque carrega culpa, você entende? Porque Porque sabe, e você vê, essa culpa é escrota, você vê que as pessoas começam a fazer isso, aí elas começam a se afastar da religião. Sabe por quê? Porque para para pensar. Olha só, volta para o macarrão então, para você entender a experiência psicológica. Se eu sair do mercado com o macarrão e não fiz o ritual, no caixa para oferecer o meu sacrifício, veja, o que é que acontece dentro de mim a partir da porta para fora?

Eu começo a temer toda a autoridade, esse é o processo psicológico natural que vai acontecer, por quê? Porque você começou a fugir da autoridade do caixa, E tudo que tem no mundo de domínio e a ver com o autor, você vê, você perde a sua autonomia, você começa a temer a autoridade. e todas as coisas relativas à ordem do mundo começam a te causar problema psicológico, e você vai começar a lutar contra essa ordem do mundo como quem está correndo da polícia, porque pegou o macarrão, você entende?

Esse é o processo psicológico. Então presta atenção aqui para a gente acabar agora aqui. Se você está correndo da autoridade, se você está correndo do autor, daquele portador da ordem que comanda o mundo, se você começou essa corrida insana dele, Você está se afastando da grande verdade do mundo, do grande humor do mundo. Se você está se afastando do autor e você começa a combatê-lo e ele começou a se transformar num inimigo seu, você nunca vai conhecer nada da filosofia. Por isso, um homem que vive vida imoral jamais deveria ser ouvido como quem fala a verdade da filosofia, porque não existe verdade na imoralidade, isso é impossível de acontecer.

Um homem que quer conhecer a verdade encarnada no mundo, ele precisa primeiro lutar pela moralidade completa da vida dele. O que é a moralidade completa? O que é lutar por isso? é somente lutar pela presença da autoridade. Eu quero viver uma vida que ainda que eu esteja sem dinheiro para pagar no banco, no caixa, no macarrão, eu vou pedir, você entende? Eu vou pedir esmola, eu vou pedir ajuda, mas eu vou ficar ali diante do caixa e eu não vou sair dali mesmo que eu esteja na merda.

Você entende? Isso vai manter a nossa cabeça sã diante do mundo. se a gente realizar todos os processos rituais daquilo que hoje a gente incorpora na nossa personalidade com o pronome possessivo meu. Tá bom, pessoal? Sempre uma maravilha estar com vocês aí. No domingo, se Deus quiser, no domingo que vem, a gente conversa novamente sobre um próximo ponto. Até breve. Forte abraço.

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